A História do "Cristianismo" do Século I

Informação

A História do "Cristianismo" do Século I

Este grupo tem por objetivo, ampliar os conhecimentos referentes ao "cristianismo" do Século I.

Bem-vindo a todos interessados!

Site: http://solascriptura.ning.com/
Membros: 38
Última atividade: 13 Nov, 2016

Compartilhe!

"Mas confesso-te isto que, conforme aquele caminho que chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na Torah e nos profetas." Atos 24:14. Saiba mais sobre Os do Caminho.

Vivemos um momento singular na história da humanidade em que as tecnologias da informação nos proporcionam ferramentas ímpares como a Web, um oceano de informação e conhecimento, que nos permite interagir e compartilhar com o mundo, o saber, patrimônio da humanidade.


Mito ou realidade?

 

O  “I Seminário Internacional do Jesus Histórico” sediado no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ reuniu em outubro de 2007 historiadores, pesquisadores e teólogos para debaterem a historicidade de Jesus e também temas polêmicos e ainda controversos, como o grau de instrução e a ressurreição do líder do Cristianismo.

 

Judeu freqüentador do templo, que participava de tradições judaicas, como a festa pascal; devoto dos ensinamentos da Torá – texto central do Judaísmo; camponês proveniente de Nazaré, localizada na Galiléia Meridional ao norte da Palestina, terra dominada pelo Império Romano a partir de 63 a.C. São essas as características, comprovadas historicamente, de Jesus de Nazaré, pregador do primeiro século adorado, por quase dois milênios, como Cristo, o filho de Deus. Fundador do cristianismo, maior religião do mundo, com mais de dois bilhões de adeptos, Jesus sempre suscitou interesse nos círculos religiosos, mas agora até o acadêmico vem se debruçando sobre a análise científica dessa figura, que, a despeito de todos os avanços científicos e tecnológicos verificados na Pós-modernidade, permanece arregimentando multidões de fiéis com o discurso da simplicidade e da humildade. 


De 16 a 18 de outubro, pesquisadores de vários estados brasileiros e de universidades norte-americanas participaram do I Seminário Internacional do Jesus Histórico. Durante o encontro, realizado no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), no Rio de Janeiro, historiadores e teólogos expuseram as evidências históricas da existência de Jesus, além de debateram temas polêmicos e ainda controversos, como o grau de instrução e a ressurreição do líder do Cristianismo. 

Documentos – Não são apenas os evangelhos integrantes da Bíblia Sagrada, livro fundamental da religião cristã, que funcionam como fontes primárias para os pesquisadores do judaísmo e do cristianismo do primeiro século. Documentos deixados por estudiosos da época também se constituem em material importante para análise. 

Menções como as encontradas em textos de Plínio e de Flávio Josefo, ambos historiadores do século I, auxiliam o trabalho daqueles que, atualmente, procuram rastros históricos da existência de Jesus. “Plínio cita que Cláudio, imperador romano, expulsou os judeus de Roma, pois eles estavam influenciados por um certo ‘Crestos’. Alguns estudiosos afirmam que essa seria uma grafia errada da palavra ‘Cristo’. Essa informação menciona Jesus como personagem histórico e real”, explica Rodrigo Silva, teólogo do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). 

Flávio Josefo (37-38 d.C - 100-103 d.C), judeu autor da obra “Antiguidades judaicas”, na qual narra a história de Israel e a destruição de Jerusalém, também deixou contribuições para a posteridade. Apesar de não compactuar com o Cristianismo, o historiador, além de citar o próprio Jesus de Nazaré, faz referência a pessoas próximas dele, como Tiago, irmão do pregador, e João Batista, primo de Jesus que, segundo a Bíblia, batizou-o no Rio Jordão. 

Além desse material, as cartas de Paulo de Tarso, judeu convertido ao Cristianismo e principal difusor das idéias dessa religião, são documentos relevantes para a elucidação da história de Jesus. “Essas cartas, datadas de final do ano 40 d.C e 60 d.C, constituem os mais antigos documentos cristãos. São importantes porque mostram que Paulo lida efetivamente com pessoas que conheceram Jesus. Paulo é uma figura histórica, emos referência para ele e para as coisas que ele fala”, garante André Chevitarese, professor do IFCS e um dos organizadores do I Seminário Internacional. 

