Acho bom se debater isto, quando aqui se analiza a Guerra da Tríplice Aliança. Para isto é necessário se saber, se Solano Lopes governava debaixo de uma constituição, se o parlamento e o judiciário ali funcionavam regularmente e qual fora a forma pela qual ele ascendeu ao poder em seu país.
Acessoriamente, pretendo discorrer sobre como ele encarava a presença negra no subcontinente sul-americano. Afinal, esta existia em grande parte do mesmo, inclusive no Paraguai. Acho isto relevante, mormente nos dias em que vivemos em nosso país.
É claro, que será bom que outros contribuam com suas próprias idéias para assim estabelecer-se um debate, não importando quais sejam elas, desde que pertinentes ao tema.

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Respostas a este tópico

Abri este tópico, pois num passado até recente, Solano Lopes foi transformado num ícone sul-americano, pela grandeza, coragem, sabedoria, etc . de seu governo. Escreveu-se até, que seu país era um modelo de desenvolvimento regional independente da grande potência mundial, que era a Grã-Bretanha. E que seu povo vivia feliz e satisfeito com o governo que ele presidia e por isto lutou para defender a este modelo.
Será que era assim?
Dai a indagação que fiz - Qual a feição politico-institucional de Solano Lopes, presidente paraguaio de 1862 a 1870?
Uma maneira de se verificar a veracidade de tantos encômios ao desaparecido lider paraguaio.
João,
este assunto é muito interessante , pois tanto a Guerra do Paraguai, causas, batalhas e efeitos, quanto o envolvimento de Solano Lopez foi amplamente abordado no livro "D Pedro II e o jornalista Koseritz".

A idéia era justamente mostrar que os problemas de hoje tem reflexo nesta época. Queríamos mostrar detalhes já que vimos que entre bons historiadores ainda existe desinformação causada principalmente por livros como de José Chiavenatto, publicado em 1979, "Genocídio Americano - A Guerra do Paraguai".
O Estado do Paraguai se confundia com o seu líder, que era um caudilho, um ditador perpétuo que passava o poder para um de seus filhos, um ditador que controlava tudo. Durante todo o tempo desses ditadores havia somente um jornal e poucos livros. O congresso, formado por alguns poucos cidadãos, se reunia apenas quando convocado pelo ditador, somente para sacramentar o que ele decidisse, portanto, na prática não havia um poder legislativo. Não havia os direitos fundamentais dos cidadãos; era um estado policialesco, em que todos os indivíduos, por obrigação com sua pátria, tinham de delatar seus vizinhos se eles manifestassem qualquer opinião ou atitude contrária ao regime.

Mais a frente a família Lopez que era proprietária de quase tudo no Paraguai que não fosse do Estado tornou-se o próprio Estado.

Os camponeses tinham uma vida simples e eram felizes ao tempo do segundo ditador, Carlos Lopez, pai de Solano, que aliviou um pouco o controle sobre as pessoas e fez uma abertura para o exterior, trazendo progresso, e por isso seu governo pode ser considerado positivo para o Paraguai. Todavia já não se pode dizer o mesmo da época de Solano Lopez. Os únicos feitos de Lopez no Paraguai, nos seus poucos anos de governo, foram a total militarização do país, a responsabilidade pelo começo da guerra e a teimosia em continuar lutando enquanto seu povo morria de fome e doenças.

