Grupo dedicado a todos aqueles que admiram a obra deste grande Historiador inglês.
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Brilhante historiador, pois seus trabalhos apresentavam não somente a Teoria, mas também a prática!!!!
Comentário de Márcio Rogério da Costa Letona em 28 março 2011 às 19:07
Comentário de Cleber Manoel da Silva em 9 março 2011 às 16:58
Comentário de Fábio Correia em 8 março 2011 às 11:00
Comentário de José Luciano de Queiroz Aires em 9 dezembro 2010 às 21:13 EDWARD PALMER THOMPSON: CULTURA E PODER NA MODERNIDADE.
Impossível biografar qualquer autor em um trabalho com limites de páginas como esse. Mais difícil ainda quando esse autor se trata de E. P. Thompson, o mais citado historiador no século XX em todo planeta e um dos cem mais citados em toda história. Contudo, penso que não situar um pouco esse historiador no seu contexto histórico compromete uma investigação sobre seus trabalhos historiográficos e como ele desenvolve os conceitos de poder e cultura.
Quando Thompson nasceu, em 1924, por coincidência, morria o líder bolchevique Vladimir Ulianov (Lênin). Na URSS, do embate político entre Trotsky e Stálin, vencia esse último, dando inicio a uma longa ditadura que se encerraria com o próprio Stálin indo à sepultura, em 1953. Do lado ocidental, o período entreguerras foi marcado pela crise econômica de 1929 e a ascensão de regimes nazi-fascistas em países como Alemanha, Itália, Espanha e Portugal. Até que o mundo se arma outra vez, e desta feita, com maior carnificina humana e o conhecimento científico-tecnológico trabalhando, sobremaneira, nos fornos quentes da indústria da morte. Explodia a II Guerra, o conflito que demoraria seis anos e que chegara ao final ainda lançando a “rosa cálida” sobre Hiroxima e Nagasaki.
Thompson vivera esses tempos. Ele e o irmão Frank lutaram nesse conflito mundial combatendo o nazi-fascismo, ficando seu irmão morto naqueles campos de batalhas europeus. Terminada a guerra, voltou à universidade, no auge da expansão do regime socialista, se graduando em 1946.
Sua biografia não permite separar o historiador do político militante. Intelectual engajado, ingressou na universidade tardiamente em relação a outros historiadores, tendo dedicado grande parte de sua vida à educação de jovens e adultos das classes populares. Também militou como anti-pacifista em meio às ameaças de conflitos nucleares entre as duas potências da ordem mundial bipolar.
No interior do marxismo enfrentou duplamente seus cânones. Primeiro no plano político-ideológico, se opôs a estatolatria stalinista, como fizera Gramsci, antes dele. Rompeu com o Partido Comunista inglês e fundou a Nova Esquerda, primando por um socialismo democrático. No plano teórico, combateu os estruturalismos, inclusive, e, sobretudo, de seus “camaradas” althusserianos, implodindo o planetário do filósofo francês. Em A Formação da Classe Operária (1963); A Miséria da Teoria (1978) e Costumes em Comum (1991), o historiador inglês redimensiona o conceito de classe, desmontando o marxismo mecanicista e recuperando os sujeitos ativos da história. A leitura dessas três obras nos dará suporte para pensar como Thompson elabora a conexão poder-cultura.
Muito bem equipado, com uma retórica suficientemente demolidora, Thompson põe no chão o edifício aparentemente inabalável dos andares: base (térreo)- superestrutura (andares superiores). Lá de cima, ele retira o nível cultural da qualidade de mero reflexo da instância econômica, e o ressignifica, atribuindo-o um caráter de dinamicidade e de inter-relações com o político, o social e o próprio econômico. Arremata: “O marxismo vem sofrendo uma doença do economicismo vulgar. O impulso é fugir em prol da nossa sanidade mental”. (THOMPSON, 1981, p. 186). Além de acusar o estruturalismo althusseriano de causar distúrbios mentais, denuncia as pretensões nada modestas daquele paradigma: “Quando pensávamos prontos para novos avanços, fomos atacados pela retaguarda, não burguesa, mas uma que queria ser mais marxista do que Marx”. (THOMPSON, 1981, p. 10) É nesse tom que ele inicia o livro A Miséria da Teoria. Do primeiro ao último capítulo, não poupa nas ironias à ortodoxia marxista. Não poupa, inclusive, os “silêncios de Marx”. A economia política, para Thompson, tinha termos para valor de uso, valor de troca, mais valia, porém, não dava conta de valores normativos, não se preocupava em fazer perguntas do tipo: “Como ver em termos de valor, preço e lucro os rituais simbólicos de Tyburn ou do mausoléu de Lenin (ou, agora, de Mao)?” (THOMPSON, 1978, p. 181).