De meados do século 17 até o século 18 , alguns setores do Movimento Iluminista negavam a existência de Jesus. Chevitarese garante, no entanto, que os documentos, somados aos estudos arqueológicos realizados na região onde viveu o galileu, comprovam sua historicidade: “Assim como falar de Sócrates não é falar de uma invenção de Platão ou Xenofontes, porque há documentação que prove a existência do filósofo, também para nós, historiadores, o mais significativo é que possuímos documentação para mostrar a existência de Jesus”, sublinha. 

Impasses - Ao contrário dos consensos, os impasses existentes entre os pesquisadores da vida de Jesus de Nazaré ainda são muitos. Há, por exemplo, uma vertente científica que acredita que, por ser originário de uma região rural, Jesus, além de não dispor de profundos conhecimentos do idioma grego, não sabia ler ou escrever. 

Outros pesquisadores utilizam trechos bíblicos para invalidar a suspeita do analfabetismo. “O evangelho de João, quando narra o episódio da mulher adúltera, afirma que Jesus, em dado momento, escrevia com o dedo no chão. Além disso, no livro de Lucas, existe uma passagem sobre Jesus abrir um livro e ler”, argumenta Rodrigo Silva, da Unasp. Ele enfatiza, ainda, a iniciação da criança na leitura da Torá, seja em casa ou nas casas de interpretação, como um costume da tradição judaica da época, mesmo em localidades rurais, o que alimenta a idéia do Jesus alfabetizado. 

A ressurreição, descrita na Bíblia e um dos principais fatores que conferiram, junto aos cristãos, o grau de divindade à figura de Jesus, ainda não pôde ser comprovada pela historiografia. Esse tema se configura em um ponto de controvérsia entre historiadores e teólogos. 

John Dominic Crossan, professor da DePaul University (EUA), autor de diversos livros sobre o Jesus histórico e uma das grandes referências mundiais no assunto, não crê na ressurreição. Para o docente, participante do I Seminário Internacional, a palavra ‘ressurreição’ deve ser entendida como uma metáfora. De acordo com Crossan, muitos acreditavam no fim do movimento cristão depois da morte de Jesus. O pesquisador explica, no entanto, que o movimento continuou, motivado por uma espécie de ressurreição espiritual do líder, já que suas idéias continuaram a influenciar a pregação dos apóstolos. O professor norte-americano ainda defende que os evangelistas, em especial Paulo de Tarso, romancearam a figura de Jesus de Nazaré. Segundo Crossan, Jesus era um homem normal que foi mitologizado e divinizado, posteriormente, pelos evangelistas. 

Paulo Nogueira, teólogo da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), tem visão semelhante a de Crossan no que tange à ação dos seguidores de Jesus. Na opinião dele, os evangelistas são “deformadores”: “Todo leitor é alguém que seleciona. Você, ao ler um livro, escolhe as partes com as quais mais se identifica. Os evangelistas também são assim, tanto que escreveram três evangelhos chamados sinóticos, ou seja, com a mesma perspectiva, mas completamente distintos. Ainda que semelhantes e que dêem a impressão de veicularem a mesma história, se observarmos com um olhar mais apurado, veremos que cada um dos textos propõe uma interpretação de Jesus diferente. Ou seja, os evangelistas deformaram Jesus”, ressalta Nogueira, completando que as alterações não maculam o valor histórico dos textos. 

Nem todos encaram o Jesus divino como resultado da construção narrativa dos evangelistas. Na concepção de Rodrigo Silva, os evangelhos relatam situações “muito absurdas para serem apenas mitos ou propagandas”, entre elas a morte na cruz, o medo diante da condenação e os diálogos com mulheres de vida duvidosa. “Se os evangelhos são, de fato, uma coletânea de mitos por que deixaram passar episódios tão escandalosos para a época?”, questiona o teólogo e pastor da Igreja Adventista. 

Defensor da hipótese da divindade de Jesus, Rodrigo complementa que, assim como na Matemática, existem na religião certas premissas não passíveis de serem provadas pelo conhecimento científico: “Duas paralelas, dizem os matemáticos, são infinitas e jamais se cruzam. Isso é um axioma matemático que ninguém nega, mas eu pergunto: tem como provar isso pelo método científico? Não. É impossível. Apesar de não poder ser provado, esse enunciado é lógico, faz sentido. Sendo assim, por que eu não posso aplicar a mesma idéia a Deus? Se Deus pudesse ser provado pela mente humana, ele não seria grande o bastante para ser Deus. Deus é um axioma que eu posso enunciar e não provar”, defende. 

A crucificação e o evangelho de Judas – Temáticas como a crucificação e o recém traduzido evangelho de Judas também estiveram em pauta durante os debates no seminário. A palestra do professor Gabriele Cornelli, do Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília (UnB), por exemplo, abordou as razões do processo de condenação de Jesus. 