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Muito bem, Regina, pelas suas bem colocadas observações acerca do despotismo paraguaio naqueles dias.
O Paraguai nasceu como estado e seu primeiro governo foi uma junta ditatorial, da qual fazia parte Gaspar de Francia, que nela atuava como seu secretário. Ele logo suplantou os demais e ficou como único governante, acabando por ser denominado "DITADOR PERPÉTUO" do país. Com sua morte natural e após alguns passageiros dirigentes ali se entronizou, Carlos Antonio Lopes, que a governou até o seu falecimento.
O fugaz congresso guarani foi convocado pelo onipotente e perene chefe do executivo e concordou que fosse criado o cargo de vice-presidente, até então inexistente e cujo ocupante seria nomeado pelo próprio Lopes sênior, o que se daria antes que este viesse vir a óbito.
E assim se fez, o velho Lopes nomeou Solano, seu filho, como vice e logo após morreu. O submisso congresso foi então convocado por este e elegeu Solano para um mandato de dez anos, contrariando uma anterior lei dele mesmo, que proibia que a chefia da república fosse tornada hereditária. E, Solano, bastante contrariado por algumas manifestações de congressistas a ele contrárias ainda os mandou recolher sumariamente ao cárcere, para ali serem submetidos a duro tratamento prisional. Que tempos!
Assim, era o Paraguai daquela época, anotando-se que inexistia no país uma constituição, havendo umas poucas leis, sempre feitas de acordo com a vontade do executivo e por um parlamento servil a este. Casa esta, que só se reunia quando expressamente convocada pelo presidente. Logicamente, os juízes eram nomeados e demitidos ao bel prazer do presidente todo poderoso.
Ou seja, o Paraguai, do seu nascimento até 1870 foi uma ditadura, dura como todas em seu transcurso e tornada nos cinco anos de guerra algo crudelíssimo por seu sádico chefe de estado, Francisco Solano Lopes.
Concordando totalmente com sua descrição feita no último periodo de sua postagem acerca dos oito anos de governo deste. Você os resumiu muito bem!
Sobre a escravidão ela existia tanto no Brasil, como no Paraguai, durante a guerra. Por falta de interessados em servirem nos chamados "voluntários da pátria", o governo imperial buscou usar ex-escravos nas fileiras militares. Para isto eles eram previamente libertados e imediatamente incorporados; caso sobrevivessem seriam livres na vida civil.
Solano Lopes perdendo grande número de soldados também incorporou escravos nas hostes guaranis.
Ou seja, nos dois exércitos haviam soldados negros.
Agora, durante a guerra a propaganda paraguaia sempre procurou diminuir o Brasil, afirmando-se assim que o exército e seus chefes eram macacos; o próprio imperador também foi chamado assim. Isto é facilmente verificável nos pequenos tablóides daquela país naquela época.
Ou seja, Solano Lopes, que tinha claros traços fisionômicos indígenas, era racista, mas somente contra os negros.
Ao que se supõe esta campanha racista irritou sobremaneira a D. Pedro II, mormente por ele ser ali chamado de “macacuno”.
Dando continuidade a questão da presença negra na guerra, permito-me transcrever alguns trechos de um bom texto sobre isto, obtido na WEB; leiam:
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"Na época da guerra (1864-1870), no Paraguai, o negro era, antes de tudo, o inimigo. O exército brasileiro era o exército macacuno, e seus líderes, segundo a propaganda lopizta, macacos que pretendiam escravizar o povo paraguaio, conduzindo-os da liberdade à escravidão". ...omitido..."O imperador é definido como um gran macaco representado sempre com uma longa cauda, Caxias um descomunal sapo preto que se locomovia montado numa tartaruga. O Cabichuí, jornal do exército paraguaio, define o soldado brasileiro: "La palabra guaraní camba se aplica a los negros, y más genérica y propriamente al esclavo. Hablar de un brasilero es, pues, hablar de un camba bajo el punto de vista de su color y de su condición de esclavo, y aun mas propriamente de un camba para representar la ruindad, la pequenez, la miseria, el amilanamiento de esa raza despreciable que hasta es una afrenta para la especie humana (Museo del Barro 1984, Cabichuí, n. 8, 1)".

Fonte:

TORAL, André Amaral de. A participação dos negros escravos na guerra do Paraguai
http://www.scielo.br/pdf/ea/v9n24/v9n24a15.pdf
Acesso em: 25/02/2010.
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Por ai se vê, que Lopes e seus asseclas primavam pelo racismo, acirrando seus nacionais contra os negros brasileiros. Nada edificante!
E no Paraguai havia então escravidão negra e em caso positivo os negros guaranis foram convocados a servirem?
A resposta é sim, mas leiam:
-------------------
"Com base na propaganda poder-se-ia pensar que no Paraguai da época não existiriam negros nem escravos. Por conseguinte não existiriam, também, negros escravos ou ex-escravos no exército paraguaio". ...omitido... "A realidade era diferente. A escravidão não havia sido abolida do Paraguai. que havia era uma lei do ventre livre promulgada em 1842 por Carlos Lopes, pai de Francisco Solano López. Os libertos da República, os que nasciam de Janeiro de 1843 em diante, deveriam, no entanto, trabalhar para seus senhores, patronos, os homens até a idade de 25 anos e as mulheres até os 24. Era uma liberdade bastante relativa, portanto". ...omitido..."O recrutamento sistemático de escravos no Paraguai inicia-se em setembro de 1865, apenas um ano depois do início da guerra, para preencher as baixas de feridos e de epidemias que assolaram o exército. Destacamentos formados por ex-escravos vindos do interior foram vistos em Assunção em meados de 1966 (Laurent-Cochelet, apud Rivarola, 1988:132). Este seria, no entanto, o segundo contingente importante de homens de cor - negros ou mulatos- incorporados ao exército. O primeiro foi integrado à Divisão que fez a invasão do Mato Grosso e da Argentina, em 1864 e 1865. Em setembro de 1866 outro grupo de escravos é alistado para preencher as graves baixas sofridas pelo exército paraguaio nas batalhas de Estero Bellaco e Tuyuti (2 e 24 de maio de 1866). Estes seriam os últimos no território paraguaio (Rivarola, 1988:132-133). Pode-se dizer, de maneira trágica, que a guerra acabou, de fato, com a escravidão no país. Sob o ponto de vista legal, a escravidão no Paraguai foi abolida pelo Conde D'Eu, "baseado em sua própria autoridade" (Schulz, 1994:71), então comandante das forças brasileiras, em setembro de 1869, depois da invasão de Assunção e da virtual, ainda que incompleta, vitória militar dos aliados".

