Você concorda que sejam instaladas câmeras dentro de salas de aula?

Seria essa medida uma invasão de privacidade ou um controle cada vez mais necessário?

Tags: educação, escola

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Hmmm, que pergunta polêmica, hein Leal. Olha, em uma análise "foucaultiana" (nem sei se escreve assim), a câmera seria um instrumento de vigilância e controle, o que não deixa de ser verdade. Por outro lado, o ambiente em sala de aula tem se tornado insustentável diante de atos de indisciplina muitas vezes mascarados sob o jugo do transtorno de atenção.

Acredito que o problema da disciplina (por si só um termo autoritário) não seja apenas dos professores, mas deve ser cuidado também pela direção da escola. Sem ela não há aula ou aprendizado, e não há purismo e conselho tutelar que mude isso.

Mas voltando à pergunta: concordo. Acho que poderia ser uma forma de não só verificar comportamento e desempenho dos alunos, como não menos importante, a atuação do professor em sala de aula.
Olá, Michel!

É uma questão polêmica mesmo. Não é fácil de responder um "sim" ou um "não". Com uma câmera instalada dentro de sala de aula, o aluno perde privacidade, pode desenvolver algum tipo de neurose, pode se sentir mais tímido (participando menos das aulas), pode ainda se sentir vigiado o tempo todo sem saber ao certo para que serve.

Por outro lado, alguns casos de indisciplina poderiam diminuir, bem como práticas de bullying e violência, especialmente aquela contra o professor. Aliás, será que uma câmera deixaria o professor mais protegido? Talvez...

Portanto, acho que "sim", mas com uma ponderação: se analisar caso e caso ou ainda um estudo sobre os possíveis impactos nos alunos e docentes.
Além disso, câmeras poderiam inibir atitudes antipedagógicas, como excesso de palavrões e panfletagem por parte dos professores. Não me agrada a ideia do professor ter sua aula como indevassável.
Oi, Bruna!

Legal! Você, então, pode trazer uma experiência riquíssima para o nosso debate. Você conversa com outros professores? O que eles acham das câmeras?

Eu também acho que, no fundo, os estudantes não ligam muito. Mas acho que todo cuidado é pouco. E lendo o que você escreveu, pensei em uma coisa: e se essas imagens pudessem servir como instrumento pedagógico, por exemplo, o professor conversar com a turma sobre as imagens?

Fica a provocação... =)
Se fosse por conta dos minguados recursos públicos na educação, diria para priorizar outros equipamentos de uso mais direto por parte do professor e alunos. Mas se o orçamento permite, acredito que sim, cãmeras na sala de aula e na escola, inclusive acessíveis pela internet(acesso restrito aos pais e funcionários do conselho tutelar por exemplo), são uma forma de transparência. Os professores podem destacar desde o início o porquê do uso das câmeras nas salas de aula e corredores, além do fato que também eles estão sendo vigiados na sua conduta.

Acho que neurose e uma eventual timidez podem ser melhor tratadas pela escola, do que práticas de humilhação e discriminatórias entre alunos.
Não. Ao invés de câmeras os professores precisam de bons recursos áudio-visuais e do respeito às exigências legais no que tange a espaço físico, quantidade de aluno por professor e o empenho da família no processo educar. O resto, o profissional garante. Tenho certeza!
O milagre tecnológico tem fortalecido um pragmatismo frio que embota a nossa criatividade e reduz, face aos problemas, o nosso campo de visão, outrora panorâmico. Lidar diretamente com as vicissitudes da interação com o meio e com o outro sempre nos foi tão enriquecedor! Foi esse histórico confronto que nos fez evoluir até o atual patamar, nos forçando a criar diversas vias de acesso; alargando nossos horizontes; nos possibilitando a socialização das nossas habilidades.
Foram muitos os esforços para estabelecer essa intimidade com o outro. Viver socialmente nunca foi fácil, mas até aqui temos superado os desafios. o segredo está no olhar: olhar o outro em sua totalidade, considerando-o em seus aspectos sócio-histórico e cultural, sem ignorar suas peculiaridades.
As exigências e apelos do contexto capitalista a tudo imediatiza sobrepondo o valor da lógica e do tempo real, apresentando perigo à nossa tão natural criatividade, podendo comprometer e até atrofiar a nossa potencialidade sócio-interativa.
Tal procedimento constituiria caso de violação de direito individual e eu, que não sou professora, descarto essa possibilidade, no entanto, professores, alunos e a comunidade que abriga a escola devem ser consultados. A decisão de instalar câmeras nas salas de aula sem acordo prévio entre as partes pode gerar pedido de indenização, inclusive.
Devemos usufruir de forma equilibrada das benesses da tecnologia sem permitir retrocessos. Deus me livre de tamanho controle! Esse papél cabe ao profesor e aos alunos.

