Religiões e Mitos Celtas

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poemas rúnicos. Eddas. Mitos e lendas celtas.Docs antigos , tradução primária, simples, de acordo com original.

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Os Tuatha Dé Danann :


Ao buscar as origens dos Tuatha Dé Danann surge no meio do caminho um monte de relatos desencontrados que dão conta desde que eles vieram do céu, passando por situar sua morada em algum lugar ao ´´norte´´ até mencionam sua terra-natal como sendo nas ´´ilhas meridionais do mundo´´.A despeito de sua misteriosa origem o fato era que eles carregavam a fama de possuírem poderes mágicos, força descomunal e habilidades sobre-humanas que os equiparava a condição de divindades ao olhos das demais tribos, mesmo que ao final levassem um cotidiano tão comum como de qualquer outro ´´mortal´´.

Eram um povo que vagava sem rumo em busca de um novo lar capaz de reerguer em propriedade a gloria perdida de sua civilização ( destruída não se sabe bem como ) e capaz de resgatar em tal condição a honra de seus antepassados. Neste espírito os Tuatha Dé Danann chegaram ao que era conhecido como ´´fronteira do mundo´´ , talvez impulsionados para descobrir a derradeira morada do Sol e da Lua, aportando em um distante 01º de Maio nos litorais de Erin ( Irlanda )

Quando mal a busca pelo paraíso parecia terminada os Tuatha Dé Danann perceberam que aquelas terras tão benditas por eles eram ao final povoadas por uma outra tribo - os Fir Bolgs - e sem outra opção tiveram que pegar em armas para lutar pelo direito de ficarem ali. De fato depois de um batalha sangrenta ( conhecida como Batalha de Moytura Meridional ) os Tuatha Dé Danann sairam vitoriosos frente aos Fir Bolgs , porém, encontraram pela frente aqueles que iam se revelar seus piores inimigos : os Fomorianos.

Sim , por que apesar das terras serem ocupadas pelos Fir Bolgs os reais senhores senhores daqueles dominios era os Fomorianos e não tardaram em chegar ali cheios de disposição para tanto vingarem o mal sofrido por seus aliados quanto prontos para expulsar os invasores dananianos de Erin.

Ao mesmo tempo que o perigo de uma guerra se avizinhava no horizonte também os Tuatha Dé Danann passavam por sérios problemas ligados a buscar um sucessor ao Rei Nuada , amputado em sua mão direita por conta de ferimentos sofridos em combate contra o guerreiro Sreng dos Fir Bolgs e segundo as tradições impossibilitado em continuar o monarca daquele povo. Deste modo havia um grande risco dos Tuatha Dé Danann ficarem envolvidos numa disputa tola pelo poder, divididos por conta de discussões pela sucessão e pior sem nenhuma liderança de porte capaz de prepara-los a tempo para enfrentar um inimigo feroz que estava para chegar !!

Reunidos em um conselho tribal logo de cara os dananianos constataram a gravidade da situação bem como também verificaram que não era possível superar rapidamente as divergencias a respeito da sucessão do Rei Nuada, sendo o impasse só quebrado graças a sábia sugestão de Dagma ( regente por tantos anos daquele povo antes de passar o poder para o jovem guerreiro Nuada ) onde o velho rei esboçou como sendo melhor solução o seguinte plano :

- Seria enviado um emissário dananiano até ao encontro dos inimigos da tribo com a proposta de ofertar a mão em casamento de Brigith ( filha de Dagma ) para o fomoriano Bress ( filho do Rei Elethan ) , onde como dote figuraria o direito dele ser o mais novo dos Tuatha Dé Danann !!

Com isso não só foi conseguido selar a paz entre os Fomorianos e Tuatha Dé Danann e fazendo prováveis inimigos virarem grandes aliados como também rendeu um ponto final nas disputas entre dananianos para ser o sucessor do Rei Nuada

Da paz até a guerra


Tudo corria bem nos primeiros tempos de regência de Bress como rei dos Tuatha Dé Danann , demonstrando também ser ele um bom esposo para Brigith ao ponto de faze-la declamar exaltando em prosa e verso seu amor pelo marido em intermináveis canções. Não tardou tamanha paixão demonstrada entre Brigith e Bress gerar ao final um esperado filho como fruto de uma união que apesar de nascida às sombras de uma acordo político terminou com tempo em constituir em um verdadeira história de amor.

