Qual o papel do professor em relação aos fatos recentes da História do pais? (vide texto)

Vejamos alguns fatos:
1 -Sarney, o veterano de fala mansa e conversa agradável, não teve mais condições de eleger a filha Roseana ao governo do Maranhão e levou um suadouro de uma delegada negra e estreante nas eleições no Amapá. Enfraquecido em seus três feudos -o Maranhão, o Amapá e o Senado-, vai se agarrar desesperadamente a Lula, ao preço da aliança formal do PMDB com Dilma.

2 -Quem poderia imaginar, alguns anos atrás, presenciar o hoje senador Fernando Collor (PTB-AL), ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendendo o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Collor, que atacou Sarney e Lula para se eleger presidente, hoje faz parte da tropa de choque dos dois.

Como o professor pode ajudar seus alunos a entenderem fatos recentes para que não ocorram no futuro situações como as citadas acima?

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Respostas a este tópico

Em minha opinião todo professor tem que ter uma análise de conjuntura atualizada para tratar de assuntos atuais. Falar sobre Sarney parece fácil, basta ser contra. É simples? Não, porque a política é complexa, por isto é necessário uma análise que se coloque além das aparencias. Pode parecer a algum desavisado que estaria defendendo o homem do bigode mas ao contrario precisamos analisar uma política de alianças e seus objetivos antes de mandar alguém para a fogueira. Um exemplo concreto desta semana? Marina Silva, senadora que acabou de sair do PT em parte devido à posição de sustentação ao Sarney. Para onde ela vai? Para o PV, partido do deputado federal Sarney Filho, a continuação da oligarquia familiar aqui no Maranhão. Aos maranhenses que conseguiram na eleição passada destronar à família em uma aliança extremamente ampla compete novamente derrota-los na próxima eleição. E mesmo assim o povo daqui deu uma votação enorme ao Lula que era apoiado pela filha do Sarney e que foi derrotada e só retornou por conta de um TSE faccioso Sou carioca e moro no Maranhão desde 94 e no interior do estado desde 99, onde estudo e trabalho.
Renato sua participação é fundamental, não só pela eloquência mas também pela situação de morador deste estado que é berço eleitoral dos principais protagonista da pouca vergonha que vem ocorrendo. Concordo com você quando diz que o professor tem que está sempre atualizado com os fatos políticos, ai vamos de encontro de um assunto interessante, fatos atuais são de importância para a historiografia ? ao meu ver sim, são eles que realmente colocam em laboratório tudo o que pesquisamos do passado, se fossemos um povo preocupado com o passado não teriamos eleito o ex-presidente Collor a senador, acredito que é papel do professor de história orientar o caminho de visão política de seus alunos principalmente os de ensino médio, claro que com o maximo de imparcialidade possivel e sempre com bom senso.
O professor é um mestre, e é visto com respeito por seus alunos, que pasam a admirá-lo por sua postura de educador e formador de opinião; no meu ver não apenas o professor de história , mais toda a classe de professores, tem a responsábilidade de orientar seus alunos , para a conjuntura politica e suas facetas ; e o professor de história tem aí a possibilidade de retratar o Brasil e sua trajetória politica desde de sua criação, dismistificando o mito de que não somos um país sério; retratar a historia, conta-la de forma a traçar paradigmas com os fatos atuais, e buscar a compreenção desses fatos , trazendo novas opiniões e buscando traçar uma nova identidade para os futuros eleitores ou mesmo para aqueles que ja votam; tendo o desenho da democracia formatado na sociedade a se formar, podendo-se a partir daí criar uma expectativa nova em relação ao sistema de governo do país, seus governantes e os rumos de um país mais justo, celere na busca do crescimento, tendo a participação do sujeito da história : O POVO!!!....
Creio que na questão do papel do professor de história na atualidade há a possibilidade de se estender para a questão mais geral que envolve a praxis do intelectual.
No Brasil durante a ditadura, o intelectual era aquela figura que não apenas ensinava e fazia pesquisa, como também tinha por obrigação moral o envolvimento politico-partidário na causa revolucionária. Isso era tão forte, um elemento imprescindível nos jugalmentos cotidianos e na avaliação da repultação e da competencia do professor-intelectual, que aqueles que não participavam, que não tinham a prática, simplesmente eram tidos e havidos como alienados, e seus trabalhos, descartados.
Hoje não há mais essa cobrança. Por isso, creio que podemos avaliar o trabalho do professor a partir de um certo distanciamento analitico. Veja que muitos professores da USP, a Marilena Chauí por exemplo, durante o governo de FHC o chamava de traidor e tudo o mais. No começo do governo Lula, se tinha como liquido e certo um encontro místico entre os ideais, o ensino e a história. O PT no poder era considerado o fechamento da idéia do progresso historico por conta dos compromissos do partido com a ética e os pobres. Porem, tudo deu "errado". As coisas não andaram como se acreditava. E aí?
Na ressaca do abril despedaçado do PT, o professor de história deve fazer a avaliação da realidade política buscando um certo ditanciamente analitico. Ele pode e deve ter as suas preferencias ideológicas e políticas, porem não se pode mais fazer a analise dos fatos históricos depender do tipo de crença política que o professor defende. Há que separar questões valorativas das analises histórico-cientificas da realidade. A história, certamente, é feita com a paixão. Sem paixão também não pode haver um bom ensino. Mas paixão aqui é diferente de defesa aguerrida de um ideário. Hoje sabemos que as ideologias são fortes e importantes para guiar os atores históricos, porem as ideologias, via de regra, dificultam um olhar mais sóbrio dos fatos. A paixão agora deve significar a obsessão pela verdade e a imparcialidade do julgamernto histórico. Ideal dificil de ser alcançado, mas desejável e necessário.
Prezado Rogério Torres de Medeiros , saudações democráticas...

