MEDITAÇÃO: A TRANSCENDÊNCIA DO CONHECIMENTO

 

 

"PRECISAMOS TOMAR CUIDADO PARA NÃO FAZER DO INTELECTO O NOSSO DEUS.

ELE TEM MÚSCULOS PODEROSOS É VERDADE, MAS NENHUMA PERSONALIDADE"
(Albert Einstein)

 

Ora, se partirmos da premissa que existe o absoluto e, portanto, que existe uma verdade e conhecimento absolutos, então, como o absoluto está além do tempo e espaço, consequentemente, para que o conhecimento e a verdade absoluta sejam apreendidos é necessário se transcender os limites do mundo objetivo do tempo e espaço.

 

Ou melhor, a verdade só pode ser conhecida de forma transcendente. Não é à toa, portanto, que ela seja intraduzível, ou seja, que não é possível descrever a verdade absoluta. Ela só pode ser sentida interiormente. Ela precisa ser vivenciada por cada um de nós. Assim, ninguém pode falar da verdade absoluta ou a afirmar para outrem.

 

Descartes já havia colocado em xeque o conhecimento obtido através dos sentidos. Ele já falava sobre os limites dos sentidos. Não é possível confiar plenamente no conhecimento e informação que obtemos através de nossos sentidos. Através deles não conseguimos abarcar segura e totalmente todo o conhecimento. Por exemplo, sabemos que certos animais conseguem enxergar cores que nos passam despercebidas.

 

Sendo assim, podemos concluir e afirmar que o conhecimento intelectual tem seu limite e, portanto, não pode afirmar ou negar nada de forma absoluta.

 

Então, como podemos transcender o tempo e o espaço e comungar com a verdade absoluta?

 

Há um bom caminho para isto: a meditação.

 

Enfim, mergulhamos no universo da metafísica. Este fato já é suficiente para assustar muitos céticos. Todavia, o surpreendente é que o filósofo que mais fixou a metafísica como via de conhecimento definitivo na filosofia foi um cético absoluto: René Descartes.

 

É comum associar o cartesianismo ao materialismo, ou melhor, a um racionalismo exacerbado e, consequentemente, contrário aos princípios espirituais, transcendentes. Mas, evidentemente, como espiritualista que era, Descartes só acreditava que a verdade só poderia ser encontrada dentro de cada um de nós, em nossa alma. Não há afirmação mais espiritual. Não há conclusão mais firme em relação aos valores metafísicos, transcendentais.

 

Há algo mais abstrato do que a matemática e mais lógico, científico?

 

Uma conclusão que o filósofo grego Pitágoras já havia feito há muitos séculos atrás, de que a base de toda manifestação continha princípios matemáticos, transcendentes e metafísicos.

 

Enfim, para chegar-se à verdade absoluta é necessário o ser humano abandonar por uns instantes o universo do tempo e espaço, sair da prisão limitante do mundo objetivo (dos sentidos) e apreender a verdade que jaz em si.

 

Para tanto, o ser humano precisa aprender a silenciar sua mente. Ir além dos seus limites racionais e encontrar a plena luz de sua alma.

 

 

Hideraldo Montenegro

 

leia A ETERNIDADE DO SER:

 http://www.clubedeautores.com.br/book/47394--A_ETERNIDADE_DO_SER

Tags: FILOSOFIA

Exibições: 109

Respostas a este tópico

Boa tarde Hideraldo .

Como sempre é uma alegria ler os teus artigos ,profundos como nenhum outro .

Este livro da eternidade do ser me parece mais interessante do que o outro e por isso vou tentar adquiri-lo .

Como poeta que és deves conhecer o Professor Agostinho da Silva ,fundou algumas Universidades no Brasil e agora tem uma fundacao em Portugal com o seu nome .

Em Filosofia ele era o meu idolo, falava 15 linguas

Infelizmente nunca tive muito tempo para estudar filososia ,mas gosto muito ,e considero dos que li até hoje ,és o melhor deles todos  .

Cumprimentos

Feliz com sua presença. feliz com sua sensibilidade. abraços fraternos

Olá Joaquim.

