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Pode um mito tornar-se tão grande a ponto de transformar-se numa religião?

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Respostas a este tópico

como aponta mircea eliade, todas as religiões são desdobramentos de mitos, ou seja, de narrativas sagradas de origem.

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Rubens,

Sendo então a religião um desdobramento de narrativas sagradas de origem, o que leva o ser humano a "sistematizar", ou seja, transformar o mito numa religião?

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não sei se o binômio mito-rito pode ser nitidamente separado da expressão religiosa, como se fossem coisas distintas.

para eliade as religiões definem-se pela oposição sagrado-profano, e o que caracteriza o sagrado é seu valor de origem & centro de todas as coisas. assim, sendo o mito essencialmente uma narração das origens, e sendo o rito uma atualização do mito, eles constituiriam o próprio núcleo das religiões.

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isto é, mito & rito seriam, em si, a religião em seu aspecto essencial.

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Entendendo então a religião como uma doutrina sistemática que pode ter suas origens nos mitos e ritos, e, imaginando aquelas pessoas que formam a cúpula desta "nova" religião, estariam estes homens, nesta passagem do mito para a religião, se desvinculando da espiritualidade para a materialidade?

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não necessariamente - a maior parte das religiões não opõe matéria & espírito, imanência & transcendência - além disso, em algumas culturas a relação direta com o sagrado é socialmente descentralizada, difusa, e não monopólio de uma casta ou classe social.

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A religião é a organização de mitos 'n'.
É assim em todas elas. O bom disso é que qualquer religião antiga guarda muito da história de vários povos.
Por que elas são como a sociedade: maleável a mudanças;
É clichêr citar a cristã(com todos os seus desdobramentos e vertentes) como exemplo disso.

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ABRAÇO PARTIDO

Ariel (Daniel Hendler) é um jovem de vinte e poucos anos, que largou a faculdade e ainda vive às custas da mãe (Adriana Aizemberg). Sua vida gira basicamente em torno de dois locais: a loja de lingeries de sua mãe e o cybercafe local, onde costuma encontrar sua namorada.

Ariel sempre estranhou o fato de nem sua mãe nem seu irmão falarem sobre seu pai, que nos anos 70 partiu para lutar na Guerra do Yom Kippur, em Israel, e nunca mais retornou. Com a crise econômica instalada na Argentina, que força o fechamento de várias lojas tradicionais no bairro onde está a loja de sua mãe, os amigos de Ariel sonham em conseguir a cidadania européia e partir do país em busca de emprego. Ariel também tem este sonho, mas cada vez mais alimenta o desejo de conhecer seu pai e também a verdade sobre seu afastamento da família.

"El Abrazo Partido", filme argentino de 2004 fez bastante sucesso aqui no Brasil. No fundo, sua trama gira em torno de Ariel, que não consegue aceitar o fato do pai tê-lo abandonado para ir lutar na guerra do Yom-Kippur. Essa rejeição à figura paterna também fica explícita no pouco conhecimento que Ariel tem do judaísmo. Face à crise que se abate sobre a economia de seu país, Ariel decide batalhar pelo passaporte polonês (seus avós eram poloneses) e, dessa forma, ter a possibilidade de entrar na Europa e viver com um seguro-desemprego.

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