ESCRAVIDÃO NO RIO GRANDE DO SUL

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ESCRAVIDÃO NO RIO GRANDE DO SUL

EXISTIU ESCRAVIDÃO NO RIO GRANDE DO SUL?

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Última atividade: 7 Maio

HOUVE ESCRAVIDÃO NO RIO GRANDE DO SUL?
No Brasil é comum as pessoas pensarem que o Rio Grande do Sul não tem negros, só descendentes de portugueses e espanhóis ou alemães e italianos. Vamos esclarecer essa questão: O negro é também um dos formadores do povo sul-rio-grandense, assim como foi do País.
A vinda dos negros tanto no sul como em todo o Brasil, foi uma imigração compulsória, com a finalidade de adquirir mão- de obra para a produção de trabalhos dos mais pesados, sendo tratados como se fossem animais. Eram jogados em navios negreiros, morrendo cerca de 40% da “carga”, em conseqüência da falta de higiene e amontoados de negros, pois, eram muitos para pouco espaço.
Antes de desembarcarem no Brasil permaneciam em quarentena para serem engordados e tratados das doenças. Quando adquiriam uma aparência mais saudável, eram comercializados.
Os autores da chamada historiografia rio-grandense tradicional, baseados em uma interpretação dos relatos de viajantes estrangeiros, particularmente de Nicolau Dreys e Saint- Hilaire sustentaram uma visão mítica, fantasiosa das condições de vida dos escravos nas estâncias gaúchas e defenderam a idéia de uma escravidão amena no Rio Grande Do Sul em comparação com as outras províncias.
Em meados do século XVIII a carne passou a ser valorizada tornando- se a principal fonte geradora de lucro do Sul do Brasil. Esse desenvolvimento do charque efetivou-se em conseqüência das secas que atingiram o nordeste do Brasil três anos consecutivo. Dessa forma o charque rio-grandense passou a substituir a carne nordestina na alimentação, sobretudo dos trabalhadores escravizados, do complexo açucareiro e de outros setores produtivos. Portanto o português e o luso-brasileiro não se mantinham sem escravos, pois, com a industrialização da carne introduzida pelas charqueadas, aumentou a necessidade de braços escravos.
O negro se tornou operário de quase tudo. Na agricultura, desde a abertura de estradas até a derrubada de matas e os serviços mais pesados; nas charqueadas, desde a construção dos alicerces dos edifícios até o condicionamento do charque para exportação. Ele era o pedreiro, o carpinteiro, o matador dos animais, o salgador, o curtidor. Além disso, nas fazendas, cabia ao negro todo o cuidado doméstico.
Os historiadores de hoje através de inúmeras pesquisas de campo, estão colaborando com a desmistificação sobre a escravidão no Rio Grande Do Sul, pois houve escravidão sim e das mais sofridas e pesadas.

Fórum de discussão

ESCRAVIDÃO NO RIO GRANDE DO SUL

Iniciado por andre cabral. Última resposta de Bruno Leal 26 Out, 2011. 3 Respostas

Seu texto, é uma otima informação histórica já as infromações históricas acerca da região sul  é que  a forrmação se deu  apenas por colonos estrangeiros .não ocorrendo mão  de obra escrava. prof.…Continuar

EVENTO: V Simpósio Internacional De História e Cultura Negra

Iniciado por Taia. Última resposta de Bianca Salazzar 27 Out, 2010. 3 Respostas

De 3 a 5 de Novembro ocorrerá o V Simpósio internacional de História e Cultura Negra, na Faculdade Cenecista de Osório, FACOS, em Osório, RS. Mais informações no e-mail taiajaques@yahoo.com.br.

