O grupo visa o conhecimento sobre a história da Igreja Católica Apostólica Romana, desde as suas origens até os tempos atuais.
Local: Blumenau/SC - Brasil
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Iniciado por Silvaniza Maria Vieira Ferrer. Última resposta de marcelo olegario ignez 1 Fev. 46 Respostas 2 Curtiram isto
Peço licença para começar esse tópico não para contribuir mas esperando por contribuições dos membros. A questão é: pelas leituras bíblicas deduz-se que o homem tem toda uma vida para fazer as coisas…Continuar
Iniciado por Leonardo Stuepp. Última resposta de Jefferson 22 Jan. 4 Respostas 0 Curtiram isto
A ESCOLÁSTICACaracterísticas geraisA escolástica representa o último período da história do pensamento cristão, que vai do início do século IX até o fim do século XV. Este período do pensamento…Continuar
Tags: Religião, Igreja, Filosofia, Escolástica, Cristianismo
Iniciado por Leonardo Stuepp. Última resposta de Leonardo Stuepp 7 Set, 2012. 5 Respostas 1 Curtiu isto
Com o nome de patrística entende-se o período do pensamento cristão que se segue à época neotestamentária e chega até ao início da Escolástica, isto é, os séculos II-VIII da era vulgar. Chama-se…Continuar
Tags: Patrística, Cristianismo, Padres, Igreja, Filosofia
Iniciado por André Octavio Gama Quaresma. Última resposta de Leonardo Stuepp 24 Maio, 2012. 3 Respostas 0 Curtiram isto
Boa noite a todos.Meu nome é André Octavio Quaresma, sou graduando no curso de História pela Universidade Federal do Pará. Inicia-se os preparativos para a pesquisa de meu TCC e pretendo pesquisar…Continuar
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Finalmente, de todos os países protestantes, a Inglaterra, como sabemos, é aquele em que as pessoas se matam menos; é também o país que, quanto à instrução, mais se aproxima dos países católicos. Em 1865, ainda havia 23% dos soldados da marinha que não sabiam ler 27% que não sabiam escrever.
Outros fatos também podem juntar-se aos precedentes para confirmá-los.
As profissões liberais e, mais geralmente, as classes abastadas são, decerto, aquelas em que o gosto pela ciência se faz sentir mais intensamente e em que mais se vive uma vida intelectual. Ora, embora a estatística do suicídio por profissões e por classes nem sempre possa ser estabelecida com precisão suficiente, é incontestável que ele é exepcionalmente frequente nas classes mais altas da sociedade. Na França, de 1826 a 1880, as profissões liberais ocupam o primeiro lugar; apresentam 550 suicídios por milhão de indivíduos do mesmo grupo profissional, ao passo que os domésticos, que vêm imediatamente a seguir, apresentam apenas 290. Na Itália, Morselli chegou a isolar as carreiras exclusivamente consagradas ao estudo e constatou que sua contribuição supera em muito todas as outras. Ele a estima, com efeito, para o período 1868-76, em 482.6 por milhão de habitantes da mesma profissão; o exército só vem em seguida, com 404,1 e a média geral do país é de apenas 32. Na Prússia (anos 1883-90), o corpo de funcionários públicos, que é recrutado com muito cuidado e constitui uma elite intelectual, ultrapassa todas as outras profissões, com 832 suicídios; os serviços sanitários e o ensino, embora se coloquem bem mais abaixo, ainda apresentam números bem altos (439 e 301). O mesmo ocorre na Baviera. Deixando-se de lado o exército, cuja situação do ponto de vista do suicídio é excepcional, por razões que serão expostas mais adiante, os funcionários públicos aparecem em segundo lugar, com 454 suicídios, quase alcançando o primeiro: são superados em muito pouco pelo comércio, cuja taxa é de 465; as artes, a literatura e a imprensa seguem de perto, com 416 (é curioso que na Prússia a imprensa e as artes apresentem um número bastante normal, 279 suicídios). Na verdade, na Bélgica e em Wurtemberg as classes instruídas parecem ser menos especialmente afetadas; mas nesses lugares a nomenclatura profissional é muito pouco precisa para que se possa atribuir muita importância a essas iregularidades.