Que bom tê-lo em meu grupo sobre a História da Filosofia, onde pessoas simples, humildes, mas sábias se reúnem. Onde não se tem verdades absolutas, onde cada um, buscando o melhor possível, apresenta seus conhecimentos e com grande alegria, consegue apreender e também ensinar.

Neste grupo não tratamos sobre denominações religiosas, assunto sobre denominações religiosas são tratados em grupos e/ou tópicos específicos.

Aqui tratamos sobre "Filosofia = amor à sabedoria".

Abraços.

Olá Leonardo .

O Hideraldo é um grande poeta e eu quero ver o trabalho dele e estar perto do que ele escreve ,

e concerteza por arrasto os que tambem veem estas qualidades da filosofia que nos dao alegrias muito grandes .

Um abraco

Olá Hideraldo.

Belo tópico.

Bela introdução.

Para entendermos mais sobre o que fala René Descartes, assim como qualquer pensador, necessário se faz chegar ao seu momento histórico e "sentir" com ele o que foi sentido e pensado neste momento.

Este tempo tão especial da história da humanidade, onde tanto se descobriu, também será melhor entendido e, pode-se chegar mais próximo do que falas da trasncendência, se estudarmos e estendermos Blaise Pascal.

"O coração tem razões que a própria razão desconhece".

O debate entre Descartes e Pascal foi maravilhoso.

Quanto à matemática, fico um pouco preocupado com a tua afirmação tão categórica de que nada seja mais abstrato do que a mesma ..... sem dúvidas, ela trabalha muito a abstração, mas, antes de tudo,ela é uma linguagem, mas com certeza temos outras questões abstratas de que trata a humanidade.

Silenciar a mente .....isto para as filosofias orientais, onde as pessoas nascem e vonvivem com uma outra maneira de se pensar é mais fácil do que para nós ocidentais, filhos da razão grega .....silenciar a mente e "ouvir" a alma .....

Abraços.

Leonardo

Olá Hideraldo.

Continuo meus contra-argumentos, dando continuidade ao tópico que criastes em nosso grupo sobre a História da Filosofia.

Neste caminho, que é longo, em momentos pedregoso, mas sem dúvidas prazeroso, posto algo sobre esta tua afirmação:

"Há algo mais abstrato do que a matemática e mais lógico, científico?"

Eu já havia me manifestado anteriormente sobre a Matemática, ciência pelo qual tenho o maior apreço e, pela minha experiência de muitos anos como professor desta maravilhosa disciplina e, também na de Física, onde a Matemática é uma ciência auxiliar das mais valiosas, apresento aqui o pensamento de Malba Tahan (Prof. Júlio César de Mello e Souza), em sua obra: Matemática Divertida e Curiosa, da Editora Record.

"Os professores de Matemática - salvo raras excessões - têm, em geral, acentuada tendência para o algebrismo árido e enfadonho. Em vez de problemas práticos, interessantes e simples, exigem sistematicamente de seus alunos verdadeiras charadas, cujo sentido o estudante não chega a penetrar. É bastante conhecida a frase do geômetra famoso que, depois de uma aula na Escola Politécnica, exclamou radiante: "Hoje, sim, estou satisfeito! Dei uma aula e ninguém entendeu!"

O maior inimigo da Matemática é, sem dúvida, o algebrista - que outra coisa não faz senão semear no espírito dos jovens essa injustificada aversão ao estudo da ciência mais simples, mais bela e mais útil. Lucraria a cultura geral do povo se os estudantes, plagiando a célebre exigência de Platão, escrevessem nas portas de suas escolas: "Não nos venha lecionar quem for algebrista."

Essa exigência, porém, não devia ser ... platônica!.

Com isto, não estou somente buscando um maior entendimento da Matemática, ciência que nos aproxima fortemente de outros conhecimentos, mas sim, buscar, com seu estudo, o entendimento de alguns Matemáticos e Filósofos que apresentastes em tua introdução, como René Descartes e Pitágoras e claro também a Balise Pascal, a quem eu citei em uma postagem anterior.

