Os livros didáticos pouco tratam da história da Persia. Por outro lado, o acesso a bibliografia sobre o tema é também restrito. Talvez a Persia tenha sido um grande encontro de todos os povos do imenso continente formado por Europa, Asia e Africa. Ou será que a Persia não tem importancia nenhuma?

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Meu caro Hugo, a Persia, bem como todos os grandes imperios da humanidade,tem na sua base ou seja na sua formação a participação de vários povos de uma mesma região, e com este pais não foi diferente.
A singularidade do imperio Persa, era a maneira como governava os vencidos,tratava-os como se fossem aliados,preservando seus costumes e tradições bem como suas religiões.
Portanto ao contrario de hoje era um estado cordial tolerante,bem diferente do Irã dos Iatolas.
Em tempo, voltaremos ao assunto,pois, é muito rico e curioso,e é sempre um prazer falar em historia antiga.
Acrescente-se que o próprio nome Irão ou Irã ("Terra dos Arianos") sob certo aspecto expressa a intolerância e o comportamento anti-semita do atual presidente do país. Já o termo Pérsia vem do latim (Persia) e do grego antigo (Περσίς ou Persís) e relaciona-se com o nome na língua original Pars ou Parsa, que era o reino ao qual pertencia o rei Ciro, embora pertencente à dinastia dos aquemênidas (se bem que Ciro era um medo quanto à sua origem de nascimento, mas tornou-se persa).


Através de Ciro, os persas deixaram de ser um reino tributário dos medos e assumiram o controle do império e conquistaram o planalto iraniano. Assim, o mundo identificou aquele grande império como persa, o que não significava a presença de outros povos que contribuíram para a decisiva vitória sobre a Babilônia. E, de fato, a própria história dos judeus revela que os imperadores persas mostraram-se tolerantes com a cultura dos povos conquistados, conforme se lê no livro de Esdras, na Bíblia.


Contudo, durante a dinastia sassânida, a Pérsia passou a ser identificada como Irã (Aryanam). Claro que entre o Império Persa e a dinastia sassânida, temos aí o período de dominação grega, com a imposição do helenismo aos povos conquistados, seguida pela dinastia arsácida (os partos). Aliás, toda aquela tolerância persa dos aquemênidas parece que nunca mais retornou, visto que os diversos momentos de dominação estrangeira, a começar pela imposição do helenismo, certamente deve ter causado fortes reações nacionalistas. E, se pensarmos dialeticamente, o helenismo foi a antítese da cultura persa de modo que os partos representariam a síntese cultural.


O islã só chegou à Pérsia através da conquista dos árabes, em meados do século VI. Depois do helenismo, o islã foi a cultura que dominou a região.
A Pércia tem muita importancia sim, pelos meus estudos conclui que ela foi uma grande potencia, antes da Grécia (Antiga).
Devemos lembrar do Zoroastrismo, religião monoteísta fundada na antiga Pérsia pelo profeta Zaratustra, a quem os gregos chamavam de Zoroastro. É considerada como a primeira manifestação de um monoteísmo ético. De acordo com os historiadores da religião, algumas das suas concepções religiosas, como a crença no paraíso, na ressurreição, no juízo final e na vinda de um messias, viriam a influenciar o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Algo de errado com certeza tem.Penso em ( religião e racismo) Lembremos a mìdia sionista  que tentou deturpar a verdadeira historìa dos persas com o filme 300.

Os persas eram infelizmente arianos sonhadores helenicos e me parece que admiradores do povo judeu,tanto que Ciro os libertou e Xerxes segunda a Bìblia casou com Ester uma judia.

Voltando o assunto 300 spartas o filme, Cyrus Kar preso suspeito de ligação com o Islão,ja dizia:

 

"300, The Movie é o maior cockamamie, Bull xiita, Adoração Hero, falsificação da história de Hollywood Spoof feitos até agora no século 21!"