Em segundo lugar, vimos que, em todos os países do mundo, a mulher se suicida muito menos do que o homem. Ora, ela também é muito menos instruída. Essencialmente tradicionalista, a mulher regula sua conduta segundo as crenças estabelecidas e não tem grandes necessidades intelectuais. Na Itália, durante os anos 1878-79, em 10.000 homens casados, havia 4.808 incapazes de assinar seu contrato de casament; em 10.000 mulheres casadas, havia 7.029. Na França, a proporção em 1879 era de 199 homens e 210 mulheres em 1.000 casamentos. Na Prússia, encontra-se a mesma diferença entre os dois sexos, tanto entre os protestantes quanto entre os católicos. Na Inglaterra, essa diferença é bem menor do que nos outros países da Europa. Em 1879, contavam-se 138 homens analfabetos e 185 mulheres em 1.000 casamentos, e, a partir de 1851, a proporção mantém-se sensivelmente a mesma. Mas a Inglaterra também é o país em que a mulher mai se aproxima do homem quanto ao suicídio. Para 1.000 suicídios femininos, contavam-se 2.546 suicídios masculinos em 1858-60, 2.745 em 1863-67, 2.861 em 1872-76, ao passo que, em todos os outros países, a mulher se mata quatro, cinco ou seis vezes menos do que o homem.
Estando assim demonstrada nossa primeira proposição, resta provar a segunda. Será verdade que a necessidade de instrução, na medida em que corresponde a um enfraquecimento da fé comum, se desenvolve como o suicídio? Já o fato de os protestantes serem mais instruídos do que os católicos e se matarem mais é um primeiro dado. Mas a lei nãos e verifica apenas quando comparamos um desses cultos ao outro. Ela também se observa no interior de cada confissão religiosa.
A Itália inteira é católica. Ora, lá a instrução popular e o suicídio se distribuem exatamente da mesma maneira (ver quadro XIX).
Além de as medidas corresponderem exatamente, a concordância também se encontra nos detalhes. Há apenas uma exceção: é a Emília, em que, sob influência de causas locais, os suicídios não tem relação com o grau de instrução. Podem-se fazer as mesmas observações na França. Os departamentos em que há mais cônjuges analfabetos (acima de 20% são Corréze, Córsega, Côtes-du-Nord, Dordogne, Fiinistére, Landes, Morbihan, Haute-Vienne; todos são relativamente isentos de suicídios. De modo mais geral, nos departamentos em que há mais de 10% de cônjuges que não sabem ler nem escrever, não há um só que pertença à região nordeste, terra clássica dos suicídios franceses.
Quadro XIX - Províncias italianas comparadas quanto à relação entre suicídio e instrução.
1º grupo de Províncias % de uniões de alfabetizados suicídios por milhão
Piemonte 53,09 35,6
Lombardia 44,29 40,4
Ligúria 41,15 47,3
Roma 32,61 41,7
Toscana 24,33 40,6
Médias 39,09 41,1
2º grupo de províncias
Veneza 19,56 32,0
Emília 19,31 62,9
Úmbria 15,46 30,7
Marche 14,46 34,36
Campânia 12,45 21,6
Sardenha 10,14 13,3
Médias 15,23 32,5
3º grupo
Sicília 8,98 18,5
Abruzos 6,35 15,7
Púglia 6,81 16,3
Calábria 4,67 8,1
Basilicata 4,35 15,0
Médias 6,23 14,7
Comparando-se os países protestantes entre si, encontra-se o mesmo paralelismo. As pessoas se matam mais na Saxônia do que na Prússia; a Prússia tem mais iletrados que a Saxônia (5,52% para 1,3% em 1865). A Saxônia apresenta até mesmo a particularidade de a população das escolas ser superior ao número legalmente obrigatório. Para 1000 crianças em idade escolar , contavam-se, em 1877-78, 1031 que frequentavam as aulas, ou seja, muitas continuavam os estudos depois do tempo prescrito. Esse fato não se encontra em nenhum outro país.