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Comentário de Carlos Roberto S.da Costa Leite em 14 março 2010 às 19:44
o Marcelo Moraes, não considere uma crítica negativa,porém, algumas informações, acerca do Príncipe Custódio, não são verídicas,ainda que a vida do "Príncipe Negro" seja envolta em mistérios perpetuados pelo imaginário popular. O mesmo chegou a Porto Alegre, em 1900, estabelecendo-se na Cidade Baixa, na rua Lopo Gonçalves. Esse local ficou conhecido como um espaço de resistência da "Cultura Negra" na capital gaúcha. Conta a tradição oral que o Príncipe Custódio realizava grandes festas (toques) em homenagem aos orixás,quando soavam os atabaques, e cantava-se, no dialeto de sua terra natal, as rezas aos deuses africanos; além de realizar banquetes regados a vinho e licores importados,principalmente, no seu aniversário. A oralidade popular afirma que o "Príncipe de Ajudá" mantinha contatos com figuras importantes do campo político como Júlio Prates de Castilhos, Borges de Medeiros e até mesmo Getúlio Vargas, entre outras personalidades. Seus poderes espirituais, como sacerdote africano( babalorixá), espalhavam-se pelas plagas gaúchas. Muitos acreditam que o mesmo intervinha com seus poderes magísticos no desfecho de questões políticas no Estado. O Príncipe Custódio criou uma verdadeira corte de seguidores na sua residência, que buscavam alívio para suas dores físicas ou morais. Personagem considerada excêntrica, na sua forma de vestir,o mesmo criava cavalos árabes e falava, fluentemente, o inglês e o francês. Encontrou seus irmãos de etnia, quando chegou a Porto Alegre, no inicio do século XX, vivendo em condições de grande pobreza e sem inclusão social , embora já livres. O Príncipe Custódio não foi o responsável pela introdução do Batuque no Rio Grande do Sul, pois existem registros, em periódicos da época, de que em Pelotas e Rio Grande já existiam cultos de matriz africana. Essa regiões ligadas à economia do charque se utilizavam de mão de obra escrava. A tradição dos sacerdotes e iniciados (filhos de santo) visitarem o Mercado Público da Cidade , continua até os dias de hoje,quando os fiéis cumprem seus preceitos religiosos, saudando o orixá Bará (dono da chave que abre todos os caminhos) no centro desse Mercado; onde o Príncipe teria feito um assentamento desse orixá. Figura polêmica, envolta em mistérios, faleceu, em Porto Alegre, no dia 28 de maio de 1935, com 104 anos. Seu atestado de óbito se encontra no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia. Outra dúvida, que paira acerca da vida desse Príncipe, é quanto à referência sobre o local de seu sepultamento. Por que o mesmo estaria localizado no Campo Santo (espaço reservado aos mais pobres da cidade),tratando-se de uma figura nobre e rica. Outra dúvida: seus restos mortais foram queimados por falta de pagamento ou foram utilizados para um assentamento (ritual religioso) do seu espírito (egun),conhecido como "Culto dos Antepassados"? Essas questões continuam sem respostas... Os principais jornais, que circulavam na capital, registraram seu falecimento, abordando acerca de sua existência e a origem nobiliárquica do mesmo. O Correio do Povo (1895), A Federação (1884-1937) e o Diário de Notícias (1925-1979) deram destaque à morte do "Príncipe Negro de Ajudá". Aconselho a todos, que quiserem mergulhar nessa fascinante história do Príncipe Negro, Custódio Joaquim de Almeida (1831?-1935), a lerem o livro do escritor Roberto Rossi Jung, editado em 2007, pela Martins Livreiro. De qualquer forma, o Príncipe continuará a fazer parte do imaginário da cidade como uma referência de um nobre que frequentou os salões da elite branca da capital dos gaúchos.
Comentário de Marcelo Moraes em 13 março 2010 às 15:43
Olá...Claro que não levo a mau e nem como critica até porque AHISTÓRIA É SUBJETIVA e com muita divercidade do que são FATOS e o que são MITOS, no caso do Principe Custodio,não vou entrar nesta seara com vc e com ninguém, até porque esive no Rio Grande do Sul, mais precisamente em Gravatai, e o tempo em que fique morando no Sul, tentei conhecer um POUCO da cultura e da religião BATUQUE, que no resto do Brasil é extremamente difícil encontrar, vc meu caro amigo tem um único documento que você diz estar na Sta Casa,OBRIGADO POR INFORMAR,eu não sabia que tinha tal documento.Mas como sem comprovação(assim como vc tem a única referência) o resto se torna MITO,FOLCLORE ou qualquer outra coisa.Na verdade apenas escrevi o que aprendi, o que não quer dizer que seja verdade, e nem tenho está pretenção de propagar algo que é um mistério até mesmo para os que vivem neste meio.O caro amigo descreve que ele vivia em vesta, rodeado de coisas e especiarias (licores,comida etc....).... essa subjetividade também me colocaria a questiona-lo de onde o amigo tirou tais informaçãoes, porque sabemos que até mesmo MANUSCRITOS como o nome já diz, é um documento e nem todo documento(escrito) tem TOTAL VERACIDADE.São documentos escritos por homens,são criados bor homens, são MISTIFICADOS por homens.E na minha opnião(MINHA....APENAS MINHA), o que aprendi e vi enquanto estive ai, o Principe é um MITO do Rio Grande do SUL,apenas no Sul,não escrevi para debater em tom de discução, até porque não tenho tais propriedades sobre o assunto,só quis escrever que houve ESCRAVOS e o pouquissimo que aprendi estando ai,certo ou errado, mito ou verdade,não sei, até pq alguma vez nas suas leituras, o amigo já deve ter LIDO....DEUSES NASCEM ....DEUSES MORREM......NA CONSTRUÇÃO DIALÉTICA DOS HOMENS.....assim como a Biblia(NÃO ESTOU CRITICANDO).....É UM DOCUMENTO ESCRITO POR HOMENS QUE ATÉ HOJE, TEM ESTUDOS E PESQUISA PARA PROVAR SUA VERACIDADE..... Até a proxima, espero não ter escrito ao modo de que vc ou qualquer pessoa que leia se ofenda.