Cornelli concluiu que, embora tenha tido motivações políticas, a principal causa de Jesus ter ido para a cruz foi o seu viés “mágico”. Segundo o docente, o julgamento, as acusações e sua morte estão relacionadas ao fato de ele se autodeclarar filho de Deus e promover curas e exorcismos. Ele esclarece ainda que ser galileu, etnia vítima de preconceitos na época, tornava Jesus ainda mais suscetível a represálias: “Ele era galileu, da periferia, camponês. Por isso era visto como um perigo. Existiam os magos oficiais dentro dos templos, dentro das igrejas; eles tinham a permissão para operar milagres. Quando Jesus começa a realizar curas e a pregar na porta da igreja, ele está disputando espaço, não só religioso, mas também político. Jesus incomodava tanto os templos quanto os romanos, mas toda a questão política passa pela magia e pela força política que ele tinha enquanto mago”, destaca. 

Já o evangelho de Judas, propulsor de grandes polêmicas por sugerir que Judas, o apóstolo conhecido por ter traído Jesus, foi o mais fiel de seus seguidores, foi citado como um documento que, embora apresente valor histórico, não pode ser utilizado para compreender Jesus e as origens do cristianismo. 

O texto é datado de aproximadamente 270 d.C e expressa claramente as oposições entre grupos religiosos do período. Sua importância reside no fato de permitir aos historiadores uma compreensão melhor do gnosticismo, movimento cristão nascido no século 2 e alvo de fortes críticas por parte dos católicos. “Os cristãos do catolicismo, chamados ortodoxos, estavam hostilizando muito os gnósticos e vice-versa. Os adeptos do gnosticismo então se valem desse evangelho e assumem o papel de Judas. Com isso, eles querem expressar que, assim como Judas, apesar de serem acusados, são os que verdadeiramente entendem Jesus”, evidencia Paulo Nogueira, da Umesp. 

Um grande objetivo norteou o I Seminário Internacional do Jesus Histórico, organizado por cinco universidades distintas (UFRJ, UERJ, Unicamp, UnB e Ufpel): o desejo de desmistificar Jesus de Nazaré, figura central da cultura ocidental, distanciando-o do universo estritamente religioso e forjando-o como um objeto de estudo dos cientistas sociais. “As pessoas saem com um novo retrato de Jesus”, afirma André Chevitarese. Segundo o professor que, em 2003, realizou um seminário nacional com o mesmo tema, são fortes as probabilidades de haver novos encontros, que possibilitem a solidificação de uma teologia latino-americana efetivamente acadêmica.

 

Fonte: http://www.eclesia.com.br/revistadet1.asp?cod_artigos=631

Fórum de discussão

Descobertas Arqueológicas

Iniciado por Eber Batista Vieira. Última resposta de Felipe Carvalho Novaes 29 Fev, 2012. 1 Resposta

Bibliografia do Sécuo I

Iniciado por Eber Batista Vieira 29 Fev, 2012. 0 Respostas

Muro das Lamentações

Iniciado por Eber Batista Vieira 26 Nov, 2011. 0 Respostas

O início do catolicismo

Iniciado por Eber Batista Vieira 17 Nov, 2011. 0 Respostas

O Judaísmo Messiânico no Brasil

Iniciado por Eber Batista Vieira 17 Nov, 2011. 0 Respostas

Entendendo os Bolaines

Iniciado por Eber Batista Vieira 29 Out, 2011. 0 Respostas

Os Evangelhos perdidos

Iniciado por Eber Batista Vieira. Última resposta de Felipe Carvalho Novaes 28 Set, 2011. 1 Resposta

Pedro nunca foi Papa

Iniciado por Eber Batista Vieira. Última resposta de joaquim schieder da silva 28 Set, 2011. 2 Respostas

Manuscritos do Mar Morto

Iniciado por Eber Batista Vieira. Última resposta de Eber Batista Vieira 27 Set, 2011. 1 Resposta

A Palestina no Século I d. C.

Iniciado por Eber Batista Vieira. Última resposta de Eber Batista Vieira 12 Set, 2011. 6 Respostas

Judaísmo e Cultura Helenística nos Séculos II e I a.e.c

Iniciado por Eber Batista Vieira. Última resposta de enrique hernando zamora 25 Jun, 2011. 1 Resposta

Arqueologia Bíblica

Carregando... Carregando feed

Caixa de Recados

Comentar

Você precisa ser um membro de A História do "Cristianismo" do Século I para adicionar comentários!

