Tags:
Permalink Responder até wallace da silva mello em 6 dezembro 2010 at 9:04
Permalink Responder até Fernanda Corrêa em 9 dezembro 2010 at 23:43
Permalink Responder até Fernanda Corrêa em 10 dezembro 2010 at 0:04
A importância estratégica da retomada dos territórios
Fonte: Portal Luis Nassif
Por Marcelle Gomes Figueira
Uma palavra tem sido corriqueiramente pronunciada, ouvida e reproduzida nas ações da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio e esta palavra é TERRITÓRIO. Em momentos como esses, vividos hoje na cidade do Rio de Janeiro, é natural que os estudiosos e pesquisadores da área de Segurança Pública se manifestem, seja tanto para ajudar a população a entender as ações, assim como para contribuir, de maneira reflexiva, para identificar quais são os pontos nevrálgicos, caminhos e desafios da Segurança Pública.
No meio destas tentativas há muitas críticas em blogs e rede sociais, por parte de estudiosos, que afirmam nada adiantar essa ação de ocupação, se não for conjugada com o combate à corrupção das polícias, promoção de ações de inclusão social, reforma das polícias, valorização da atividade policial e outros elementos. Concordo com estas afirmações, de fato não podemos pensar ações de segurança pública somente como ações de polícia, mas esta não me parece ser a questão central que é a base da ocupação do Complexo do Alemão.
Esses outros pontos que devem ser contemplados, dentro de uma política de segurança pública, já estão colocados em um série de documentos, artigos, debates e ninguém está contradizendo nada disso. Peço minhas desculpas antecipadas aos estudiosos da categoria sociológica “violência”, mas desconsiderar a variável espacial, neste momento, limita o alcance das análises, e como geógrafa me uno aos policiais e militares desta ação, afinal como já dizia Yves Lacoste “A Geografia – isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra”.
O que acontece hoje no Rio, na minha humilde percepção, também apoiada e construída com base na experiência e em estudos, é a retomada de territórios e espaços urbanos que conferiam vantagem tática aos grupos criminosos. Esta ação não é a “solução definitiva” contra os grupos criminosos e nem vejo a Secretaria de Segurança Pública apresentá-la assim. A palavra é “retomada de território”, e por que retomar território é tão importante? Porque muito antes de existir polícias e de se pensar em políticas de Segurança Pública, há 5 séculos já se sabia o valor de conquistar espaços enquanto instrumento de manutenção, conquista e exercício de poder. Sun Tzu disse, no seu badalado “A arte da Guerra” que: “A conformação do terreno é de grande importância nas batalhas. Assim sendo, apreciar a situação do inimigo, calcular as distâncias e o grau de dificuldade do terreno, quanto à forma de se poder controlar a vitória, são virtudes do general de categoria.
Quem combate com inteiro conhecimento destes fatores vence, de certeza; quem não o faz é certamente, derrotado” . Para quem ficar desconfortável com a citação de Sun Tzu - pois a China dele, e até hoje de certa forma é um regime autoritário, de ausência de direitos civis - podemos então lembrar do General Prussiano Carl von Clausewitz ,entre outros estrategistas.
Os traficantes ocupam os espaços que podem lhes fornecer uma vantagem tática e estratégica para alí permanecerem, e não é gratuita a denominação ilustrativa de “bunker”, “porto seguro”, “fortaleza”, dentre outros adjetivos para denominar esses espaços. Retirar os territórios do tráfico é retirar sua vantagem tática, que é fornecida pela característica do espaço concreto das áreas conhecidas como “favelas”, onde a desordem da sua arquitetura permite isso. Por isso é tão fundamental o apoio das forças armadas por possuírem equipamentos (vantagem de método) que minimizam a vantagem de comandamento do terreno, que é o que está sendo tomado dos traficantes. Quem já assistiu o filme 300, viu a vantagem que a geografia das Termópolis deu aos espartanos que, com um número inferior de tropas, resistem durante dias a um exército infinitamente mais numeroso.
Ocupar o complexo do Alemão irá acabar com a venda de drogas naquela região? Não, pois a territorialidade do tráfico de drogas é uma territorialidade flexível, descontínua e funcional. Irá existir onde houver mercado. Ocupar o complexo do Alemão vai acabar com a violência? Sim, se o Estado entender que reintegrar este território é levar à comunidade a cidadania de forma completa com: justiça (defensoria pública, mediação e conciliação de conflitos), segurança (pronto-atendimento das chamadas emergenciais, policia comunitária, delegacias convêncionais e especializadas) saúde, educação, cultura e lazer para aquela comunidade. Polícias são forças territorializadas e poder contar com a presença delas em qualquer lugar da cidade não é, necessariamente, garantia de uma cidade segura e igualitária no acesso aos serviços públicos, mas já é um excelente começo para o Rio retomar o que o carioca mais deseja: o título de Cidade Maravilhosa.
