História da imigração italiana

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História da imigração italiana

Resgatar nossa história familiar, principalmente se temos o sangue da "bota" nos leva a querer saber mais sobre a história da imigração italiana. Vamos aqui colocar o que lemos, sabemos, as curiosidades deste povo tão alegre .

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Última atividade: 1 Abr, 2015

A IMIGRAÇÃO ITALIANA

( por Leila Ossola)


"Per questo fummo creati:
Per ricordare ed essere ricordati."
(Poema di Natale - Vinicius de Moraes)



Muitas publicações tratam sobre a grande imigração ocorrida a partir de 1875 para as Américas. Que fatores levaram o povo italiano a isto? O artigo visa mostrar alguns pontos decisivos para essa imigração em massa e é parte de uma pesquisa de 30 anos por parte da autora que busca seus ancestrais italianos.

A unificação italiana foi um dos principais fatores para esta grande leva de italianos que aportaram neste continente. Em 476 d.C., o Império Romano foi dissolvido fazendo com que a Itália ficasse dividida em várias unidades políticas (regiões) independentes entre si. Em 1815, após o Congresso de Viena, estas regiões passaram a ser dominadas por austríacos, franceses e pela própria Igreja Católica. Os reinos e ducados das regiões da Lombardia-Veneza, Toscana, Parma, Modena e Romagna estavam sob o domínio austríaco. O Reino das Duas Sicílias pertencia à dinastia francesa dos Bourbon. O Reino do Piemonte-Sardenha era autônomo, governado por um monarca liberal e os Estados da Igreja pertenciam ao Papa.

No início do século XIX, devido ao desenvolvimento industrial, o norte da Itália passou por transformações sociais e econômicas, fazendo com que várias cidades italianas do norte crescessem e o comércio se intensificasse.

Em 1848, ocorreu a primeira tentativa de unificação, com a declaração de guerra à Áustria pelo Rei Carlos Alberto, do Reino do Piemonte-Sardenha. Vencido, o rei deixou o trono para seu filho Vítor Emanuel II, em cujo governo o movimento a favor da unificação da Itália foi liderado pelo seu primeiro-ministro, o Conde de Cavour. Apoiado pela França, em 1859, Cavour deu início à guerra contra a dominação austríaca. Conseguiu anexar ao reino sardo-piemontês as regiões de Lombardia, Parma, Modena e Romagna.

Outros grupos também lutavam pela unificação, com a intenção de transformar o país em uma República. Mazzini e Garibaldi foram os líderes mais conhecidos desta corrente. Em 1860, Guiuseppe Garibaldi alia-se a Cavour e, liderando um exército de mil voluntários, conhecidos como camisas vermelhas, ocupou o reino das Duas Sicílias, afastando do poder o representante da dinastia dos Bourbon, Francisco II. Em março de 1861, dominando quase todo o território italiano, Vítor Emanuel II foi proclamado Rei da Itália.

É importante deixar claro que a Unificação Italiana ocorreu apenas alguns anos antes da grande emigração para as Américas, especialmente para o Brasil, e não foi de modo algum um movimento único. A Unificação acontece em 1861, mas Veneza só foi anexada em 1866, Roma em 1870. A região de Trento só foi incorporada à Itália Unificada após a 1ª Guerra Mundial em 1919 e a questão dos Estados Pontifícios só foi resolvida em 1929 com a assinatura do Tratado de Latrão, no governo fascista. Por isso, a capital do Reino da Itália de 1861 até 1866 foi Turim, depois Florença (1866 até 1870) e, só então, Roma.

Ainda na década de 60 do século XIX, antes de concluída a unificação, a supressão das alfândegas regionais, a oferta de produtos industriais a preços reduzidos e o desenvolvimento das comunicações haviam destruído a produção artesanal, atingindo os pequenos agricultores, que complementavam as suas rendas com o artesanato familiar ou o trabalho em indústrias artesanais existentes no campo. A unificação alfandegária impôs a toda a Itália o sistema alfandegário da Sardenha, que tinha as taxas mais baixas, e fez com que as economias regionais, que eram mais ou menos fechadas e até então conseguiam manter certo equilíbrio, sofressem um violento baque. A disparidade econômica do Norte, que se industrializou mais cedo, e do sul, predominantemente agrícola, agravou o quadro econômico do país.

