Quais as principais diferenças entre a micro-história e a história local/regional?

Não podemos confundir a micro-história com a história local/regional, tanto no que diz respeito às questões de ordem metodológica quanto às de natureza teórica. Embora essas duas modalidades historiográficas tenham se desenvolvido a partir das propostas do movimento dos Annales, não podem ser confundidas entre si. Ao meu ver, a micro-história compreende uma escala de observação e análise mais reduzida do que a concernente à história local/regional. Sendo assim, esta última compreenderia enfoques e abordagens mais abrangentes e gerais, remetendo a estudos das estruturas vigentes num dado espaço ou região? Enfim, quais são as principais diferenças existentes entre elas?

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Não me parece que se possa fazer derivar as duas perspectivas indicadas, micro-história e história local/regional, dos Annales; pelo menos desta forma tão clara e imediata. O próprio Carlo Ginzburg situa a questão da micro-história muito para lá (do tempo) dos Annales no seu Microstoria. Due o tre cose che so di lei. De igual forma a escala de observação da micro-história não é mais reduzida, é mais ampliada, é de resto uma confusão de terminologia comum nos historiadores que falam de micro-história. Como pequeno contributo de facto micro-história não é confundível com história local/regional mas não me parece que a diferença se centre nesta última compreender enfoques mais abrangentes e remeter para estruturas vigentes num espaço mais geral.

 Existe mesmo uma cunfisão que se faz pela terminologia contrastando uma coisa da outra ou como se um termo fosse de menor valor ao outro tendo a micro- história como coisa menor o que me parece uma visão distorcida que o historiador deve escapar investigando melhor o que se diz a respeito dos termos e as limitações que estão submetidos. abraço...

O objetivo da micro-história tem sido a busca de uma descrição mais próxima do comportamento humano, empregando um modelo de ação que possa fazer emergir personagens anônimos que, de outra maneira, ficariam esquecidos.
A história não deve se limitar a grandes esquemas e modelos teóricos. A história estuda as pessoas, as relações estabelecidas entre elas, suas aspirações, seus medos, sonhos, idéias e convicções. A micro só enriquece a macro.
Concordo com Rogério, quanto à escala ampliada de observação da micro-história; e com Jane: a polarização dicotômica entre micro e macro enfraquece as ciências humanas. Micro e macro são dimensões distintas, porém indissociáveis, da realidade. [Quando se recorta, é por método e porque todo discurso é sempre parcial, não abarca a totalidade do real]. Tentar compreender essas dimensões, suas especificidades e as relações entre elas faz parte do ofício do pesquisador e do professor (seja ele historiador, psicólogo, pedagogo, geógrafo, filósofo, sociólogo, antropólogo etc). Essa é a compreensão que tenho da categoria dialética "totalidade". Abraços,

Bem observado, Alexandre!

otimo alexandre acho que voçe foi claro em sua colocação.

parabens por sua colocação. Muito apropriada para o historiador.

Adorei sua descrição.

Importante colaboração, Jane. Se bem que acho que o centro mesmo da questão gira mais na relação indivíduo-sociedade do que no "comportamento humano". Não acha?

Esse artigo do José D’ Assunção Barros pode esclarecer algumas coisas:

http://www.revistas.ufg.br/index.php/Opsis/article/viewFile/9336/6428

Acredito que, basicamente, a História Regional tem uma determinada região como objeto de estudo em si. Já a Micro-História parte desse fragmento, uma região ou localidade, para entender algum aspecto da sociedade (usando a metáfora de José D’ Assunção Barros, estuda uma gora para entender algum aspecto do oceano). Além disso, a Micro-História não parte, necessariamente, de uma região; pode ser a partir de um personagem (em geral, "anônimo", como Ginzburg faz em O queijo e os vermes), uma prática social etc.


Jefferson:

 

Grande e esclarecedor artigo do prof. José d´Assunção Barros. Deve ser utilizado em salas de aula.

Uma grande contribuição.

Eliana

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