Relações Internacionais - Envolvimento do Brasil no caso Zelaya marca ruptura com política externa do passado?

Desde o início da participação brasileira no Hati, o Itamaraty parece estar rompendo com uma política externa que historicamente sempre optou pela não intervenção na geopolítica internacional. O caso envolvendo o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, é mais uma evidência dessa ruptura com o passado ou não?

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O governo brasileiro quer mostrar uma posição de potência de maior peso no cenário internacional, mas creio que está fazendo um papel mais patético. Os brasileiros que vivem em Honduras já começam a receber represálias devido a postura do governo Lula em intervir no caso Zelaya que outros países como EUA e Argentina dissem também defender a legitimidade do presidente deposto, mas não deram até agora a cara a tapa como o nosso governo fez. Da mesma forma o Brasil aceitar fazer empréstimos ao FMI, ao passo que já ameaça aumentar a carga tributária para suprir seus deficits. E tantos outros pontos que o governo brasileiro tem sido ridicularizado sem se perceber, senão vejamos Evo Morales, Fernado Lugo, o caso das importações de lixo, etc.
Será que essa não intervenção é real? Afinal, o Brasil está já há alguns anos com soldados fazendo parte da força de paz no Haiti, como você cita, e antes disso, na década de 1950, também enviou soldados para a força de paz na faixa de Gaza, o chamado Batalhão de Suez. Sem contar a participação brasileira nas duas guerras mundiais (ainda que na primeira tenha sido mais simbólica, enviando médicos e não soldados para a Europa).
A cultura do golpe estabelecido na América Latina ( América do Sul,inclusive, com ingredientes da Operação Condor...) sempre foi vista ao longo de duas décadas (regime militar) como uma necessidade lógica na proteção do país (e das Nações co-irmãs) contra o mal daquele tempo (O "TEMIDO" C O M U N I S M O)... assim a falta de uma visão própria da Diplomacia brasileira (sempre alinhada aos interesses de outros países , nem preciso falar E.U.A - o que é facilmente constatado por águas quentes da Guerra Fria e antes de ser criticado (por colegas de site QUE NÃO AMAM os COMUNISTAS E CUBA INCLUSIVE - CHEGANDO A SER repetitivos NAS EXPRESSÕES UTILIZADAS digo que no caso particular foi sim o E.U.A no caso brasileiro ... em outros países a perversa influência negativa foi da URSS e seu poderio ideológico-militar também em assuntos internacionais por conta do mesmo domínio - portanto, nobres SEM RÓTULOS por favor, dizer uma palavra fora de moda (?!) assim o DOMINIO IMPERIALISTA seguia-se ao que ditavam na cartilha ideológica de um ou de outro... Particularmente, de uns tempos para cá , pós NOVA REPÚBLICA , a Diplomacia capitaneada por Sérgio Vieira de Mello num primeiro momento de independência de pensamento (e após sua morte - ATENTADO no IRAQUE ) figuras outras seguiram nessa mesma linha até a voz de algum tempo da época de Itamar Franco com o centrado CELSO AMORIM que vem marcando presença e fazendo valer uma nova linha de raciocínio político em governos sucessivos no Brasil. O caso envolvendo o presidente deposto de Honduras inaugura um perigoso precedente para nós que já sofremos com golpes - na tentativa de barrar super poderes constitucionais (ao estilo PODER moderador que já tivemos instituído por Dom Pedro I OU AO ESTILO VENEZUELANO, como queiram) parte do Congresso ,setores da igreja e porção da população civil liderados por militares nacionalistas - conseguiram afastar com ares de legalidade (vez que apoiados pelo Judiciário) e depuseram o presidente DEMOCRATICAMENTE ELEITO. O Brasil merece tomar uma postura de liderança vez que o que pode estar por trás disso é o medo não mais ao COMUNISMO mas uma nova onda ideológica de iguais proporções o MEDO DE CHAVES (CHAVISMO) E PODE HAVER INTERESSES OUTROS ´PAÍSES GRANDES EM PATROCINAR GOLPES NESTE ESTILO E RETROCEDER NOVAMENTE NOSSA DEMOCRACIA TÃO CALEJADA. NESSA ESCALADA DO NOVO GOLPE INSTITUÍDO O BRASIL PODE SER O PRÓXIMO...SERÁ?
RESPONDENDO OBJETIVAMENTE AO TÓPICO , portanto, NÃO É UMA RUPTURA COM O PASSADO É A CONTINUIDADE DOS RECENTES GOVERNOS BRASILEIROS, INCLUSIVE COM OS MESMOS NOMES.
Toda regra admite exceções e isto se aplica também aquela política externa brasileira de não intervenção nos assuntos internos de outros estados. Já quando o general Oviedo tentou derrubar o presidente paraguaio de então, o na época Presidente FHC já adotara retaliações econômicas contra o pequeno país. E estava correto, ao menos nesta vez.
Aliás, a causa de preservação da democracia formal nos países sul-americanos deve ser abraçada pelos doze estados do subcontinente. Senão aquela naufragará aqui ou ali.
Desta vez o Itamarati praticamente quebrou uma lança neste torneio (rs). Talvez até exagerou. Mas isto se explica pelo recuo norte-americano em suas relações internacionais, bem expresso pelo Presidente Obama. Com o mesmo, países como o Brasil podem se adiantar e entrar na liça com armadura e lança de torneio (rs). Nada belicista, pois Honduras é um pobre e desarmado estado centro-americano.
Eu pessoalmente preferia que fosse o México que fizesse isto, por todas as razões naturais que o ligam a Honduras. De qualquer forma, Lula gosta e cultiva os holofotes da mídia internacional. Por isto e tudo o mais que eu já disse assumiu a posição de campeão neste torneio do istmo centro-americano.
Acho, que logo isto terá solução, pois Honduras não tem condições econômicas de manter o país ou parte dele indefinidamente em estado de sitio, pois senão ele afundará na insolvência.
Zelaya é uma figura humana bem curiosa, com seu chapéu panamá e o rosto parecido com o de um apresentador de televisão brasileiro, mas por ora representa a causa da manutenção da democracia formal no pequeno país. Ao qual, eu particularmente desejo melhor sorte no futuro.

