Lovejoy e Thorton discordam sobre as transformações ocorridas na África com a presença do europeu no comércio de escravos, de qual historiador sua linha de pensamento mais se aproxima?

Discutindo a entrada do europeu no tráfico africano de escravos.

Exibições: 775

Respostas a este tópico

SE EU SOUBESSE CELSÃO , EU ESTARIA CONFIANTE PARA A PROVA DE SÁBADO !!!!!
Ronaldo, não obstante a maioria seguir pela linha do pensamento de Lovejoy, pequenos detalhes do pensamento de Thorton não podem passar despercebidos, tais como as sociedades africanas já eram fragmentadas antes da chegad do europeu e sua crescente participação no comércio de escravos, este comércio sempre foi endêmico em África, o europeu dele passa a participar, mas as mudanças internas são de responsabilidade das próprias sociedades africanas que entenderam ser esta nova fonte de possibilidades uma forma lucrativa de negócio.É por ai? o que você acha?
Celso, é dificil eleger uma linha de pensamento em meio a dois grandes historiadores, tive uma discussão em relação a Thornton e Lovejoy quando estudei a disciplina História da África na Universidade Estadual de Feira de Santana. Apesar das divergências conceituais entre eles, vou tentar traças a minha leitura e o meu ponto de vista em relação a esses dois importantes africanistas. Não li os dois livros por completo, apenas alguns capítulos indicados pela professora da disciplina, apesar disso segue a minha contribuição (se cansar a leitura sugiro que leia somente o último parágrafo, onde sintetizo as linhas abaixo)

Quando Paul Lovejoy escreveu A Escravidão na África: uma história de suas transformações, ele buscou analisar, sobretudo, as transformações ocorridas no sistema de escravidão africana logo após a intervenção dos europeus. Lovejoy defende a tese de que as estruturas pré-existentes na África foram modificadas a partir do momento que o elemento externo (neste caso entende-se por elementos externos os europeus) intervieram nos sistemas africanos. Para você entender melhor essa ideia da transformação sugiro que leia o primeiro capítulo do livro, onde Lovejoy apresenta as três premissas básicas que nos levam a entender o processo de alteração das estruturas que envolviam a escravidão. A primeira delas a se considerar é o próprio ambiente africano: Lovejoy destaca as formas de produção baseadas no parentesco, a divisão do trabalho existente entre as sociedades africanas e as relações de dependência, as quais entrariam a existência de escravos.
O segundo ponto apresentado é o fator islâmico: nesta premissa Lovejoy coloca que os estados muçulmanos interpretaram a antiga tradição escravista de acordo com a sua nova religião. Os escravos continuara ma desempenhar funções que antes desempenhavam com os sues lideres tradicionais, como exemplo daqueles que serviam o exercito ou trabalhavam nas funções burocráticas e administrativa do aparelho estatal. A escravidão praticada pelos islâmicos era uma forma de conversão religiosa dos não muçulmanos.
No terceiro fator, Lovejoy destaca a maior ruptura com os sistemas tradicionais de escravidão africana. O comércio transatlântico favoreceu a expansão do tráfico de escravos nas regiões onde a influência islâmica não era muito forte ou inexistente. Aumenta-se nesse sentido, a demanda por escravos e o comércio desenvolve-se exclusivamente para a exportação de milhões de escravos para colônias européias. Isso se dá inicialmente no século XV e com mais intensidade nos séculos posteriores até o século XIX.

