seus famíliares se calaram,a imprensa se calou,o povo ficou sem força.

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a verdade nunca veio a tona.os gafanhotos nâo têem Rei, porém marcham enfilheirados.
Diverticulite aguda.
Essa reportagem aconteceu no Fantástico de domingo no dia 17, de abril 2005.
Guardei o arquivo, pois achei interessante.
No site quem desejar encontrará a reprise do programa.
Abraços, Pedro.

A verdade sobre a morte de Tancredo

A verdade sobre um drama que paralisou o país e que teve um desfecho há exatamente 20 anos - no final da noite do domingo, 21 de abril de 1985. Data da morte do presidente eleito Tancredo de Almeida Neves.

Faltam 12 horas, só um meio-dia. Amanhã cedo, um civil assume a presidência do Brasil e põe fim a 21 anos de regime militar. Mas o homem que representa a redemocratização do país não está bem. É levado às pressas para um hospital de Brasília, e entra num labirinto de tratamentos do qual nunca mais vai sair.

Tancredo de Almeida Neves foi vereador, deputado, governador de Minas Gerais. Preso pelo Estado Novo, chega a ministro do próprio Getúlio Vargas. Quando Jânio Quadros renuncia, os militares não querem dar posse ao vice-presidente.

O eterno conciliador costura um acordo. João Goulart assume, mas não manda. O poder fica com o próprio Tancredo, no papel de primeiro-ministro. Durante o regime militar de 64, Tancredo se alinha à oposição, mas mantém a confiança dos quartéis.

“O doutor Tancredo já tinha sido tudo. Ora, o que faltava? Ser presidente da República. Ele dizia e repetia, política é destino. Eu acho, sim, que ele sonhou com a presidência da República cada dia dos seus 51 anos de sua vida pública”, comenta o historiador Ronaldo Costa Couto.

O projeto tem que esperar. Na década de 80 o país vai às ruas: quer eleições diretas para presidente. Tancredo discursa, conversa, faz alianças. Mas vê o sonho das Diretas Já ser derrotado no Congresso.

"Tem uma coisa importante: Tancredo começa a fazer essa costura política muito antes das Diretas Já. Talvez no início do governo Geisel ele já esteja pensando em como aglutinar forças da oposição e do governo, para tentar negociar o caminho de uma transição do regime militar”, explica a historiadora Heloísa Starling.

O caminho passava por território inimigo: o Colégio Eleitoral. A disputa é com o representante do regime militar: Paulo Maluf.

Tancredo faz mais um acordo. Aliado ao ex-presidente do partido do governo, vence por 300 votos. Eleito, viaja pelo país e pelo mundo. Volta a Brasília para montar o gabinete, mas é apanhado pela doença que insiste em esconder.

No dia 12 de março, o médico do presidente, Renault de Matos, é chamado e percebe a gravidade do caso. “Quando toquei no abdômen, ele reagiu. Quando fui tocar outra vez, mais profundamente, ele já não deixou que eu colocasse a mão, de tanta dor que ele sentia”, conta Matos.

No dia seguinte, o cirurgião Pinheiro da Rocha examina o presidente, e se assusta. Agora, 20 anos depois, o médico revela os bastidores daquela consulta: “Quando eu cheguei, eu fiquei estarrecido, com toda a sinceridade. E disse: ‘Presidente, o senhor está com um quadro de extrema gravidade. O senhor deveria sair daqui direto para um hospital.”

“Tancredo disse: ‘Antes da posse, nada de cirurgia. Renault, toma cuidado, me dá antibióticos, trata de mim, que eu quero tomar posse. Depois da posse no Congresso, que é a posse oficial, a posse legítima, eu vou para o hospital com vocês”, conta Reanult.

“Posso lhe dizer uma expressão, posso pronunciar: eu estava realmente desesperado. Se tivéssemos aqui uma Bíblia, eu juraria com as minhas mãos sobre a Bíblia”, conta Pinheiro da Rocha.

Mas, afinal, por quê Tancredo Neves, um homem esclarecido, se recusa terminantemente a vir para um hospital e a receber tratamento adequado? O que faz o presidente eleito do Brasil ter tanto medo de adiar a própria posse?

“Ele havia recebido a informação, de fonte em quem confiava, de que o general Figueiredo não daria posse ao seu vice-presidente, o vice de Tancredo: José Sarney”, explica Costa Couto.

Mas não era só isso. “Tancredo sempre trabalhou com os riscos de setores mais radicais das Forças Armadas, minoritários certamente, que poderiam, de alguma forma, encontrar algum pretexto para um retrocesso”, ressalta o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, neto de Tancredo.

Tancredo deixa a saúde para depois, mas ela corta o caminho do presidente. Bem na véspera da posse, depois de uma missa na Igreja Dom Bosco.

