Proclamação da República. Por que D. Pedro II não resistiu? Havia alguma coisa por trás de tudos isto?

Muito se fala.
Faltou base política? Não tinham como lutar contra os militares? D. Pedro II cansou-se da política?
O que realmente catalizou a Proclamação da República e quais foram os ganhos do Brasil com esta "nova" forma de governo?

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Respostas a este tópico

Se fizermos um balanço das ferrovias existentes antes e depois da republica temos uma noção que não evoluímos muito mas do jeito que contam nossa história ( a do Uruguai também) percebe-se que tanto a independência como a proclamação são encenações tiradas da mitologia e que vem sendo maquiados até os dias de hoje.
Uma boa pesquisa nesse sentido é ler sobre o Positivismo no Brasil.
Sim
Como a Igreja Positivista no Brasil pode ter influenciado na falta de resistência da monarquia e/ou no "sucesso" para a implantação do discurso republicano?
A igreja , na verdade é uma criação espontânea dos brasileiros, um segmento para preencher a ausência de outras doutrinas que deveriam desaparecer mediante a criação do estado laico.
Talvez como o positivismo estava mais ligado a maçonaria do que a igreja e como D. Pedro(S) Don João eram maçons...(os monarcas tinham obrigação de ser) de algum modo resolveram montar esse cenário para a despedida da família real com hora, dia e data programados.
Tanto que as estrelas presentes no dia (noite de treze de maio) da absolvição dos escravos são as mesmas presentes , na claridade do dia XV de novembro , dia da proclamação (uma oposição sideral) .
Conhece algum livro que detalhe este cenário?
Já li A Formação das Almas, do José Murilo de carvalho, que aborda este assunto, mas não de forma profunda sobre o positivismo no Brasil.
Só em pedaços, p/ex D.João Sexto (que defendia a ciência) através de um despacho proibiu a formação das sociedades secretas no Brasil e logo depois nasciam as lojas maçônicas, que também não deixavam de ser uma sociedade secreta cuja única diferença era o endereço e alvará para funcionamento. Como sociedades secretas com endereços certos, não podem garantir o que se passa lá dentro, entende-se que o objeto da proibição (das sociedades secretas) era estar por dentro do que acontecia de paralelo transferindo-os para as lojas maçônicas e desse modo D João poderia usar a maçonaria, o que é bem diferente de ser usado, como foi o seu filho D. Pedro I (consta em livros) em Portugal...e dai vai ...
Perfeito. Já conhecia o fato da influência de lojas maçônicas inclusive na Independência do Brasil. Meu intuito é saber os detalhes desta "transição pacífica" da monarquia para a república. É fato que oposições ocorreram mas foram sufocadas facilmente, contudo me intriga bastante o fato da família real não esboçar reação e "aceitar" o golpe.
Ouvimos muito falar de golpes de estado e por isso nos infere pensar nos lesados e cassados, acontece que salvo em nossa exceção, os lesados foram os que ficaram na administração publica isso é o povo brasileiro.
A razão é simples, para a família real continuar de posse de seus bens livre de impostos no Brasil, precisavam de uma garantia ou aval, assinado pela autoridade "máxima" ligado ao governo da federação que viria a se formar e como ainda não sabiam quem viria a chefe idealizaram a encenação do golpe, pelo menos assim a realeza sabia quem os representaria.
Nesse sentido não houve golpe isso é, a encenação antecedeu ao golpe.

Historicamente ou por motivos óbvios vejo assim, porem simbolicamente (maçonaria ou esotérica misticismo e outras montagens ...) deve ser interpretado assim, as estrelas presentes em treze de maio (dia de D. João ) são as mesmas presentes na claridade do ato da proclamação da republica no dia XV de novembro.

Patrick
Tinha um site que explicava melhor essa parte ligando as efemérides astronômicas a realeza infelizmente o geocities saiu do ar e muito se perdeu. (deixou um furo enorme na internet).

Que tal? Bate?
Ousaria em dizer que, assim como Jango e os generais legalistas em 1964, D. Pedro II talvez temesse um banho de sangue nesta nação se decidisse resistir ao golpe militar de 1889. Neste sentido, teria sido a ética e o bom senso que prevaleceram, mas que, por outro lado, evitou que o povo brasileiro participasse de mais um decisivo momentos de sua história política, conforme havia ocorrido na proclamação da independência pelo monarca anterior.

A República ocorreu mais por causa da influência de dois grupos sociais: os poderosos militares e os ricos proprietários de terras. Ambos estavam descontentes com a política imperial. Os barões tinham perdido seus escravos por causa da abolição, ocorrida em 13/05/1888, pelo que muitos não foram capazes de perceber que mais dias ou menos dias o Brasil precisaria explorar seus trabalhadores de uma outra maneira.