Vários são os estudos sobre o mito da neutralidade científica ... impossível ficarmos , enquanto Professores... Advogados... Magistrados... Historiadores alheios a nossa própria concepção... O universo das idéias e ideais é mesmo fascinante ... interessante para um grupo de alunos é saber qual perspectiva de mundo político esperam quando chegarem a idade do voto , ou seja, quando maduros estiverem eleitoralmente falando... Didaticamente, faria eu , uma representação do que seria o senado em tom bem humorado , deixando para cada grupo de estudantes formarem o seu próprio conceito... após breve apresentação dos grupos de alunos ... aí sim o professor pode NORTEAR a sua opinião, abordar o assunto como Ciência e com certeza INFLUENCIAR alguns a pensarem com o seu ponto de vista (O QUE É FEITO INSTANTÂNEAMENTE E NATURALMENTE)... esse é o papel do Educador (QUER QUEIRAMOS OU NÃO - SOMOS FORMADORES DE OPINIÃO) ... Quem sabe uma peça teatral (com Sarney em evidência E SEU BIGODE TRADICIONAL ...) seria um ponto a considerar e integrar numa eventual apresentação À família do aluno e AJUDAR na FORMAÇÃO política dos próprios pais, PROFESSORES POR EXCELÊNCIA 24 horas ... se tiver oportunidade assim farei objetivamente , na prática do magistério ou do grupo de ensino ou teatro OU NO TRIBUNAL , TENHO DITO.
Salve meu querido.

Excelente ideia de aula, com toda certeza ajudaria muito no entendimento dos fatos atuais, e claro levantaria o interesse da turma e atenção...
precisamos de aulas desta forma aonde o professor demonstre está vivo em sala, não aqueles zumbis que estão espalhados por ai, que não demonstram interesse algum em discutir junto com os alunos os fatos recentes da vida política do pais, acho que é nossa obrigação.
Penso que a primeira discussão que o professor deve levar para dentro de sala de aula é a problematização da função social da história. É preciso lembrar aos seus alunos que a memória não garante a repetição de um evento. Isso é fundamental para que se entenda que a história não é algo redentor. Ela pode servir de reflexão crítica, mas para se evitar no futuro erros passados é preciso ações práticas e mobilização social. Em outras palavras, lembrar não evita novos crimes.