Sobre esse aumento do número de escravos causada pelos europeus, e que entramos na discussão de Jonh Thornton. No livro A África e os Africanos na Formação do Mundo Atlântico - 1400-1800, podemos simplificar que a principal tese é a de que os europeus apenas se inseriram em algo já existente. A escravidão e o comércio de escravos já existentes nas sociedades africanas foram apenas intensificados com as exigências européias. Acordos tácitos entre reis e chefaturas locais resultaram num aumento da exportação de escravos. diferentemente de Lovejoy, Thornton afirma que fatores externos não foram necessariamente responsáveis pela escravidão, o comércio atlântico de escravos foi resultado da escravidão interna, de uma dinâmica existente na África antes dos europeus. Além disso, Thornton mostra que o subdesenvolvimento africano – propalado por alguns – não foi a causa principal da disseminação da escravidão na África, estruturas legais e tradicionais amparavam a escravidão.
A propriedade privada de terras foi o principal motivo da escravidão ser tão disseminada, Thornton diz que a ausência da propriedade corporativa de terras Levou a escravidão a ser tão difundida na África. A terra em si não representava riqueza, riqueza mesmo era o que esta terra produzia, Thorton chega a colocar que qualquer um seja livre ou escravo poderia ter acesso à terra, desde que a mesma não tivesse ocupada. A posse de escravos em algumas sociedades africanas era mais importante, pois o escravo era realmente uma propriedade comercializável . As taxações realizadas pelo Estado se davam, em linhas gerais, por cabeça e não por terras. Para afirmar a inexistência de propriedade privativa de terras e sim de pessoas Thornton compara ao sistema burocrático da Europa, como podemos ver na página 128: “ Na África eram pessoas que eram taxadas em vez de terras, outra ausência de propriedade privada territorial”.

Percebemos que a discordância de Thornton para Lovejoy se dá pelo modelo de analise, enquanto, Lovejoy, isola a escravidão dentro do próprio continente africano, deixado de lado os debates estruturalistas sobre modo de produção, Thornton o critica justamente nessa questão. O “regime de trabalho” (ao invés de modo de produção) é tomado por Lovejoy de forma desvinculada da escravidão como uma instituição. Para Thornton, Lovejoy generaliza a escravidão na África e não observa as diferenciações entre os diferentes papeis desempenhados na África pelos escravos.

Abraços a tod@s
A estrutura da sociedade no continente africano tinha como base a familia, a agricultura, o trabalho cooperativo, o sistema de punição para os infratores era o trabalho escravo, que eram mais significativo pois a riqueza era o alimento acumulado, o que se conseguia com o trabalho, a partir do momento que entra em cena o europeu com ofertas de outros bens em troca do escravo ocorre a transformação, o que não implica em negar que já existia a escravidão, muito menos, negar a participação do africano, mas reconhecer que a chegada do europeu impulsionou e transformou essas relações, e que estes enriqueceram com esse sistema que é a base do capitalismo.

Celso,você pode falar um pouco sobre os dois autores?

Sou de outra área dentro da história, mas fiquei curioso sobre essa polarização,

Abraço!

RSS

LINKS PATROCINADOS

Conteúdo da semana

Palácio submerso de Cleópatra: o palácio inteiro foi engolido pelo Mar Mediterrâneo, com o passar dos séculos, e é um importante ponto de pesquisa sobre a cultura greco-romana influenciando construções no Egito Antigo pós-Alexandre.

Links Patrocinados

Cine História

A Memória que me contam - 2013

Entrou em cartaz o novo filme da diretora brasileira, Lúcia Murat, o drama "A Memória que me contam".

A ex-guerrilhera Ana (Simone Spoladore), ícone do movimento de esquerda, é o último elo entre um grupo de amigos que resistiu à ditadura militar no Brasil. Com a iminente morte da amiga, eles se reencontram na sala de espera de um hospital. Entre eles está Irene (Irene Ravache), uma diretora de cinema que sente-se perdida diante da iminente morte da amiga e que precisa ainda lidar com a inesperada prisão de Paolo (Franco Nero), seu marido, acusado de ter matado duas pessoas em um atentado terrorista ocorrido décadas atrás na Itália.

Enquete História

Você acredita que João Goulart foi assassinado por agentes da ditadura militar?

Sim
Não
Talvez


Resultado Parcial
Comentar esta Enquete
Recomendar esta Enquete

Em nossa enquete anterior, perguntamos: de 0 a 5, que nota você daria para a edição da ANPU regional (2012)? 638 pessoas votaram na enquete. O resultado foi o seguinte: 0 (27,90%), 5 (22,24%), 3 (16,14%), 4 (15,05%), 2 (7,99%) e 1 (7,68%).

Parceiros


NOSSOS OUTROS PROJETOS

Política de Privacidade

Para ler nossa "Política de Privacidade", clique aqui.

© 2013   Criado por Bruno Leal.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

body, .xg_reset .xg_module_body { line-height: 1.3; }