Estes pensadores, podem colaborar com as idéias que propões em teu tópico, mas, não podemos nos contentar com pequenas passagens e sobre elas elaborar uma tese. Precisamos ter um conhecimento maior de todo o pensamento do filósofo, para que, tenhamos condições de verificar se suas idéias realmente podem ser base para uma proposta como a que apresentas na introdução ao tópico.

Abraços.

Olá Hideraldo.

Dando continuidade as minhas postagens referentes à tua introdução ao tópico, gostaria agora de apresentar algo sobre a tua afirmação:

"Uma conclusão que o filósofo grego Pitágoras já havia feito há muitos séculos atrás, de que a base de toda manifestação continha princípios matemáticos, transcendentes e metafísicos."

Busco na obra: História da Filosofia segundo Julián Marías, em sua obra: História da Filosofia, Edições Sousa & Almeida, oitava edição, tradução portuguesa da décima terceira edição espanhola de: Alexandre Pinheiro Torres, Porto, abril de 1987, algumas explicações sobre Pitágoras e os Pitagóricos.

"PITÁGORAS

- Depois da Escola de Mileto, o primeiro núcleo filosófico importante é constituído pelos pitagóricos. Em fins do século VI a filosofia transfere-se da costa da Jônia para as da Magna Grécia, ao sul da Itália, e para a Sicília, formando-se aquilo a que Aristóteles chamou de escola itálica. Parece que a invasão persa na Ásia Menor fez deslocar para o extremo ocidental do mundo helênico  alguns grupos jônicos. Desta fecunda emigração surgiu o pitagorismo.

O pitagorismo constitui um dos problemas mais obscuros e complexos da história grega. Por um lado, é problemático tudo o que se refere à história do movimento pitagórico. Em segundo lugar, a sua interpretação é extremamente difícil.

O fundador da escola foi Pitágoras. Mas Pitágoras pouco mais representa do que um nome. Pouco se sabe dele, e do pouco que se sabe, nada é seguro. Parece que nasceu na ilha de Samos, e se foi estabelecer em Crotona, na Magna Grécia. Atribuem-se-lhe várias viagens, entre elas, à Pérsia, onde terá conhecido o mago Zaratás, isto é, Zoroastro ou Zaratustra. Provávelmente, nunca se ocupou de matemáticas, ainda que a sua escola o tenha feito posteriormente. A atividade de Pitágoras deve ter sido principalmente religiosa, relacionada com os mistérios órficos, aparentados, por sua vez, com os cultos de Dionisos. Aristóteles fala dos pitagóricos de um modo impessoal, e essa vaguidade é expressa pela denominação favorita: os chamados pitagóricos.

A ESCOLA PITAGÓRICA - Os pitagóricos estabeleceram-se numa série de cidades da Itália Continental e da Sicília, passando, logo a seguir, à própria Grécia. Formaram uma liga ou seita, e submetiam-se a uma grande quantidade de normas estranhas e proibições. Não comiam carne nem favas, não podiam usar roupas de lã, nem apanhar o que houvesse caído, nem atiçar o fogo com um ferro, etc. É difícil compreender o sentido destas normas, se é que as havia. Entre os pitagóricos havia os acusmáticos, segundo o caráter ou grau da sua iniciação. A liga pitgagórica tinha uma tendência contrária à aristocracia. Porém, acabou, também, por se tornar numa aristocracia e intervir na política. Como consequência disto, produziu-se uma violenta reação democrática em Crotona, e os pitagóricos foram perseguidos, muitos deles mortos, e a sua sede incendiada. O fundador conseguiu salvar-se e morreu, segundo se diz, pouco depois. Mais tarde conheceram os pitagóricos um novo florescimento, chamado o neopitagorismo.