Infelizmente, sem negar suas origens, o rei fomoriano acabou com o passar do tempo se revelando um tirano que apenas estava interessado em retirar toda riqueza de seus súditos a partir da cobrança de altos tributos e pesadas exigências que faziam seu povo trabalhar sem cessar, o que gerou bem rapidamente o descontentamento entre os Tuatha Dé Danann e ao mesmo tempo alimentou a expectativa de que ele iria em breve honrar a solene promessa de abdicar ao trono pelo fato que o acordo dizia só ser possível manter Bress no poder caso houvesse consentimento expresso por parte dos dananianos.

Não demorou para os Tuatha Dé Danann se rebelarem e retirarem sem maiores problemas Bress do trono, recolocando Nuada em seu lugar que agora tinha condições pela tradição a voltar a ser rei dos dananianos em virtude de seu membro amputado ter sido milagrosamente recuperado na função graças a arte de cura e inventividade de Diancecht que construiu para ele uma prótese em prata que fazia as vezes de uma mão com perfeição.

Derrotado não restou alternativa a Bress do retornar sozinho a Lochlann ( terra-natal dos fomorianos ) e falar com seu pai , o Rei Elethan, a respeito do acontecido e pedir ajuda para reconquistar seu trono das mãos dos Tuatha Dé Danann. Prontamente o Rei Elethan reuniu todos os guerreiros e chefes fomorianos para formar um grande exército para atacar os dananianos , destruir o Reino de Tara ,fazendo quem sobrevivesse de escravo e por fim retornar ao controle de Erin ( Irlanda ) .

Enquanto os Fomorianos se preparavam oara guerra os Tuatha Dé Danann estavam em festa comemorando a abdicação de Bress e a volta ao trono de Nuada como rei dos dananianos até que as celebrações foram interrompidas pela chegada de um forastreiro que vinha trajado com roupas suntuosas e anunciou para todos que quisessem e pudessem entender a desgraça que estava por vir .

Este forasteiro era Lugh, um entre tantos que tinha em seu corpo tanto sangue fomoriano quanto dananiano. Aliás, a grande batalha que estava para ser travada foi marcada por difíceis escolhas para aqueles que como logo eram fruto carnal da união de casais dos dois povos já que tinham de optar por qual dos lados iriam se aliar para pegar em armas contra o outro. Como efeito ao final ironicamente a guerra entre Fomorianos e Tuatha Dé Danann acabou sendo uma carnificina entre parentes !!

Preparando-se para a guerra



A guerra apesar de esperada não veio de imediato, mesmo até ao final daquele ano em que Bress tinha sido deposto os Fomorianos enviaram seus emissários a Tara para cobrar o pagamento de tributos aos dananianos. Ocorre que os Tuatha Dé Danann encararam este fato como um gesto de grande ofensa o que resultou na morte quase imediata dos coletores de impostos por parte da população mal quando chegaram , deixando propositalmente apenas um vivo a título de poder retornar a Lochlann para contar o acontecido e dar o recado que eram os dananianos um povo livre onde dali em diante a ilha de Erin seria para eles a base de seus domínios.

Muito provavelmente tudo não passou de um ardil bem arquitetado pelo rei Elethan - pai de Bress - para assim conseguir o argumento definitivo que faltava para convencer os reis Tethra, Indech e outros tantas lideranças fomorianas no sentido de darem apoio para realizarem um ataque devastador contra os Tuatha Dé Danann e recuperarem para si o controle da ilha de Erin.

Declarada formalmente a guerra houve o envio de emissários de cada parte para acertarem os detalhes das batalhas que iriam ocorrer , definindo o local onde se desenvolveriam os combates e entrando mesmo em acordo de quanto tempo seria necessário para serem feitos os preparativos de forma que uma uma ´´guerra justa´´ sucedesse entre os Fomorianos e Tuatha Dé Danann. Tudo no melhor estilo de embate cavaleiresco em que mais do que vencer era de suma importancia fazer tal coisa com honra e dignidade, onde cada lado demonstraria seu valor tanto como guerreiro quanto de homem.

Ao final , como veremos, ´´as boas maneiras´´ foram deixadas de lado tanto por Fomorianos quanto os Tuatha Dé Danann e no lugar o que se viu foi o equivalente céltico na sua mitologia de um ´´Armagedon ´´ em que poucos restaram de pé e quase tudo foi destruído. De toda maneira entre este cenário apocalíptico e a declaração de guerra se passou praticamente um ano , o tempo de ´´espera´´que foi celebrado entre as lideranças dos dois povos, finalizando o prazo derradeiro justamente num dia de Samhain ( 31 de Outubro )


Batalha de Moytura Setentrional


Quando os primeiros raios do sol de uma manhã de céu nublado despontavam no horizonte bem mais do que o anuncio da chegada de um novo dia era revelado, podendo ser visto ao longe entre as brumas o mar coberto de navios até onde a visão podia alcançar.

