O Medo da Morte Na Idade Média: Uma Visão Coletiva do Ocidente

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O Medo da Morte Na Idade Média: Uma Visão Coletiva do Ocidente

Espaço para trabalhamos o medo da morte em uma perspectiva coletiva do Ocidente em um período de conflitos, mudanças sociais e religiosas.

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Última atividade: 2 Jul, 2015

O SILÊNCIO SOBRE O MEDO

Atormentada por querelas religiosas, tudo á noite era suspeito. As cidades conseguiam afastar completamente o medo para fora de seus muros, ao mesmo tempo enfraquecia este medo tornando possível viver com ele. Mesmo com o complicado mecanismo de proteção, os indivíduos sejam individuais ou coletivamente mantiveram um diálogo permanente com o medo.
A historiografia pouco estudou a história por este ângulo, podemos citar o exemplo ao por G. Lefebre e L. Febvre, os primeiros a escrever em 1932, a obra, “O grande medo de 1789”; “No decorrer e nossa história houve medo também fora à França”, assim afirma L. Febvre; o autor vai mais longe e com todo seu conhecimento afirma, que não podemos reconstruir a história a partir do exclusivo sentimento de medo, porém toda civilização é o produto e longa batalha contra o medo.
O medo é natural, sempre temos medo à tempestade quando ouvimos o cripítar na rocha. Jakv Lind em sua obra, O medo é minha raiz, mostra que o homem é medroso por natureza; o homem usa amuletos e os animais não, no mesmo sentido, Sastre escreve: “todos os homens têm medo e aquele que não tiver medo, não é normal”; a insegurança é símbolo da vida, sendo ele símbolo de morte. O homem sabe muito cedo que morrerá, um medo único, idêntico a si mesmo, algo imutável.
O medo é ambíguo, é uma defesa natural que garantimos contra o perigo, um reflexo que permite ao organismo fugir da morte; “sem o medo nenhuma espécie teria sobrevivido”, mas se ultrapassado, pode tornar algo patológico e bloqueador; Descarte identifica como covardia, a qual não se poderia proteger com antecedência.
Portanto medo tornou-se causa da evolução do individuo, no entanto a regressão para o medo é o perigo que espreita, constantemente o sentimento religioso; podendo separar nós, distanciando do mundo exterior.
Sinemon declara que “o medo é o pior inimigo enfrentado pelo homem; uma atitude que percorre além dos casos individuais, um exemplo claro na batalha homem versos medo...”. Mas os historiadores não precisam procurar muito, para identificar a presença do medo, nos comportamentos dos grupos; seja dos povos antigos ou das sociedades contemporâneas.


