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A 170 km da costa dos EUA, Cuba a meio século está vivenciando uma experiência socialista vitoriosa em muitos aspectos. Espaço para debate sobre Cuba

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Comentário de Leonardo Stuepp em 8 agosto 2011 às 19:20

Olá Ernane.

O artigo de Frei Beto, analizando-se como um trabalho "intelectual", contrapondo sistemas de governos é realmente magnífico, mas, ao se verificar a realidade, ele torna-se inócuo, pois, a sua abrangência não leva em conta um dado fundamental "da espécie humana", sua liberdade de "ir e vir", sua eterna busca pela felicidade, sua vontade férrea de progresso, em suma, seu auto-controle, sua realização pessoal.

Eu convivi por 10 dias numa Cuba muito complexa. Conheci escolas de interior, em que os jovens, me mostravam por entre suas inúmeras dificuldades, com muito orgulho seu material escolar, que eram livros feitos em copiadoras Gestettner, sim, daquelas antigas. Seus cadernos onde escrevem a lápis para poder apagar e voltar a usar as folhas. Seu laboratório muito simples. Seus alojamentos, com camas metálicas e colchões tão finos quanto nossos edredons(sim, eram escolas em que os jovens ficavam a semana toda "internados"), mas os vi sadios, sorridentes, orgulhosos. As meninas com seus sonhos de um mundo melhor, ficavam falizes em ganhar um baton (algo que não tem  direito)....

Já em Havana, vi crianças à porta do hotel, não a mendigar dinheiro, mas a pedir "caramelo"....

Vi jovens, adultos e idosos a vender rum, charutos escondidos da polícia, andei de "taxi" clandestino, dirigidos por homens que buscavam alguma renda para poder comprar algo além dos seus "ticketes" racionados de alimentação.

Vi no todo um país lindo, um povo educado, mas sofrido.

Para nós intelectuais, que vivemos num país onde ainda não se pode dizer que a democracia chegou com todo o vigor, mas que temos possibilidades de decidir o que queremos, onde queremos morar, onde queremos estudar, para onde queremos ir, é fácil usar deste laboratório chamado Cuba e dizer que é um modelo diferenciado e que de alguma maneira está dando mais certo do que a China, da antiga URSS.....

O problema é quando temos de viver as agruras desta vida e não somente divagar em letras sobre a mesma.

Um abraço.

Comentário de Ernane Everton soares da silva em 8 agosto 2011 às 18:46
Socialismo, contradições e perspectivas
Frei Betto *

O socialismo é estruturalmente mais justo que o capitalismo. Porém, em suas experiências reais não soube equacionar a questão da liberdade individual e corporativa. Cercado por nações e pressões capitalistas, o socialismo soviético cometeu o erro de abandonar o projeto originário de democracia proletária, baseado nos sovietes, para perpetuar a maldita herança da estrutura imperial czarista da Rússia, agora eufemisticamente denominada “centralismo democrático”.

Em países como a China é negada à nação a liberdade concedida ao capital. Ali o socialismo assumiu o caráter esdrúxulo de “capitalismo de Estado”, com todos os agravantes, como desigualdade social e bolsões de miséria e pobreza, superexploração do trabalho etc.

Não surpreende, pois, que o socialismo real tenha ruído na União Soviética, após 70 anos de vigência. O excessivo controle estatal criou situações paradoxais, como o pioneirismo dos russos na conquista do espaço. No entanto, não conseguiram oferecer à população bens de consumo elementares de qualidade, mercado varejista eficiente e uma pedagogia de formação dos propalados “homem e mulher novos”.
O socialismo caiu no engodo do capitalismo ao projetar o futuro da sociedade em termos de produção, distribuição e consumo. O objetivo dos dois sistemas se igualou, mudando apenas os meios: o primeiro, por força do estatismo; o segundo, a apropriação privada dos bens e do lucro.

O socialismo só se justifica, como sistema e proposta, na medida em que tem por objetivo, não o bom funcionamento da economia, e sim das relações humanas: a solidariedade, a cooperação, o respeito à dignidade do outro, o fim de discriminações e preconceitos, enfim, a prevalência dos bens infinitos sobre os bens finitos.

Nesse cenário, Cuba é uma exceção e um sinal de esperança. Trata-se de uma quádrupla ilha: geográfica, política (é o único país socialista da história do Ocidente), econômica (devido ao bloqueio imposto criminalmente pelo governo dos EUA) e órfã (com o fim da Guerra Fria e a queda do Muro de Berlim, em 1989, perdeu o apoio da extinta União Soviética).

O regime cubano é destaque no que concerne à justiça social. Prova disso é o fato de ocupar o 51º lugar no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) estabelecido pela ONU (o Brasil é o 70º) e não apresentar bolsões de miséria (embora haja pobreza) nem abrigar uma casta de ricos e privilegiados. Se há quem se lance no mar na esperança de uma vida melhor nos EUA, isso se deve às exigências, nada atrativas, de se viver num sistema de partilha. Viver em Cuba é como habitar um mosteiro: a comunidade tem precedência sobre a individualidade. E se exige considerável altruísmo.

Quanto à liberdade individual, jamais foi negada aos cidadãos, exceto quando representou ameaça à segurança da Revolução ou significou empreendimentos econômicos sem o devido controle estatal. É inegável que o regime cubano teve, ao longo de cinco décadas (a Revolução completou 50 anos, em 1º de janeiro deste ano), suas fases de sectarismo, tributárias de sua aproximação com a União Soviética.