O governo italiano passou a tomar medidas impopulares, pois estava preocupado em obter recursos para a realização de obras públicas - devido a isto, criou o imposto sobre a farinha, que atingia duramente a classe mais pobre.

Contudo, a unificação política e aduaneira impulsionou a industrialização, intensificada no período de 1880-1890. O Estado reservou a produção de ferro e aço para a indústria nacional, favorecendo a criação da siderurgia moderna que se concentrava ao norte e era protegida pelo Estado. Mas sua produção não era suficiente, o que passou a exigir importações. A indústria mecânica cresceu mais depressa, especialmente as de construção naval e ferroviária, máquinas têxteis e principalmente motores e turbinas. A partir de 1905, a indústria automobilística de Turim conseguiu excelentes resultados.

O problema mais grave estava na total concentração do processo de crescimento no norte, enquanto o sul permanecia agrário. Esta situação econômica fez com que houvesse uma crise na Itália durante o período final do século XIX. O norte foi a primeira área a ser atingida, pois ali começou a se desenvolver a industrialização, deixando os agricultores que complementavam sua renda com o trabalho artesanal sem emprego e sem ter mercado para seus produtos. Por isto, o norte da Itália forneceria as primeiras grandes levas de emigrantes, e o sul só viveria o processo de emigração mais tarde, principalmente a partir do início do século.

Também a aplicação de formas administrativas do Reino de Savóia provocou com o tempo o agravamento das diferenças já existentes entre as regiões da Itália, criando as condições para um grande movimento migratório de classes rurais para os países das duas Américas entre o fim do século XIX e o início do século XX, quando muitos milhões de italianos emigraram. A emigração era a única saída em face ao desemprego e a miséria; além disto, as colônias agrícolas existentes no Brasil eram o grande atrativo para os italianos famintos, sem emprego, sem lar... a igreja, incentivava seus fiéis a conhecerem a nova terra, o paraíso.

Em 1902, por meio do decreto Prinetti, que refletia o debate provocado pela migração, foi proibido pelo Comissariado Geral da Emigração na Itália a emigração subvencionada para o Brasil.

Uma leva de imigrantes italianos aportaram nos Estados Unidos, Argentina, Uruguai e especialmente no Brasil, cujo destino seriam as fazendas de plantação de café no interior de São Paulo; o recebimento de lotes de terra e fundação de colônias no Sul; construção de ferrovias e colônias agrícolas em outros estados, sem contar que entre tais imigrantes (a maioria sem instrução), artistas, engenheiros, arquitetos vieram aportar aqui.

A imigração italiana é um capítulo da história rico em experiências sofridas, ao mesmo tempo escasso em informações legadas aos descendentes: os navios que chegavam aos principais portos (Vitória, Rio de Janeiro, Santos e Rio Grande) não forneciam em suas listagens as cidades de origem. Para os italianos, não importava muito deixar isto registrado, como um legado para gerações futuras... Eles estavam começando a construir um novo Brasil, no processo de substituição do trabalho escravo dos negros pelo trabalho livre do europeu. .

Com a lei de terras de 1850, cessou a distribuição gratuita de lotes para os imigrantes, despertando interesse da iniciativa privada. Isso fez com que, ao lado das colônias imperiais e provinciais, surgissem colônias particulares, como as de Conde d’Eu e Dona Isabel, na região onde atualmente estão localizados, os municípios de Garibaldi e Bento Gonçalves no Rio Grande do Sul. Estas colônias foram criadas em 1870, antes que se iniciasse o processo de imigração italiana no estado e com o objetivo de que quarenta mil colonos italianos fossem contratados num prazo de dez anos para ali se estabelecerem e aumentarem a produção agrícola da região. Dificuldades como uma prevenção generalizada contra o Brasil por parte da Europa, onde o Brasil era visto como um país onde imigrantes sofriam provações, bem como o custo do transporte dos imigrantes até as colônias, fizeram com que apenas um número menor de colonos italianos fossem realmente assentados .

