Para Adorno, a postura otimista de Benjamin no que diz respeito à funções possivelmente revolucioárias do cinema desconsidera certos elementos fundamentais, que desviam sua argumentação para conclusões ingênuas. Embora devendo a maior parte de suas reflexões a Benjamin, Adorno procura mostrar a falta de sustentação de suas teses, na medida que ele próprio traz à luz o antagonismo que reside no próprio interior do conceito de "técnica". Segundo Adorno, passou despercebido a Benjamin que a técnica se define em dois níveis: primeiro "enquanto quaquer coisa determinada intra-esteticamente" e, segundo, "enquanto desenvolvimento exterior às obras de arte". O conceito de técnica nào deve ser pensado de maneira absoluta: ele possui uma origem histórica e pode desaparecer. Ao visarem à produção em série e à homogeinização, as técnicas de reprodução sacrificam a distinção entre o caráter da própria obra de arte e do sistema social. Por conseguinte, se a técnica passa a exercer imenso poder sobre a sociedade, tal ocorre, segundo Adorno, graças, em grande parte, ao fato de que as circunstâncias que favorecem tal poder são arquitetadas pelo poder dos economicamente mais fortes sobre a própria sociedade. Em decorrência, a racionalidade da técnica identifica-se com a racionalidade do próprio domínio. Essas considerações evidenciariam que não só o cinema, mas como também o rádio, não devem ser tomados como arte. "O fato de não serem mais que negócios basta-lhes como ideologia". Enquanto negócios, seus fins comerciais são realizados por meio de sistemática e programada exploração de bens culturais: a Indústria Cultural.

A Expressão Indústria Cultural visa substituir "cultura de massa", posto que esta induz ao engodo que satisfaz os interesses dos detentores dos veículos de comunicação de massa. Os defensores da expressão "cultura de massa" querem dar a entender que se trata de algo como uma cultura surgindo espontaneamente das próprias massas. Para Adorno, a Indústria Cultural, ao aspirar à integração vertical de seus consumidores, não apenas adpta seus produtos ao consumo das massas, mas, em larga medida, determina o próprio consumo. Interessada nos homens apenas como consumidores ou empregados, a Indústria Cultural reduz a humanidade, em seu conjunto, assim como cada um dos seus elementos, às condições que representam seus interesses. A Indústria Cultural traz em seu bojo todos os elementos característicos do mundo industrial moderno e nele exerce um papel específico: o de portadora da ideologia dominante, a qual outorga sentido a todo o sistema.

Aliada à ideologia capitalista, e sua cúmplice, a indústria cultural contribui eficazmente para falsificar as relações entre os homens, bem como dos homens com a natureza, de tal forma que o resultado final constitui uma espécie de "antiiluminismo", ou "anti-esclarecimento". Considerando-se que o Esclarecimento tem como finalidade livrar os homens do medo, tornando-os senhores e libertando o mundo da magia e do mito, e admitindo-se que essa finalidade pode ser atingida por meio da ciência e da tecnologia, tudo levaria a crer que o Esclarecimento instauraria o poder do homem sobre a ciência e a técnica. Mas, ao invés disso, liberto do medo mágico, o homem tornou-se vítima de novo engodo: o progresso da dominação técnica. Esse progresso transformou-se em poderoso instrumento utilizado pela industria cultural para conter o desenvolvimento da consciência das massas. A Indústria Cultural "impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente".

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Respostas a este tópico

Sempre dedico um módulo de minhas aulas para discutir Escola de Frankfurt. Embora reprove a sua abordagem intelectual, sem dúvida se trata de um movimento muito importante para a comunicação social e a cultura.
Tenho dúvidas...Lógico!!rsrsrs


Os Frankfurtianos foram revionistas do Marxismo???

e outra seŕa que alguem ai tem algum material bacana q pode repassar !!??


desde já agradeço!!
Oi Dharlla,

primeiro é preciso compreender o que você diz com revisionismo. Revisionismo do Marxismo me remete a Bernstein e Kautsky, e as teses de que a tomada de poder deve se dar através de eleições e não pela revolução. É a isto que você se refere?

Sobre material, eu tenho alguma coisa. O que te interessa especificamente? Vou organizar aqui alguns textos para pôr à disposição.

Grande abraço
Diogo
Boa tarde Dharlla!