Em pouco tempo, tal como uma gigantesca onda que quebra na praia, sucedeu um tão silencioso quanto rápido desembarque das tropas vindas destes navios que com igual prontidão seguiram sem deter o passo em direção a Tara, a capital do reino dos Tuatha Dé Danann na ilha de Erin . Eram os Fomorianos que estavam chegando cerca de 03 dias antes do prazo celebrado para ocorrerem as batalhas.

Bress seguia à frente deste gigantesco exército , montado em um corcel negro e ostentando uma armadura de ossos onde se via um crânio servir-lhe de elmo e uma enorme espada sendo erguida em punho pela mão esquerda.. Atrás dele guerreiros armados até os dentes com feições furiosas com os rosto todo coberto de breu, seguiam bem de perto à pé , marchando em um só ritmo compassado.

Contam as lendas que se seguiram a esta batalha que a marca dos fomorianos levantou tamanha poeira que chegou ao ponto do sol ficar ocultado com o dia virando noite, vindo o chão a ceder em rachaduras como ocorresse um terremoto. Ao longe parecia que uma enorme serpente negra tinha saído do mar e se arrastava em direção a Tara para varre-la do mapa.

Os primeiros combates, porém, se darem umas poucas léguas dos portões de Tara. Ironicamente bem próximo onde tempos antes tinham os dananianos lutado contra os Fir Bolgs e tomado Erin de seus domínios, a saber em Connaught só que na planície de Moytura Setentrional. - Fazendo mesmo esta guerra ser reconhecida como ´´Batalha de Moytura Setentrional´´

Logo no primeiro combate os Fomorianos foram vitoriosos, face sua superioridade numérica a um grupo de meros batedores que ali estava para fazer vigilância e guarda nas cercanias de Tara para justamente evitar um ataque surpresa ao coração do reino dananianos. Apesar de vencidos, o som dos combates foi suficiente para alertar os Tuatha Dé Danann e desperta-los de sono em tempo suficiente para ficarem preparados para chegada das tropas fomorianas.

O que se viu a seguir foi uma violência nunca vista, com lanças, espadas e escudos batendo com tanta força que pareciam soar como o estrondo de trovões que podiam ser ouvidos bem ao longe, reluzindo o aço à luz do Sol com tamanha força que gerava uma aparência espectral assustadora aos guerreiros, sem falar que as lutas eram travadas com tamanho contato físico que as mãos , cabeças e pés daqueles de cada lado estavam tocando as as mãos , cabeças e pés daqueles do outro lado formando uma massa quase homogênea de carne.

Contam que o chão ficou encharcado de sangue ao ponto de ficar difícil de manter-se em pé, com os corpos mutilados e mortos dos guerreiros amontoado em pequenas pilhas grandes o suficiente para bloquear o curso dos rios mais próximos ao campo de batalha e trazendo um cheiro horrível que atraia toda sorte de animal carniceiro, ratos e corvos com que os feridos tinham de lutar para evitar mesmo de serem devorados vivos.

Com o custo de muitas vida ao final de tudo saem vitoriosos os Tuatha Dé Danann , expulsando de vez os Fomorianos para nunca mais voltares e com uma cena épica espetacular de Morrigan proclamando vitória gritando do cume das montanhas mais altas da Irlanda. Entretanto,a alegria que se fez durou pouco, pois ela teve uma visão profética na qual previa o fim iminente da era divina dos Tuatha Dé Danann e o inicio de um tempo de miséria sem fim com mulheres sem pudor, homens sem força, velhos sem a sabedoria da idade e jovens sem respeito pelas tradições. Um era de injustiça, líderes cruéis, traição e sem nenhuma virtude! Esta era a chegada da Era dos Homens, do nosso mundo.
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Comentário de Priscilla Ribeiro Maciel Chacon em 17 maio 2012 às 11:23

Bom dia, eu estou fazendo graduação em história e estou em duvida de qual tema envolvendo a religião celtica eu pretendo abordar na minha manografia, eu queria trabalhar com os costumes celtas mas o meu orientador me falou para especificar enter simbologia ou então a sociedade religiosa celtica, gostaria de saber qual dos temas seria mais facil encontrar material para poder me decidir, os dois temas são muito bons, mas queria dar uma pesquisada pra saber qual seria melhor pra mim, e se alguém tiver alguma ideia de outro tema relacionado a religião ou mitologia celta, também ficaria grata. Se alguem tiver como me dar uma dica ficarei grata.