DO SINGULAR AO COLETIVO

É muito difícil analisar o medo e aumenta a dificuldade, quando se trata de passar do estudo do medo individual para o medo coletivo. Para facilitar a análise podemos tratar da versão mística que possibilita qualquer um a morrer e medo; onde característica do pânico se manifesta, uma energia que se difunde por todo o organismo.
Tratando-se o primeiro sentido de “coletivo” é provável que as reações de uma multidão tomada de pânico ou que libera subitamente sua agressividade resultando em grande parte da adição de emoções choques. O medo torna se operatório no nível coletivo, a partir da distinção que a psiquiatria agora estabeleceu, no plano individual, entre medo e angústia, tratando de dois pólos, o medo tem como objetivo determinar onde pode fazer frente. A angústia não tem e é vivia como uma espera, dolorosa diante de um perigo tanto mais terrível, sendo um sentimento global de insegurança.
O acúmulo das agressões que atingiram as populações do Ocidente de 1345 criou do alto e baixo corpo social, um abalo psíquico profundo, onde são testemunha de todas as linguagens da época, palavras, imagens e figuras, os quais constitui um país do medo. Jean Delumeau sedento e ambicioso, conseguiu reagrupar elementos da sua investigação, no ponto de andamento em que se encontra hoje, em dois conjuntos: “os medos da maioria, a cultura dirigente e o medo, os quais definem o subtítulo: Uma cidade sitiada”. Delumeau retrata o medo através de experiências e do momento que o medo toma conta de si.
O medo camuflado esta presente em toda parte. Mas há uma parte onde o historiador pode encontrar, sem nenhuma falsa aparência, este espaço é o mar; vários povos o temiam; pois aquela; imensidão liquida poderia trazer a peste negra, invasões e outros perigos. A metáfora da fúria, todos os símbolos, animais que se relaciona com a fúria e raiva fazia parte do imaginário a respeito do mar. Desde Homero e Virgilio até Franciade e os Lusíadas, não há nenhuma epopéia, se tempestade, figura com destaque m romance medievais. As metáforas do mar tranqüilo e bom serão, portanto números menores, do que o mar bravio; sendo a tempestade não apenas temas literários e imagem das violências humana; é também em primeiro lugar fato de experiência, relatado por todas as crônicas a navegação para a terra santa.
O mito também ganha espaço na representação do mar; aparecendo relatos de monstros que se alimentava de humanos, como Polifen, Cila, Circe, as sereias, Leviatã e Lorelei. Outra visão mitológica esta relacionada aos textos, apocalípticos clássicos que na origem da sua demência suspeitava de feiticeiras e demônios, pois o mar é freqüentemente representado como o domínio privilegiado de Satã e das potencias infernais. No fim do mar acreditava-se que era também o fim do mundo e associava a ideia de que também encontraria no final dele a passagem para o inferno; um abismo profundo local do medo, da morte, da demência, onde vive Satã, os demônios e os monstros. Assim um dia o mar desaparecera quando toda a criação for regenerada; São João profetiza em Apocalipse.
Portanto até as vitórias das técnicas modernas, o mar era associado na sensibilidade coletiva com as piores imagens de aflição. Mas estas imagens inventadas na Europa na Idade Média e na Renascença, vão além dos mares, permitindo que a Europa sai-se de si mesma.
Na mentalidade coletiva, a vida e a morte não apareciam separadas em um corte nítido; os mortos permanecem entre nós como seres meio material e meio espiritual uns são bons para fazer a vontade de Deus, outros ao contrário, trás a terra “pestes, langores, tempestades e trovão”, fazendo sons no ar para provocar susto. No contexto mostra podemos perceber a concepção a Igreja e uma separação radical da alma e do corpo no momento da morte. No século XVII muitos juristas, dissertaram sobre os cadáveres, os quais Platão, Lucrecio e Marcilio, são invocados para estas questões.
Com o processo da duvida metódica a partir a época e Descarte, levaram pouco a pouco os homens a Igreja, a desconfiarem mais da aparição dos mortos. No final do século VXII e no começo do século XVIII, os fantasmas, que provocava epidemia do medo era os vampiros; o temor dos vampiros continuava no século XIX na Romênia o país do Dracúla.
Voltando no contexto, não podemos esquecer a peste que envolvia o comportamento coletivo, provocando o medo e pânico; episodio que ataca a Europa, sempre desaparecendo e reaparecendo criando um estado e “nervosismo e medo na população”; a peste era vista como um pesadelo que vinha junto com a fome e a guerra uma “praga” que ataca o mundo, que envolve a violência, sendo vista por diversos povos como impetuosa, com um ideal de punição divina.
Mas percebe-se que as epidemias provocavam interrupção na morte, ocorrendo abolição os ritos coletivos de alegria e de tristeza; essas rupturas brutais com os uso cotidiano é acompanhada e impossibilidade radical e conceder projetos do futuro, pertencendo a iniciativa doravante inteiramente á peste.
A violência é uma inquietação coletiva, onde cresce um “medo global”, gerador de pânico e repulsa. A fome também é um medo comum na Idade Média o qual provoca apreensão nas estações, ao escoamento dos meses, até mesmo dos dias; em tempo e crise, provocava pânico e desemboca a loucura, acusações etc.
Os rumores são provocadores o medo coletivo, pois espalhava no Ocidente a revolta, provocada pela morte, pela ameaça e fome e de guerras; os grandes cismas, como as cruzadas contra os hussitas, que levou a decadência a moral do papado, antes do surgimento operado na reforma católica. Neste período, o melhor a fazer é manter-se em seu conto, tímido e de cabeça baixa; apegando com os mandamentos de Deus e praticando o bem para ganhar a salvação eterna.
Podemos perceber que o homem vive constantemente cercado pelo medo materialista, que vai além da vida, ou seja, a pós-morte é a preocupação dos indivíduos. Nesta jornada o homem, parte em busca e explicações, sendo conduzido pelo medo e consequentemente a sua mentalidade o atrai para o pior inimigo a morte.


