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Funk: Análises

Grupo destinado aos estudos sobre o funk no Brasil.

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Última atividade: 29 Fev, 2016

Funk “Proibidão”: uma pequena análise

O proibidão pode ser considerado um subgênero do Funk carioca. Sendo que esse ritmo nasce do Miami Bass norte-americano que por sua vez deriva do Hip-Hop. O Funk originado no Rio de Janeiro é um dos primeiros gêneros no que tange a música eletrônica dançante. Em outras palavras, o funk não é um produto importado de fora, mas é sim uma releitura brasileira de um ritmo que tem origem na diáspora africana. Ao comentar sobre as características do proibidão Palombini afirma: “Arte essencialmente vocal, o proibidão depende da persona de um artista “fiel”, “responsa”, “truta”, “cria” (PALOMBINI, 2012, p. 272). É uma maiores expressões de cultura de massa no Brasil. Sucesso nas comunidades cariocas e polêmico no asfalto. O território conquistado ou aquele a ser conquistado é sempre tema presente nas letras. A citação dos territórios sempre esta ligada a facção que comanda a área no momento que foi escrito a letra. Uma vez instalada a facção cria códigos de conduta para os moradores, que acabam aparecendo nos funks. Percebe-se uma disputa nas músicas entre as facções só que num campo maior, onde os moradores nada tem haver com a questão. O suposto arrastão de 1992 na praia do Arpoador fez emergir a associação do funkeiro com o crime. No entanto o que houve foi uma mal-entendido segundo a professora Adriana Facinta, ela comenta que: “Na verdade, se tratavam de embates entre galeras oriundas de bairros como Vigário Geral, encenando na parte “nobre” da cidade os rituais já bastante conhecidos nos territórios além túnel. Fenômeno típico do Rio de Janeiro [...] O diferencial dos chamados arrastões era a cor da pele e a origem social dos jovens que se enfrentavam [...]” (FACINTA, 2009, p. 4). Com a nacionalização do Funk a partir de meados dos anos 90 e inicio do novo século, o processo de criminalização do ritmo foi crescendo. Criminalização essa histórica da sociedade burguesa no seu plano de exclusão social e racial. O que mais incomoda as elites é o funk sem um ritmo contra-hegemônico que não entra na disciplina do lucro, da nossa indústria cultural. Culminando com a lei 5.625 de 2008 conhecida como lei Álvaro Lins que criava restrições aos bailes, alterada em 2009 pela lei 5.543/2009, reconhecendo o funk como movimento cultural. Lembrando que a década de 90 é o período de cristalização do neoliberalismo orientado pelo consenso de Washington formulado em 1989. A onda neoliberal mostrou que em seu pacote incluía “[...] substituição do Estado de Bem Estar Social pelo Estado Penal, destinando aos pobres a força policial ou a cadeia.” (FACINTA, 2009, p. 5). Nesse sentido temos não só a legitimação das operações
policiais nas favelas, mas também como a criminalização dos hábitos, costumes, ideias e modos de viver dos moradores. O funk está embutido nesse meio. Cada vez mais sendo marginalizado no começo do século XXI o funk foi se protegendo dentro da favela. Então ele fez mais ainda o que sempre foi sua marca: dar voz aos excluídos. Desta forma o funk canta o dia-a-dia, pode ser usando as facções como referência de uma vida melhor ou mostrando como eles os moradores encaram as questões sexuais sem meias palavras e de forma direta. No entanto o cerne da questão é o acesso aos direitos negados pela violência estatal informação e a educação sexual e não o conteúdo das músicas em si. Além de claro não levar em conta o contexto social dos compositores, interpretes e consumidores das canções e assim contribui ainda mais para estereotipar a pobreza. A população jovem parece ser a mais visada nas músicas, e acaba criando identificação com uma vida de dinheiro e poder que só uma minoria em tese que entra para o tráfico conseguiria alcançar. E quem são esses jovens? São jovens negros ou brancos, pobres, excluídos, sem perspectiva alguma muita vezes que só querem um pouco de diversão. Desde 2010 com a ocupação de muitas comunidades e a instalação de UPP’s muitos bailes funks foram proibidos. Resta saber como vão continuar reagindo os moradores, pois é um espaço de socialização e de expressão de muitos jovens que está sendo negado em nome de uma possível política de contenção do tráfico. Relacionar o funk com a criminalidade e nesse bojo as comunidades é estigmatizar pessoas trabalhadoras que nada tem haver com essa guerra entre tráfico e polícia. Assim deixando marcas profundas. Muitos dizem que não passa de música de “puta e vagabundo”, outros afirmam que simplesmente as músicas retratam uma realidade intestina de forma aberta sem querer velar a vida na favela. Talvez querendo dar um grito de como opera a desigualdade social e a opressão que invisivelmente extermina uma geração inteira nas favelas.

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O Funk "Proibidão" faz apologia oa tráfico ou discurso contra-hegemônico?

Iniciado por Rafael José Nogueira 29 Fev, 2016. 0 Respostas

O funk chamado Proibidão é acusado de fazer apologia ao tráfico de drogas. Vamos debater a questão.Continuar

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Comentário de Rafael José Nogueira em 29 fevereiro 2016 às 22:52

Olá. Vamos discutir esse gênero polêmico e ao mesmo tempo fascinante.

 

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