Tags: Ditaduras
Permalink Responder até Silvaniza Maria Vieira Ferrer em 28 abril 2011 at 10:45
Permalink Responder até Moysés M. de Siqueira Neto em 28 abril 2011 at 14:45
Primeiramente é bom procurar explicitar como você vai adentrar no saara do conceito de memória (psicologia, neurologia, antropologia ou, como acredito ser o caso dentro dessa comunidade, história). Se percorrer o viés histórico, a questão contextual será porta de entrada e saída para o termo memória - não como um dado, mas como uma construção de metanarrativas próprias da modernidade (como ideologia, cultura e outros termos). Assim, alguns autores (como Joel Candau) indicam que não existe uma "memória", mas uma representação dela, ou uma metamemória, idéia que fazemos dela. Então, não existem várias versões sobre uma mesma memória, mas a tentativa de tornar uma versão hegemônica sinônimo de memória a partir de sua institucionalização. Em outro ponto, vale a pena ler Michel Polak, sobre a idéia de silêncio...Tampouco há uma "guerra", mas sim disputa, como há disputa em todos os campos da representação (história dita científica, arqueologia, museus, memoriais...).
Começa desnaturalizando esse tema da memória e, principalmente, separando-a do termo história (ver tb Le Goff).
Bom trabalho!
Entendo perfeitamente as tuas colocações e concordo com absolutamente todas elas.
Quanto ao termo "guerra" refere-se mesmo a uma "disputa". Expressei-me mal.
Sobretudo, achei interessante a ideia de uma metamemória, apresentada por Joel Candau, uma literatura que ainda não havia me aproximado. Estou envolvido, sobretudo, com as leituras de Ricouer, Sarlo, Jelin, Selligmann-Silva e Winter. LeGoff é uma leitura obrigatória que já realizei.
Minha pergunta é mais no tocante de reconhecermos a necessidade, justamente, de não tomarmos a memória como uma construção "sem possibilidade de crítica" ou "imaculada". A contextualização também é elemento chave para compreendermos não só a construção, mas o respaldo das narrativas. Realmente, se pensarmos no sentido de uma disputa, o que há é justamente uma disputa por uma representação, e não por uma memória - tendo em vista que nenhuma memória é total, como já escrevi em outro tópico deste fórum. Além disso, como o próprio LeGoff e, mais explicitamente, Albert Jacquard diriam, não existe uma verdade, mas sim diversas versões destas - expressada, mais especificamente, na origem da palavra verdade, que significa coerência.
Grato pelas indicações!
Permalink Responder até Silvaniza Maria Vieira Ferrer em 28 abril 2011 at 16:03
Permalink Responder até Bruno Leal em 6 setembro 2012 at 14:09
Como assim "Guerra de Memórias". Fiquei confuso, Marcus.
O termo "guerra" refere-se a disputa por uma memória hegemônica, uma vez que os discursos se posicionam de forma dicotômica e antagônica. Por isso, "guerra". O conflito - memória conflitiva, como dirá Beatriz Sarlo - encontra-se nas diferentes versões que se dá a um mesmo acontecimento, justificativa, evento, etc. Os dois grupos - ou mais - tentam, através dessa batalha, eliminar o discurso alheio.
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
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