Objetar-se-á, talvez, que a instrução primária não pode servir para medir a situação da instrução geral. Muitas vezes já se disse que não é por contar maior ou menor número d analfabetos que um povo é mais instruído ou menos instruído. Aceitemos essa reserva, embora, na verdade, os diversos graus de instrução talvez sejam mais solidários do que parece, sendo difícil um deles desenvolver sem que os outros desenvolvam ao mesmo tempo (nota: por outro lado, veremos adiante, na p.199, que os ensinos secundário e superior também são mais desenvolvidos entre os protestantes do que entre os católicos). Seja como for, embora o nível da cultura primária reflita de maneira incompleta o nível da cultura científica, ele indica com certa exatidão em que medida um povo, tomado em seu conjunto, sente necessidade do saber. É preciso que ele sinta essa necessidade no mais alto grau para se empenhar em difundir os elementos do saber até as classes mais baixas. Para coloca ao alcance de todo o mundo os meios de se instruir, para chegar até a proscrever legalmente a ignorância, é preciso que ele considere indispensável à sua própria existência ampliar e esclarecer as consciências. De fato, se as nações protestantes atribuíram tanta importância à instrução elementar, foi porque julgaram necessário que cada indivíduo fosse capaz de interpretar a bíblia. Ora, o que queremos atingir neste movimento é a intensidade média dessa necessidade, é o valor que cada povo dá à ciência, não o valor de seus cientistas e de suas descobertas. Desse ponto de vista especial, a situação do ensino superior e da produção propriamente científica seria um critério incorreto, pois nos revelaria apenas o que ocorre numa parcela restrita da sociedade. O ensino popular e geral é um índice mais seguro.
(continua).
Mas eis uma prova confirmatória de maior generalidade.
O gosto pelo livre exame não pode advir sem estar acompanhado do gosto pela instrução. A ciência, com efeito, é o único meio de que a livre reflexão dispõe para alcançar seus fins. Quando as crenças ou as práticas irrefletidas perdem sua autoridade, é preciso, para encontrar outras, recorrer à consciência esclarecida, cuja forma mai elevada é a ciência. No fundo, essas duas inclinações são apenas uma e resultam da mesma causa. Em geral, os homens só aspiram a se instruir na medida em que se libertam do jugo da tradição; pois, enquanto domina as inteligências, a tradição basta para tudo e dificilmente tolera poder rival. Mas ao contrário, busca-se a luz assim que o costume obscuro deixa de responder às novas necessidades. Por isso a filosofia, forma primeira e sintética da ciência, surge quando a religião perde seu império, e só nesse momento; e em seguida vemo-la dar origem, sucessivamente, à infinidade de ciências particulares, à medida que a própria necessidade que a suscitou vai se desenvolvendo. Portanto, se não nos enganamos, se o enfraquecimento progressivo dos preconceitos coletivos e costumeiros inclina ao suicídio e se é daí que provém a predisposição especial do protestantismo, deve ser possível constatar os dois fatos seguintes: 1º o gosto pela instrução deve ser mais vivo entre os protestantes do que entre os católicos; 2º na medida em que denota um abalo das crenças comuns, esse gosto deve, de maneira geral, variar como o suicídio. Os fatos confirmação essa dupla hipótese?
