A Ditadura Militar(64/85) no Brasil é um assunto com versões de historiadores, jornalistas, e claro, dos militares também, o último exemplo citado, reclama de haver um certo "revanchismo" na forma como o fato é abordado pelos autores atuais. Segundo os militares os escritores de hoje foram perseguidos no passado, segundo eles, isso faz com que haja uma visão parcial sobre o tema. Como vocês abordariam esse assunto tão recente e polêmico de nossa história atual, nos ambitos: acadêmico e escolar?

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Realmente, o entendimento do que aconteceu no Brasil, em 1964, não pode ser obtido com um olhar apenas voltado para o cenário interno nacional. Na verdade, ele é produto do estado de Guerra Fria que bi-polarizava o mundo da época. Evidência disso é o fato de que a implantação da ditadura militar no país não foi um episódio isolado. Várias outras nações sul-americanas também foram submetidas ao despotismo militar, fruto de uma política continental concebida e orquestrada pelos EUA.

O principal fator motivador dessa política foi o triunfo da Revolução Cubana e seu progressivo alinhamento com a URSS (decorrente da conduta equivocada de Washington, em relação ao governo Castro). A vitória dos guerrilheiros de Sierra Maestra e as extraordinárias conquistas sociais do governo revolucionário, tornaram-se fonte de inspiração para outros latino-americanos que aspiravam promover mudanças significativas nas injustas e perversas estruturas da sociedade de seus países. Uma "onda revolucionária" varreu o continente, favorecendo a ascenção de governos mais ou menos comprometidos com esse processo de mudança. Nacionalismo e anti-americanismo estavam intrinsecamente ligados a essa onda, até porque, por força de sua política externa imperialista, os EUA tinham interesses econômicos disseminados por todo o continente e, para defendê-los, se haviam tornado aliados das elites sócio-econômicas continentais, não raro apoiando e sustentando governos que sufocavam aspirações populares - um traço comum e praticamente inevitável a qualquer império (Vide os impérios romano e britânico). Em suma, qualquer governo que tentasse promover alterações significativas na base sócio-econômica de seu país, dificilmente conseguiria fazê-lo sem contrariar interesses estadunidenses.

Estrangulada pelo cerco imposto pelos EUA, Cuba, além de inspiradora, tornou-se fomentadora dessa onda revolucionário continental que, onde fosse vitoriosa, lhe granjearia aliados, abrindo brechas no bloqueio yankee. Ameaçado de perder, ainda que parcialmente, o domínio que exercia sobre seu "quintal" sul-americano, agravado pelo fato de que a aproximação Cuba-URSS significaria o risco de ter esse "quintal" submetido à influência de seu arqui-inimigo soviético, os EUA promoveram a derrubada de governos constitucionais na América do Sul, substituindo-os por ditaduras militares de direita.

Na condição de maior e principal nação sul-americana, o Brasil tornou-se o alvo prioritário dos estrategistas de Washington. As articulações para o golpe se fizeram, principalmente, através da embaixada norte-americana em Brasília, onde os agentes da CIA dispuseram de uma base operacional.

Os golpistas esperavam resistência, sobretudo no Rio Grande do Sul (onde estava Brizola), e no nordeste (onde estavam Miguel Arraes e as Ligas Camponeses de Francisco Julião). Havia o risco do país mergulhar numa guerra civil, de resultados imprevisíveis. Preparando-se para o pior, os conspiradores estadunidenses desenvolveram a Operação Brother Sam, sob a égide da qual navios norte-americanos, transportando combustível, peças de reposição para veículos militares e outros recursos similares, posicionaram-se no litoral do Brasil, para fornecer apoio logístico aos golpistas brasileiros.

Mas o governo João Goulart caiu sem resistir. Mal se anunciou que as tropas do general Mourão Filho haviam se deslocado de Minas Gerais, o presidente abandonou seu posto e correu para Porto Alegre, onde Brizola o recebeu indignado:
_ O que você veio fazer aqui? Seu lugar é em Brasília. Do Rio Grande cuido eu.
Alegando querer evitar a guerra civil, Goulart preferiu um desonroso exílio no Uruguai, onde viria a morrer, anos depois, em circunstâncias que até hoje motivam dúvidas.