Abraços
Marcelo
Comentário de Marcelo Moraes em 12 março 2010 às 8:01
Bom dia, não poderia deixar de comentar, se é que já não o fizeram, que, no Rio grande do sul, iniciando por Rio Grande e chegando a POA, a religião denominada BATUQUE é ainda a unica totalmente AFRO, não deixou suas raízes vindas do outro continente e nem perdeu-se no sincretismo, apesar de que hoje já temos um pouco de sincretismo, porem na época do Príncipe Custodio que mesmo com titulo se tornou escravo e acabou propagando a religião, até mesmo outros escravos (que seriam subalternos dele lá... de onde foi tirado) acreditavam no que viam, um príncipe (escravo, escravizado),porem não deixou suas crenças, e sem que os senhorios desconfiassem fizeram o sincretismo com OCUTAS(pedras) e assim não houve mudanças, tanto que no mercado central de POA, ele mesmo o próprio príncipe assentou um Bará (orixa).Até os dias de hoje, os fundamentos da religião trazidas de lá,são marcadas por suas raízes, na reza, na crença, na maneira como ela ainda é praticada(de fato ABOMINADA por alguns)mas ainda temos a unica totalmente Afro, ao contrario dos que pensam que seja o Candomblé da Bahia.
Comentário de Fernanda Ferreira Rigo em 9 março 2010 às 9:37
Oi professor Marcelo, muito obrigada! criei este grupo justamente pra superação dos mitos existentes deste tema!abs.
Comentário de Fernanda Ferreira Rigo em 9 março 2010 às 9:35
Olá Carlos, muito obrigada por compartilhar o teu conhecimento conosco, é muito importante pra todos nós!e é um tema que precisa ser divulgado! abs.
Comentário de Marcelo Andreatta em 7 março 2010 às 22:01
Oi Fernanda, bom o texto que escreveste. Especialmente por compartilhar nacionalmente uma leitura crítica acerca da escravidão no RS e contribuir na superação dos mitos existentes sobre este assunto. Abs.
Comentário de Felipe Gomes em 7 março 2010 às 12:15
To dentro!!!
 

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