Agudás, escravos brasileiros libertos, que retornaram à África.

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Agudás, escravos brasileiros libertos, que retornaram à África.

Agudás são comunidades de escravos libertos no Brasil (afro-brasileiros) e retornados ao Benim, África.

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Última atividade: 25 Mar

Agudás

Agudás são comunidades de escravos libertos no Brasil (afro-brasileiros) e retornados ao Benim, África. Numerosos, esses "brasileiros" estabeleceram-se na região da antiga costa dos Escravos; que abrangia todo o golfo de Benim, indo da atual cidade de Lagos, na Nigéria, até Acra, em Gana; entre os séculos XVIII e XIX. São designados em iorubá, fom ou mina os “parentes de Uidá”, ou seja, os beninenses que possuem sobrenome de origem portuguesa. Segundo Cunha (1985,p.189)1, na Nigéria do século passado todo os católicos eram igualmente chamados de agudás. A palavra vem, provavelmente da corruptela da palavra “ajuda”, nome português da cidade de “Uidá”, nome muito conhecido por causa do forte português de São João Baptista da Ajuda, construído no final do século XVII. (Guran,2000;p.15)2.
Milton Guran em seu livro Agudás : os “brasileiros” do Benin, (2000), resume: "Os “brasileiros” do Benim, Togo e Nigéria, também conhecidos como agudás, nas línguas locais, são descendentes dos antigos escravos do Brasil que retornaram à África durante o século XIX e dos comerciantes baianos lá estabelecidos nos séculos XVIII e XIX. Possuem nomes de família como Souza, Silva, Almeida, entre outros, festejam Nosso Senhor do Bonfim, dançam a burrinha, um folguedo anterior ao bumba-meu-boi, fazem desfiles de Carnaval e se reúnem freqüentemente em torno de uma feijoadá ou de um kousidou. Ainda hoje é comum os agudás mais velhos se cumprimentarem com um sonoro “Bom dia, como passou?” “Bem, ‘brigado’” é a resposta". Hoje em dia, em francês, a língua corrente no Benim atual, os agudás são chamados e chamam a si próprios simplesmente de "brésiliens", entre aspas quando por escrito.
Os agudás representam hoje por volta de 5% da população do Benim, e são reconhecidos sobretudo pelos sobrenomes de origem portuguesa e por alguns indicadores de identidade. Desempenha também um papel importante à família de Souza, descendentes diretos do baiano Francisco Félix de Souza, que foi vice-rei de Uidá, com o título de chachá e nessa qualidade exerceu o monopólio do tráfico negreiro no antigo reino do Daomé, na primeira metade do século XIX.
Pesquisa:

1 – CUNHA, Manuela Carneiro. Negros, estrangeiros – os escravos libertos e sua volta à África. São Paulo: Brasiliense. 1985.p.189.
2 – GURAN, Milton. Os Agudás, os brasileiros do Benim. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,2000. p.15.

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Comentário de Carlos em 24 outubro 2012 às 21:48

A alienação sistemática travestida de Educação que esta civilização nos impõe é muito útil para revigorar a nossa ignorância, perpetuar o nosso esquecimento e consolidar tudo o que os seus formuladores querem continuar a esconder.

Os Estados Unidos mandaram parte dos seus ex-escravos para a Libéria, a Inglaterra fez o mesmo, mas com destino diferente, na vizinha Serra Leoa; e nós facilitamos o regresso dos nossos para o Benin. Agudás.

Comentário de Francemberg Teixeira Reis em 16 abril 2012 às 19:33

Jessica,

Não foi a minha intenção falar qual "o melhor caminho" para tratar da religiosidade africana na sala de aula do ensino fundamental e/ou médio, mas, opinar academicamente, o fórum de discussão iniciado pelo Alex, que questionou a escassez de pesquisas que tratam sobre o retorno dos ex- escravos à África. Apontei a religiosidade como um caminho adequado, haja vista que esta expressa uma forte identidade entre aqueles que ficaram no Brasil  e os que retornaram à África, apontando similaridades entre os procedimentos ritualísticos, por exemplo.  Em relação à sua resposta - que se atém ao ensino nas escolas - concordo plenamente com vc. O estudo da religiosidade africana ainda se constitui um tabu, face ao histórico preconceito que passou esta religião ao longo dos séculos. Até mesmo na Bahia, estado onde vivo, é perceptível uma certa resistência em tratar diretamente do assunto na disciplina de história, mesmo apesar da lei nº 10.639 de 2008 que dispõe sobre o ensino de História da África; em muitos momentos falar em África e afrodescendentes se restringe apenas à algumas atividades realizadas na semana da Consciência Negra. Como novos professores precisamos mudar este quadro.

abraços

Comentário de jessica melissa lima borges em 16 abril 2012 às 15:39

Francemberg, eu discordo com sua pontuação de que a religiosidade venha ser o melhor caminho para abordar o assunto. Uma vez que é justamente o problema, nem todos os pais ao saberem que na escola ensinam a tão famosa " macumba" vão aceitar tão facilmente, as vezes o em falar em "cultura africana" causa preconceito e desconforto para aprofundar o tema. Acredito que o certo, e isso tem sido bastante discutido em minha faculdade, é primeiramente falar sobre a culinária, vestimentas para por ultimo quando os alunos entenderem que o fato de estarem aprendendo, não significa que terão que adotar o mesmo, e que a parte religiosa é um fator presente nessa cultura, logo a necessidade de abordala, ai sim entrar nesse assunto. Entrar no assunto religião africana logo de começo é um suicidio para o professor....

Comentário de Francemberg Teixeira Reis em 15 dezembro 2011 às 20:44

há um interessante documentário que trata dessa questão o nome é: Atlântico negro, na rota dos orixás. Infelizmente não conheço nenhum trabalho específico que discuta sobre isso. Acredito que para desenvolver uma pesquisa envolvendo esta temática, será indispensável estudar numa perspectiva culturalista, focando as reproduções culturais afrobrasileiras no continente africano no século XIX. A religiosidade, como já apontado abaixo por Maria Julia, será o principal caminho para alcançar tal objetivo. 

Comentário de Maria Julia Araujo de Oliveira em 3 maio 2011 às 19:50
Como adepta das religiões afro brasileiras tenho grande curiosidade em conhecer os costumes desse povo que retornou à Pátria Mãe.
Comentário de Cris Meinberg em 3 julho 2009 às 13:45
Como vivem os Agudás ? Existe algum histórico de que seus familiares retornaram ao Brasil ?
Comentário de Wilson Roberto de Souza Araujo em 20 junho 2009 às 12:47
Na faculdade a observancia do fato de que ex-escravos enriqueceram
com o tráfico negreiro gerou uma intensa polêmica, pois suscita a idéia
de que a escravidão serviu tambem aos interesses econômicos dos africanos, amenizando a responsabilidade dos povos europeus nesta
empreitada. Trabalhar isso em sala de aula exige uma abordagem di-
ferenciada para não acorermos em erros. Alguem teria um planejamento
de aula para trabalharmos este tema ?
 

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