O que vocês colocariam em um museu com o tema da morte? Vamos debater

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Preimeiramente os restos mortais de todos os grandes personagens de nossa história mundial.
Após poderia colocar a evolução do caixão, como era na antiguidade até os dias de hoje, como era um velório no tempo de D. João VI por exemplo...
A morte fala muito sobre o viver de uma sociedade. Museu é um espaço de reafirmação de valores, conceitos e estados de preservação num processo coletivo de identidade que ultrapassam o universo de classes sociais remetendo para conceitos de mentalidades formas de sentir e pensar que encontram elos comuns entre os ricos e pobres. O luxo é a riqueza diferenciam contudo a morte em si iguala a todos mesmo separados por muros ou quadras. As distinções, as fotos e lápides são tentativas sociais e psicológicas da permanência do outro em nossa memória. O tempo dilui o luto em uma suave e por vezes marcante lembrança. Desse modo dividiria o museu em três partes - o mercado funerário caixões, roupas e utensílios ritual do morrer Igreja e cemitérios - séc.XVI até séc. metade do séc.XIX - Essa divisão a qual proponho está ligada a questão que as necrópoles eram do cristianismo católico e o preparo do corpo ficava a cargo dos familiares ou pessoas responsáveis para enterros de luxo. Neste espaço teria um atenção especial as carpideiras, mulheres que eram pagas para chorar. Outro advento importante é a fotografia que coloca o morto em imgem permanente servindo de comprovação de seu óbito. Muito chegavam a serem fotografados com se vivos estivessem. Outra tradição eram as mascáras mortuárias tiradas para eternizar a face agoniada do defunto. Os rituais de beber o morto e velar. As histórias macabras de mulheres mortas seduzindo homens a procura de sexo atrás dos muros dos cemitérios. A partir da metade do séc.XIX até década de 20 do anos 80. temos a morte sendo retirada das mãos dos clérigos, indo parar nos hospitais e para ciência - estudos sobre as causas de mortes epidêmicas que assolavam a humanidade matando milhares de pessoas. A literatura sai do romantismo para o realismo - naturalismo a morte de Ivan Ilicht de Tolstói, na literatura brasileira - as descrições da morte por assassinato em o cortiço de obra clássica do período. Nesta fase começa a surgir a polícia científica fotos de mortos em acidentes, por tiros e facadas. As descrições dos legistas e os jornais sensacionalistas escrevendo sobre homicídios passionais, alimentando a literatura e os romances. O cinema divulgando por exemplo a morte de Rodolfo Valentino que chocou o mundo na época. Cenas da primeira guerra mundial e o carregar de corpos. Um dos crimes mais famosos da Maria Féa - esquartejada grávida pelo marido enlouquecido o famoso crime da mala. A partir da década de 30 e com a segunda guerra mundial - a morte fica em escala industrial - cadaveres empilhados como se fossem caixas. A morte vista no cogumelo atômico de milhares em milésimos de segundos. No Brasil, os crimes de tortura que levam os presos políticos a loucura e o suicídio na era Vargas. Fotos desses mortos. A morte show com a visão de Ernesto Tchê Guevara morto uma maneira de fotografar que colocou com Jesus Cristo dos revolucionários. O notícias populares - e suas fotos de corpos envoltos em sangue e nas posições mais inusitadas mostrando corpos aos pedaços. Os grandes incêndios como o do Joelma e as fotos da perícia e sequências de filmagem da emissora da TVs da época. Grandes assassinatos do período como o caso Doca Street. Anos 80 a morte tecnológica - psicopatas e a morte ao vivo. Com advento das câmeras digitais e celulares e sistemas de vigilância as imagens são ao vivo. Temos os acidentes em tempo real dessa maneira os programas policiais das TVs. Ficam com helicópteros nos horários de pico caçando imagens de acidentes de motos, atropelamentos e outros tipos de crimes, suicídios. Latrocínios com a morte da vítima. O material desse tipo de situação é um arquivo imenso. Morrer em cadeia nacional para milhares de pessoas. Os psicopatas são um capítulo a parte fazem os mortos ficarem por longo tempo sendo discutidos mostrando reconstituições como no caso Ritchtofen ou Isabela. Agora mais recentemente o caso Bruno onde a morte é presumida o corpo ficou reduzido a cinzas. O título geral da exposição seria - Morte - o caminho trilhado pelos cemitérios à morte ao vivo. Seria voltado para jovens e adultos. Mas poderiamos fazer algo para as crianças de forma lúdica e sem trauma. Como por exemplo. Explicar o ciclo da natureza em imagens do nascer de uma flor até ficar murcha e seca. Lentamente colocando pequenos animais mortos nas ruas e aos poucos retirar o medo e as dificuldades da elaboração do morrer para crianças e também dos adultos. Uma exposição de carros de remoção de cadáveres e carros funerários.
Tudo de modo a criar um ambiente claro sem apelos ao tétrico ou ao trash. Buscando também mostrar o lado da medicina paliativa com depoimentos e um plebiscito sobre a eutanásia. Poesias aos longo dos séculos que falassem sobre a morte. Criar um modo de construção temática do ponto de vista museológico - com meios de atrair o público sem apelações. Afinal um dia...hoje...amanhã...faremos parte da finitude dos nossos corpos - seremos adubo de flores.
Esqueci de uma parte do museu bastante interessante os grandes enterros da história - De Rodolfo Valentino nos anos 20, passando, pela morte de Hitler, o suicídio e enterro de Vargas, a estranha morte de astros com Marlynn Monroe, de Elvis Presley, e do mais famoso atualmente com seu caixão de ouro Michael Jackson. A morte de Carmem Miranda, o enterro de Elis Regina, a morte social na transição política da ditadura para democracia o falecimento do Tancredo Neves, o acidente que leva a passamento de Ayrton Senna.Nos anos 70, a morte do ator Sérgio Cardoso - que dizem tinha catalepsia e morreu sufocado no próprio caixão. Entre morte de personalidades do cinema e teatro que tiveram alguma importância mais sem tanto apelo na mídia - Paulo Autran, Ronald Golias, Jece Valadão, e outros que acabam pobres e miseráveis e quando doentes fazem programas femininos no final de tarde para arrecadar dinheiro para ter uma boa morte. Teria que possuir também uma parte reservada aos processos de embalsamamento e mostrando as técnicas egípcias e de povos pré-colombianos. Além disso, um local reservado para criar por meio de vídeo os cemitérios famosos pelo mundo na França o Peré la Chaise, nos EUA, o cemíterio de Arlington, e réplicas de tumúlos do período neolítico e sarcofágos. Os processos de velórios na China, Índia e África. Seria um museu interessante com possibilidade de ampliação e exposições transistórias sobre a morte e o morrer
A celebração da morte em várias culturas e a visão da morte como uma passagem, uma viagem usando a tecnologia,acho que daria um aspecto menos doloroso independente de crenças.

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