 

300 Spartans, A História Real!

 O filme 300 é realmente ridículo. Não se prende a qualquer retrato histórico mas sim a um HQ americano de 1998 escrito por Frank Miller, um sujeito que está muito menos ligado ao sionismo do que a um catolicismo irlandês muito conservador, carregado de Orientalismos. 

 Como historiador eu te digo, o filme 300 é do ponto de vista histórico-narrativo realmente uma piada, além dos efeitos fotográficos (copiados do Sincity na cara dura) serem péssimos. 

 Mas esse filme certamente não está ligado ao sionismo, até porque retrata um Oriente Médio que aos olhos dos israelenses de hoje (que querendo ou não, vivem, atuam e são parte do próprio Oriente Médio) ia soar no mínimo muito ridículo, e virar piada de internet, como de fato virou.

 Ao assistir esse filme é melhor pensar em 2007, ano que ele foi lançado, e por coincidência, último ano do governo do senhor George Walter Bush, último presidente dos EUA pertencente ao reconhecidamente conservador e elitista Partido Republicano, e a gente sabe como último ano do mandato é tempo de "mostrar serviço". Assistir 300 é assistir uma manifestação, que se apropria de dados históricos, do discurso republicano cru, e de toda a sua mitologia anacrônica e ultrapassada, como a representação dos gregos quase como "WASP" e o velho conflito entre um Ocidente "racional e livre" e um Oriente "místico e opressor".

 Do ponto de vista da representação étnica, o filme é subjetivamente racista, pela forma com que retrata os governos do "bem" e do "mal". Além do que, se apropria de uma ideologia política muito contemporânea pra um contexto histórico do século VI a.C. Por exemplo:

-Quando o rei Xerxes envia seus emissários ao rei de Esparta e eles são negros. O Império Aquemênida não tinha conquistado nenhuma área de grande população negra, desde que Cambisses e Dario fracassaram em invadir a Núbia (atual Sudão). Os emissários do Rei-dos-Reis eram pessoas pertencentes à alta nobreza persa, e essa alta nobreza tinha como um dos requisitos, uma linhagem ariana como a do rei.

-Dá pra perceber essa questão de etnicidade na representação dos persas como o "povo moreno" e dos soldados gregos quase como nórdicos. Sabemos que as populações do Mediterrâneo Oriental (incluindo gregos) não tinham em sua maioria, essa aparência, como nem hoje em dia a têm. No século V a.C., historiadores descreviam o espanto de alguns homens gregos ao ver os soldados dos exércitos arianos, como "bárbaros que iam à batalha com o corpo todo coberto, com panos claros e metais, de modo que nada se pudesse ver além de seus enormes olhos verdes ladeados dos enormes piques (lanças) que carregavam".

- Esparta é descrita como uma terra onde os homens são todos livres e há igualdade, bem nos moldes do discurso da Revolução Francesa. Quando sabemos que Esparta era uma diarquia, controlada por, além do rei, o exército, e uma sociedade extremamente estratificada, onde as mulheres eram praticamente "bens" dos homens, e havia escravos que eram considerados "objetos animados".

- Na batalha de Termópilas, o exército persa não era de 1 milhão de homens. Embora Heródoto tenha exagerado claramente dizendo que eram "2 milhões e 600 mil arianos" (número que poderia facilmente esmagar todos os exércitos da Grécia juntos em uma única marcha), outros historiadores como o próprio Tucídides, Ctesias, Pausânias e Deodoro, sugerem algo bem mais plausível, como entre 80 e 300 mil homens (número que também é apoiado por diversas pesquisas e escavações arqueológicas). Enquanto os trezentos homens de Esparta, liderados pelos rei Leônidas e pelo general Demófilo, também não teriam lutado sozinhos, havendo junto a eles cerca de 2000 soldados da Liga Beócia e uma frota marítima ateniense liderada pelo próprio legislador Temístocles. Atualmente, as baixas gregas nesse evento são estimadas entre 2.500 a 4.000 homens.