A facilidade com que atingiram seus objetivos no Brasil animou os estrategistas de Washington a estender o "modelo" a outros países sul-americanos (Argentina, Chile, etc). Começava uma longa noite trevosa na história política da América do Sul, caracterizada por censura à imprensa, perseguições, torturas e assassinatos.

Por fim, quando Cuba deixou de ser uma ameaça real e a "coexistência pacífica" firmou-se entre EUA e URSS, as antipáticas ditaduras deixaram de ser necessárias para os EUA. Então, erguendo a bandeira dos "direitos humanos" (proclamada por Carter), Washington passou a "puxar o tapete" dos governos militares e eles foram caindo, um a um.
Newton Cruz e o Leônidas, são representantes de uma das versões do assunto aqui abordado. a entrevista que vai do interessante ao cômico não deixa de servir à História. Percebo um aspecto pouco científico ou até mesmo publicitário no formato do "Dossiê". Interessante mesmo, é o fato histórico, Bomba no Rio Centro(1981), ter a confirmação da autoria dos militares e a reafirmação do caráter governista da Rede Globo naquele momento histórico em questão. Cabe aqui ao menos um artigo não acham?
Há uma afirmação muito interessante atribuída a Chu en Lai, premier chinês no século passado, quando lhe perguntaram sobre a Revolução Francesa. Ele pensou um pouco e respondeu: É difícil. Um evento tão recente... Isto 200 anos após o citado evento. Ora com a Ditadura Militar ocorre a falta de distanciamento histórico e paixões remanescentes impedem a visão com objetividade histórica. Fazendo um esforço enorme, eu, que fui e sou contra as ditaduras em geral, incluindo as nossas, vou tentar ser objetivo e claro:

1) Março de 64: Não é ainda uma revolução, mas simplesmente um golpe de estado de natureza cívico-militar. Houve pleno apoio das classes médias ao golpe, visto o caráter anárquico, errante e irregular do Governo Goulart. Sintomáticas são as marchas com Deus, símbolo maior da mobilização nacional contra Jango Goulart. Este por sua vez ajudou os militares na sua intenção golpista ao endossar a anarquia militar que culminou com a rebelião dos marinheiros e com o desastrado discurso aos sargentos, este no dia 30 de março.

2) O líder: Castello Branco era o líder e era um homem preparado e bem intencionado. Mas de boas intenções o inferno está cheio. Suas indecisões e atitudes levaram o país ao AI-2, eleições indiretas e a constituição autoritária de 1967. Prometeu manter a democracia e traiu sua promessa. (vide postagem em meu blog neste portal) Seu legado teve nome e sobrenome: Arthur da Costa e Silva.

3) O desastre: Costa e Silva é um monstro moral. Incompetente, despreparado, jogador inveterado, levou o país a ditadura do AI-5 e, doente, trouxe com seu afastamento ao centro do poder um grupo de linhas duras que utilizou a tortura e o homicídio como arma política, cristalizada na figura hedionda de Emílio Garrastazu Médici.

4) A redenção: Um governo ilegítimo se legitimou perante o povo e a história através da figura de Ernesto Geisel. Foi bem chamado quando de sua morte do "ditador da abertura". Tomou posse como ditador e passou o governo como uma democracia autoritária, porém com o caminho aberto para a democracia, finalmente conquistada ao final do Governo Figueiredo com a eleição de Tancredo Neves.

5) O legado negativo: violência, torturas, mortes, censura a imprensa, mentiras, perseguições, exílios, etc, etc. Na economia criou-se uma casta de empresas públicas, acima do bem e do mal, protegidas pelo sistema de informação da ditadura, que geria o país. Algo muito semelhante às propostas do PT hoje em dia. As instiutições foram aparelhadas. Cargos de confiança aqui e ali eram ocupados por militares. Nas empresas públicas, estes "aparelhados" eram identificados como os "coronéis que assolam o país". Algo similar ao que o PT hoje faz com a casta dos sindicalistas de alto coturno!

6) O legado positivo: houve uma reorganização econômica autoritária com aumento do poder do estado na economia. Algo muito similar ao que o PT propõe hoje em dia. (Não é mera coincidência que Lula cite Médici e Geisel com alguma frequência e que Delfim, o tzar do regime, seja um conselheiro de Lula). Houve um planejamento do desenvolvimento econômico. Sabia-se em 1970 o que ia-se fazer (ou pensava-se que ia-se fazer) em 1980. Os gargalos do sistema foram eliminados. Desenvolveram-se a indústria siderúrgica, a química fina, a pesquisa petrolífera, etc, etc.

