Na sua opinião, a Comissão da Verdade também deveria investigar crimes cometidos pela esquerda durante a Ditadura Militar?

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Claro que sim; desde quando se chega à verdade, ou ao menos logramos nos aproximar dela, examinando apenas um dos lados da questão?

Sem dúvida alguma. A Comissão não é da Verdade? Pois então, meia verdade é também meia mentira.

Sim! Não há como se obter a verdade analisando apenas um determinado grupo, e sim todos os envolvidos!

Bem, quando tratamos desse assunto, devemos tomar cuidados em analisar a situação e óbvio, saber dicernir cada ato. Quando tratamos sobre crimes deveria ser comum tratar todos igual, ou seja, todo crime deve ter uma justiça que venha punir o criminoso.

Na minha opinião, acredito que todos devam ser julgados, os militares e os militantes de esquerdas. E deveriam assim todos serem punidos. O fato é que estamos vendo que o Brasil está indo contra a história de todos os países que sofreram com a ditadura, e até hoje nenhum militar foi julgado e punido, ao contrário dos militantes.

Muitos militantes que não seguiram na luta e abandonaram a militância devido as atrocidades que sofreram, outros seguiram na política e hoje se encontram no poder. E são esses que definirão se a Comissão vai atuar ou não, e pior, de que forma irão atuar.

Então acho que no caso dos militantes devem se ter muito cuidado para novemente não serem punidos, e mais um injustiça ocorra. Pois, sabemos que não há famílias de miltares que choram no vácuo a morte de seu ente, nem famílias de militares que querem justiças por terem sido vitimados e torturados, ou, que querem os corpos para serem enterrados com dignidade. Muitas pessoas nem miltantes eram e mesmo assim a ditadura não fazia distinção, acusava, torturava e matava. Então deve-se cuidar para que algozes não sejam as vítimas e as vítimas se tornem os algozes.

Já no caso dos militares, acho que a punição deve sim ser feita e a Comissão da Verdade julgue primeiro esses algozes, cumpra o que países como Chile e Argentina já estão fazendo. Na verdade, creio que esta pergunta é bastante polêmica e pode gerar uma certa discussão maniqueísta. Portanto, para evitarmos isso, devemos conhecer bem a história triste que o Brasil foi protagonista.

Olá Luciene,

Concordo integralmente com as suas considerações, todavia faço notar que não é escopo, e nem a dita comissão tem autoridade pra isso, o julgamento e/ou punição dos investigados. A Comissão da Verdade, segundo o diploma legal que a criou, cabe apenas investigar.

Uma sociedade (aqui representada pelas autoridades que ora estão no poder) que esconde seus crimes ou que não conhece como foram cometidos, não tem segurança jurídica. A impunidade é de longe, a melhor ferramenta para a repetição do erro. Se uma investigação não pode ser feita, é porque tem algo de podre que se quer esconder. Medo do caos provocado pelas revelações, insubordinações, revoltas da sociedade foram alguns dos pontos que um dia eu ouvi para justificar a não abertura dos arquivos da ditadura para os historiadores pesquisarem. E as famílias que nunca souberam dos destinos de seus entes queridos? Que nunca puderam enterrá-los? Eles não merecem uma resposta às suas indagações? O Estado deve a estas famílias uma explicação. Se quem cometeu os crimes já estão mortos, que a punição não se estenda às suas famílias (uma pena não pode exceder à pessoa do réu), que não se apedreje quem não participou e que não tem culpa de ter um sobrenome de um torturador. Mas que se ponha as claras o destino daqueles que foram julgados e condenados à revelia de uma legítima defesa num Estado democrático de Direito. É comum vermos antigos sentimentos reaparecerem ao longo da história: assim temos os neo-comunistas, os neo-nazistas, etc. Simpatizantes de acontecimentos históricos que abominamos como o holocausto e a ku-klux-klan. Ainda vemos, apesar de proibido pela Constituição, torturas por detrás das grades. Qual a segurança de um cidadão que vive em uma nação que não investiga seu passado? Se forem inocentes, a exaustão da investigação o confirmará. Se forem culpados, examinemos os mecanismos para nunca mais detonar o pavio de submissão a desmandos. Mas que também não seja um tribunal de exceção. Temos uma constituição. Deixemos nos guiar por ela. Se o crime estiver prescrito, pelo menos temos o conhecimento dos que os perpetraram. Tortura nunca mais.

