Qual a relação entre o coronel e o fazendeiro escravocrata ? muitos acham que os 2
são exatamente o mesmo personagem o que NÃO E VERDADE (PELO MENOS TOTAL!) vejam:

1ª diferença;o traje: o escravocrata vestia tipo um terno com uma gravata
esquisita, um laço assim no pescoco, ja o coronel usava chapeu com outro tipo de terno

2ª:a população da fazenda; o escravocrata tinha escravos, mas a população
da fazenda do coronel eram pessoas (camponeses) "livres"

No Imperio alguns fazendeiros eram coroneis, pois ganhavam tal titulo da
Guarda Nacional, mas quando se fala em coronelismo deve-se pensar na
REPUBLICA VELHA, que foi o apogeu do mesmo, e nessa epoca o traje
era o estilo cowboy (chapeu e tal) ea população da fazenda era a "livre"
então qual a relação entre eles ? mesmo personagem ? 2 PERSONAGENS
DISTINTOS MAS ATRELADOS ? NÃO ATRELADOS ?

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Respostas a este tópico

Oi, Sérgio Roberto
Fazendeiros escravocratas e coronéis do sertão são expressões de uma oligarquia rural que exerceu uma influência decisiva nos rumos deste país, desde os tempos coloniais, sofrendo adaptações ao longo do tempo para se ajustar a (poucas) mudanças de cenário. A variação da idumentária, que você menciona, reflete apenas uma dessas mudanças, superficial e circunstancial.
Até 1930, essa oligarquia, encastelada nos estados/regiões do país, resistiu à centralização do Estado em um governo federal, mantendo quase absoluta autonomia nas áreas sobre as quais exercia seu poder.
E mesmo hoje, ela ainda subsiste (com outro feitio e menos autonomia) por conta da preservação de uma estrutura rural arcaica (ainda não promovemos a sempre lembrada e falada Reforma Agrária). O velho "coronel do sertão", de chapéu de palha desapareceu, mas os novos, de jaquetão e gravata, ainda estão bem vivos: Sarney que o diga.
Quando li sua colocação lembrei-me logo do antigo conceito de História, do historiador Marc Bloch: "História, é a Ciência dos homens no tempo"! Não se deve fazer uma relação sem a variante tempo a ser colocada nessa análise. Coronel, é título dado aos senhores escravocratas em função da formação da Guarda Nacional, a partir de 1831. Uma espécie de guardião da própria propriedade (escrava e territorial), numa sociedade escravocrata que objetivava a manutenção de estruturas. E, tal situação, dada as condições estruturais favoráveis pemanecem por toda 'República Velha' tendo em vista que a grande preocupação era a eterna estabilidade da ordem social. A idumentária é subjacente a uma época... A título de exemplo, sugerimos uma visita ao filme "O Homem da Capa Preta", que nos mostra essa questão em relação ao chamado 'coronel' urbano (Tenório Cavalcanti, político de grande expressão na periferia do Estado do Rio de Janeiro - nos idos dos anos '50 do século XX).
Abraços
Profª Angela Renata de Azevedo
Boa tarde a todos!

Sim, também concordo quanto as colocações até então tão bem colocadas quanto as indumentárias. Inclino me também quanto ao "conceito" dado a coronel. Lembro, que o termo pode estar associado (me corrijam se eu estiver errada) com aqueles que possuem o poder nas mãos. Podemos lembrar dos nossos "DOUTORES" não diplomados?!

