Proclamação da República. Por que D. Pedro II não resistiu? Havia alguma coisa por trás de tudos isto?

Muito se fala.
Faltou base política? Não tinham como lutar contra os militares? D. Pedro II cansou-se da política?
O que realmente catalizou a Proclamação da República e quais foram os ganhos do Brasil com esta "nova" forma de governo?

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D. Pedro estava isolado no Paço Imperial do centro da cidade com a guarnição militar e policial carioca e fluminense obedientes a Deodoro, a Marinha que lhe era favorável, ficou sem liderança e não tinha força terrestre para reagir.
Aliás, no velho palácio, não lhe faltavam generais nem almirantes, mas estes não tinham mais soldados, que lhes obedecessem. Sua família estava a mercê dos acontecimentos. Por isto ele cedeu a contragosto, para evitar que a violência atingisse seus familiares, incluidos os netos.
Seu desgosto só apareceu mesmo na carta que enviou a Deodoro, dizendo que nada aceitaria do general que tudo lhe tirara, mas esta só foi assinada quando ele estava viajando para a Europa. Mas, ali mesmo ele comentou, que se soubesse do que viria, teria ido para MG e lá resistido ao golpe.
Recorde-se que a Bahia estava ao seu favor e o teria apoiado.
Patrick, confesso que é bastente tentador analisar o quadro político do Império a partir de D.Pedro II. Sobretudo porque se trata de um governante bastante pecualiar em seu contexto. No entanto, este tipo de análise precisa ser feita a partir da estrutura política como um todo, a conjuntura econômica e social do Brasil na época. O abolicionismo, os industriais, os militares,a Igreja, todos estes são elementos que ajudam a explicar porque os setores leal à monarquia não salvaram a monarquia. Mas fica um lembrete interessante: podemos dizer que houve sim resitência monarquista. Ela apenas não foi bem sucedida. abs!
Sabe, Bruno, a única resistência viria da Bahia, cujo comando das armas era de um irmão de Deodoro, mas D. Pedro não soube disso a tempo, e mesmo que soubesse, isto de nada lhe adiantaria, pois ele e sua família estavam inermes no Paço Imperial, hoje sito na praça XV. Fora isto só alguns lamentos populares, mas de pessoas desarmadas. Enfim, a monarquia caiu com um pequeno sopro de uns poucos soldados, observado indiferentemente pelos demais.
E no dia do pronunciamento só um único militar levantou uma arma contra os revoltosos; foi o Barão de Ladário, oficial-general e ministro da Marinha, que atirou contra Deodoro e um jovem tenente, sem feri-los, mas sendo bem golpeado pelas coronhas dos fuzis da soldadesca revoltada, pois, Deodoro proibira que o matassem. Ladário recuperou-se das lesões e posteriormente foi senador da república.

Há muita História nesta Proclamação.Para começo de conversa, foi uma Proclamaçao atípica, sem motins , barricadas ou prisões dos membros da realeza.

Esta situação dita atípica é o fio da meada para uma investigação sobre o II Reinado e o comportameto de Dom Pedro II, fato que certamente explicará a ausência da resistência por parte dos membros da realeza e as ações de Deodoro da Fonseca, Conde D"eu, Rui Barbosa, Princesa Isabel e o povo, dividido entre ex escravos,pobres desinformados , partidários do positivismo e oligarquias.

Leia "O Príncipe Maldito", da Mary Del Priore  e "Os Bestializados da República", do José Murilo de Carvalho.Você se surpreenderá.

Abraços

Boris Fausto cita que foi feito um acordão, um acerto entre D Pedro II e os republicanos.

D Pedro poderia sair com seus pertences monetários e patrimoniais, assim como a elite monarquista. Literalmente deram uma anistia  aos monarquistas que, com os baús repletos de rico dinheirinho (retirados dos cofres do império é claro...) e suas propriedades preservadas, não estavam nem aí em arriscarem-se em lutas de resistência.

Ele tinha tudo para resistir. Apoio de muitos militares inclusive da Marinha na figura de Tamandaré.Até apoio popular. Ele sabia que com a abolição da escravidão ficaria sem "governabilidade" portanto ele não pagou para ver e se retirou por livre e espontânea vontade.

Telmo: por que você diz que com a abolição, D. Pedro ficaria "sem governabilidade" ? Considerando que apenas um senador e 9 deputados votaram contra a lei no parlamento imperial (versus 83 deputados que votaram a favor), parece evidente que a oposição política à abolição era inexpressiva, mesmo porque a escravidão já era na época uma instituição em vias de extinção. De fato, em 1888, os escravos já eram apenas 5 % da população brasileira versus 30 % em 1822.

Como eu disse antes, na minha opinião não foi a insatisfação com a abolição que levou as  elites rurais a abraçarem a república, mas sim a insatisfação mais geral com a constituição imperial em si, em particular  com o caráter centralizado (unitário) do Império e com o exercício ativo e discricionário do poder moderador pelo imperador. 

A conclusão (especulativa) que se tira desse argumento é que a monarquia brasileira teria tido uma chance muito maior de sobreviver se, junto com a abolição, tivesse conseguido se autorreformar na direção por exemplo da constituição australiana de 1900, i.e. federativa, com sufrágio universal e voto secreto (incluindo um Senado eleito com mandato fixo) e  com um  gabinete de ministros dependendo exclusivamente da confiança da Câmara e não mais do monarca que, à moda inglesa,  passaria a exercer as prerrogativas do "poder moderador" exclusivamente a conselho do ministério e do primeiro-ministro em particular.

Olá Marcelo o fato da abolição derrubou um dos pilares de sustentação economica e politica do império que era o apoio dos cafeicultores que depois da abolição obviamente se retiraram

Interpreto que a aceitação da República por P.II se deu pela falta do fator surpresa e, inconscientemente, o desejo de ter um pouco mais de sussego e conforto depois de tanto tempo carregando a resposabilidade que lhe foi imposta. Antes mesmo de formalizar o fim da escravidão, a Princesa Isabel previa em suas cartas à seu pai o fim do comando imperial sob as terras ultramarinas e nenhuma postura de defes foi tomada. Gostaria deter acesso aos escritos de P.II quando passou pela experiencia de ser um cidadão português, nada mais.

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