Comentário de Eber Batista Vieira em 17 julho 2011 às 20:28

Da agência AFP:

O departamento israelense de Antiguidades e o gigante americano da internet Google anunciaram nesta terça-feira o lançamento de um projeto para divulgar, na internet, os manuscritos do Mar Morto, que contêm alguns dos mais antigos textos bíblicos.

Este plano, com um custo de 3,5 milhões de dólares (2,5 milhões de euros), tem por objetivo disponibilizar gratuitamente esses documentos, que possuem cerca de 2 mil anos.

"É a descoberta mais importante do século XX e vamos compartilhá-la com a tecnologia mais avançada do século XXI", afirmou a responsável pelo projeto do departamento israelense de Antiguidades, Pnina Shor, em uma coletiva de imprensa em Jerusalém.

A administração israelense captará imagens em alta definição utilizando uma tecnologia multiespectral desenvolvida pela NASA, a agência espacial americana. As imagens serão, posteriormente, publicadas na internet pelo Google em uma base de dados e traduções dos textos colocadas à disposição.

Fonte: http://googlediscovery.com/2010/10/19/google-publicara-manuscritos-...
Comentário de Eber Batista Vieira em 17 julho 2011 às 20:04
Comentário de Eber Batista Vieira em 17 julho 2011 às 20:00
Comentário de Eber Batista Vieira em 1 julho 2011 às 21:22


HISTÓRIA DA IGREJA, YESHUA E JESUS, LEI E GRAÇA!
Comentário de Eber Batista Vieira em 30 maio 2011 às 23:25

Maria Madalena e Jesus tinham relação de aluna e mestre, dizem especialistas

Após exorcismo, mulher teria passado a seguir Cristo como discípula Palestina afora. Idéia de que os dois teriam casado e tido filhos não possui dados concretos a seu favor.

Reinaldo José Lopes
Do G1, em São Paulo, em 13/07/2008.

A maioria dos que estudam as origens do cristianismo tem poucas dúvidas: Maria Madalena cumpriu um papel importante entre os primeiros seguidores de Jesus, era uma das companheiras mais devotadas de Cristo e foi uma das primeiras a testemunhar sua fé na ressurreição do mestre. Mas, ao que tudo indica, a idéia de que os dois foram casados e tiveram filhos não passa de uma mistura de imaginação hiperativa moderna com brigas políticas de antigas seitas cristãs.

Explica-se: todos os textos que insinuam uma proximidade mais carnal entre Maria Madalena e Jesus são pelo menos cem anos mais recentes que os Evangelhos oficiais, tendo sido escritos por pessoas que queriam justamente desafiar as visões mais ortodoxas do cristianismo, as quais começavam a se firmar. Se a pesquisa mais sóbria enterra, por um lado, o romantismo à la "Código da Vinci", também demonstra, por outro, um dos aspectos mais radicais da missão religiosa de Jesus: o tratamento aparentemente igualitário dado às mulheres. Saiba mais.

Comentário de Eber Batista Vieira em 30 maio 2011 às 23:23

Evangelhos são obra de autores desconhecidos, dizem pesquisadores

Atribuição a Mateus, Marcos, Lucas e João provavelmente aconteceu de forma tardia.
Com exceção do texto joanino, relatos parecem ter se baseado fortemente em Marcos.

Os Evangelhos do Novo Testamento, quatro relatos sobre a vida de Jesus aceitos por todas as igrejas cristãs, tradicionalmente são atribuídos a dois dos Doze Apóstolos (Mateus e João, filho de Zebedeu), a um companheiro do apóstolo Pedro (Marcos) e a um colaborador de São Paulo (Lucas). Para os atuais estudiosos da Bíblia, no entanto, o mais provável é que nenhuma dessas autorias tradicionais esteja totalmente correta. Embora muitos dos fatos contados pelos evangelistas possam realmente remontar à vida de Jesus, inconsistências e contradições deixam claro que nenhum de seus discípulos originais sentou-se pessoalmente para escrever uma biografia de Cristo. Saiba mais.
Comentário de Silvia Vitória em 30 maio 2011 às 12:45
pessoal o que acham desse documentário da History Channel ?
http://cafehistoria.ning.com/video/batalhas-ac-josue
 
 
 

Boletim Café História

Anúncio

Política de Privacidade

Para ler nossa "Política de Privacidade", clique aqui.

© 2017   Criado por Bruno Leal.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

body, .xg_reset .xg_module_body { line-height: 1.3; }