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HISTÓRIA DE SERGIPE

Grupo destinados aos que se interessam pela História de Sergipe.

Site: http://jorge-educahist.blogspot.com/
Local: Aracaju
Membros: 48
Última atividade: 15 Dez, 2012

INVESTIGANDO A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO ARQUIVO DO PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE SERGIPE



O Arquivo do Poder Judiciário do Estado de Sergipe tem grande responsabilidade para com a salvaguarda, divulgação e estudo da memória e da história da sociedade na qual está inserido. Particularmente os pesquisadores de História da Educação o encaram como instituição de pesquisa que possibilita a investigação sobre os itinerários educacionais dos sergipanos, principalmente durante os séculos XIX e XX, permitindo a reflexão sobre as formas de ação desses intelectuais e das instituições escolares. O Arquivo tem também ajudado a valorizar as práticas conservacionistas quanto a documentos relativos ao conjunto de atividades educacionais. Sob esse ponto de vista, o Arquivo Judiciário do Estado de Sergipe é um esforço pioneiro no modo como organiza os seus documentos que servem de fonte ao estudo da formação dos intelectuais e das práticas educativas, passando pelas atividades de famílias, pela vida de estudantes, pela vida de intelectuais e profissionais da educação, da cultura e de outras dimensões da vida social. É notável a contribuição dada por ele. Tem sido grande a preocupação em salvaguardar esta memória envidando esforços para a recuperação de informações sobre o passado. A organização dessa memória não desconsiderou a tendência modernizadora no trato com a informação que dinamiza o acesso aos dados e evita o apagamento irreversível do passado. O Arquivo do Poder Judiciário é fruto da contribuição de vários profissionais, mas principalmente da capacidade de liderança de dois intelectuais que vale a pena destacar nesta oportunidade: as professoras Maria da Glória Santana de Almeida e Eugênia Andrade Vieira da Silva. O trabalho que elas realizaram neste Arquivo serviu para salvaguardar o material constituinte da narrativa histórica, e estabeleceu um centro de referências sobre estudantes e professores, provendo os meios adequados à recuperação, divulgação e utilização de fontes impressas. Além disso, localizou, reuniu, organizou e conservou fontes sobre a prática educativa, elaborando também instrumentos de pesquisa e abrindo espaço para pesquisadores, professores universitários, alunos de graduação e pós-graduação, publicando fontes e resultados de pesquisas.
Como pesquisador do campo da História da Educação, passei a utilizar mais intensivamente o acervo do Arquivo do Judiciário a partir do ano 2000. Nesse período, pessoalmente, a partir do acervo existente, produzi um livro (Memórias do Aprendizado), cinco artigos científicos (Educação e trabalho: o processo de formação na Escola Agrotécnica Federal de São Cristóvão, Estupro na Grande Aracaju, As práticas disciplinares na Escola Agrícola Benjamin Constant: a Pedagogia do castigo, As interpretações da História da Educação e os problemas para o estudo do ensino agrícola, Agrônomos X docentes: memórias das disputas pelo poder na Escola Agrotécnica Federal de São Cristóvão), mais de 30 artigos de divulgação científica em jornais de grande circulação e oito artigos apresentados em eventos científicos nacionais e internacionais (Visões da modernidade: o espelho europeu e as propostas para o ensino agrícola no Brasil do século XIX, Corrigir pelo trabalho ou aprender para fazer: a Escola-fazenda e as práticas de formação profissional no ensino agrícola, Gestão escolar democrática no ensino agrícola: a polêmica sobre os diretores da Escola Agrotécnica Federal de São Cristóvão, Notícias do estupro: os autores e as vítimas do crime em papel e tinta, Operadores do direito, vítimas e autores: uma conversa sobre o crime de estupro em Aracaju, Agricultura ou Pedagogia? Agrônomos e pedagogos no Colégio Agrícola Benjamin Constant, Problemas de método nos estudos sobre o ensino agrícola e o processo civilizador, A Pedagogia do castigo: práticas disciplinares na Escola Agrícola Benjamin Constant). Além desse tipo de contribuição oferecida pelo acervo do Arquivo Judiciário, no período 2000-2007 tive a oportunidade de orientar 12 dissertações de mestrado que se valeram da documentação existente no Arquivo para elaboração dos seus estudos. São os trabalhos defendidos por Joaquim Tavares da Conceição, Élia Barbosa de Andrade, Alessandra Barbosa Bispo, Meirivandra Soares Figueiroa, Samuel Barros de Medeiros Albuquerque, Patrícia Rosalba Salvador Moura Costa, Marco Arlindo Amorim Melo Nery, Ricardo Nascimento Abreu, Cristiane Vitório de Souza, Aristela Arestides de Lima, Raylane Andreza Dias Navarro Barreto e Eugênia Andrade Vieira da Silva.
