Durante a década de 60 e 70, surgiram importantes manifestações artísticas que dialogavam com a realidade política e econômica do país, e foi a partir desse contexto que o cinema nacional viu despontar importantes movimentos como o Cinema Novo, o Cinema Marginal e posteriormente o Cinema de Invenção. Porém, nenhum desses movimentos cinematogáficos conseguiu sobreviver (pelo menos não ideológicamente/estéticamente) ao período posterior a década de 70 e 80, justamente em um momento em que o país vivia o processo de abertura política e se respirava novos anseios. Na década de 90 a cinema nacional sofreu um grande baque com Collor, ressuscitou com medidas de incentivo recentemente.
E hoje, como analisar a produção nacional? quais as suas caracteristicas? Quais as suas propostas estéticas? Ainda há espaço para o "cinema de autor"?

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Respostas a este tópico

Ah, sem esquecer a significativa adesão da Chanchada concomitante com os movimentos de vanguarda elistista.
Minha opnião: Precisamos de 1 cinema de autor, produtoras de filmes nacionais bons de gabarito e que estes fiquem mais tempo em cirquito nacional ou entrem mesmo os curta metragens!
Acredito que tudo esteja colocado dentro de uma escala de relativismo. Naquela época, uma proposta do cinema era a de romper, quase sempre, com o 'padrão capitalista' - encarnado nos empreendimentos de Hollywood. Surgiram os manifestos citados e então você coloca a questão do cinema atualmente... Vejo, pessoalmente falando, um cinema preocupado com o que o público possa estar acostumado e, quando rompendo com esta estrutura, limitado por questões financeiras - vide ANCINE. Não vejo muita inovação dentro do cinema brasileiro e, quando elas surgem, apresentam-se como cópias de ideários antigos da plataforma cinematográfica mundial. Vejo o contexto do impetchman de Collor como um baque, também, n'um sentido mais amplo quando tratado numa 'falha' do processo democrático que muitos autores/cineastas acreditavam até então. E, sinceramente, não vejo mais espaço para velhas ideologias e hipocrisias empregadas em discursos cinematográficos, ficando tudo pautado pela "qualidade" e lucratividade mesmo. Cinema, atualmente, é tão somente isso: lucro e salas de cinema.
Leandro, gostei da sua colocação sobre a relação entre arte & política, ou arte e ideologia. Concordo com a afirmação de que o contexto especifíco da época acabou por influenciar determinados movimentos culturais - principalmente a proposta do Cinema Novo, calçada na idéia de Cinema como "ativismo político. Entretanto, há uma grande contradição dos tempos modernos: sim, concordo que a indústria do entretenimento se sobrepõe a chamado cinema de autor. Porém, é necessário analisar novamente Adorno sobre a luz dos novos tempos: como explicar os novos canais de prática e representação das produções culturais? Como lidar com a novas ferramentas de produção e novas mídias? Será que a significancia de uma obra se dá apenas pela receita que ele gera?

Alexandre: o que você define como cinema de autor? Há mais produtoras funcionando do que em qualquer outra época no cinema nacional além de diversos espaços e festivais direcionados especificamente a veiculação de curta-metragens

Abraço a todos
É evidente que analisar Adorno é ter noção da localização temporal e espacial de sua obra principal para esta discussão (Indústria Cultural). Para além da transformação ocorrida no mundo, é de valia, como você mesmo disse, as novas representações das produções culturais - tanto do ponto de vista da inclusão de novos 'atores sociais' quando na qualidade técnica que praticamente 90% das pessoas tem acesso nos dias de hoje. E com a sua colocação de "como lidar com as novas ferramentas" é complexo tal perspectiva, pois, é díficil se ter controle sobre potencialidades no mundo contemporâneo. Evidente que antigamente, com os meios de produções limitados, poderiam surgir alguns grupos que acabaram já sendo citados por você (Cinema Novo, Pornochanchada, Cinema Marginal), porém, hoje em dia, há um relativo individualismo do processo criativo, onde a famosa frase "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça" poderia ser substituída por "uma câmera na mão e qualquer computador na mesa". Basta ver o vídeo que um jovem fez (que me falha a memória para o nome) em que ele filmou todas as cenas de lutas, escreveu o roteiro e seguiu um padrão de filmes de ação. Ele fez tudo sozinho. Muito bom, parabéns para ele - concordo. Contudo, do ponto de vista de potencialidade da arte, que Adorno tanto gostaria e que podemos permanecer como sendo o cerne de uma discussão atual com ele, este indíviduo solitário produziu um real processo cultural? É complicado discutir a arte nos dias de hoje, portanto, o mesmo vale para o cinema.
Olá, Boa tarde! Meu T.C.C. para o Curso de História, foi sobre a visão do cinema sobre a mulher negra. Fiz uma análise comparativa de dois filmes brasileiros produzidos em épocas diferentes (Xica da Silva (1976) e As Filhas do Vento( 2006)). Levantei algumas questões de permanência e algumas rupturas, no entanto, em minhas leituras pude descobrir um cinema autoral com crescente presença, ao menos nas produções que abordam temas sobre o Negro. A expressão "Cinema Novo" retorna ao cenário como nova proposta de produção cinematográfica onde todas as etapas de produção são executadas com um olhar do negro; texto, direção, atuação. Exemplificando essa fala: 5x favela: agora por nós mesmos.
Acho que para pensar o cinema nacional hoje, é preciso contextualizar, para além do nosso momento histórico, o momento da humanidade de forma mais geral. Na época do Cinema Novo, por exemplo, onde o país e o mundo passavam por uma situação política, conjuntural e ideológica de caráter mais dialético, não tão multidimencional como hoje, e onde, aqui no Brasil, quase que se contava nos dedos quem se aventurava a "fazer cinema", o ambiente tornava-se mais propício ao surgimento de um "movimento cultural" mais definido. O número de produções era mais restrito, bem como o número de produtores e as vertentes ideológicas por trás de todo mundo envolvido nesse processo.

Penso que o cinema nacional hoje, considerando os tempos nos quais vivemos, ainda que caminhando e escorado em leis de incentivo por parte do governo, já possui considerável volume de produções a todo ano, advindos de um número de autores relativamente diferentes entre si, com formações, concepções de como fazer cinema e objetivos diferentes. Acho que experimentamos um momento, ainda mais se considerando o atual acesso à tecnologia na produção, onde os cineastas brasileiros desenvolvem, talvez principalmente, a "forma", mesmo que com uma gama diversificada de "conteúdos".

Sendo otimista, e um tanto quanto especulador, acredito que se o cinema nacional conseguir consolidar, para o futuro, uma indústria, aumentando o número de produções, mas PRINCIPALMENTE as salas de exibições e um meio de retorno lucrativo às produções, os "autores" vão aparecendo meio a esse cenário, sendo eles dentro de um novo "movimento cultural" ou não.

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