- Os ícones utilizados pelos persas são forçosamente similares a símbolos considerados "satânicos" no imaginário cristão europeu (isso pode ter haver com a visão católica do diretor), como o uso excessivo de imagens de bode (que nem era um animal tão importante na mitologia persa, como símbolo de qualquer coisa. O animal mais representado em símbolos militares dos persas era uma águia com um sol sobre a cabeça, do Estandarte de Ciro, que, posta sob um fundo azul, era geralmente apresentada como a bandeira dos Aquemênidas), que é um animal sempre associado à brutalidade pelos pagãos greco-romanos, e ao demônio após o advento do cristianismo. Assim como há a representação dos imortais (guarda de elite do Rei dos Reis) quase como bestas apocalípticas, usando máscaras (que estão mais para um kabuto japonês do que pra qualquer coisa usada pelos guerreiros do Irã) e dotadas de garras. Além do que aquela cena de Leônidas morto com flechas no corpo todo parece bem alusiva à imagem de um Cristo na cruz.

-Diferentemente do que aparece, o Shahanshah do Irã não era considerado um "deus vivo" pelos seus súditos. (no mundo mediterrâneo isso só acontecia no Egito). O Rei dos Reis seria um representante da vontade das divindades, como era na Suméria, na Babilônia e no Vale do Indo Kush, mas ainda sim um mero mortal como qualquer outro aos olhos divinos. A prerrogativa divina dos reis da Pérsia era inclusive menor do que a dos reis da dinastia Ágida de Esparta, já que estes se consideravam descendentes diretos de Hércules e de Zeus, governando, portanto, por conta da sua linhagem direta dos deuses olímpicos.

Oi pessoal! Muito bom ver pessoas interessadas na história da Persia. Geralmente é um conteúdo esquecido pelos currículos acadêmicos e até mesmo escolares. abs!

 Acho que a Pérsia tem sim muita importância, tanto por seu impacto fortíssimo na formação do mundo que conhecemos, como pela sua cultura fascinante e singular no Oriente Médio (não que as outras não sejam). 

 Quanto o relacionamento dos persas com seus vizinhos, podemos sugerir através de diversos documentos, que o Império Persa era bem tolerante com os povos conquistados (pelo menos aqueles que não os contestavam, como eram os hebreus). Talvez na Bíblia, Ciro (que foi o primeiro sujeito relevante a ser chamado de "Masyach" ou "Messias" pelos hebreus), fosse tão bem representado por ter decretado em seu famoso Cilindro, escrito quando derrotou os reis caldeus da Babilônia, o fim do exílio dos judeus na Mesopotâmia. Talvez os persas não fossem ser tão "amáveis" com povos mais hostis a eles próprios, como eram os caldeus e os próprios egípcios. Vide a feroz resistência do Egito à invasão por Cambisses, que resultou na reconquista do poder pelos egípcios por volta de 405 a.C., levantando um período de instabilidades e disputas entre três dinastias diferentes, que não foram capazes de unir o país, e impedir uma segunda conquista iraniana na década de 340 a.C. Quando Alexandre chegou ao delta do Nilo em 332 a.C., foi saudado como "libertador", assim como, até meio paradoxalmente, foi chamado de "Filho de Yahweh" ao entrar em Jerusalém.

 Essa visão de tolerância com as outras culturas não significa que não houvesse qualquer noção de hierarquia étnica ou cultural. Há 5000 anos os iranianos referem-se a si mesmos como Arya, o que significa "povo nobre" na expressão persa derivada do sânscrito. Essa noção de hegemonia baseada na origem étnica pode até mesmo estar expressadas em alguns documentos, como tabuletas atribuídas a Dario, ou a Xerxes, onde após o título "Rei dos Reis" ou "Rei das Quatro Esquinas do Mundo" lê-se em cuneiformes: "Sou um Aquemênida, um persa filho de um persa, e um ariano de linhagem ariana". 