Se compararmos a França, católica com a Alemanha protestante apenas pelos topos, ou seja, se compararmos unicamente as classes mais elevadas das duas nações parece que estaremos em condições de manter a comparação. Nos grandes centros de nosso país, a ciência não é menos considerada nem menos difundida do que entre nossos vizinhos; até mesmo é certo que, desse ponto de vista, superamos vários países protestantes. Mas, se nas camadas superiores das duas sociedades a necessidade se instruir é sentida igualmente, o mesmo não ocorre nas camadas baixas e, embora atinja nos dois países mais ou menos a mesma intensidade máxima, a intensidade média é menor na França. Pode-se dizer o mesmo para o conjunto das nações católicas. Pode-se dizer o mesmo para o conjunto das nações católicas comparadas com as nações protestantes. Supondo-se que, para a cultura mais elevada, as primeiras não estejam abaixo das segundas, a situação é completamente diferente no que diz respeito à instrução popular. Enquanto entre os povos protestantes (Saxônia, Noruega, Suécia, Baden, Dinamarca e Prússia) para 1.000 crianças em idade escolar, isto é, de 6 a 12 anos, havia em média 957 que frequentavam a escola durante os anos 1877-78, os povos católicos (França, Áustria-Hungria, Espanha e Itália) contavam apenas 667, ou seja, 31% a menos. As proporções são as mesmas para os períodos 1874-75 e 1860-61. O país protestante em que esse número é menor, a Prússia, ainda está acima da França, que ocupa o primeiro lugar entre os países ctólicos; a primeira tem 897 alunos para 1.000 crianças, a segunda apenas 766. De toda a Alemanha mé a Baviera que tem mais católicos; também é ela que tem mais analfabetos. De todas as províncias da Baviera, o Alto Palatinado é uma das mai fundamentalmente católicas e também é aquela em que se encontram mais conscritos que não sabem ler nem escrever (15% em 1871). A mesma coincidência ocorre na Prússia, para o ducado de Posen e a província da Prússia. Finalmente, no ducado de Posen e a província da Prússia. Finalmente, no conjunto do reino, em 1871 contavam-se 66 analfabetos entre 1.000 protestantes e 152 entre 1.000 católicos. A proporção é a mesma para mulheres nos dois cultos.
O Suicídio Egoísta, parte III
Vários fatos vem confirmar essa explicação.
Em primeiro lugar, de todos os grandes países protestantes, a Inglaterra é aquele em que o suicídio é menos desenvolvido. Com efeito, ela conta apenas cerca de 80 suicídios por milhão de habitantes, ao passo que as sociedades reformadas da Alemanha têm de 140 a 400; entretanto, o movimento geral das idéias e dos negócios não parece ser menos intenso na Inglaterra do que em outros países. (nota: É verdade que a estatística dos suicídios ingleses não é muito exata. Devido às penalidades ligadas ao suicídio, muitos casos são registrados como mortes acidentais. No entanto, essas inexatidões não bastam para explicar a diferença considerável entre esse país e a Alemanha). Ora, acontece que, ao mesmo tempo, a Igreja Anglicana é bem mais intensamente integrada do que as outras igrejas protestantes. Por certo, habituamo-nos a considerar a Inglaterra como a terra clássica da liberdade individual; mas, na realidade, muitos fatos mostram que o número de crenças ou de práticas comuns e obrigatórias, isentas, portanto, do livre exame dos indivíduos, é mais considerável naquele país do que na Alemanha. Em primeiro lugar, a lei ainda sanciona muitas prescrições religiosas: são os casos da lei sobre a observação do domingo, da que proíbe a representação de quaisquer personagens das Escrituras Sagradas, da que, ainda recentemente, exigia de todos os deputados uma espécie de ato de fé religiosa, etc. Em seguida, sabe-se o quanto o respeito às tradições é geral e forte na Inglaterra: é impossível que ele não se estenda às coisas da religião e às outras. Ora, o tradicionalismo muito desenvolvido sempre exclui em maior ou menor grau os movimentos próprios do indivíduo. Enfim, de todos os cleros protestantes, o anglicano é o único hierarquizado, Essa organização exterior traduz evidentemente uma unidade interna que não é compatível com um individualismo religioso muito pronunciado.
Aliás, a Inglaterra também é o país protestante em que os quadros do clero são os mais ricos. Em 1878, contavam-se em média 908 fiéis para cada ministro de culto, ao passo que na Hungria havia 932, na Holanda 1.100, na Dinamarca, 1.300, na Suíça 1.440 e na Alemanha 1.600 (nota: OETINGEN, "Moralstatistik", p.626). Ora, o número de sacerdotes não é um detalhe insignificante e uma característica superficial que não tenha relação com a natureza intrínseca das religiões. A prova é que em toda parte o clero católico é muito mais considerável do que o clero reformado. Na Itália, há um padre para cada 267 católicos, na Espanha para 419, em Portugal para 536, na Suíça para 540, na França para 823, na Bélgica para 1.050. É que o padre é o órgão natural da fé e da tradição e, também neste caso, o órgão se desenvolve necessariamente na mesma medida da função. Quanto mais intensa é a vida religiosa, mais homens são necessários para dirigi-la. Mais há dogmas e preceitos cuja interpretação não é abandonada às consequências particulares, mais são necessárias autoridades competentes para dizer seu sentido; por outro lado, quanto mais numerosas essas autoridades, mais elas enquadram o indivíduo e melhor o contêm. Assim, o caso da Inglaterra, longe de infirmar nossa teoria, vem confirmá-la. Se lá o protestantismo não produz os mesmos efeitos que no continente, é porque a sociedade religiosa é muito mais solidamente constituída e, nesse sentido, aproxima-se da Igreja Católica.