Em segundo lugar, o professor deve procurar explicar episódios como o de Sarney não do ponto de vista individual, particularista, mas como fenômenos profundamente associados ao desenvolvimento histórico do Brasil.

Por último, em minha opinião, quando se discute tais temas em sala de aula é fundamental que o professor discuta conceitos como cidadania, comunidade e, sobretudo, política. O aluno não pode pensar que o universo político é sinônimo de corrupção e desesperança.
Concordo com a problematização da função social da história... e dos conceitos como cidadania , comunidade e política (propriamente dita)... mas, em termos práticos acho interessante uma apresentação de grupo sobre o assunto abordado (sites como CAFÉ HISTÓRIA, recortes de jornais ... opinião de outros profissionais...CARICATURAS DO SARNEY E SEU BIGODE... devem municiar o ambiente do tema da aula - O HUMOR É MARCA REGISTRADA DA GAROTADA... lembre-se de nós anos atrás e até hoje... adoro ironizar para provocar o debate). Quanto ao aluno não poder pensar que o universo político é sinônimo de corrupção e desesperança SOU RADICALMENTE CONTRA TAL POSTURA DE ESCONDER O ÓBVIO , OU SEJA, ATRAVÉS DOS ATOS DE CORRUPÇÃO E DESESPERANÇA (QUASE SEMPRE OU SEMPRE) PLANTADOS POR DIRIGENTES POLÍTICOS É QUE O ESPÍRITO DE QUERER MUDAR (PRÓPRIO DOS JOVENS ) DEVE AFLORAR COM AJUDA DO PROFESSOR , É CLARO. A CORRUPÇÃO PARECE UMA MARCA CRUEL DA DEMOCRACIA BRASILEIRA (EM PARTICULAR) E A DESESPERANÇA ESTÁ RETRATADA NO DIA A DIA DOS ALUNOS (MUITOS DOS QUAIS VÃO ATÉ A ESCOLA PARA TER O QUE COMER) SABEMOS O PORQUÊ ... ENFOCANDO TAMBÉM A DESESPERANÇA E A CORRUPÇÃO ENCONTRAREMOS A REAÇÃO DO PODER JUVENIL PARA MUDANÇA, tenho certeza. Só eles são capazes de criar novos conceitos para a política brasileira e a democracia.
Talvez pudesse, Bruno. A corrupção é uma marca da natureza humana. Os alunos devem saber disso. Aliás, nós professores de história já devíamos estar carecas diante do fato de que à aprendizagem da história se faz nos estertores do horror. O que me incomodo no ensino atual é o historiador aceitar ser o professor água com açúcar. Tá tudo ficando adocicado. Mas, a vida não é doce, nem é só sorriso.
Falta sim conversar em aula sobre o papel da cidadania. O papel da fiscalização e do poder do cidadão diante do Estado. Mas, precisamente isso vai pelo ralo diante da força dos petistas nos sindicatos de professores.
Temo que à medida em que o estado aumenta a pecúnia, nós professores caímos de quatro na possibilidade de finalmente financiar o carro zero. A lição da história contemporânea é sobre o progresso, e não mais sobre as escolhas políticas a respeito do sumo bem. E o progresso, muito mais do que o sumo bem, é sedutor. Não há uma única palavra sobre a riqueza na escola. O Brasil está ficando rico e a gente apenas abana a cabeça. Mas, não é ao historiador que cabe perguntar sobre o que fazemos com a dinheirama que parece brotar em todos os cantos, e que não sabemos se e quais os custos ambientais e humanos para tal?
Max Weber dizia que a democracia não sobrevive apenas num ambiente de direitos, é preciso haver a contrapartida dos deveres, e são os deveres cívicos que hoje caem pelo ralo. Estamos a cada dia mais dependentes das verbas do Estado. Cadê a dignidade de fazer as coisas pela própria conta e risco?
Como ser cidadão? Como manter ativada a aprendizagem da cidadania? Na escola isso se perde, apesar dos bravos combatentes lutar contra.