“Voltamos à Granja do Riacho Fundo e ali, tomando um lanche, por volta das 20h, na véspera da posse, ele se sente mal, vai se deitar e, nessa hora, eu começo a procurar os médicos”, recorda Aécio Neves.

O clínico e o cirurgião chegam à Granja do Riacho Fundo. Convencem Tancredo a ir ao hospital, com o pretexto de fazer novos exames.

Em pouco tempo, a notícia de que Tancredo Neves está internado no Hospital de Base, o maior hospital público de Brasília, se espalha pela capital federal que, a esta altura, está tomada por visitantes que vieram para a festa da posse do dia seguinte.

A segurança do hospital até tenta impedir, mas não consegue. Num instante, uma multidão de autoridades, políticos e curiosos invade estes corredores. A confusão é tamanha que a própria equipe do hospital é afetada, e leva o presidente Tancredo para o c centro cirúrgico errado, na hora da operação. Isso obriga o presidente eleito da República a circular pelos corredores do Hospital de Base em uma maca, coberto por um lençol.

“Eu levei um susto, porque, do quarto ao elevador, era um mundaréu de gente. Era um circo! Aí eu espantei. Disse: ‘Mas como?’ Ele só me pediu o seguinte: ‘Meu filho, ponha o lençol no meu rosto, me cubra!’ E eu fiz isso, pus o lençol no rosto dele. Tinha uma pessoa que ainda quase tentou, queria levantar o lençol! Não tinha segurança. Era eu, o médico e o presidente da República na maca! E, em um canto, um gemendo, baleado, sangrando nos corredores, uma coisa que parecia o Inferno de Dante”, conta Tancredo Augusto Neves, filho de Tancredo.

Quando Tancredo chega à sala certa, o lugar está lotado. “Na sala cirúrgica, onde estava tudo isolado, tinha outro circo. Políticos paramentados com roupa de médico para assistir à operação”, diz Tancredo Augusto. “Não há quem tenha pesquisado o assunto que registre menos de 30 pessoas no ambiente cirúrgico, na primeira cirurgia”, complementa o historiador Costa Couto.

Do lado de fora, a confusão não é menor. Começa uma onda de boletins médicos desencontrados. “O presidente eleito Tancredo Neves acaba de entrar na sala de cirurgia. Repito: o presidente eleito Tancredo Neves acaba de entrar na sala de cirurgia do Hospital de Base de Brasília, para ser operado de apendicite aguda”, informou o repórter Sérgio Motta Melo, em 15 de março de 1985.

O diagnóstico oficial logo muda. A nova versão é trazida pelo secretário particular do presidente, o neto de Tancredo. “O diagnóstico é divertículo de Beckel, (na realidade, divertículo de Meckel) sem o menor problema. O presidente passa bem. A cirurgia foi um êxito e o Brasil pode suspirar aliviado. O presidente Tancredo Neves deve tomar posse amanhã na presidência do Brasil", afirmou Aécio Neves, na época.

Não é o que acontece. Quem toma posse na manhã do dia 15 é o vice-presidente José Sarney. Mesmo assim, há otimismo. Naquela noite, a primeira-dama, Dona Risoleta Neves, vai ao jantar de inauguração da nova república. “A presença dela neste ambiente de confraternização demonstrava as boas condições de saúde do doutor Tancredo”, informou o repórter Pedro Rogério, na época. A verdade é outra. O presidente tem um tumor, um leiomioma benigno, mas infectado.

Agora, 20 anos depois, o patologista Élcio Mizziara admite que escondeu o diagnóstico: “Eu, disse: ‘Eu posso fazer uma coisa, que contraria o código de ética médica. Mas, considerando a situação atual, com o medo de que nós não tenhamos a posse do presidente... Porque se for divulgado que ele tem um tumor, e não importa naquele momento se é um tumor benigno ou maligno, basta dizer para o público que é um tumor, então vão dizer que o homem está com câncer, e ele vai morrer. Então eu faço o seguinte: eu faço um outro laudo. Esse outro laudo eu faço um laudo igualzinho a esse, só que, ao invés de eu colocar: leiomioma infectado etc. e tal, eu vou colocar diverticulite aguda perfurada.’”

“Eu acho que os médicos também fizeram uma leitura política. Até por serem de Brasília, eles perceberam a bomba atômica que era a não posse do doutor Tancredo. Acabou gerando um desgastante e desnecessário jogo de insegurança, de suspeição, e abriu caminho para as lendas: o tiro, o envenenamento, esse monte de lendas”, observa Antônio Brito, ex-porta-voz de Tancredo.

“Essa minha atitude não causaria, como não causou, dolo ao paciente, porque o cirurgião sabia, ao clínico, porque o clínico sabia do diagnóstico, à família, porque a família sabia do diagnóstico, e ao porta-voz, o representante do presidente da República, que sabia do diagnóstico”, afirma Mizziara.

A retirada do tumor não cura o presidente. Os intestinos não funcionam, os pulmões preocupam. Os médicos não se entendem.