Mas, mais do que tudo isto, interessa o sentido da liga pitagórica como tal. Constituía própriamente uma escola (A palavra escola, significa em grego ócio: convém ter isto presente). Esta escola define-se pela maneira de viver dos seus membros, gentes emigradas, expatriadas, forasteiros, em suma. Segundo o exemplo dos jogos olímpicos, os pitagóricos consideravam três modos de vida: o dos que compram e vendem, o dos que correm no estádio, e o dos espectadores que se limitam a ver. Assim vivem os pitagóricos, forasteiros curiosos da Magna Grécia, como expectadores. É o que se chama a vida teorética ou contemplativa. A dificuldade para esta vida é o corpo, com as suas necessidades que sujeitam o homem. Impõe-se a libertação de tais necessidades. O corpo é uma tumba, dizem os pitagóricos. Há que dominá-lo sem o perder. Porém, é necessário um estado prévio de alma, que é o entusiasmo, isto é endeusamento. Aparecem aqui as relações com os órficos e os seus ritos, fundados na mania (loucura) e na orgia. A escola pitagórica utiliza esses ritos e transforma-os. Chega-se, assim, a uma vida suficiente, teorética, não ligada às necessidades do corpo, um modo de viver divino. O homem que chega a isso é o sábio. (Parece que a palavra filosofia ou amor à sabedoria, mais modesta que sofia, surgiu pela primeira vez, nos círculos pitagóricos). O perfeito sophós é ao mesmo tempo, o perfeito cidadão. Por este motivo é que o pitagorismo cria uma aristocracia e acaba por intervir na política.

A MATEMÁTICA - Outro aspecto importante da atividade dos pitagóricos é a sua especulação matemática. A matemática grega não se parece muito com a moderna. Iniciada - quase como uma mera técnica operatória - na escola de Mileto, recebe a herança do Egito e da Ásia menor, mas só com o pitagorismo é que se transforma numa ciência autônoma e rigorosa. Dentro desta escola - sobretudo no chamado neopitagorismo - desenvolvem-se os conhecimentos matemáticos que serão depois continuados pelas escolas de Atenas e Cízico. No séculoVI a Academia platônica e a escola de Aristóteles forjam os conceitos filosóficos capitais que permitirão da época helenística, a partir do século III, a elaboração e sistematização da matemática, simbolizada na obra de Euclides.

Os pitagóricos realizam a descoberta de um tipo de ente - os números e as figuras geométricas - que não são corporais, mas que possuem realidades e apresentam resistência ao pensamento. Isto obriga a pensar que não é lícita a identificação imediata do ser com o ser corporal, o que implica uma ampliação decisiva da noção de ente. Todavia, os pitagóricos, arrastados pela sua própria descoberta, fazem uma nova identificação, desta vez de sentido inverso: com eles o ser coincidirá com o ser dos objetos matemáticos. Os números e as figuras que são a essência das coisas. Os entes imitam os objetos da matemática. Em alguns textos afirmam que os números são as próprias coisas. A matemática pitagórica não é uma técnica operatória. Antes de o ser, constitui a descoberta e construção de novos entes, que são imutáveis e eternos, distinguindo-se, pois, das coisas variáveis e transitórias. Daqui o mistério de que se rodeavam os achados da escola, como, por exemplo, a descoberta dos poliedros regulares. Uma tradição refere que Hipaso de Metaponto se afogou durante uma travessia - ou melhor, naufragou castigado pelos deuses - por ter revelado o segredo da construção do dodecaedro.

Por outro lado,a aritmética e a geometria estão em estreita relação entre si: o 1 é o ponto, o 2 a linha,o 3 a superfície, o 4 o sólido; o número 10, soma dos quatro primeiros, é a famosa tetraktys, o número capital. Fala-se geométricamente de números quadrados e oblongos, planos, cúbicos, etc. Há números místicos, dotados de propriedades especiais. Os pitagóricos estabelecem uma série de oposições, com as quais as qualidades guardam uma estranha relação: o ilimitado,o par e o ímpar, o múltiplo e o uno,etc. O simbolismo destas ideias resulta problemático e de difícil compreensão.

