Ao contrário do que muitos pensam, o escravo na fazenda de café era bem tratado e alimentado pois sem o seu braço forte a fazenda parava, e a convivência entre brancos e negros era pacifica. O trabalho nas lavouras de café começava e ia ate as dez horas, ai vinha o almoço feijão cozido com toucinho e farinha, repousavam uma hora e em algumas fazendas concediam algum tempo para o cachimbo. No período vespertino a maioria dos escravos iam paras as roças de milho, arroz, feijão etc, e em algumas fazendas os senhores dividiam os lucros dessas roças com seus escravos, era uma forma de salário a famosa roça de meia. O jantar era das quatorze às quinze horas, arroz feijão carne de porco e angu, não voltavam ao trabalho senão depois de estirada sesta e a noite a ceia canjica e arroz encerrava o dia de trabalho. Os escravos casados também moravam na senzala, que era dividida em quartos, os instrumentos de tortura eram por imposição do Império obrigatórios nas fazendas fundadas por concessão de sesmaria, os escravos sabiam disso e apesar de não serem usados estavam lá, visíveis como sentinelas para intimidar e aterrorizar.
Permalink Responder até Emannuel Reichert em 22 março 2012 at 17:02
Qual a fonte dessas informações?
Permalink Responder até Hélio Sérgio Ferreira Teixeira em 22 março 2012 at 19:07
As informações foram colhidas no livro - os sertões de leste de Celso Falabella de Figueiredo e Castro - e também no diário do feitor da fazenda dos Alpes que pertenceu a Francisco de Assis Monteiro Breves o Barão do Louriçal e da monumental fazenda Louriçal formada por quatro sesmarias tinha 140 mil pés de café e 228 escravos, fundada em 1817 por Francisco Leite Ribeiro e também nos arquivos das fazendas ouro fino, união, pau grande, conceição, cachoeirinha, fortaleza, palmeiras, São Luiz, barra, mutuca etc, todas no município de Mar de Espanha MG.
Permalink Responder até Emannuel Reichert em 22 março 2012 at 21:15
Caro Hélio,
Agradeço os esclarecimentos.
Vou adiantar desde já que não é essa a minha área, mas resolvi me meter para animar um pouco a discussão. É frustrante fazer uma colaboração que você considera importante e não ver ninguém responder. :-)
Bem, como o seu acervo de fontes parece bem formado, a dúvida seguinte seria até que ponto se pode generalizar isso. Afinal, relatos de tratamentos horríveis dados aos escravos, fugas de escravos, formação de quilombos, a força posterior do movimento abolicionista, tudo indica que ser escravo tinha lá suas desvantagens, para dizer o mínimo.
E sabemos que hoje, apesar de os trabalhadores continuarem sendo o que move as empresas, acontecem abusos a todo momento, mesmo quando isso não faz muito sentido econômico a longo prazo. Em qualquer regime, o pensamento imediatista e o poder sobre as pessoas promovem uma certa exploração.
Enfim, estou supondo que você não queira dizer que a escravidão em geral era uma festa. O que teria acontecido aí, então? Uma administração mais esclarecida? Tratamento melhor dado aos escravos quando o tráfico negreiro ficou mais difícil? Seria um lugar pouco povoado em que a fuga era fácil, e era preciso fazer algumas concessões para não esvaziar a senzala?
Permalink Responder até Hélio Sérgio Ferreira Teixeira em 23 março 2012 at 7:25
Caro Emannuel,
Obrigado pela gentileza dos comentários, é curioso e incomum o tratamento dado aos escravos na maioria das fazendas de café no município de Mar de Espanha MG. Os fazendeiros mais atentos perceberam que com o mal trato e os castigos os escravos se revoltavam, ocorrendo desordem e fugas e em consequência disso um grande prejuízo. Os brancos eram minoria e qualquer tentativa de fuga dos escravos era bem sucedida, então foi preciso fazer grandes concessões para manter em funcionamento o Horror da escravidão.
Permalink Responder até Emannuel Reichert em 23 março 2012 at 1:30
Obviamente a escravidão era nociva, mas estou presumindo que o post original tenha sido de boa-fé e baseado em um pouco de senso crítico diante das fontes. Não é impossível que a fazenda que ele estudou tenha sido melhor que a média, alguns exageros à parte - e se fosse o caso, seria algo merecedor de análise.
Ou temos por aqui apologistas da escravidão, além de negacionistas do Holocausto e sabe-se lá mais que maluquices?
Permalink Responder até Hélio Sérgio Ferreira Teixeira em 23 março 2012 at 7:47
Olá Atemisson,
Obrigado pelo comentário, a minha afirmativa do incomum tratamento dado aos escravos, é verídico e ocorrido na maioria das fazendas de café no município de Mar de Espanha MG. Lá ainda existem descendentes dos escravos, a D. Carmelita que esta lúcida aos 105 anos é filha legitima do escravo Camilo da Silva Oliveira, ele foi escravo de João do Valle no Engenho Novo distrito de Mar de Espanha MG, um dos raros registros da nossa história.
Permalink Responder até Dhamarys Xavier B. Teixeira em 19 abril 2012 at 16:35
Os senhores sempre temeram seus cativos, temiam que se rebelassem e fugissem das fazendas e também serem mortos por eles. Os feiticeiros e benzedores, escravos que assumiam papeis importantes nas manifestações religiosas, eram ouvidos e respeitados até pelos senhores. Talvez seja por isso que grandes concessões foram feitas, por conveniência e não por bondade.
Permalink Responder até Bruno Leal em 8 março 2013 at 10:17
Boa colaboração, Dhamarys!
Permalink Responder até José Geraldo Gouvêa em 26 fevereiro 2013 at 9:28
Bem, eu concordo que o escravo era bem tratado e bem alimentado, pelos exatos motivos que você apresentou. Maus tratos e má alimentação seriam característica de senhores excepcionalmente sádicos, mas eles existiam. O que não consigo concordar é que a convivência fosse "pacífica". Não se pode chamar de "paz" a um convívio entre senhor e escravo, um convívio baseado na submissão dos segundos aos primeiros, com obediência estrita de horários. Não se deve pintar um quadro idílico da escravidão baseado na falta de conflitos ou na relativa bonomia de alguns senhores. Se ser escravo fosse tão bom, não seria preciso trazer o negro da África a laço.
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
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