“Ele está com complicações respiratórias. Isso significa pneumonia”, afirmou Renault Matos, em 17 de março de 1985. “Não há pneumonia no presidente. Fizemos um controle hematológico do presidente, agora de tarde, e o hemograma do presidente, a esta altura, é um hemograma praticamente normal”, aifmrou Pinheiro da Rocha, também em 17 de março de 1985.

Médicos de São Paulo e de Minas Gerais são chamados. Vem uma segunda cirurgia: o intestino é desobstruído. Um novo especialista vai para frente das câmeras, e insiste no tomo otimista.

“Eu creio que dentro de 7, 8 dias ele poderá deixar o hospital. O senhor presidente tancredo neves, tem condições físicas, no meu entender, e psicológicas, para assumir este mandato e, se quiser, mais outro”, afirmou o médico Henrique Valter Piniotti, em entrevista ao jornal Bom Dia Brasil, da TV Globo, em 20 de março de 1985.

A melhora do paciente anima os médicos. Uma sessão de fotos mostra o presidente ao país. Mas, em poucas horas, uma nova complicação vai exigir a transferência para São Paulo e selar o destino de Tancredo.

“Ele (Tancredo) teve uma hemorragia grave, em uma noite, por um processo infeccioso intestinal pós-cirúrgico que liberou uma artéria no intestino. Começou a sangrar. Ele teve uma hemorragia de quase três litros”, conta o anestesista Rui Vaz Gomide do Amaral.

“Eu vim sentado no avião, no chão do avião, sem cinto, sem nada. Ele (Tancredo) na maca e eu espremendo o sangue. Eu ficava com a bolsa de sangue, espremendo a bolsa de sangue. Porque ele tomou três litros só na viagem”, recorda o médico Polara.

É a primeira vez que estes médicos se reúnem desde que Tancredo Neves cruzou suas vidas. São 11 especialistas, que cuidaram do presidente durante os 27 dias em que ele ficou no Instituto do Coração, em São Paulo. E eles afirmam: desde a primeira internação, em Brasília, o presidente tinha poucas chances de sobreviver.

“Talvez nunca ninguém tenha revelado: o Tancredo já estava doente há mais de um ano”, revela o infectologista David Uip.

“Eu conversei muito com a Dona Risoleta e eu sabia. Ele tinha crises de bacteremia, que são bactérias circulantes, que levam a tremores, pois a temperatura sobe. E ele tinha isso e ele se automedicava”, conta o doutor Rui Vaz.

“Ele (Tancredo) tomava seis medicamentos, por conta dos calafrios e da bacteremia. Há mais de um ano ele vinha tomando, sempre sob a supervisão do balconista da Farmácia de São João Del Rey.”, afirma o farmacêutico George Washington Cunha.

“Ele tem, inclusive, várias fotografias em que ele (Tancredo) aparece, pouco antes dessa doença final, com a perna esquerda esticada, porque ele tinha dor no abdômen”, acrescenta Rui Vaz.

“A despeito da qualidade da cirurgia e do cirurgião, ele tinha uma possibilidade de sobrevida muito limitada, mesmo antes da cirurgia. Um paciente com mais de 70 anos, onde você tem esse fato vindo, ao longo de meses, o índice de mortalidade, hoje, é altíssimo. Ele (Tancredo) era um paciente já de alto risco ao chegar ao Hospital de Base de Brasília”, conclui Uip.

Os médicos desfazem outro mito. Ao contrário do que se pensa, Tancredo Neves não morreu de infecção generalizada.

“Os antibióticos que ele (Tancredo) recebeu exterminaram as bactérias que ele pudesse ter tido.”, afirma o nefrologista Marcelo Marconde Machado.

“O foco infeccioso nós não encontramos na autópsia. O órgão realmente que, talvez tenha sido o mais grave que eu já tenha visto em toda minha experiência de patologista, foi um pulmão muito organizado por fibrose. Como ele foi muito bem cuidado, foi tentado tudo para mantê-lo vivo, houve um prolongamento da vida dele mesmo com esse comprometimento pulmonar”, explica a patologista Maria de Lourdes Higuchi.



Encontre essa reportagem em:
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA948475-4005,...

E o Tiro??? Gloria Maria anunciou antes da versão diverticulite... teve isso>..

 

Aqueles que mataram Tancredo integravam uma Instituição também já extinta: SNI. Junto com eles, se foram as verdades...agora é só ficção..

pois é né... somente ficção e expeculação

Fala sério.

70 anos de idade!! até bicho-de-pé pode matar alguem nesta idade!

E é claro que Tancredo jamais admitiria estar doente. Seria admitir fraqueza. Imaginem a boataria  se ele, em plena campanha eleitoral se internasse. Imaginem o povaréu (e voces sabem como é o tal do povo...) duvidando da saúde do homem onde depositavam suas esperanças.

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