Luciana Lima
Na mesma linha que a Acadêmica de Serviço Social Luciana lima Cerqueira - a onda da bobagem coletiva que reproduz os realitys ... agora ,só faltava essa... e quem ganhará 1 milhão ???, com certeza , o professor não... mui pelo contrário... dizem os mais velhos que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco... imagine quantas pessoas ingressarão na justiça objetivando um tipo de reparação por uma expressão, ou brincadeira isolada de um professor ou pq. soltou àquele palavrão num dia em que a turma não estava nem aí... mas, um aluno se sentiu humilhado... ou o diretor utilizar isso , a fita, pra demiti-lo com "justa causa" num colégio privado qualquer... Da mesma forma , o professor poderá questionar juridicamente, afinal de contas conforme indica em bons ventos A Declaração Universal dos Direitos Humanos em seu artigo 12, dispõe:

“Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques”.
Curiosamente, vi agora a noite uma reportagem sobre uma professora no Rio de Janeiro, que sofreu ameaçaas de alunos dentro de sala de aula, que dentre tantos outros profissionais em situações semelhantes, desenvolveu síndrome do pânico. Acho escolas que em escolas onde alunos e professores já vivem um cotidiano de violência, se câmeras na sala de aula podem inibir esse tipo de prática, devem ser adotadas. Nesse locais acho que isso não é um controle exacerbado, pois o controle já foi perdido. É sim uma tentativa de retomar algum controle para você poder nos olhos do aluno sem que este esteja propenso a retribuir com um soco na sua cara.

Além disso, fico pensando no quanto falamos em como as câmeras são nocivas ou fúteis, mas e o profissional que está sendo humilhado e perseguido dentro da sala de aula, fica como? Panoptismo funciona nas ruas da cidade e já está nas salas de aula faz tempo, antes mesmo das câmeras de tv. E funciona, se não inibe a prática de assaltos completamente, facilita identificar o agressor. Acho que professores em ambientes de ensino notoriamente violentos precisam dessa segurança. Filosofar enquanto colegas de classe estão quase apanhando em salas de aula pelo país me parece muito leviano.

Ao mesmo tempo, vivo o contexto de uma escola rural, e defender câmeras na sala é um paradoxo, já que mal consegui encontrar livros didáticos pra todos os 60 alunos de todos as séries. Computadores pra uso educativo até existiam, mas na última semana que estive lá, deram defeito devido ao calor. E seme perguntassem eu compraria um datashow e uma tela retrátil em vez de cãmeras de segurança. Mas tem lugares que precisam desse tipo de medida, infelizmente.
Tito, acho que cada caso é um caso. Fosse assim, todo o profissional que trabalha sob vigilância de câmeras seria demitido, o que não acontece. Quanto ao artigo 12, até onde eu sei, escola não é vida privada. Além disso, deve haver um mecanismo legal para que as gravações não ultrapassem os muros da escola sem permissão da direção.

A DUDH sempre tem textos maravilhos, dignos de citação. A verdade é que na prática não ocorre bem assim. E os atos de agressão ou disciplina incontida em sala de aula? E os casos de professores que utilizam a sala de aula para fazer panfletagem política ou ideológica? Como resolver esta situação, sem apelar para belos textos que, em alguns casos, não tem fundamento?
A fundamentação é vasta, prezado Professor,Prezado Professor, quando enfoquei o artigo 12 desejei expressar em termos internacionais e nacionais , na doutrina jurídica o assunto é mais técnico-teórico que prático propriamente dito– o que se expõe como direito à própria imagem vem intimamente ligado à vida privada, à
intimidade, tanto que previsto no mesmo dispositivo constitucional. A imagem, a intimidade e a vida privada são direitos que se interrelacionam,
CF 1988 do Brasil:parágrafo X, do art. 5º, assim como é tratado na Constituição de outros países como a espanhola. Desejei expressar ao que na Alemanha se chama GEHEIMSPHARE ou VERTRAULICHCEITSPHARE ou diritto allá riservatezza dos italianos.
Juristas italianos e alemães engendraram a teoria das esferas e círculos
concêntricos da vida privada, conforme os interesses fundamentais que venham prevalecer. Mas, como a discussão não é jurídica nem quero desviar a discussão ou ser acusado por tal façanha no assunto dos direitos de personalidade, no presente caso sou contra por tais motivos... e nada mais... e o CAFÉ preza por visões multidisciplinares no caso de uma Assistente Social ou de um Advogado chato , rsrsrs.
Ola Bruno, depois longo tempo. A camera pode servir para algumas finalidades!!. Depende como será utilizada o material. Hoje, vemos apenas a repressão. Os debates colocados são materias que vem de fora do país. Os problemas tem caracteristicas semelhantes com raizes diferentes. A privacidade deixa de ser primeira quando existe muitas falhas no comportameto em sala de aula. E isto não só da parte do aluno mas de muitos "dito" professores. A participação e registro favorece variadas partes, principalmente o desenvolvimento da educação brasileira.
Eu nem acompanho o debate das câmeras nas salas de aula lá fora, só sei que aqui no Brasil existem lugares onde elas fariam a diferença, devido á violência.

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