Foi a partir de 1875, sob a administração da União, que chegaram as primeiras levas de italianos para Conde D'Eu e Dona Isabel. Essas primeiras levas vieram das regiões do Piemonte e Lombardia, e depois do Vêneto. Desta maneira, assim, quando começou a emigração do Sul da Itália, em 1901, as terras disponíveis já estavam quase que totalmente ocupadas e, por isso, no Rio Grande predominaram os italianos vindos do norte.

No Rio de Janeiro, era na Ilha das Flores que atracava a maioria dos grandes navios com imigrantes italianos, para que estes permanecessem de quarentena, a soberana Maria Teresa Cristina de Bourbon, natural de Nápoles, esposa do Imperador D.Pedro II, estimulou a vinda de imigrantes ligados ao comércio e as artes.

Não apenas São Paulo e estados do sul do país receberam imigrantes italianos mas também Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e algumas cidades no norte e nordeste. Muito se tem a falar e pesquisar sobre imigração italiana... os italianos são um povo valoroso que contribuiu para o crescimento e engrandecimento de nosso país.

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Comentário de Cesar Augusto Murari em 26 fevereiro 2014 às 11:54

Sou de Jaguari/RS, tenho 53 anos, sou genealogista e por me interessar muito no tema, me inscrevi neste grupo.

Cesar Murari

Comentário de ana maria ferri seganfreddo em 26 abril 2012 às 9:48

leila,  voce pensa que é possivel pedir judicialmente  uma reparação da itália por ter jogado nossos antepassados em navios, na terceira classe e muitosmorreram?

Comentário de Leila Ossola em 19 dezembro 2011 às 9:16

Gleice, não posso te ajudar muito sobre imigração árabe mas sempre indico o www.familysearch.com  porque eles possuem várias listagens digitalizadas  assim como o arquivo nacional ok?

 

 

Comentário de Leila Ossola em 19 dezembro 2011 às 9:14

Marcos fica para você também a dica de pesquisar direto no site do Arquivo Nacional e agora o family search  www.familysearch.org  tem muita coisa porque os mórmons estão digitalizando listagens de navios, cartórios etc

 

Comentário de Leila Ossola em 19 dezembro 2011 às 9:13

Ana, você pode pesquisar no Arquivo Nacional, se morar fora do Rio, fica melhor caso deseje pedir listagens etc. Entre no site do AN   www.arquivonacional.gov.br   ok? Abraços

Comentário de Monique Rodrigues Lopes em 6 outubro 2011 às 11:10

Alguem sabe de chamada de artigos referentes a imigraçao italina?

 

Comentário de Marcus Vinicius Iorio Hollanda em 15 setembro 2011 às 20:32
estou pesquisando na web ,"algo mais" sobre a vinda de meus avós maternos para o Brasil-Rio de janeiro .Gostaria de receber dicas de procedimento para melhora minhas pesquisas .
Comentário de Gleice Gomes Araújo silva em 22 outubro 2010 às 23:24
olá!... gosto muito da temática de imigração, e acredito que eles contribuíram de maneira singular par a construção da identidade do nosso país... eu pesquiso sobre a imigração árabe em goiás, e gostaria, se possível de receber contribuições a minha pesquisa...abraços, grata pela atenção!!
Comentário de Leila Ossola em 1 agosto 2010 às 12:42
Nova Diretoria da Casa D'Italia Anita Garibaldi de Petrópolis e "Serra Serata - A Festa Italiana de Petrópolis"

Ao Ilustríssimo Senhor
Dr. Umberto Malnati
Cônsul Geral da Itália no Rio de Janeiro

Senhor Cônsul,

Ao tempo que informamos a V.Sa. - através da Nota Deliberativa anexa - a nova diretoria da Casa D'Italia Anita Garibaldi de Petrópolis nomeada no início deste ano, servimo-nos do mesmo ensejo para já anunciar-lhe o novo projeto, idealizado por essa mesma Diretoria, para as futuras comemorações da Presença Italiana em nossa região:


"Serra Serata - A Festa Italiana de Petrópolis"



já aprovada pelo Prefeito do Município (também um ítalo-descendente) e prevista para acontecer no período compreendido entre os dias 03 e 08 de setembro próximo, em novo local do Centro Histórico de Petrópolis (Praça da Liberdade), sob um inédito e belíssimo Projeto Arquitetônico, que procurará resgatar a memória dos principais símbolos e monumentos italianos.