A sua resposta realmente me fez pensar, em partes tem muito sentido sim, sou contra qualquer tendência ideológica, aqui neste sitio por diversas vezes debati contra o marxismo obrigatorio das universidades e teorias que sufocam, deixando somente uma visão historica, mas não consigo enxergar a sociedade de hoje como a que vc citou no inicio de sua resposta, se estivéssemos desta forma não aceitariamos calados as coisas como estão, o povo brasileiro vive na inercia, nada faz em relação a pouca vergonha que está na política, acredito que deve ser papel do professor passar de forma eficiente todo o conteudo, mas também deve formar individuos criticos e enganjados nos problemas da sociedade, não digo marionetes ideolóicas de partidos e teorias políticas, mas compromissados com a vida social.
Concordo com vc. José Paulo da Silva Costa Junior, a escravização ideológica leva ao fanatismo e por derivação a bitolação... por vezes, em nosso discurso expresso e verbal , inclusive, podemos sem perceber tornarmos fanáticos seres ... sem ao menos perceber ... talvez levado pela nossa "pureza utópica" ou conveniência do ofício ... afinal de contas, não somos robôs para sermos programados com softwares anti-ideologias... e digo as de esquerda ou de direita (se é que esses conceitos ainda se apliquem por aqui no Brasil... como falaste certo... o que era o antes e depois de alguns partidos e de algumas personagens... ). Acredito que seja impossível ao professor de história não falar de política e mostrar o seu conteúdo com clareza. Não há mal algum em ser militante e ser professor (não que eu seja... NÃO TENHO SEQUER PARTIDO POLÍTICO... POR ISSO FALO COM MAIS FRANQUEZA , ACREDITO EU) justamente por não entender as alianças que unem pensamentos tão opostos (opostos será mesmo???)... assim como vc. falou estamos , nós, formados nesse ambiente QUE FOMOS VÍTIMAS do período Ditadura militar ... temos nossos conceitos, desejos e tudo mais... acho que essa experiência nossa de anos atrás é que fortalece o conteúdo em transferência, com realidade, sonho e competência ... uma cousa não tem nada com outra... a doutrinação ideológica sempre ocorreu SIM (cabe a nós, enquanto EDUCADORES ou não ... separarmos o que é melhor para nós ... uma decisão subjetiva... caso o contrário estabeleceremos, SEM QUERER QUERENDO um regime totalitário DE UMA IDÉIA SÓ. cONCORDO QUE JÁ ESTAMOS TODOS CONTAMINADOS POR IDEOLOGIAS A OU B - POR ISSO ACREDITO QUE SÓ OS JOVENS PODEM CRIAR MECANISMOS PARA DECIDIREM O QUE É BOM OU RUIM ... E MELHORAREM O PAÍS, A POLÍTICA E NOSSO IDEOLÓGICO DISCURSO, INCLUSIVE O SEU CARO AMIGO, NAUM ACHA?
Como professor uso a seguinte estratégia. Por exemplo, quando o tema é a ditadura, eu passo algum filme ou documentário; escolho algumas musicas de época e depois faço uma ampla esplanação analitica sobre o período, buscando enfocar as linhas de abordagem que defenderam o golpe e as criticas e contestações. Para finalizar, eu monto um grande tribunal com os alunos de várias turmas e procedo ao que eu costumo chamar de o julgamento da história. Aqui todos têm o direito e dever de defender uma posição, ninguém pode ficar imparcial. Ai o bicho pega, o pau quebra. O meu objetivo em ala de aula é sempre buscar ensinar aos alunos fazerem a distinção entre a paixão na história e a analise racional. Nem sempre estas duas coisas andam juntas. É como na vida, as vezes nós sabemos que algo está errado, um certo comportamento, mas mesmo assim insistimos em defendê-lo. Ocorre o mesmo na história.
Esta estratégia tem apresentado excelentes resultados. Pois, depois de os alunos serem informados sobre os vários aspectos e pontos de vista dos fatos históricos, eles estão aptos a fazerem as suas escolhas ideológicas.
Obviamente, nem todos os períodos históricos são sedudores como os períodos revolucionários e de golpes. Agora a ditadura de 64 é realmente um momento ímpar e se o professor souber explorar ele pode obter em troca um grande envolvimento dos alunos.
Um abração a todos

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