A escola pitagórica criou também uma teoria matemática da música. A relação entre os comprimentos das cordas e as notas correspondentes foi aproveitada para um estado qualitativo do musical; como as distâncias dos planetas correspondem aproximadamente aos intervalos musicais, pensou-se que cada astro emitia uma nota,  compondo todas juntas a chamada harmonia das esferas ou música celestial, que não ouvimos por ser constante e sem variações.

As ideias astronômicas dos pitagóricos foram profundas e penetrantes: Ecfanto chegou a afirmar a rotação daTerra. Por seu lado, Alcmeône de Crotona fez perspicazes estudos biológicos e embriológicos. Arquitas deTarento e Filolau deTebas foram as figuras mais importantes da matemática pitagórica.

Na escola pitagórica temos o primeiro claro exemplo de filosofia compreendida como concepção de vida, o problema da vida suficiente leva-os a uma disciplina especial,que consiste na contemplação. Éna Grécia e com os pitagóricos que aparece o tema da libertação, do homem suficiente, que se basta a si mesmo. Este vai ser um dos temas permanentes do pensamento helênico. Esta preocupação pela alma conduz os pitagóricos à doutrina da transmigração ou metempsicose, relacionada com o problema da imortalidade. E esta questão, em estreita relação com a idade e o tempo, entronca na especulação sobre os números que são, antes de mais nada, medida do tempo, idade das coisas. Vemos, pois, o fundo unitário do completíssimo movimento pitagórico,centrado no tema da vida contemplativa e divina.

Assim, creio que com estas breves informações sobre Pitágoras e o Pitagorismo, ou os Pitagóricos, podemos verificar de que modo a tua afirmação cabe na proposta do teu tópico.

Abraços.

pois é, neste sentido, posso afirmar minha afiliação ao pensamento pitagórico, numa explanação por você tão profunda e tão bem colocada.

Podemos constatar no pensamento pitagórico uma relação com a Cabala. Bom pensarmos a criação divina seguindo etapas através das 10 sefirotes. Isto também nos faz lembrar o mundo das ideias de Platão, mas

embora estas informações nos ajudem a entender certos princípios, entendê-los é necessário, conforme dito acima em relação a Descartes, transcendermos os limites de nossos sentidos. ou melhor, abrirmos o universo de nossa alma. para tanto, precisamos alcançarmos um outro nível de consciência e é aí onde reside todo o mistério.

Olá Hideraldo.

Com certeza logo me posicionarei com o pensamento de Descartes, para podermos aprofundar a tua proposta do tópico.

Mas, gostaria de deixar bem claro que os pitagóricos, além de se aterem à questões matemáticas,também foram importantes para a música e principalmente na questão religiosa, trazendo para o pensamento ocidental esta questão da metempsicose.

Quanto ao transcender os limites de nossos sentidos, precisamos verificar em que sentido, ou em que profundidade isto está contemplado em Descartes e também em outros filósofos.

Abraços.

Olá Hideraldo.

Retomo meus comentários aqui em teu tópico. Agora abordarei um pouco sobre René Descartes, baseando-me na obra: História da Filosofia, de Julián Marías, Edições souza & Almeida,em 8 edição, Porto, abril de 1987.

"Descartes sente-se mergulhado numa insegurança profunda. Nada parece merecer-lhe confiança. Todo o passado filosófico se contradiz. Haviam sido sustentadas as opiniões mais opostas. Desta pluralidade nasce o ceticismo (o chamado pirronismo histórico). Os sentidos enganam-nos com frequência. Além disso, há a considerar ainda o sonho e a alucinação. O pensamento não merece confiança porque cometem-se paralogismos e cai-se frequentemente no erro. As únicas ciências que parecem seguras, a matemática e a lógica, não são ciências reais, não servem para conhecer a realidade. Como proceder nesta situação? Descartes quer construir, se tal é possível, uma filosofia totalmente certa, da qual não se pode duvidar: e encontra-se submergido na dúvida o mais profundamente que é possível. A dúvida terá de ser o fundamento em que se apoie. Ao começar a filosofar, Descartes parte da única base que se lhe oferece: sua própria dúvida, a sua incerteza radical. Há que pôr em dúvida todas as coisas, ao menos uma vez na vida, diz Descartes. Não se pode admitir nem uma só verdade onde a dúvida não caiba nem sequer como possibilidade. Por isso é que Descartes faz da dúvida o método peculiar de sua filosofia.