final da parte II:
Os judeus são tão preservados porque a sociedade religiosa a que pertencem é solidamente cimentada. Aliás, o ostracismo que os atinge é apenas uma das causas que produzem esse resultado; a própria natureza das crenças judaicas deve contribuir para isso em grande parte. O judaísmo, com efeito, como todas as religiões inferiores (???? - obs.: Durkheim era judeu, talvez este juízo corresponda a uma análise "evolucionista" das religiões) consiste essencialmente num corpo de práticas que regulamentam minuciosamente todos os detalhes da existência e deixam muito pouco espaço para o julgamento individual.
(fim da parte II).
Se, portanto, estas reivindicações não se produzem apenas durante um tempo e soba forma de crise passageira, se elas se tornam crônicas, se as consciências individuais afirmam constantemente sua autonomia, é porque continuam sendo instigadas em sentidos divergentes, é porque uma nova opinião não se reformou para substituir a que não existe mais. Se um novo sistema de crenças tivesse se reconstituído, o qual parecesse a todo mundo tão indiscutível quanto o antigo, também não se pensaria em discuti-lo. Nem mesmo seria permitido. Nem mesmo seria permitido colocá-lo em discussão, pois idéias compartilhadas por toda uma sociedade derivam desse assentimento uma autoridade que as torna sacrossantas e as coloca acima de qualquer contestação. Para que sejam mais tolerantes, é preciso que já tenham se tornado objeto de alguma adesão menos geral e menos completa, que tenham sido enfraquecidas por controvérsias prévias.
Assim, se é verdade que o livre exame, uma vez proclamado, multiplica os cismas, é preciso acrescentar que ele os supõe e deriva deles, pois só é reclamado e instituído como princípio para permitir que cismas latentes ou semi declarados se desenvolvam mais livremente. Por conseguinte, se o protestantismo confere ao pensamento individual uma participação maior do que o catolicismo, é porque conta menos crenças e práticas comuns. Ora, uma assembléia religiosa não existem sem um credo coletivo e é tanto mais una e tanto mais forte quanto mais extenso é esse credo. Pois ela não une os homens pela troca e pela reciprocidade dos serviços, vínculo temporal que comporta e até supõe diferenças, mas que ela é incapaz de estabelecer. Ela só os socializa ligando todos a um mesmo corpo de doutrinas, e socializando-os melhor quanto mais vasto e mais solidamente constituído é esse corpo de doutrinas. Quanto mais numerosas são as maneiras de agir e de pensar, marcadas por um caráter religioso, subtraídas, por conseguinte, ao livre exame, mais a ideia de Deus está presente em todos os detalhes da existência e faz convergir para um único e mesmo objetivo das vontades individuais. Inversamente, quanto mais um grupo confessional deixa ao julgamento dos indivíduos, mais está ausente de sua vida, menos tem coesão e vitalidade. Chegamos, portanto, à conclusão de que a superioridade do protestantismo do ponto de vista do suicídio provém do fato de ele ser uma Igreja menos fortemente integrada do que a Igreja Católica.