Fonte: idem, ibidem
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Como se vê, num pais ditatorial, como o Paraguai, era fácil se fazer e se escrever, o que o tirano exigisse. Mas, entre o discurso e a prática havia uma imensa distância. Ainda bem, que tudo aquilo acabou, nas águas barrentas do riacho Aquidabã-nigui, em março de 1870.
São passados 140 anos do termino da guerra do Paraguai, nos dias de hoje esta nação tornou-se praticamente um Estado Marginal entreposto de contrabando, drogas e armas , sem duvida nenhuma o Brasil tem uma grande divida para com esta nação, porque atraves do massacre economico e humano ordenado por um imperador indolente e servil aos ingleses, contribuiu para o atrazo e aniquilamento de um povo que desejava apenas ter o direito de se desenvolver.
o que é interessante é toda vencedora de um conflito, conta a historia de jeito que justifique suas atrosidades
E os vencidos meu caro também oferecem sua própria versão, tanto que no Paraguai Solano Lopes é visto como herói, e não como algoz de seu próprio país. E ele de herói nada teve, pois sempre esquivou-se dos combates e no último no qual morreu, ele fugia dos soldados inímigos. E recorde-se ele era o único marechal no seu exército!
Leonardo, agradeço a sua participação neste tópico. Mas, sabe quem desencadeou e manteve o conflito foi Solano Lopes, que recusava-se a deixar o Paraguai, como exigia D. Pedro II e seu governo. Por isto a guerra arrastou-se e só terminou com a morte do tirano, ainda no Paraguai.
E outra coisa, algum tempo após o conflito a influência brasileira declinou no estado guarani, sendo substituida pela influência argentina, que se manteve. E os governos paraguaios, que vieram adotaram uma política pendular em relação aos seus dois grandes vizinhos.
No fundo, houve uma responsabilidade brasileira no que se seguiu, mas esta tem que ser compartilhada pela Argentina e também por todos os governantes paraguaios.
Afnal, quem permitiu as plantações de maconha, a transformação do país num entreposto de contrabando e descaminho, e num sorvedouro de carros furtados foram as autoridades guaranis.
Sob o patrocinio da Inglaterra que não admitia a independencia , o desenvolvimento economico, social e politico de qualquer pais, Brasil e Argentina foram protagonistas nesse horrrendo e vergonhoso massacre.. Brasil, Argentina e Uruguai (coadjuvante) assinam no dia 1 de maio de 1865 o fatidico Tratado da Triplice Aliança que estabeleceu parametros para destruir o Paraguai. è a prova do crime.O Brasil imperial não tinha um exercito estabelecido, a Argentina metida em lutas separatistas, não era um país proriamente , o Uruguai subjugado...Mas monta-se uma força militar de esfarrapados acreditanto que em poucas semanas estariam dividindo o espolio. Como vimos a guerra durou 5 anos. Os numeros da guerra são impressionantes e revelam a crueldade e objetivos reais daquele Tratado. Antes da guerra a população do Paraguai era de 800.000 habitantes, no fim perderam 75% ,
O Conde D'Eu genro de Pedro II , esse cafajeste (procure pesquizar sobre o mesmo é bem interessante) fez parte do serviço sujo, sempre com requintes de sadismo. Lopez apenas tentou se defender, quando atacou, pois queriam barrar o acesso do Paraguai ao oceano Atlantico.
Esta visão foi antes expressa na Argentina e no Brasil como reação ao tempo das chamadas ditaduras militares, que governaram os dois países e, como uma forma de deslustrar as forças armadas dos mesmos. Na verdade ela não tem apoio em nenhuma ação ou documento daquela época. Inclusive porque os ingleses eram fornecedores de bens e serviços ao Paraguai nos tempos dos dois Lopes. E finda a guerra quem buscou impor-se economomicamente no esfacelado Paraguai foram os argentinos e não os britânicos.
E não se pode alvidar, que foi por ordem de Solano Lopes, que o Brasil foi atacado no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul e a Argentina em Corrientes e Missiones. Sem que nada tivessem feito para motivar isto.
Mas, sem problemas, afinal ao ponto é natural se seguir o contraponto. Normal!
Caro Leonardo, incrível como até hoje perdura a ideia de que o Paraguai foi uma vítima da Guerra do Paraguai e o Solano Lopez um libertador, um leão que queria defender seu pobre país contras as grandes potências estrangeiras. O Paraguai foi uma vítima sim, mas da insanidade e irresponsabilidade do seu ditador que lançou o país numa aventura desastrosa. Mas melhor do que eu para responder a isto, é o discurso de um congressista americano refutando as declarações do Gen. McMahon (embaixador americano que substituiu o emb. Washburn, desafeto de Lopez). O discurso esclarece bem o que era o Paraguai e a natureza do seu ditador. Veja a carta na íntegra em http://www.editorarcmp.com.br/index.php?pagina=1221103672 sob o título Gen. McMachon Opinião.

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Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

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