Muitos historiadores dizem que foi graça a colonização que a África conheceu um grande desenvolvimento económico, politico e sócio-cultural...

Exibições: 165

Respostas a este tópico

Bom dia amigo,
esse ponto de vista de desenvolvimento através da colonização foi e é utilizado até hoje pela historiagrafia européia, é a mesma justificativa utilizada para "invadir" outros territorios e escravisar seus povos. Acho que devemos refletir muito sobre o que é avanço econômico, político e social. A exemplo temos os índios em suas aldeias, ou os sertanejos que ainda utilizam carros de boi por opção, deviriam ter dado aos africanos (e outras colônias massacratas pelo imperialismo europeu) a chance de escolher serem ou não colonizados, não há bem que seja incorporado à força.

Abraço, obrigado pelo espaço.
Oi ALCELIDES BATISTA

Bom dia

Com certeza amigo, esse chance de escolher ser ou não colonizado não foi a aspiração deles. A África antes da chegada dos europeus já estava organizada, com os seus estados formados etc mas quando eles chegaram mudarem tudo no que diz respeito a organização económica, social, cultural e ate mesmo política de África. Obrigara-nos a vestir como eles, a falar as suas línguas e a forma de governação também foi mudada…a África foi para eles como uma casa sem valor e abandonada, eles só tiveram a bondade de jogar as nossas culturas e tradições no lixo para colocar uma nova cultura – quer dizer, arrumar a nossa casa…

Boa noite Marcio,

Como mencionado pelo Alcelides Batista, essa visão de desenvolvimento partia dos colonizadores que, de acordo com seus ideais e sua perspectiva, fizeram com que os nativos se "adequassem" à seus modos, partindo da ideia de que se os mesmo aderissem a seus costumes, passariam a ser "civilizados". Bom, se ser civilizado significa ser exposto a tratamentos degradantes, ter a matéria prima roubada e, quando nada mais restar, ser deixado de lado: sim, os africanos tornaram-se um povo civilizado. Um exemplo claro disso foi o conflito em Ruanda, cujos colonos belgas, movidos pelo ideal de darwinismo social, depois de pregarem uma intensa política de segregação entre Hutus e Tutsis durante anos, deixaram o país, ou melhor, deixaram essas duas tribos principais resolverem seus problemas sozinhas, no momento em que a tribo que não deveria ser beneficiada ( de acordo com os colonizadores) claramente buscava tomar uma atitude mais radical - Grosseiramente falando. O resultado disso foi a ocorrência de quase 1.000.000 em aproximadamente 3 meses.

Bom dia,Márcio 

Cá estamos para contribuir e ajudar que tenhamos um mundo melhor.

Um abraco

Nas (poucas) partes da  África onde houve de fato povoamento europeu em larga escala, a contribuição dos descendentes dos europeus para o desenvolvimento econômico e sociocultural foi significativa. É o caso por exemplo da África do Sul onde, no início do século XX, os brancos chegaram a ser mais de 20 % da população total e criaram uma  civilização "neo-europeia" transplantada que, apesar de minoritária, tinha características semelhantes àquelas que se formaram também como produto da colonização na Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Canadá.

Nas "colônias" de exploração típicas, porém, onde nunca houve mais do que um punhado de europeus em meio a uma população nativa muito maior e que eram vistas apenas como um "empreendimento comercial", o impacto foi bem menor, embora ainda seja visível  na infraestrutura (portos, ferrovias, etc.) , arquitetura e alguns aspectos herdados da administração colonial como o sistema legal/jurídico, a expansão do cristianismo em certos países e o uso de línguas europeias como idiomas oficiais de instrução e governo.

Olá Marcos

Com a teoria da evolução de Charles Darwin, todos os ramos do conhecimento desenvolveram sua própria tese de evolução, chegando até as ciências humanas. Então, partia-se da teoria que o processo civilizatório era um fim e que todas as nações deveriam acompanhar o processo evolutivo que se desencadeava na Europa. Além disso, existia a necessidade de conversão religiosa dos países que adoravam deuses tribais, o que transferiu as missões para esses locais. Situados como juízes do mundo, a Europa lançou-se num processo de colonização e todos sabem o que aconteceu. Escravidão, exploração de recursos naturais, devastação. Com o processo de descolonização, do qual Portugal foi o último (1974) a dar independência às suas colônias, com a desculpa de que estes países não tinham líderes preparados o suficiente para uma auto-gestão, iniciaram um novo processo de colonização, que consistia em colocar no poder agentes treinados por eles, inclusive na gestão financeira. Esse descalabro gerou o se passou a chamar de colonização econômica. Ou seja, livres politicamente, mas dependentes financeiramente dos países colonizadores.

Concordo com muitas das falas aqui citadas, pois os europeus chegaram na áfrica para imprimir sua cultura através da força,sem mesmo haver um direito dos africanos escolherem, pois grande era a violência a que eles fora aplicada. não podemos esquecer que na áfrica já havia escravidão, mais não se comparava a grande violência cometida pelo europeu.