Ao mesmo tempo, está explicada a situação do judaísmo. Com efeito, a reprovação com que o cristianismo por muito tempo os perseguiu criou entre os judeus sentimentos de solidariedade de uma energia especial; A necessidade de lutar contra uma animosidade geral, a própria impossibilidade de se comunicar livremente com o resto da população obrigaram-nos a se manter estreitamente ligados uns aos outros. Consequentemente, cada comunidade tornou-se uma pequena sociedade, compacta e coerente, que tinha um sentimento muito vivo de si mesma e de sua unidade. Nela todo mundo pensava e vivia da mesma maneira; as divergências individuais tornavam-se quase impossíveis por causa da comunidade, da existência e da vigilância estreita e constante exercida por todos sobre cada um. A Igreja judaica acabou se tornando mais intensamente concentrada do que qualquer outra, relegada a si mesma pela intolerância de que era objeto. Por conseguinte, por analogia com o que acabamos de observar a propósito do protestantismo, é a essa mesma causa que se deve atribuir a fraca propensão dos judeus ao suicídio, a despeito das circunstâncias de todo tipo que deveriam, ao contrário, incliná-los a ele. Sem dúvida, num certo sentido, eles devem esse privilégio à hostilidade que os cerca. Mas, se ela tem essa influência não é por lhes impor uma moralidade mais elevada; é por obrigá-los a viver estreitamente unidos.
Enfim, nos dois cultos essas proibições têm um caráter divino; não são apresentadas como a conclusão lógica de um raciocínio bem feito, mas sua autoridade é do próprio Deus. Portanto, se o protestantismo favorece o desenvolvimento do suicídio, não é por tratá-lo de maneira diferente do catolicismo. Mas então, se quanto a esse aspecto particular as duas religiões têm os mesmos preceitos, sua ação diferente sobre o suicídio deve ter como causa alguma das características maias gerais pelas quais elas se diferenciam.
Ora, a única diferença essencial entre o catolicismo e o protestantismo é que o segundo admite o livre exame em proporção bem mais ampla do que o primeiro. Sem dúvida, o catolicismo, pelo simples fato de ser uma religião idealista, já abre para o pensamento e a reflexão um espaço bem maior do que o politeísmo greco-latino ou que o monoteísmo judeu. Já não se contenta com as manobras mecânicas, mas aspira a reinar sobre as consciências. Portanto é a elas que se dirige e, mesmo quando exige da razão uma submissão cega, fala-lhe com a linguagem da razão. Também é verdade que o católico recebe sua fé pronta, sem exame. Nem mesmo pode submetê-la a um controle histórico, pois os textos originais em que ela se apóia lhe são proibidos. Todo um sistema hierárquico de autoridade é organizado, e com uma arte maravilhosa, para tornar a tradição imutável. Tudo o que é "variação" horroriza o pensamento católico. O protestante é mais autor de sua crença. A Bíblia é colocada em suas mãos e nenhuma interpretação lhe é imposta. A própria estrutura do culto reformado torna perceptível essa condição de individualismo religioso. Em nenhum lugar, salvo na Inglaterra, o clero protestante é hierarquizado o sacerdote só depende de si mesmo e de sua consciência, assim como o fiel. É um guia mais instruído do que o comum dos crentes, mas sem autoridade especial para estabelecer o dogma. Mas o que melhor atesta que essa liberdade de exame, proclamada pelos fundadores da reforma, não permaneceu no estado de afirmação platônica é a multiplicidade crescente de seitas de todo tipo, que contrasta tão intensamente com a unidade indivisível da Igreja Católica.
Portanto, chegamos a um primeiro resultado, ou seja, que a propensão ao suicídio deve estar relacionada ao espírito de livre exame que anima essa religião. Vamos nos empenhar em entender bem essa relação. O livre exame é, por sua vez, o efeito de uma outra causa. Quando ele surge, quando os homens, depois de terem recebido sua fé pronta da tradição durante muito tempo, reclamam o direito de construí-la por si mesmos, não é por causa dos atrativos intrínsecos da livre indagação, pois ela acarreta tantas dores quantas alegrias. Mas é que eles passam a ter necessidade dessa liberdade. Ora, essa própria necessidade só pode ter uma causa: a falência das crenças tradicionais. Se elas continuassem a se impor com a mesma energia, nem se pensaria em criticá-las. Se elas continuassem tendo a mesma autoridade, não se pediria para verificar a fonte dessa autoridade. A reflexão só se desenvolve quando tem necessidade de se desenvolver, ou seja, quando um certo número de idéias e de sentimentos irrefletidos, até então suficiente para dirigir a conduta, perde sua eficácia. Então, a reflexão intervém para preencher o vazio que se fez, mas que não foi ela que fez. Tal como se extingue na medida em que o pensamento e a ação são absorvidos sob forma de hábitos automáticos, a reflexão ó desperta na medida em que os hábitos prontos se desorganizam. Ela só reivindica seus direitos contra a opinião comum quando esta já não tem a mesma força, ou seja, quando já não é comum no mesmo grau.