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Comentário de Rogério Frigerio Piva em 11 novembro 2012 às 17:13
Alunos de Ensino Médio fazem aula de campo em antigo cemitério de São Mateus (ES).

Alunos dos terceiros anos do Ensino Médio da Escola Estadual “Dom Daniel Comboni”, localizada em Nova Venécia, quebrando tabus e preconceitos, fizeram uma aula de campo no mais antigo cemitério, em funcionamento, no norte do estado do Espírito Santo.

Confira no nosso blog COEMETERIUM:
http://www.kimitirion.blogspot.com.br/2012/11/alunos-de-ensino-medi...
Comentário de Rogério Frigerio Piva em 5 novembro 2012 às 22:20
Exumando Memórias: O primeiro cemitério público da cidade de Nova Venécia (1892-1960)

Data de 1892 a criação do primeiro espaço público para sepultamentos no então sertão do município de São Mateus onde mais tarde surgiu a pequena vila, hoje cidade de Nova Venécia, localizada na região noroeste do estado do Espírito Santo.

Confiram o texto de nossa autoria no link abaixo:

http://www.projetopipnuk.blogspot.com.br/2012/11/exumando-memorias-...
Comentário de Rogério Frigerio Piva em 16 abril 2011 às 18:52

Ossada humana encontrada em escola estadual

A ossada humana encontrada na terça-feira (12/04) na Escola Estadual Antônio Joaquim de Carvalho, em Araraquara, é de um antigo cemitério que existia no local no século XIX.
Veja mais detalhes no blog: COEMETERIUM
www.kimitirion.blogspot.com
Comentário de Patricia Maria O.Teixeira em 15 março 2011 às 17:10
Estou pensando em fazer um artigo sobre o a questão do medo na Idade Media. O que vc me indica além dos classicos ( Paul Veyne, Jean Delumeau, Le goff e cia limitada)?
Comentário de Ludmila Pena Fuzzi em 17 outubro 2010 às 11:40
Criei uma página em que trato de assuntos históricos, meu blog é dividido em páginas temáticas: História Social, História da Morte, Histpriografia, Metodologia de Pesquisa (Muito Importante para Universitários e Outros), Artigos e Texto dentre outras coisas... Tem muito material bom, minha contribuição para a história.. EM BREVE irei atualizar minha página referente aos estudos da escravidão, meus Mestrado!

Acessem: http://profludfuzzi.blogspot.com/ Podem fazer pedidos pelo Fale Conosco!
Comentário de Rogério Frigerio Piva em 11 julho 2010 às 14:56
Livro A MORTE COMO FONTE PATRIMONIAL
Veja no nosso blog: www.kimitirion.blogspot.com - COEMETERIUM
Sobre o livro "A MORTE COMO FONTE PATRIMONIAL" no qual a Professora Ludmila Fuzzi trabalha a questão do Patrimônio Funerário, em especial, o "Cemitério dos Escravos" de São José do Barreiro (SP).
Comentário de Rodrigo Bispo Picorelli em 12 janeiro 2010 às 0:21
Essa reflexão é muito boa, pois a grande maioria da população diz possuir uma religião e dentro destas religiões a maioria prega vida após a morte.

Vivemos numa sociedade que se diz cristã e que cresce todos os dias os circulos religiosos que pregam a continuidade da vida mesmo após a morte como podemos ter tanta gente com medo da morte.

como começou esse é um exellente tema
Comentário de Bruno Leal em 8 janeiro 2010 às 14:15
boa sugestão, Marcelina!
Comentário de Marcelina das Graças de Almeida em 10 setembro 2009 às 19:49
Gosto muito deste tema. Vamos debater a respeito? Que tal começar pelo livro do Ariès que inspirou o nome do grupo?
 
 
 

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