Um abraço,

Janine LMP
Olha,
acredito que são duas figuras históricas distitnas. Realmente os coronéis tão famigerados surgem depois da guarda nacional, e passam a ter um poder político local, são potentados que comandam suas regiões. Esses coronéis se tronaram famosos na República Velha, com a emergência dos movimentos do cangaço e chamados messiânicos, que lutavam contra os poderes deles. Nesse caso, acho que não há bem como compará-los ao fazendeiro escravocrata, que é uma figura do Império. Quanto a essa questão da liberdade dos trabalhadores livrs, é uma liberdade bem relativa, pois sempre havia dívidas que o mantinham preso à fazenda, e~o impediam de ganhar "lucros", produzindo para o patrão. Não confundir também esses com os servos feudais. Enfim, acredito que na História da VIda Privada do Brasil, pode-se achar contribuições boas para a discussão, ou no livro do Jo´sé Murilo de Carvalho, A Formação das Almas, ou no outro sobre a elite imperial, que esqueço o nome agora.. Enfim são múltiplhas as referências...
Espero ter contribuido..
abraços
A relação é no mínino que são parecidos. Enquanto o fazendeiro escravocrata tinha uma relação de senhor, dono e coisa em relação à sua mão-de-obra (escravos) , o coronel, já tinha uma relação de Senhor- patrão, dominador e dono em relação aos seus agregados. Enquanto o escravocrata tinha coisas, o coronel tinha pobres que dele necessitavam e dos quais dispunha para manter a sua fazenda funcionando. E quanto ao fato dos camponeses serem livres, não é bem assim, pois para sobreviver dependiam da benevolência do coronel, que nem sempre aceitava ele se mudar para outra fazenda, a situação era de quase prisioneiro ao proprietário (coronel) ao qual tinha que vender a produção (se fosse meeiro), ou trabalhar o quanto o coronel precisasse se fosse empregado. Através da coação verbal ou mesmo mais rígida o camponês podia ser mantido em uma determinada propriedade enquanto o coroenl quisesse.
Bom dia a todos!

O tópico está indo muito bem. Muitas ótimas contribuições!

Este período histórico não é minha especialidade. Mas certamente, existe essa confusão, Sérgio. Em grande parte no senso comum. E acho que isso se deve a funções que se sobrepunham entre o Coronel e o fazendeiro. E pensando nisso, coloco: será que não havia naquele sistema escravocrata uma tensão entre essas duas figuras?

abs!
Aqui no Sul da Bahia, região de Ilhéus, ex-capitania hereditária, teve o papel do fazendeiro escravocrata durante o Império e posterior na República Velha o personagem era o coronel que se difereciavam nas suas vestimentas e na aquisição de seus servidores (escravos e empregados "livres" respectivamente), mas no tratamento destas pessoas se mostravam muito semelhantes eram repressores e usavam o castigo para subjugar-los a seus (escavocratas e coronéis) interesses pessoais e financeiros. Por favor, caso eu esteja equivocado queiram me corrigir.
RESUMINDO AMBOS, tanto o coronel como o fazendeiro escravocrata estão voltados ao mesmo eixo factual (para a manutenção economica do poder), principalmente com a estauração da guarda nacional, onde houve uma disciminação do poder desses homens. Antes fazendeiros escravocrata agora coronéis, até a República Velha temos a manutenção, desse poder politico. Reflexo até nossos dias Família Sarney, Família Antonio Carlos Magalhães(q. Deus o tenha) e Familia Maciel, etc....
Portanto a parte q. cabe desse latifundio para nós, e sermos herdeiros dessa politica parasitária.
E quem eram esses trabalhadores "livres" das fazendas dos coroneis ?
eram os ex escravos ? os imigrantes europeus que vieram subistituir
os escravos ? quem eram eles ?
Essas duas figuras históricas são parecidas e desde os tempos coloniais estão presentes na sociedade brasileira. No império, esses tais coronéis recebiam esses títulos por serem líderes em determinadas regiões. Era um esforço do império de manter a ordem no interior do Brasil. Já na república esses ligados ao coronelismo tinha um caráter político muito forte. Eram verdadeiros "cabos eleitorais" em suas terras fazendo todos aqueles que estavam submetidos a eles a votarem nos seus candidatos, sob pena de perseguição e até morte. São personagens históricos, mas que por serem de períodos distintos possuem as suas diferenças. E essas são algumas delas. Por favor, se me enganei em algo que apontem. Obrigado!
A gama de trabalhadores livres que trabalhavam para os coronéis era muito grande. Mas, eram sempre elementos a eles ligados, seja por clientelismo ou por outro tipo de dependencia. Podia ser ex-escravos? Sim. Podia fazer parte de camada social mais pobre? Sim. Podiam ser imigrantes europeus? Sim. Podiam ser alguns outros proprietários menos 'poderosos'? Sim. Já que as relações de trabalho eram complexas e estavam ligadas a uma estrutura de favores devidos e trocados. Caro Sérgio, dentro de uma visão crítica da história brasileira o que mais nos deve interessar é não apenas respostas objetivas. Do tipo sim ou não? O que é isso ou aquilo? Mas, situações refletidas sobre a realidade vivida e vivenciada no passado e, que de certa feita, trazemos conosco até hoje.
Abraços
Profª Angela Renata de Azevedo
Neste novo filme, que esta sendo lançado agora "O BEM AMADO" o personagem
principal Odorico Paraguaçu é um coronel

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