          Acredito que não.

          A imensa maioria das ações armadas feitas pela esquerda durante o regime militar já foi investigada a exaustão pela repressão política da época.

          Usando e abusando da tortura física e psicológica, os policiais civis e militares foram identificando, uma a uma, as organizações clandestinas, seus guerrilheiros e colaboradores. Processados, muitos cumpriram suas penas integralmente, outros saíram da prisão em troca de diplomatas estrangeiros ou tiveram de amargar anos de cadeia antes da Lei da Anistia.   

           Para conhecer, em detalhes, todas as ações das esquerdas armadas durante o período leia Pedro e os Lobos – Os Anos de Chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano:  http://guerrilhanobrasil.blogspot.com.br/

           Assim, fica difícil imaginar que ainda seja possível se levantar algo de novo em relação à resistência armada das esquerdas ao governo fardado.

           Agora, a grande maioria dos crimes cometidos pela direita em nome da chamada Segurança Nacional ainda não têm circunstâncias nem autores conhecidos.

           Então, é preciso que se identifique e se convoque estes autores para que eles esclareçam de que forma os militantes de esquerda ainda desaparecidos foram mortos e onde estão seus cadáveres. Aí, caberia até a condenação, já que o crime de ocultação de cadáver continuou sendo cometido por eles até os dias de hoje.  

           Só cumpridas estas etapas, seria possível então se falar em anistia ou prescrição de pena. Mas, cabe lembrar que, pelo direito internacional, crimes contra os direitos humanos não são passíveis de anistia nem de prescrição. 

COM CERTEZA! MAS TERÃO CORAGEM? COMO FILHO DE MILITAR ESCUTEI MUITAS HISTÓRIAS DE CRIMES COMETIDOS PELA ESQUERDA,QUE INFELIZMENTE NÃO FORAM DIVULGADOS,LEMBRE-SE A HISTÓRIA E ESCRITA PELOS VENCEDORES.

Entendo, pessoa. Mas tenho dúvidas. Será que o tratamento entre grupos de esquerda e o Estado deva ser igual? Não estamos falando de dois lados bastante assimétricos? Que instrumentos usar para lidar com essas duas dimensões?

Luiz Cláudio, você disse bem:

                A História é escrita pelos vencedores. E os vencedores foram os militares - e a direita política a eles atrelada - que, depois de dizimarem as reações armadas contra o regime, permaneceram a frente do governo brasileiro por mais uma década.

                Essa turma ainda preparou muito bem sua saída do poder, costurando um governo de transição eleito de forma indireta pelo fatídico Colégio Eleitoral - o de José Sarney - e ainda apoiando, de forma ostensiva (vide a edição do Jornal Nacional pela Rede Globo) a eleição do presidente seguinte - Fernando Collor. 

                Assim, a história dos crimes cometidos pela esquerda ficou muito mal contada.

                Se você ler Pedro e os Lobos verá que não houve uma única ação da esquerda armada que resultou em tortura. Tiveram várias mortes, já que se tratava de uma guerra, mas nenhum militar ou civil teve seu cadáver enterrado clandestinamente.  

                O caso do tenente Alberto Mendes Jr. e da jovem Elizabeth Conceição Mazza são os casos frequentemente usados pela direita para exemplificar as "atrocidades" da esquerda armada. Mas lendo Pedro e os Lobos, você pode ver que o desfecho da morte do tenente e a ocultação do cadáver de Zabeth obedeceram circunstâncias totalmente diversas às dos inúmeros crimes de tortura e ocultação de cadáver executados pelo regime pós-64.

              

A história contada pelos vencedores...mas eu vou levantar outra questão: e quando a história é escrita levada pelas paixões, ódios, discursos extremados de esquerda?

Acho que, num primeiro momento, enquanto seus atores ainda estão vivos, a História sempre é escrita impregnada de sentimentos, sejam eles ideológicos, políticos, existenciais, filosóficos ou até econômicos. 

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