Continua ...

pois é, descartes consegue trazer a dúvida a todas as informações objetivas e, assim, valoriza o aspecto abstrato (metafísico) do ser. descartes só confia numa coisa: a alma humana. é aí onde devemos começar a nossa viagem e a exploração do verdadeiro conhecimento.

Grato por sua presença, magnificamente enriquecedora, brilhante.

Caro Hideraldo.

Continuando minha postagem de Descartes:

Se encontrar algum princípio em relação ao qual não haja dúvidas, aceitá-lo-á para a sua filosofia. Recorde-se que pôs de lado a chamada evidência dos sentidos, a segurança do pensamento, e, logo a seguir, o saber tradicional e recebido. A primeira tentativa de Descartes é, pois, ficar totalmente sózinho; é, com efeito, a situação em que se encontra o homem no final da Idade-Média. E a partir deste isolamento tem de tentar reconstruir a certeza ao abrigo da dúvida. Descartes procura, antes de mais, não errar. Começa a filosofia da precaução.

E, como veremos, surgirão as três grandes questões da filosofia medieval - e talvez de toda a filosofia -: o mundo, o homem e Deus. Mudou únicamente a ordem e o papel que cada um deles desempenha.

[...]

"Eu reverenciava a nossa teologia e pretendia como outro qualquer conquistar o céu; mas tendo aprendido, como coisa muito segura, que o seu caminho está tão aberto aos mais ignorantes como aos mais doutos, e que as verdades reveladas que conduzem ao céu estão acima das possibilidades da nossa inteligência, não ousava submetê-las à fraqueza dos meus raciocínios, e pensava que para tentar examiná-las e acertar era necessário que me viesse uma assistência extraordinária do céu e ser mais do que o homem". (Discurso do método, 1 parte).

Descartes sublinha o caráter prático, religioso, da teologia: afirma que o que interessa é ganhar o céu; acontece, porém, que o céu pode ser ganho sem que nada se saiba de teologia, o que evidencia a manifesta inutilidade desta. Convém reparar que Descartes não apresenta isto como constituindo descoberta sua. Pelo contrário: foi uma coisa perfeitamente segura; é pois, a opinião do tempo. Em segundo lugar é um assunto que diz respeiro à revelação e está, portanto, acima da inteligência humana. A razão não tem poder para fazer face ao grande tema de Deus. Seria necessário ser-se mais do que homem. É, claramente, questão de jurisdição. O homem dotado da sua razão, por um lado; por outro lado, Deus, onipotente, inacessível, acima da razão. Deus que às vezes se digna revelar-se aos homens. Não é o homem que faz a teologia, mas Deus. O homem não tem lugar aí: Deus está demasiado alto.

Abraços.

RSS

LINKS PATROCINADOS

Conteúdo da Semana

O historiador Fábio Koifman (UFRRJ) conta ao Café História como transformou mais de sete mil documentos em uma pesquisa histórica bem sucedida e conversa sobre outros assuntos, como a sua relação com os arquivos no Brasil

Links Patrocinados

Cine História

Somos tão jovens

Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.

Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

Enquete História

Você acredita que João Goulart foi assassinado por agentes da ditadura militar?

Sim
Não
Talvez


Resultado Parcial
Comentar esta Enquete
Recomendar esta Enquete

Em nossa enquete anterior, perguntamos: de 0 a 5, que nota você daria para a edição da ANPU regional (2012)? 638 pessoas votaram na enquete. O resultado foi o seguinte: 0 (27,90%), 5 (22,24%), 3 (16,14%), 4 (15,05%), 2 (7,99%) e 1 (7,68%).

Parceiros


NOSSOS OUTROS PROJETOS

Política de Privacidade

Para ler nossa "Política de Privacidade", clique aqui.

© 2013   Criado por Bruno Leal.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

body, .xg_reset .xg_module_body { line-height: 1.3; }