Márcio,

 

 Não sou especialista no assunto, mas, na minha modesta opinião, o impacto da colonização europeia na África, ou mais especificamente na África subsaariana, foi bem diferente do que aconteceu nas Américas ou na Austrália e outras ilhas do Pacífico. Para ilustrar o meu argumento e motivar a discussão, veja por exemplo o mapa abaixo que mostra a distribuição atual das línguas humanas faladas no mundo divididas por famílias e subgrupos (ramos):

Fonte: Wikipedia (permission to copy granted under the GNU Free Documentation License )

De cara, o que chama atenção no mapa acima é que, com exceção de alguns enclaves isolados onde obstáculos naturais dificultavam ou desencorajavam a penetração dos europeus,  regiões inteiras nas Américas,  Austrália, Tasmânia e Nova Zelândia que no passado eram ocupadas por línguas nativas hoje se encontram dominadas por línguas europeias do ramo românico  (mostradas em azul escuro) ou do ramo germânico (mostradas em vermelho). Em contraste,  na África subsaariana, a grande área verde escura no mapa correrspondendo às línguas da família Níger-Congo mostra que  as culturas e populações nativas da região não desapareceram nem foram, como na América ou na Austrália, substituídas por novas culturas ou populações de origem europeia ou mestiça. A única exceção notória nesse caso é a pequena mancha vermelha que aparece no extremo sudoeste da África do Sul (região do Cabo Ocidental) onde temos uma ilha cultural  (neo-)europeia em uma área outrora vinculada à cultura Khoisan, que aparece agora em verde claro brilhante confinada apenas às regiões áridas da Namíbia e Botswana.

A pergunta importante então que se coloca é por que certos povos como os nativos ameríndios, os aborígenes australianos ou os Khoisan do sudoeste africano foram literalmente dizimados ou viram suas culturas serem assimiladas e virtualmente desaparecerem no contato com os europeus enquanto a maioria dos outros povos da África subsaariana que também sofreram um processo de colonização sobreviveram até os dias atuais ?

 O primeiro ponto importante ao meu ver é que,  apesar de os europeus terem tido contato intenso com a África subsaariana  desde o século XV, eles não se interessaram a princípio por uma colonização de povoamento permanente  ou uma ocupação direta do continente como aconteceu na América ou na Austrália. Novamente as  exceções notórias nesse caso são apenas a África do Sul ( Colônia do Cabo) e  algumas faixas estreitas do litoral,  p.ex. em Angola, Moçambique,Guiné-Bissau, Serra Leoa, Costa do Marfim ou Gana,  que serviam como pontos de apoio para o comércio transatlântico de escravos e para o reabastecimento de navios que seguiam da Europa para a Índia e outros portos do extremo Oriente. Na verdade, do século XVII até  o início do século XIX quando ganha força o movimento internacional pela abolição do tráfico negreiro, parece que a principal "utilidade" da África subsaariana na visão dos europeus era servir como fonte de mão de obra escrava para suas colônias nas Américas.

Quando por sua vez os europeus, na chamada "partilha da África" no fim do século XIX, finalmente se decidiram por uma ocupação direta do continente africano incluindo as regiões antes inexploradas/desconhecidas do interior, a dinâmica do processo colonial já tinha sie modificado bastante. Em comum com outras áreas de exploração europeia na Ásia como a Índia e a Indonésia, a ênfase não era mais, como na América do Norte ou na Austrália por exemplo, no povoamento branco em larga escala com substituição da população nativa, mas sim em empreendimentos comerciais voltados para suprir a economia industrial europeia  com minérios e/ou outras commodities tropicais agrícolas usando mão de obra assalariada nativa gerenciada por um pequeno número de europeus muito menor do que a população local.  Embora houvesse algum objetivo secundário de assimilação cultural dos nativos, por exemplo pela ação dos missionários cristãos e com a introdução de línguas europeias nas escolas e na administração pública, a cultura nativa foi preservada no âmbito doméstico em paralelo à cultura europeia oficial do governo, do ensino e dos negócios, situação aliás que perdura até hoje na África.

Ironicamente, entretanto, se por um lado a cultura nativa sobreviveu à "colonização" propriamente dita da África,  os milhões de africanos que foram transportados pelos europeus  para a América  como escravos na fase pré-colonial (i.e. entre os séculos XVII e XIX) foram submetidos, nesse caso de fato, a um processo de aculturação e integração (linguística, religiosa, etc.) às novas culturas "mistas" que surgiram  em lugares como o Brasil, Caribe, ou mesmo no sul dos Estados Unidos.

RSS

LINKS PATROCINADOS

Conteúdo da Semana

O historiador Fábio Koifman (UFRRJ) conta ao Café História como transformou mais de sete mil documentos em uma pesquisa histórica bem sucedida e conversa sobre outros assuntos, como a sua relação com os arquivos no Brasil

Links Patrocinados

Cine História

Somos tão jovens

Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.

Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

Enquete História

Você acredita que João Goulart foi assassinado por agentes da ditadura militar?

Sim
Não
Talvez


Resultado Parcial
Comentar esta Enquete
Recomendar esta Enquete

Em nossa enquete anterior, perguntamos: de 0 a 5, que nota você daria para a edição da ANPU regional (2012)? 638 pessoas votaram na enquete. O resultado foi o seguinte: 0 (27,90%), 5 (22,24%), 3 (16,14%), 4 (15,05%), 2 (7,99%) e 1 (7,68%).

Parceiros


NOSSOS OUTROS PROJETOS

Política de Privacidade

Para ler nossa "Política de Privacidade", clique aqui.

© 2013   Criado por Bruno Leal.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

body, .xg_reset .xg_module_body { line-height: 1.3; }