"A expressão proudhoniana se impôs em todo o seu sentido na metade do século XIX. Ela era apropriada para marcar o momento em que vivia a razão humana. Investigando a existência, à procura de suas causas profundas, ela havia vencido diversas etapas, mais ou menos agitadas, mais ou menos nebulosas, mais ou menos luminosas. Em sua mistura extremamente fluida, o ser humano se cristalizara pouco a pouco. Era tão longo o tempo que havia preparado essa vinda ao ser, que nem a aventura paleontológica o explicava, pois, a própria palentologia era uma idade posterior aos primórdios. É preciso evocar a cosmogênese para não se encerrar em limites demasiadamente estreitos. Uma evolução bastante longa tinha preparado a pré-biosfera, criando gradualmente as condições necessárias para o aparecimento da vida. Esta última, iniciada na sua expressão mais simples, provavelmente unicelular, desenvolveu as energias viventes que, mutiplicando os complexos vitais, assegurariam uma graduação paleontológica que nos conduziria até os antropóides e, através deles, até os pré-homínidas. A matéria prepararia então o projeto da humanidade, condicionando energeticamente os homínidas de tal maneira que a sua conformação cerebral, fruto de uma lei de complexidade crescente, os prepararia para a irrupção qualitativamente diferenciada do espírito. Nascia o homo rationis e começava o caminhar interminável da razão que já evocamos. Do teísmo primordial se evoluiria, primeiro em ritmo lento, depois por abalos precipitados e cada vez mais curtos e rápidos em direção do antiteísmo ao qual chegamos".
Paul-Eugéne Charbonneau em 'O Homem àprocura de Deus', Editora Pedagógica e Niversitária Ltda e Edições Loyola, São Paulo 1984, primeira Reimpressão.
Gostaria de, com este tópico, contribuir com o estudo "maior" do grupo que é a História do Ateísmo.
Tags: Antiteísmo, Ateísmo, Teologia, Teísmo, natural
Continuação ...
Em segundo lugar, e como consequência dessa recusa agressiva de Deus, o Positivismo se entregara em seguida à luta contra o sobrenatural. Para compreender isso, basta lembrar a que ponto o Positivismo queria estar ligado à natureza e não cansava de dizê-lo. Sempre a cosmologia exerceu uma fascinação sobre o pensamento humano. As filosofias gregas e medievais eram obsessivamente preocupadas com ela. Mas por um longo desvio, o Século das Luzes tinha redescoberto a Natureza; durante todo o século dezoito, com Rousseau no início, com os espíritos libertários da Revolução Francesa no fim, ela tinha de certa forma dominado a reflexão. As ciências naturais com Buffon e seus consortes tinham criado um interesse novo que só teria que se estender. Assim triunfava uma Natureza que parecia ao homem ser seu reino particular. Era normal que nesse contexto as Ciências se esmeravam em provocar não apenas a admiração do cosmológico, mas desmontar as engrenagens dessa máquina magnífica, a descrever uma arquitetura do mundo que lhes oferecia uma leitura sublime.
Estabelecia-se, então, um vínculo entre o método positivista de observação, de raciocínio, de interpretação e seu próprio objeto sobre o qual ele se debruçava. Falar de positivismo era evocar as forças cósmicas, ater-se à dinâmica da Natureza, e aplicar-se a formular as leis da natureza, não só múltiplas, mas também extemamente variadas. Matemática, astronomia, física, química e até psicologia pareciam, somando-se, esgotar as potencialidades latentes que estavam em ação no universo. Situando o homem no meio dessas leis que o encerravam em um determinismo cuja extensão ocupava toda a matéria, dispunha-se das causas que criavam nele os movimentos que o agitavam. Não havia necessidade de buscar causalidade superior, pois o ser humano nada mais era que o tecido que as forças naturais produziam como sua obra-prima. O antropomorfismo se comprazia nesses poderes que convergiam para o homem, lugar soberano de todos os projetos elaborados por uma Natureza da qual o homem parecia ser o único fim.
Continua...
Permalink Responder até Luís Fernando de Almeida em 13 novembro 2011 at 20:22
E aí, pessoal.
Estou me reabilitando de um problema pessoal de saúde. Há muito que não entro aqui no Café.
Puta merda, como os comentários estão extensos! Em breve espero poder comentar aqui. Mas no presente estou tão debilitado que acho que vou arrumar é encrenca, rsrs.
Um abraço a todos e espero poder retomar minha vida em breve.
Olá Luís Fernando.
Que bom tê-lo novamente em nosso meio no Café História.
Retorne com muita calma.
Já vistes que há muito material e muitas foram as discussões no forum.
Eu também estou meio ausente, mas a partir do final do mês deverei ter mais tempo para uma participação mais ativa.
Espero que a tua reabilitação seja plena e o mais rápida possível.
Abraços.
Permalink Responder até Luís Fernando de Almeida em 14 novembro 2011 at 14:27
Valeu, Leonardo.
Bem-vindo (a) ao
Cafe Historia
O Grande Gatsby
Está em cartaz nos cinemas brasileiros a mais nova adaptação do celebrado romance do autor americano F. Scott Fitzgerald. A obra destaca-se por ser fiel ao romance - mantendo falas originais - e, ao mesmo tempo, quebrando a ortodoxia musical da época, ao juntar hip-hop ao jazz do início do século XX. Na parte visual, um desfile de cores e tomadas.
Nick Carraway (Tobey Maguire) tinha um grande fascínio por seu vizinho, o misterioso Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio). Após ser convidado pelo milionário para uma festa incrível, o relacionamento de ambos torna-se uma forte amizade. Quando Nick descobre que seu amigo tem uma antiga paixão por sua prima Daisy Buchanan (Carey Mulligan), ele resolve reaproximar os dois, esquecendo o fato dela ser casada com seu velho amigo dos tempos de faculdade, o também endinheirado Tom Buchanan (Joel Edgerton). Agora, o conflito está armado e as consequências serão trágicas.
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