Em síntese, a queda do edifício sustentado na prática teórica é causada por inquilino incomodado com a ditadura do síndico e o respaldo dos diversos moradores do prédio. A reclamação thompsoniana é contra um conjunto de idéias que, na sua visão, além de improcedentes, legitima o autoritarismo. Ele sai do edifício, passa a residir em outra morada, mas não sem antes zombar e criticar o idealismo revestido de ideologia de seus colegas de partido.
Em A Miséria da Teoria (1981, p. 49) Thompson defende a existência da lógica histórica, uma lógica não no sentido cartesiano de uma ciência absoluta, tampouco deve ser “submetida aos critérios da lógica analítica, o discurso da demonstração do filósofo”. A História não pode se confundida com a Física, pois não oferece um laboratório de verificação experimental. Porém, na perspectiva thompsoniana, também não pode se submeter ao reinado de uma certa filosofia, como se esta fosse a grande Sede da teoria marxista. Mais uma vez recorrendo ao próprio historiador inglês,
"Não considero a historiografia marxista como dependente de um corpo geral de marxismo-como-teoria, localizado em alguma outra parte (talvez na filososfia?). Pelo contrário, se há um terreno comum para todas as práticas marxistas, então ele deve estar onde o próprio Marx o situou, no materialismo histórico". (THOMPSON, 1981, p. 54)
Ao criticar o abstracionismo estruturalista marxista, ele defende o materialismo histórico e recoloca a História no trono de “rainha das humanidades”. Nesse sentido, o que o autor em análise denomina de lógica histórica corresponde a uma série de fatores que devem ser levado em consideração no oficio de um historiador marxista. Entre esses: a) o método de investigação pautar-se-á na relação das hipóteses conceituais com a investigação empírica; b) os conceitos precisam ser historicizados e testados; c) os modelos prévios aprisionam as evidências do real, por isso devem ser evitados; d) são falsas as teorias que não estiverem em conformidade com as evidências; e) o objeto do conhecimento histórico é o “real”, embora esse esteja repleto de evidências imperfeitas e incompletas.
Thompson aponta um termo ausente no planetário de Althusser: o conceito de experiência. Para ele
"A prática da teoria marxista continua onde sempre esteve, no objeto humano real, em todas as suas manifestações (passadas e presentes); objeto que, no entanto, não pode ser conhecido num golpe de vista teórico (como se a Teoria pudesse engolir a realidade de uma só bocada), mas apenas através de disciplinas separadas, informadas por conceitos unitários. (...) A filosofia pode (e deve) monitorar, aperfeiçoar e assistir a essas conversas. Mas se deixamos que a filosofia procure abstrair os conceitos das práticas, e construir a partir deles uma Sede para a Teoria, independentemente daquelas, e muito distante de qualquer diálogo como objeto da teoria, então teremos- o teatro de Althusser". (THOMPSON, 1981, p.55)
Mais adiante ele usa uma metáfora em linguagem econômica, para se colocar contra a “prática teórica”
"A história não é uma fábrica para a manufatura da Grande Teoria, com um concorde de ar global; também não é uma linha de montagem com a produção em série de pequenas teorias. Tampouco é uma gigantesca estação experimental na qual as teorias de manufatura estrangeira possam ser “aplicadas”, “testadas” e “confirmadas”. Esta não é absolutamente a sua função. Seu objetivo é reconstituir, “explicar”, e “compreender” seu objeto: a história real". (THOMPSON, 1981, p. 57).