Pasquale Cutrupi
Presidente
Casa D'Italia Anita Garibaldi de Petrópolis

PS: em cópia aos Ilustres Dirigentes e Amigos das demais Associações que compõem o Círculo Italiano do Rio de Janeiro.


NOTA DELIBERATIVA – 001/2010


O Presidente da Casa D’Italia Anita Garibaldi de Petrópolis, no uso de suas exclusivas atribuições regimentais, e visando fundamentalmente adequar a organização da Instituição às suas próprias previsões estatutárias, de forma a atender tanto a Expectativa Legal quanto a exigências de Instituições e Poderes, Públicos e Privados, com os quais a Casa D’Italia tem interagido, resolve:

1º) Que a Diretoria passa a ser composta por apenas e tão-somente os cargos previstos no Art. 5º – parágrafo 3º do Estatuto (registrado no Cartório do 6º Ofício de Petrópolis – sob o nº 2354 no Livro A-3 do Registro de Títulos e Documentos), a saber:

Presidente (Pasquale Cutrupi);
Vice-Presidente (Vincenzo Vescovini);
Tesoureiro (Marco Aurélio Pelli de Abreu Vieira);
Tesoureiro-Adjunto (Antônio Carlos de Araújo Rizzo);
Secretário (Fernando Montesano Schettino) e
Secretário-Adjunto (José Luiz D’Amico);

2º) Com base no Art. 9º dos mesmos Estatutos, combinado com os §§ 1º e 2º do Art. 34 do Regimento Interno, ficam também criados os cargos assim nominados: Diretor Financeiro, Diretor Social, Diretor Jurídico e Diretor Cultural, acumulados, respectivamente, pelo Tesoureiro, Tesoureiro-Adjunto, Secretário e Secretário-Adjunto;

3º) Ficam, por conseguinte, completamente extintos todos e quaisquer outros cargos por ventura nominados e não elencados entre os supracitados;

3º) Ocupantes ou detentores de outros cargos que não estritamente os supracitados, e portanto agora extintos, retornarão à sua original condição de sócio, abstendo-se, sob pena de exclusão dos quadros societários, de qualquer iniciativa, contato ou envolvimento não autorizados, em projetos ou qualquer outra atividade de que participe a Casa D’Italia, seja como organizadora ou coorganizadora, prática ou citação representativa da Entidade, tudo isso, o que passa a ser ato da exclusiva competência da Presidência e dos demais membros da Diretoria listados ao item 1º desta Nota Deliberativa, para quem qualquer demanda deve ser imediatamente redirecionada;


4º) Revogam-se e tornam-se sem efeito todas as disposições em contrário.

Petrópolis (RJ), 04 de fevereiro de 2010.
Pasquale Cutrupi
Presidente
Casa D’Italia Anita Garibaldi de Petrópolis
Comentário de Leila Ossola em 20 junho 2010 às 6:03
Il festeggiamento che non c'è

Dov'è la festa?
A Rio de Janeiro non c'è!
Come ne è possibile esattamente qui, al palcoscenico più allegro del mondo?!
Per la prima volta, almeno qui, la festa della Repubblica è passata sotto silenzio.
Senza l'unione che ci manca.
Senza il tradizionale legame tra le persone.
Senza le stesse persone che rappresentano l'anima italiana della città.
Senza il cantare stonato (che sia) dell'inno di Mameli!
Senza il vino "gaúcho" (che sia) al posto degl'italiani!
Senza aver grazia.
Senza la presenza della communità in piazza (da sempre è stato così).
Senza le voci gridando come spesso gridano gli italiani da quando nascono.
Senza la spessa gioia con la quale festeggiano la vita.
Perchè senza di noi?
Com'è possibile non aver festeggiamento a Rio de Janeiro?
Cosa abbiamo da festeggiare oggi?

Rio de Janeiro, 2 giugno 2010
Festa della Repubblica Italiana
(Fino all'anno prossimo, quando ci verrà un'altra opportunità.)

Luis de Paula
Non importa il Paese dove viviamo ma il Paese che vive in noi.
(G. Garibaldi)
 

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