A observação do acervo do Arquivo Judiciário, contudo, oferece outras contribuições da maior importância. Nos últimos sete anos tive a oportunidade de levantar a documentação existente na instituição que pode contribuir para com os estudos de História da Educação voltados para os séculos XIX e XX. Localizei 222 processos que tramitaram entre os anos de 1815 e 1971 e que são úteis como fonte para esse tipo de estudo. Desse total, são 86 inventários, 13 apelações criminais, 11 apelações cíveis, igual número de embargos, 10 registros de testamento, oito mandados de segurança, cinco recursos cíveis e idêntico número de ações de prestação de contas e reclamações eleitorais, quatro concordatas, três ações de despejo, três declarações de falência, três justificações cíveis e três cartas precatórias. Em número de dois, com informações úteis à investigação em História da Educação, localizei agravos cíveis, ações ordinárias, ações de tutela, retificações de registros de nascimento e crimes de injúria. Além disso, existem 45 outros processos não tipificados, que são da maior importância para os pesquisadores que se debruçam sobre o estudo da História educacional.
Os que não têm intimidade com esse tipo de investigação poderiam questionar como os inventários podem colaborar com os estudos de História da Educação. A melhor resposta é a dissertação de mestrado produzida por Eugênia Andrade Vieira da Silva sob a minha orientação (A formação intelectual da elite sergipana), na qual a autora, a partir dos processos de tutela e curatela, faz uma análise formação dos filhos da elite em Sergipe, no período de 1822 a 1889. Nesse tipo de processo é possível verificar os livros deixados por professores e outros intelectuais, bem como os registros de débitos deixados por estes em livrarias e outras casas fornecedoras de material consumido por pessoas que mantêm esse tipo de atividade. Verificar os gastos com a educação dos órfãos, tomando conhecimento dos custos de internatos, material didático, uniformes e outras peças do enxoval do estudante.
Do mesmo modo a indagação poderia recair sobre os demais temas aqui listados. Em todos eles há evidências que servem aos estudos das práticas educacionais. As apelações criminais dão conta da participação de estudantes e professores em atividades políticas consideradas subversivas, como o fizeram os alunos da Escola de Aprendizes Marinheiros, em 1924. Ou, no mesmo episódio a participação de professores do Atheneu e do Colégio Tobias Barreto, como Abdias Bezerra, Adolpho Valadão, Clodomir Silva, José de Alencar Cardoso, Alcebíades Paes e Arthur Fortes. Nas apelações cíveis constatam-se os conflitos entre os professores públicos e o Estado, na demanda por vencimentos e outras verbas trabalhistas das quais se crêem credores. Os embargos são reveladores das práticas de abuso de poder contra professores e outros servidores públicos. Nos mandados de segurança são identificados os mais distintos conflitos entre as instituições escolares, professores e estudantes. As reclamações eleitorais são reveladoras dos mecanismos dos quais os cidadãos se valiam no século XIX para evitar o recrutamento para a prestação do serviço militar, alegando a condição de estudante ou de professor. Nas concordatas é possível verificar que tipo de estoque existia nas livrarias e outros estabelecimentos comerciais dedicados à venda de material escolar. Em todo tipo de ação, afinal é possível verificar o quanto o acervo do Arquivo Judiciário pode contribuir para os estudos em História da Educação.
É sabido que os registros da memória são pouco úteis quando inacessíveis àqueles que necessitam acioná-los, quando não existe disposição para torná-los acessíveis, quando não são localizados mediadores capazes de ordenar as informações. A memória está inscrita nas lembranças dos velhos, em registros escritos nos documentos depositados nos arquivos, em computadores, em residências de particulares, em empresas, no espaço urbano, no campo, mas tudo isso pode se tornar letra morta se deixarem de existir condições de acesso a esse conjunto de saberes. Em Sergipe, o Arquivo Judiciário preserva e organiza um importante acervo memorialístico: os documentos produzidos pelo Poder Judiciário, nos quais estão registrados múltiplos aspectos da vida pública e da vida privada. A organização do acervo é reveladora da grande responsabilidade com a salvaguarda, divulgação e estudo da memória e da História da sociedade na qual está inserido o Poder Judiciário. Da mesma forma, condição fundamental para o desenvolvimento do campo científico, possibilitando o estudo de itinerários intelectuais e a reflexão sobre as formas de ação de diferentes indivíduos.