Revisionismo? Bom! Creio que não chegam a ser ortodoxos e nem relativistas... Pensavam na cultura e no social. Tomaram de emprestimo varios conceitos da psicologia e áreas afins. Mesmo assim não deixaram de ter um horizonte de determinismo (superestrutura -> infraestrutura) social advinda de fatores economicos.

Saudações!
A introdução da noção de Industria Cultural é (foi?) um marco. Muito difícil pensar os meios de comunicação, o entretenimento e a própria produção artística - em sentido lato - sem que se passe pela mente algumas das formulações mais importantes que Adorno e Horkheimer trouxeram ao mundo - mesmo que não se aperceba disso.

Entretanto, Frankfurt não se limita à noção de Industria Cultural, muito pelo contrário. E me preocupa particularmente o pouco espaço que se dá ao debate sobre as "teses" frankfurtianas no nosso ambiente acadêmico - leia-se, na História. A noção de Industria Cultural foi (é) um dos "motes" elaborados por uma maneira muito peculiar de ver a sociedade moderna, e considero Frankfurt um caminho essencial para ler o mundo atual.

Vou dar uma "resenhada" em outro tópico num livro chamado "Consumo, Narcisismo e Identidade Contemporâneas" dos profs. Maria de Fátima Severiano e José Luis Estramiana, que acho fabuloso! Uma reflexão ácida e, acho, certeira, sobre as relações entre mercado, media e individualidade hipermoderna, fundamental também para compreender (se for o caso) como Frankfurt é atual e, na mesma mão, relevante para se pensar a atualidade.

Abraço
Diogo
Alguém aí pode fazer um levantamento blibliográfico que discute acerca da Escola de Frankfurt ...
Caro Leandro, a bibliografia sobre Frankfurt é bastante extensa.
Sugiro como boas introduções os seguintes livros:
MATOS, Olgária. A Escola de Frankfurt: luzes e sombras do iluminismo. SP: Ed. Moderna, 2005.
SOARES, Jorge Coelho (org.) Escola de Frankfurt: inquietudes da razão e da emoção. RJ: Ed. UERJ, 2010.
FREITAG, Bárbara. A Teoria Crítica: ontem e hoje. SP: Ed. Brasiliense, 1988.

Abraços

Boa tarde a vocês, já iniciei esta discussão na web há algum tempo, a partir desta análise de Sérgio Amaral:

 

Análise POR SERGIO AMARAL SILVA *   Adorno, a indústria cultural e a internet   Há quarenta anos morria o filósofo da Escola de Frankfurt que se tornou famoso por sua crítica aos meios de comunicação de massa. 

 

Você conhece este texto analítico?

O que você acha disto? Como entender a internet como cultura de massa?

Qual a contribuição do filósofo Adorno para nossos dias?

Leia abaixo:

"

Conforme resume o professor Francisco Rutiger, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e autor do livro "Th eodor Adorno e a crítica à indústria cultural" (Edipucrs, 2004): "A crítica à indústria cultural adorniana não perde sua atualidade perante os fenômenos de internet, visto que, enquanto plataforma da cibercultura, essa vem a ser um novo suporte por onde corre, agora em escala ainda mais massiva e imediata, o processo de conversão da cultura em mercadoria."

UMA REDE, TRÊS FORÇAS

Ainda a respeito da aplicabilidade das teorias de Adorno à rede mundial de computadores, o professor Fábio Durão, do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas, coautor do livro "A indústria cultural hoje" (Boitempo Editorial, 2008), comenta: "O conceito adorniano de campo de força é muito útil para se interpretar a internet hoje. Pode-se pensar em três vetores diferentes coexistindo em tensão no mesmo objeto. Há, em primeiro lugar, a linha críticonegativa, que atacaria aquelas posições ideológicas, que veem na internet uma liberdade concreta. Contra isso, seria preciso mostrar o quanto a internet, ao elevar a produtividade do trabalho, ajudou ao mesmo tempo que aumentassem as desigualdades, tanto entre as pessoas quanto entre os países. O mundo hoje é mais iníquo do que nunca. Porém, o trabalho não aumentou apenas do ponto de vista intensivo, mas também das horas empregadas: em muitos casos, o tempo diante do computador faz lembrar o do operário perante a máquina no começo da industrialização inglesa, ainda que não se compare o esforço físico envolvido. A desregulamentação do trabalho, sinônimo de precarização e aumento da exploração, seria muito mais difícil sem a internet."

Leia todo o artigo: http://filosofia.uol.com.br/filosofia/ideologia-sabedoria/20/artigo151970-2.asp

 

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Somos tão jovens

Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.

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