Comentário de Julia Cristina Ramos Lopes em 18 janeiro 2010 às 21:52
Os Celtas exercem fáscinio, particularmente acho muito interessante a forma como a mulher exercia seu papel nesta sociedade, diferentemente das mulheres gregas, que como cantou Chico Buarque " mulheres de Atenas vivem para seus maridos, orgulho e raça de Atenas, quando fustigadas não choram, se ajoelham, imploram"...
As mulheres na sociedade celta ocupavam um lugar vinculado á toda força e fecundidade da mãe terra, e diferentemente da gregas, podiam inclusive guerrear juntamente com os homens.
Tatuei aos 38 anos um símbolo Celta no pescoço, Triskle. que representa o universo feminino céltico, as fases da vida feminina, muitas vezes meus alunos questionam-me sobre o siginficado deste símbolo, aproveito para explicar justamente o que acabei de descrever acima.
Comentário de Wagner Ferraz em 28 dezembro 2009 às 16:38
Mas se observarmos a história com um olhar mais atento, oderiamos dizer que os romanos copiaram - literalmente - muitas das ideias celtas. Inclusive o uso de moedas de ouro - ou outros metais - que já eram usadas pelos Celtas antes dos romanos começarem sua fabricação. E lógico, muitos povos celtas foram assassinados pelos romanos, pois estes estavam atras de riquezas, e em grande parte do territorio celta haviam grandes minas de ouro.
Comentário de gloria azevedo em 20 novembro 2008 às 16:15

NAVIO DE GOCKSTAD
Comentário de Ricardo Martins em 9 novembro 2008 às 15:06
Estavam os Celtas mais perto da entealidade do que os romanos ? ambos chegaram ao patamar do Olimpo ou Valhala, ambos se quedaram e construiram o seu panteão religioso aqui. A matéria venceu, no entanto, ainda hoje, de modo imperceptivel, a entealidade está presente em muitos espiritos, como nós que encetamos a viagem para além do Olimpo. "Esses romanos são todos loucos", como podia esquecer... necessitamos é da poção mágica, sempre dava uma ajuda nos tempos que correm. Esta informação é rica e importante para não cortar os laços com o passado, continua publicando porque é interessante. Um abraço minha amiga.
Comentário de gloria azevedo em 9 novembro 2008 às 14:39
vejam o blog, os poemas rúnicos noruegues, islands e anglo-saxões estão nos blogs. São bem interessantes
Comentário de gloria azevedo em 9 novembro 2008 às 14:37
realmente, Ricardo. Vc gosta de Asterix e Obelix? "esses romanos são todos loucos"...adoro esses livros. Aqui fazem muito sucesso no pessoal mais velho, da hora, como se diz.
Mas o mais importante dos celtas, não sei se notou já, as lendas e mitos mostram a atuação enteálica tb, as lutas fora da matéria, claro que misturadas com o terreno : a memória perde-se no tempo...nos tempos talvez...mas o LIVRO DE JUIZO FINAL, de roselis von sass, conta algumas dessas histórias, nem tudo se perdeu, de certo ! temos que garimpar !
Comentário de Ricardo Martins em 9 novembro 2008 às 8:45
Os Celtas povoam o nosso imaginário. Nunca foram um povo unificado, viviam em tribos independentes umas das outras, mas tinham em comum a cultura, a religião e os mesmos hábitos. Na idade do ferro migraram para a Europa meridional e ocidental, como muitos outros povos vindos da europa de leste e mais além, perde-se na memória do tempo. Graças aos romanos conhecemos melhor este povo e graças á muralha de Adriano a sua identidade não foi perdida ou absorvida como se passou na Ibéria e na Gália. Por isso a Irlanda guarda a tradição celta como sua. Como muitos outros povos que povoaram, ou pela força ou por assimilação, a Europa Ocidental, principalmente a Ibéria, o seu legado cultural e histórico perde-se nesta miscigenação de raças e culturas. É dificil nestas circunstâncias estabelecer parâmetros de descendências, mesmo porque a escrita e os registos não eram muito frequentes. Roma não só deixou um legado cultural seu como também transmitiu o legado cultural dos povos com quem contactou.
Comentário de Ricardo Martins em 6 novembro 2008 às 14:52
Uma história que, infelizmente, se repete na História da Humanidade.
Poder, tirania, brutalidade... moldam os sentimentos mais nobres, sufocando-os e adulterando o comportamento.
Comentário de gloria azevedo em 30 outubro 2008 às 15:49
Peço que colaborem com bibliografias se possível originais
 

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