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Comentário de Selma da Silva Santos em 25 janeiro 2012 às 17:33

Oi, Até o dia 28/01 vai acontecer em Propriá várias manifestações artísticas dentro da Festa do Bom Jesus dos Navegantes, como o Encontro Cultural de Propriá.

A cidade terá prazer em receber a todos.

Comentário de claudia alves de albuquerque em 7 abril 2010 às 19:37
sou do Rio Grande do Norte mais tenho curiosidade e simpatia por Sergipe.
Comentário de SARA WEDJA ALVES em 8 março 2010 às 19:25
Oi,sou aluna do 6 periodo de historia estou fazendo uma pesquiza sobre SERGIPE DA COLONIA AO IMPERIO , espero que alguns de voçes possam mim ajudar.
Comentário de Ricco Cruz em 22 dezembro 2009 às 13:20
Olá caros amigos. Estou fazendo uma pesquisa sobre a participação dos sergipanos na 2ª guerra mundial... estou aberto a sugestões.. ficaria mto grato caso algum de voces possam me ajudar com alguma informação ou bibliografia.
Comentário de Luiz Ricardo Leite dos Santos em 26 outubro 2009 às 9:09
Prof. Jorge Carvalho, tenho me debruçado sobre uma pesquisa acerca da participação feminina na 2ª Guerra Mundial, enfocando as contribuições da enfermeira capelense Lenalda Lima Campos. Vou apresentar um trabalho no dia 30/10 na UFS, onde exponho o resultado parcial dessa investigação. Gostaria de saber se, dentro de sua vasta produção, há alguma informação, sobre o assunto, que possa servir como referência.
Comentário de Luiz Ricardo Leite dos Santos em 5 setembro 2009 às 6:16
Penso que é muito importante divulgar nossa produção sobre o tema, pois muitos estudantes, ao final de seus cursos, acabam engavetando suas pesquisas.
A iniciativa do Prof° Jorge é, sem dúvida, muito oportuna.
Comentário de Luiz Ricardo Leite dos Santos em 5 setembro 2009 às 6:13
Penso que é muito importante divulgar nossa produção sobre o tema, pois muitos estudantes, ao final de seus cursos, acabam engavetando suas pesquisas.
A iniciativa do Prof° Jorge é, sem dúvida, muito oportuna.
Comentário de Ademir da Costa em 2 setembro 2009 às 1:11
Profº Jorge Carvalho, seus comentários relativos a proposta em questão, são por demais importantes.
 

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