Marcelle Figueira é geógrafa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro , mestre pelo Instituto Militar de Engenharia e Coordenadora da Graduação Tecnológica em Segurança Pública da Universidade Católica de Brasília.
Permalink Responder até Fernanda Corrêa em 10 dezembro 2010 at 0:06
Permalink Responder até Fernanda Corrêa em 10 dezembro 2010 at 0:08
Aproveito a iniciativa da Elaine ao criar esta discussão para divulgar análises que estão sendo feitas em diversos sítios eletrônicos por diversos setores ...
Abs,
Fernanda
Permalink Responder até Fernanda Corrêa em 26 dezembro 2010 at 22:46
Eu acredito que a iniciativa da Elaine em criar este fórum seja em função dos debates "callientes" que foram gerados no outro fórum sobre enviar ou não mais brasileiros para o Haiti. Falamos sobre muitos temas produtivos ligados direta e indiretamente ao tema. Já que agora temos um local focado para debater a atuação das Forças Armadas na Segurança Pública e eu adoro discutir, vou colocar as últimas informações relacionadas ao tema proposto pela Elaine. Ok?
FORÇAS ARMADAS E SEGURANÇA PÚBLICA - NOTA OFICIAL - ABED
Permalink Responder até Fernanda Corrêa em 26 dezembro 2010 at 22:53
Fonte: Ministério da Defesa
Íntegra do acordo para o emprego da Força de Pacificação na cidade do Rio de Janeiro |
____________________________
Íntegra das regras de engajamento para a FPaz no Rio de Janeiro |
_______________________________
Acordo entre Jobim e Cabral dá início às atividades da Força de Pacificação (FPaz)
Rio de Janeiro, 23/12/2010 - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, assinaram na manhã desta quinta-feira (23/12) acordo que autoriza o início dos trabalhos da Força de Pacificação (FPaz), no complexo Penha-Alemão. O acordo também define as regras de engajamento para a operação da FPaz.
“Agora este espaço deixa de ser local do poder paralelo”, afirmou Cabral ao se referir aos trabalhos a serem realizados pela FPaz, constituída pelo Exército e pelas polícias Civil e Militar. A Força atuará para garantir a lei e a ordem na área abrangida pelo complexo. A assinatura ocorreu no posto de comando da FPaz, no Complexo do Alemão.
Segundo o governador, a polícia do Rio de Janeiro não tinha idéia da quantidade nem da dimensão das atividades dos criminosas do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro. “Apreendemos 400 motocicletas”, lembrou Cabral referindo-se ao saldo decorrente da ocupação das favelas. E prosseguiu: “Quantas vidas foram perdidas?”, numa alusão ao fato de que a maioria das motos em poder dos bandidos foram tomadas de seus proprietários em assaltos realizados no Rio de Janeiro.
Jobim atribuiu o sucesso da operação nos morros do Rio de Janeiro à atuação conjunta das autoridades federais, estaduais e municipais do Rio de Janeiro. O ministro da Defesa disse que o resultado da operação comprova que está superada a idéia – ainda existente em alguns segmentos da intelectualidade brasileira – de que haveria incompatibilidade entre o respeito aos direitos humanos e as ações de segurança pública.
“Vamos demonstrar que não há incompatibilidade entre os direitos humanos e a segurança pública”, afirmou Jobim.
Ao avaliar o sucesso da atual operação, Jobim explicou que as ações de hoje incorporam conhecimento adquirido em experiências anteriores. Entre as experiências anteriores, uma das mais relevantes foi a de 1993, quando o Exército ajudou as operações de segurança pública no Rio de Janeiro.
“Agora há um arcabouço jurídico para mostrar o que cada um pode fazer “, disse Jobim, referindo-se, em primeiro lugar, ao acordo que delimita os espaços geográficos de atuação e as ações cabíveis de cada instituição componente da Força de Pacificação. E em segundo lugar às regras de engajamento que definem claramente todas as ações que podem ser executadas pelos militares na operação.
Leia na íntegra o acordo que autoriza o início dos trabalhos da Força de Pacificação (FPaz)
Leia na íntegra as regras de engajamento
Texto: José Ramos Assessoria de Comunicação Social Ministério da Defesa (61) 3312-4070 |
Bem-vindo (a) ao
Cafe Historia
Era uma vez na Anatólia
A novela pode ter acabado, mas a Turquia continua em cena no Brasil. Acaba de chegar aos cinemas do país o filme "Era uma vez na Anatília", co-produção Bósnia-Turquia.
Nas planícies da Anatólia, na Turquia, um grupo composto de um policial, um médico legista e um advogado conduz dois prisioneiros em busca do local onde enterraram sua vítima. Já é tarde da noite e, em meio à escuridão, eles não conseguem mais encontrar o local exato onde foi colocado o cadáver. Entre as divagações e os deslocamentos, o advogado e o médico começam a se conhecer melhor, percebendo que eles têm pontos de vista muito diferentes sobre a vida.
© 2013 Criado por Bruno Leal.
Ativado por