As duas citações, embora longas, refletem a crítica que Thompson faz aos modelos teóricos que abstraem sem descer a nenhuma experiência histórica concreta. Para o citado historiador, é preciso levar em consideração o agenciar humano e trazer, à narrativa, os sujeitos da história. Esses sujeitos são homens e mulheres, indivíduos que, nas experiências do cotidiano, constroem identidades sociais, a exemplo da classe. Não são sujeitos abstratos e homogêneos, sem rosto e com vontades determinadas por estruturas, como queriam os estruturalismos.
Para Thompson, Marx ficou, durante algum tempo, preso à economia política e foi desse momento que Althusser retirou o embasamento para a construção da sua teoria. Entretanto, Marx das suas últimas obras havia retornado a sua juventude, dialogando, inclusive, com a antropologia.
Falando em antropologia, o historiador inglês, após algumas relutâncias, se aproxima dessa ciência e passa a trabalhar com o conceito de cultura no seio do materialismo histórico. Ressalta que
"Com experiência e cultura estamos num ponto de junção de outro tipo. As pessoas não experimentam suas experiências apenas como idéias ou como instinto proletário. Elas também experimentam suas experiências com sentimento e lidam com esses sentimentos na cultura, como normas, obrigações familiares e de parentesco, e reciprocidades, como valores ou (através de formas mais elaboradas) na arte ou nas convicções religiosas. Essa metade da cultura (e é uma metade completa) pode ser descrita como consciência afetiva e moral". (THOMPSON, 1981, p. 189)
Thompson não pensa cultura como um componente da superestrutura e mero reflexo do nível econômico. Muito menos numa perspectiva de “passividade” das classes populares, supostamente, presas as armadilhas da ideologia dos dominantes. Cultura, em Thompson, é algo dinâmico. Cultura como resistência. Sendo assim, ele analisa o conceito de cultura popular no contexto da Europa do século XVIII, fazendo algumas críticas, sobretudo, ao tratamento universal e ultraconsensual dado a essa temática. No livro Costumes em Comum, ele tece algumas considerações que, me parecem, pertinente para que façamos algumas pontuações.
Em primeiro lugar, Thompson define “cultura” próximo do sentido atribuído ao “costume”, no século XVIII. Em uma conjuntura de Revolução Industrial, de reformas culturais e alfabetização em massa, as classes populares utilizavam os costumes como instrumentos de lutas políticas e sociais contra as classes dominantes. A apropriação de costumes de tempos imemoriáveis apresentava afinidades com o direito consuetudinário, cujos usos têm força de lei.
Ocorre, por essa ótica, um desmonte da idéia de que os populares não tenham visão de mundo própria. Para Thompson, como esses não tinham acesso à educação escolarizada formal, restavam-lhes usar da tradição oral para a transmissão das experiências e sabedorias comuns. Essa “cultura popular” é paradoxal, característica daquele século XVII europeu, uma vez que é tradicional e rebelde. É tradicional porque vai buscar os costumes dos tempos do paternalismo. Porém, é rebelde na forma como vai ser utilizada, naquilo que Thompson chama de economia moral em oposição à economia de mercado.
Uma segunda pontuação se refere a noção universal de cultura, criticada pelo historiador inglês. Geralmente, “cultura popular” tem sido definida como um “sistema de atitudes, valores e significados compartilhados, e as formas simbólicas (desempenhos e artefatos) em que se acham incorporados”. (BURKE apud THOMPSON, 1991, p. 17). Thompson, porém, afirma que “uma cultura é também um conjunto de diferentes recursos, em que há sempre uma troca entre o escrito e o oral, o dominante e o subordinado, a aldeia e a metrópole; é uma arena de elementos conflitivos...” (THOMPSON, 1991, p. 17). Dessa forma, pensar cultura de forma consensual é algo inconcebível em um historiador marxista. O conflito de classe no plano cultural é uma grande contribuição thompsoniana aos historiadores.