 É possível que algo muito substancial desses preconceitos étnicos tenham sobrevivido, mesmo que talvez com uma nova roupagem. Esse anti-semitismo que acrescentou ao debate o colega Rodrigo, pode ser percebido nas posturas tanto da dinastia pahlavita como no discurso do regime ultraconservador que se estabeleceu após a Revolução Islâmica (vide o atual chefe supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que muitas vezes já discursou defendendo a shia ariana como o "verdadeiro islã"). Os iranianos simplesmente tem repulsa de serem associados aos árabes ou aos turcos (ambos os povos constituem minorias no país). O governo iraniano reprime certos tipos de manifestações culturais das minorias azeri e sármata, as enxergando como separatismo, entendendo unidade nacional como "persianização". E age de forma antissemita, muito mais do que quando o fantoche Ahmadinejad discursa contra Israel como "opressor dos árabes", enquanto o próprio Estado persa oprime a população arábe ahwazi no sul de seu território (que é justamente a área mais rica em petróleo) com cortes de água, remoções forçadas, repressão da manifestação cultural, e deportações. Inclusive é até irônico que o mundo ocidental, num momento de tanta tensão para com a República Islâmica, praticamente ignore esses fatos. Talvez os ahwazi não sejam árabes tão interessantes quanto os reis da Arábia Saudita ou os emires de Dubai.

Boa tarde,Hugo .

A Pérsia tem muita importancia aqui para estes lados ,vivem muitos aqui na Alemanha e um pouco por toda a Europa e USA. Teem uma cultura muito rica ,embora agora esteja a ser governada por uma ditadura, tem mesmo assim uma importancia seja cultural ou económica . Os restaurantes iranianos sao muito apreciados por aqui ,e as pessoas sao de bom trato e de formacao educacional elevada .

Cumprimentos

Joaquim,

Você mencionou uma questão muito relevante: a história persa/iraniana não é só a da dinastia aquemênida. Eles estão por aí ainda hoje, e além de uma cultura bem interessante continuam aparecendo todo o tempo nos noticiários de questões internacionais.

Enquanto isso, nos livros didáticos só os aquemênidas são mencionados às pressas. Nada dos partas e sassânidas, arqui-inimigos do império romano, da posterior conversão da Pérsia ao islã enquanto mantinha uma identidade cultural persa, e tudo o que veio depois. Pena - é um país que merecia ser melhor conhecido.

Bom dia,Herr Reichert

Eu tenho conversado com alguns deles ,indíviduos bem cultos sobre estes temas de história que nao se compara como os dos outros países da regiao .

Teem uma história riquíssima ,devido ás revolucoes dos povos da regiao que se misturaram ,se apartaram e dá a mistura dos povos de hoje e os conflitos que daí adveem .

Escrevi algo sobre este assunto no meu grupo em :"Notícias da Alemanha e arredores"

Um abraco

Por um azar geográfico - não existe outro termo melhor - a Pérsia situa-se num ponto sempre nefrálgico. Nos velhos tempos era rota de invasões  e sede de impérios poderosos e hoje numa região petrolífera o que faz dela um eterno fulcro de encrencas.

Atualmente as coisas estão piores por conta dos entreveros  USA- Israel- Oriente Árabe e da exploração descarada da fé muçulmana para manter o povaréu na 'inguinorânssia'.

Mas tentar ter a mais vaga idéia da Pérsia através do filme '300' é mais ou menos como avaliar marte a partir do filme 'guerra de mundos'. Ingenuidade pura. '300' é só um filme!!!

Detalhe sobre os Partos - Excelentes cavaleiros que surpreenderam os romanos numa manobra espetacular - a surpreendente 'retirada parta' - simplesmente os cavaleiros montavam 'aos contra', ou seja voltados para trás, sem usar rédeas e disparando com seus arcos!!!

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Somos tão jovens

Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.

Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

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