7) A burrice: Um julgamento mais ou menos isento da Ditadura Militar (será que este resumo é isento?) passa por um obstáculo que é a burrice das instituições militares. Estas, com o exército à frente, deveriam fazer - e não fazem - um mea-culpa pelo menos dos casos mais escandalosos, como o RioCentro, o esquartejamento de Rubens Paiva (alguém já ouviu que os nazistas tenham esquartejado alguém?), os desaparecidos, etc. Este mea-culpa poderia ser de forma histórica para dizer que os militares de hoje divergem daqueles métodos, embora pudessem reconhecer que teriam sido necessários naquela conjuntura, algo a ser discutido pelos historiadores. Com isto, as Forças Armadas teriam resgatadas sua credibilidade e garantido a sua sobrevida, visto que desde 1985 TODOS OS GOVERNOS TÊM OS MILITARES COMO UM FARDO A SUSTENTAR E A TOLERAR, DEIXANDO-OS À MÍNGUA DE RECURSOS FINANCEIROS, PARA INVIABILIZÁ-LOS OPERACIONALMENTE. Há um movimento claro, embora inconfessado, de acabar, de alguma maneira, com as Forças Armadas, como as consideramos hoje. E, se houvesse condições políticas isto seria feito por decreto. Estas condições por ora não existem, mas a atuação legal das Forças Armadas vêm sofrendo alterações sutis que a transformarão num longo prazo em uma espécie de guarda nacional. Isto é bom? Isto é ruim? Não sei e, pior, ninguém discute isto para que a sociedade possa tomar uma posição. O que faz o exército de útil ao país? Estradas? A Marinha? Saúde para ribeirinhos amazônicos? FAB? Correio Aéreo Nacional? Por isto um Evo Moralles qualquer pode humilhar o Brasil e seu Presidente e isto ficar do mesmo tamanho.