Outra pontuação necessária a ser feita é com relação ao contexto específico para operacionalizarmos o conceito de “cultura popular”. Mais uma vez, contrariando a universalização do conceito, Thompson nos adverte da necessidade de contextualizar. Ele, ao analisar a cultura plebéia, no livro Costumes em Comum, delimitar um recorte espacial e temporal específico: a Inglaterra do século XVIII. Com isso, evitam-se os tão famosos modelos teóricos abstraídos de nenhuma experiência histórica e que funcionam como uma espécie de luva para ser utilizada por qualquer tamanho de mão. Ele, inclusive, prefere o termo cultura plebéia a “cultura popular”, tendo em vista que o primeiro é mais concreto e utilizável para o contexto estudado. Assim, cultura em Thompson, não se descola das relações de poder entre as classes sociais. Por meio dela a classe operária constrói sua consciência e sua identidade em relação aos dominantes, resistindo ou negociando, mas sempre procurando tirar proveito do jogo do poder. Dessa forma, ocorre que “os de baixo” têm visão própria de mundo, são “homens e mulheres discutem sobre valores, escolhem entre valores, e em sua escolha alegam evidências racionais e interrogam seus próprios valores por meios racionais”. (THOMPSON, 1981, p.194).
As maiores críticas aos trabalhos de Thompson advêm do seio do próprio marxismo. O grande debate dos anos 1960/70 é com os defensores do estruturalismo, de onde parte as acusações de “culturalismo” aos textos thopsonianos. Autores como Richard Johnson e Perry Anderson se destacaram nesse particular.
Do lado de fora do marxismo, recentemente, o historiador brasileiro Durval Muniz escreveu um artigo fazendo algumas críticas à obra de Thompson. Fundamentado em uma leitura foucaultina o historiador brasileiro acusa o historiador marxista inglês de “essencialista”, ainda tributário da matriz platônica, um “discurso-arma que funcionou”, mas que “hoje, já é um discurso suficientemente ´safado` pelo tempo”. (ALBUQUERQUE JR, 2007, p. 236).
O curioso é que Thompson foi criticado pelos marxistas clássicos e agora é interpretado por um historiador pós-estruturalista como “muito próximo ainda do marxismo clássico”. (ALBUQUERQUE JR, 2007, p. 237). Ou seja, suas obras abalaram os alicerces do dogmatismo marxista, por isso ele foi criticado pela renovação da escrita da história social marxista, ao dialogar com a antropologia, ressignificar o conceito de cultura, buscar compreender o simbólico em relação com as estruturas sociais e políticas. Porém, ele também é atacado de fora da órbita do materialismo histórico, sobretudo pelos historiadores pós-estruturalistas que rompem com qualquer pretensão de aproximação entre a narrativa histórica e seu objeto estudado. Para essa corrente teórica, a linguagem institui o real, não existe nada no seu exterior, pois é ela que constrói e atribui significado ao mundo real.
Nesse sentido, Durval Muniz reclama que a obra de Thompson ainda é permeada pela dicotomia representação- real, pois
"(...) hora nenhuma Thompson duvida da existência de um real do passado, que é passível de ser apreendido pelo historiador, chegando, em algumas formulações, a tocar piscadelas com o positivismo, na sua pretensão de conhecer o passado tal como ele foi". (ALBUQUERQUE JUNIOR, 2007, p. 236).
A crítica do historiador brasileiro aos trabalhos do marxista inglês tem mais alguns ingredientes. Albuquerque Junior afirma que Thompson além de ter uma “visão ingênua das fontes” não consegue abandonar uma leitura teleológica da história nem derrubar, inteiramente, o esquema base-superestrutura. Nesse último caso, ele alega que, ao valorizar a experiência sobre a consciência, Thompson insiste na tese de que o mundo material interfere na produção das subjetividades, se aproximando do velho esquema base-superestrutura.
É óbvio que Thompson acredita na possibilidade cognitiva do passado. Mas seria o caso de classificá-lo próximo dos historiadores metódicos? Será que o historiador inglês fala de determinismo da infra-estrutura?
Comentário de Leandro Santos em 24 novembro 2010 às 7:48
Comentário de fabricio moreira dos santos em 29 agosto 2010 às 1:34
Comentário de Francemberg Teixeira Reis em 28 agosto 2010 às 21:45
Comentário de Francemberg Teixeira Reis em 28 agosto 2010 às 18:17 Bem-vindo (a) ao
Cafe Historia
Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
© 2013 Criado por Bruno Leal.
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