(continua).
Continuação: O Suicídio Egoísta, parte II
Se pensarmos que por toda parte os judeus são em número ínfimo e que, na maioria das sociedades em que foram feitas as observações precedentes, os católicos são em minorira, seremos tentados a ver nesse fato a causa que explica a raridade das mortes voluntárias nesses dois cultos. Compreende-se, com efeito, que as confissões menos numerosas, tendo de lutar contra a hostilidade das populações ambientes, sejam obrigadas, para se manter, a exercer um controle severo sobre si mesmas e a se submeter a uma disciplina particularmente rigorosa. P justificar a tolerância, sempre precária, que lhes é concedida, vêem-se coagidas a uma maior moralidade. Além dessas considerações, alguns fatos parecem realmente implicar que esse fator especial tem alguma influência. Na Prússia, a condição de minoria em que se encontram os católicos é muito acentuada, pois representam apenas um terço da população total. Também se matam três vezes menos do que os protestantes. A diferença diminui na Baviera, onde dois terços dos habitantes são católicos; as mortes voluntárias entre estes últimos estão para as dos protestantes apenas como 100 está para 275 ou até como 100 está para 238, conforme os períodos. Finalmente, no Império da Áustria, que é quase inteiramente católico, não há mais do que 155 suicídios de protestantes para 100 católicos. Dir-se-ia portanto que, quando o protestantismo se torna minoria, sua tendência ao suicídio diminui.
Mas, em primeiro lugar, o suicídio é objeto de uma indulgência muito grande para que o temor da condenação tão leve que o atinge possa agora com tal força, mesmo sobre minorias cuja situação as obrigue a se preocupar particularmente com o sentimento público. Como é um ato que não lesa ninguém, não se impõe grande censura aos grupos mais propensos do que outros e não há risco de que ele leve a aumentar muito o afastamento que tais grupos inspiram, como certamente faia uma frequência maior dos crimes e dos delitos. Aliás, a intolerância religiosa, quando é muito forte, muitas vezes produz um efeito oposto. Em vez de incitar os dissidentes a respeitarem mais a opinião, habitua-os a se desinteressarem dela. Quando as pessoas se sentem diante de uma hostilidade irremediável, renunciam a desarmá-la e se obstinam mais intensamente nos costumes mais reprovados. Foi isso que muitas vezes aconteceu com os judeus e, por conseguinte, é de duvidar que sua imunidade excepcional não tenha outra causa.
Mas, em todo caso, essa explicação nãos seria suficiente para dar conta da situação dos protestantes e dos católicos. Pois, embora na Áustria e na Baviera, onde o catolicismo tem maioria, a influência preservadora que ele exerce seja menor, é ainda muito considerável. Portanto, ela não se deve apenas à sua condição de minoria. Geralmente, qualquer que seja a proporção desses dois cultos no conjunto da população, em todos os lugares em que foi possível compará-los do ponto de vista do suicídio, constatou-se que os protestantes se matam muito mais do que os católicos. Há até regiões, como o Alto Palatinado e a Alta Baviera, em que a população é quase inteira católica (92% e 96%) e, no entanto, há 300 e 423 suicídios protestantes para 100 católicos. A relação até se eleva a 528% na Baixa Baviera, onde a religião reformada não chega a contar um fiel para cada 100 habitantes. Portanto, mesmo que a prudência obrigatória das minorias tenha alguma coisa a ver com a diferença tão considerável apresentada por essas duas religiões, a maior parte se deve certamente a outras causas.
Estas serão encontradas na natureza desses dois sistemas religiosos. No entanto, ambos proíbem o suicídio com a mesma clareza; além de lhe imporem penas morais de extrema severidade, ambos ensinam igualmente que no além túmulo começa uma vida nova em que os homens serão punidos por suas más ações, e o protestantismo inclui o suicídio entre estas últimas, tal como o catolicismo. (continua).
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
© 2013 Criado por Bruno Leal.
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