Porém, jamais as denominações religiosas foram proibidas, os templos fechados, os sacerdotes e pastores perseguidos por razões de fé. A visita do papa João Paulo II à Ilha, em 1998, e sua apreciação positiva sobre as conquistas da Revolução, mormente nas áreas de saúde e educação, o comprovam.

No entanto, o sistema cubano dá sinais de que poderá equacionar melhor a questão de socialismo e liberdade através de mecanismos mais democráticos de participação popular no governo, de interação entre Estado e organizações de massa, maior rotatividade no poder, para que as críticas ao regime possam chegar às instâncias superiores sem serem confundidas com manifestações contrarrevolucionárias.

Sobretudo na área econômica, Cuba terá de repensar seu modelo, facilitando à população acesso à produção e consumo de bens que englobam desde o pão da padaria da esquina às parcerias de empresas de economia mista com investimentos estrangeiros.

No socialismo não se trata de falar em “liberdade de” e sim em “liberdade para”, de modo que esse direito inalienável do ser humano não ceda aos vícios capitalistas que permitem que a liberdade de um se amplie em detrimento da liberdade de outros. O princípio “a cada um, segundo suas necessidades; de cada um, segundo suas possibilidades” deve nortear a construção de um futuro socialista em que o projeto comunitário seja, de fato, a condição de realização e felicidade pessoal e familiar.

[Frei Betto é escritor, autor de "Diário de Fernando - nos cárceres da ditadura militar brasileira", que a editora Rocco faz chegar este mês às livrarias.
Copyright 2009 - FREI BETTO
Comentário de alexandre silva volk em 25 dezembro 2010 às 20:35
Eu sei que somos democráticos, por isto mesmo ajudo Cuba como posso amigo lá eles usam tudo e vendem material que mando por carta, selos usados e papel dobrado! somos 1 grupo de amigos em pró da história!
Comentário de alexandre silva volk em 22 outubro 2010 às 18:36
Ajudo Cuba e o mundo, escrevo para eles ok!Mas uso 1 lado da folha e assim eles podem usar folha para escrever e procuro mandar postais daqui podem usar ok para trocar fazer amizades!
Comentário de alexandre silva volk em 3 outubro 2010 às 19:54
Ok amigo se ofendi o Alcebiades ou alguém mais epeço desculpas aki pois o tema é Cuba e como o tema eé Cuba, vamos ajudar a debater e a salvar Cuba de 1 jeito democrático ok!
Assim como eu mando todo o ano 4 revistas naionais para cuba em troca de postais deles é um jeito de manter eles informados do Brasil todos podem fazer e vamos agir d forma democratica ok! Sem pedras nas mãos!
Comentário de Leonardo Stuepp em 3 outubro 2010 às 15:34
Olá Alexandre.
Estamos em um espaço democrático, onde as pessoas apresentam as suas idéias.
Precisamos ter o discernimento para separar aquilo que é construtivo, daquilo que é destrutivo. Mas, em primeiro lugar, sabermos respeitar o diferente, aquele que, por pensar diferente de nós, pensará sempre em tudo diferente, com certeza haverá algum ponto comum, ou que queira um mesmo resultado. Então, por gentileza, para que possamos conversar normalmente, não use de termos ofensivos, pois isto diminui o debate. Todos os radicalismos em si são prejudiciais à democracia, mas os debates entre os radicalismos, faz com que a sociedade caminhe na normalidade, pois cada corrente apresenta a sua proposta e assim todos podem ter contato com estas diferenças.
Sei que o debate político nos leva a em momentos perder a cabeça e o bom senso, mas que sempre entremos nele sem pedras nas mãos.
Um abraço.
Comentário de alexandre silva volk em 3 outubro 2010 às 15:22
Por favor Mariana se fiz este comentario me desculpe mas Cuba não cresce mais pois ainda etem embargo norte americano e muitos cubanos pedem revistas em troca d selos e postais de lá, ok! Idem os africanos mas eeu ajudo no que posso tenho amigos em cuba filatelistas e mando revistas ok!
Comentário de Leonardo Stuepp em 2 outubro 2010 às 11:49
A democracia pressupõe a liberdade de expressão, a opção da ideologia a que cada um mais se vê mais inclinado, mas em nenhum momento, prega a eliminação de qualquer grupo ou tendência, como fez o colega Alexandre, mas isto também foi apregoado pelo nosso presidente Lula, ou se referir à questão do DEM ter que desaparecer .....uma pregação destas, feita por um cidadão brasileiro, que chega a poucas pessoas como é o caso de Alexandre, que pode manifestar a sua opinião, mas devia se preocupar em entender o que significa a democracia, ainda pode ser desculpável, mas vinda da maior autoridade de um país, é imperdoável, pois ele chegou lá em função desta democracia, que permite a disputa de idéias e das diferentes cores ideológicas.
Um abraço democrático.
Comentário de Alcebíades de Lima Oliveira em 2 outubro 2010 às 11:37
Ele não respeita a racionalidade do povo brasileiro, ele que gosta de ditadura.
Comentário de alexandre silva volk em 22 setembro 2010 às 20:08
Amigo não tenho mas consegui em trabalho de escola, passei 1 bom tempo mandando estes selos comuns de cartas para eles, envelopes cheios deles bem como postais daqui! Recebi 2 postais de retorno me dizendo que eles vendem estes selos que mando lá e amam o Brasil!
 

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