8. O último crime da ditadura: Em vigor há pouco mais de um mês a Constituição de 88, promulgada com "ódio e nojo da ditadura" pelo saudoso Ulysses Guimarães. Uma greve em Volta Redonda na CSN em novembro. O famigerado BIB de Barra Mansa (para maiores detalhes porque famigerado, leiam o segundo volume do Elio Gaspari, a Ditadura Escancarada) recebe ordens de invadir a usina e mata três jovens operários, numa ironia da história, ex-recrutas do famigerado quartel, vizinho do cemitério de Barra Mansa. A ordem partiu do Ministro do Exército, Leônidas Pires. Não houve inquérito, não houve nada. Em 01/maio/89, a municipalidade de Volta Redonda inaugura um monumento projetado por Niemeyer aos três jovens brutalmente assassinados. Naquela noite o monumento é destruído por uma bomba. Como testemunho deste crime crepuscular dos militares, os restos do monumento permanecem como símbolo da violência e da intolerância. E o famigerado BIB foi, graças a Deus, removido de Barra Mansa para sempre. Porque jamais houve uma tentativa de apurar responsabilidades por este crime, não coberto pela anistia de 79? Porque?
Caro Maurício esta e uma discussão técnica sobre a política da época, seus reflexos e versões. Não cabe aqui analogias com o tempo presente, principalmente entre PT e Ditadura Militar, a forma de fazer política não e a mesma, tenho certeza que essa opinião não pertença apenas a mim. Creio que você foi vitima de alguns emails enviados por sabe-se la quem, mas, parece muito que os militares mesmo que enviam, ou ainda, claro, suas esposas, tão organizadas desde os 60 do século passado. O governo Lula fez acordos interessantes para as forças armadas, as forças militares são estratégicas para qualquer governo, no Brasil isso não e diferente.A Reserva e seus veículos de mídia, têm uma postura ofensiva ao governo Lula e ao PT, pode ser esta a sua fonte de informação. Vejo que sua opinião e baseada em uma diferença política, eu, não tenho bandeira e gostaria de uma discussão que beirasse o argumento mais próximo do que nas pesquisas chamamos de neutralidade, imparcialidade, não absoluta, pois Weber foi feliz em comprovar a sua inexistência, mas, pelo menos mais serias. Em alguns momentos você parece defender posturas antagônicas construindo seu discurso de forma incoerente, cuidado. Gostaria de saber dos demais pesquisadores, professores e amigos do Café Historia, se a postura não deveria ser a de: relatar a visão dos militares, a visão do movimento armado do passado e momento atual, influência do fator externo (Guerra Fria, Vietnã, etc.), e ainda os estudos dos historiadores sobre o assunto. Dentre eles; Daniel A. Reis, Dreifuss, Wanderley G. dos Santos, Gorender, Carlos Fico, Heloisa M. Starling, dentre outros. Gostaria muito de saber se isso e o suficiente, outros autores? Outra didática ? Bom amigos a discussão continua.
Amigos, o golpe contra João Goulart foi planejado desde a renúncia de Jânio Quadros, a 25 de agosto de 1961! Está certo que 1° de leve mas no momento em que o cunhado do sr João Goulart, governador Leonel Brizola começou a chamar os militares da marinha exército e aeronautica de golpista para todo o mundo a coisa foi fikando perigosa, a 26 de agosto todos os civis e membros do governo ganharam armas e fizeram coquetéis molotov, os bancos de praças ao redor do palacio do governo foram quebrados e colocados como barricada, metralhadoras aae no palacio do governo e pick ups com metralhadoras e fuzis lança granadas! A FAB ameaçou atacar o palacio mas 12 sargentos arrombaram o arsenal, esvasiaram pneus, bloquearam a pista rolagem com pregos!
A marinha por intermédio dos bombeiros, cedeu 2 lanchas na qual foi montada 1 metralhadora e 1 caixa granadas mão!
As forças golpistas vinham de SP, RJ, Nordeste! De Goiás, a cavalaria hipomóvel estava pronta e nas fronteiras do RS a PM! Aviões de terinamento de havilland dh-4 usados no treino de pilotos vigiavam os mares do rio grande do sul e pt-20 os mares de santa catarina, partindo de osório os 1°s e Torres os 2°s!
Faltou 1 coisa: Para Jango chegar em Montevideo, 6 de setembro de 61 ele veio da asia pela rota trans pacifica, 1 dia na capital uruguaia, mais 1 voo em escuridão total até Porto Alegre a 10.000m, pois os caças da FAB até 9.500m tinham ordens para abater o avião!
Era o Caravelle da presidência da VARIG, que foi de Porto Alegre para Brasilia só com luses de pouso ligadas! Para o ano que vem a 25 de agosto é 50 anos da resistencia popular contraos militares!

Não é tão simples assim, o Brasil estava sendo configurado pelas vertentes políticas em ascensão na época, a amizade ente Brasil e EUA determinou muito o governo ditatorial sem esquecer que não era o único país a manter uma ditadura na América, outros países latinos estavam sob mesma influência. A Cuba, por exemplo, se desvencilhou do monopólio norte-americano e se tornou socialista, o que resultou num embargo econômico da qual dificilmente a de se recuperar pelos problemas econômicos. O mundo na Guerra Fria estava dividido em dois (EUA X URSS), mas o medo era unânime da destruição mundial pela bomba atômica, destruição igual que assistiram no fim da Segunda Guerra Mundial, nas cidades japonesas Hiroshima e Nagasaki atingidas pelo poder da bomba nuclear. É de imaginar porque os políticos atuais relutam em abrir os documentos secretos e julgar os culpados e porque é tão difícil essa limpeza: os nomes dos desaparecidos, assassinados e torturados pelos militares para informarem as famílias aonde residem seus corpos. A questão da discussão elucidada da Ditadura Militar de forma acadêmica e escolar é importante por um lado, pois muitos jovens não sabem o que foi o AI-5, Ato Institucional e um dos mais duros durante esse período, período que não deve ser esquecido nunca. O abuso do poder, a repressão, exílio e ostracismo, tortura e assassinato, as características principais do governo só serviram para confirmar a falta de poder do povo, ou seja, a democracia, servindo somente aos interesses da elite brasileira que apoiou o golpe militar de 64 e pôs militares no poder. 

 

O tal do "revanchismo", na minha opinião, não passa de uma estratégia retórica dos militares. 

Porém, a esquerda também tem as suas retóricas. Embora sejam de um outro tipo. O melhor caminho para abordar o tema na universidade e na escola, imagino, seja descontruir esses discursos míticos, especialmente dos militares. 

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