João
No campo das relações internacionais, é preciso ter cuidado com as especulações e com o lugar comum dos discursos estereotipados. Não se pode falar, por exemplo, em alinhamento automático do Itamaraty com os Estados Unidos. Este discurso não se sustenta. Ao longo de todo o século XX, o Brasil oscilou entre um paradigma norte-americano e um paradigma anti-americano. No início de nossa política externa, por exemplo, a tônica do Barão do Rio Branco foi o alinhamento com os americanos. Anos depois, nos anos sessenta, com Afonso Arinos e San Tiago Dantas, assumimos uma visão mais pragmática no cenário internacional, diversificando nossas relações. A idéia era deixar de refletir interesses que eram puramente os interesses de Washington. Durante o governo militar, o Brasil oscilou. Isso é algo admitido por todas as vertentes das Relações Internacionais hoje.

Em relação ao caso Zelaya, tudo parece indicar que se trata de uma ruptura do Itamaraty. Pelos menos nos últimos vinte anos, o Brasil manteve-se distante de episódios de intervenção na comunidade internacional. Basta dizer que o Uruguai possui mais missões militares internacionais do que o Brasil. No governo Lula, isso começa a mudar. A Política Externa começa a ser pensada ao lado da Política de Defesa brasileira. A missão de paz no Haiti é uma ruptura, a ajuda a Zelaya parece outra, ainda que seja totalmente diferente de uma intervenção militar internacional. Mas de qualquer maneira, trata-se de um caso de intervenção no estrangeiro.
Porém, o que o povo brasileiro ganha realmente com isso? Ainda quando vermos que o governo não mostra a mesma determinação com relação a outros problemas que poderiam interessar ao povo, como um fortalecimento economico por meio do Mercosul que hoje é espaço mais de discussões do que de entendimentos, até mesmo pela falta de uma liderança à altura de tal tarefa.

Ótimas contribuições. Vamos ver se o fórum dá uma animada, embora as coisas no Haiti estejam fora da grande mídia. Alguém tem algum canal alternativo para acompanhar a situação naquele país?

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