Evidentemente que houve ganhos e perdas com a nova forma de governo. Muitos são os pontos a serem mencionados para responder à última questão de maneira completa, mas prefiro focar naquilo que a meu ver foi mais construtivo - o aumento gradativo da participação popular nos rumos políticos da nação. Ainda que até hoje a participação do povo seja insatisfatória (mesmo no nosso avançado estado de democracia as pessoas ainda se importam mais com o futebol e com a novela).

@Rodrigo: em relação à sua resposta, eu não concordo que o "descontentamento dos barões" com a abolição tenha sido um fator importante na proclamação da república.

Na realidade, quando a Lei Áurea foi assinada, a escravidão  já estava com seus dias contados. De fato, com a proibição do tráfico negreiro e a lei do ventre livre, há muito tempo já não mais entravam ou nasciam escravos no Brasil, o que, junto com a alta porcentagem de escravos que conseguiam comprar sua alforria ou eram libertos por motivos humanitários, levou  a uma redução dramática no número de escravos como porcentagem da população nacional de cerca de 30 % em 1822 para menos de 5 % em 1888. Ademais, os setores mais progressistas da elite rural, com a escassez de escravos e o alto custo de mantê-los, já haviam optado pelo uso de trabalhadores livres (incluindo imigrantes europeus) que eram economicamente mais vantajosos. Os "barões" mais arcaicos que ainda se apegavam à escravidão eram uma minoria cada vez menos influente politicamente e, mais importante, não eram aliados naturais do movimento republicano que, em geral, se alinhava com a causa abolicionista ou era, na melhor das hipóteses, neutro.

Eu penso, entretanto, que havia sim entre certas elites rurais regionais um descontentamento generalizado não com a abolição especificamente, mas, mais genericamente, com o sistema político do Império, em particular com a sua natureza unitária/centralizada e com o exercício ativo do poder moderador pelo imperador. Esse descontentamento, aliado a dúvidas sobre o perfil da herdeira aparente do trono e seu marido, motivaram a adesão crescente dessas elites ao projeto de uma república federativa modelada na constituição americana em substituição à monarquia.



@Rodrigo: um segundo ponto que eu gostaria de comentar é a sua afirmação de que o ponto mais positivo da proclamação da república  no Brasil teria sido "o aumento gradativo da participação popular nos rumos da nação". À primeira vista, isso poderia parecer verdade. Afinal, a nova constituição republicana previa a eleição direta do chefe de estado e governo (o Presidente) e das duas casas do legislativo federal, Câmara e Senado, sendo que o último deixava de ser vitalício como no império. Mais ainda, a constituição de 1891 pôs fim ao voto censitário que existia no império abolindo os critérios de renda ou propriedade para a qualificação dos eleitores. Entretanto, as mulheres ainda não podiam votar, o voto ainda não era secreto  e, mais significativamente, a constituição de 1891 proibiu o voto dos analfabetos, que na época eram provavelmente cerca de 80 % da população brasileira. Com isso, apesar de as eleições terem se tornado diretas ( o que, aliás, nas eleições legislativas já era o caso no fim do império),  a porcentagem da população total com direito de voto na 1a república (se eu não me engano, cerca de  5 a 6 %) era na verdade até menor que a porcentagem de eleitores no primeiro nível do sistema indireto e censitário sob a constituição de 1824 (cerca de 10 % da população segundo algumas fontes).

Por outro lado, deixando de lado o debate se uma monarquia parlamentarista é inerentemente "menos democrática" que uma república presidencialista, é importante frisar que o "o aumento gradativo da participação popular nos rumos da nação" não é algo que esteja necessariamente condicionado à adoção de um sistema republicano de governo. Por exemplo, a Nova Zelândia, que era na época e é até hoje uma monarquia, introduziu o sufrágio universal masculino em 1879 e, já em 1893, foi possivelmente um dos primeiros países do mundo a estender o direito de voto às mulheres. Nas colônias australianas por outro lado, a abolição de requisitos de renda ou propriedade para a qualificação como eleitores de homens adultos data em alguns casos dos anos 1850 e, em 1902, já sob a constituição federal e monárquica da "Commonwealth of Australia", o direito de voto em eleições diretas para as duas casas do parlamento federal  (Câmara e Senado) foi estendido a  todo os homens e mulheres maiores de 21 anos que fossem "súditos britânicos", sem nenhuma restrição de renda ou propriedade, excluindo-se porém na maioria dos casos os nativos aborígenes (restrição só totalmente abolida nos anos 1960).  Mesmo na conservadora Grã-Bretanha, onde qualificações de propriedade ou pagamento de aluguéis ou taxas de um certo valor para poder votar só foram abolidas em 1918, ainda assim a porcentagem da população com direito a voto no período 1884-1918 (cerca de 60 % da população masculina adulta) era maior do que no Brasil republicano no período 1891-1932. Ademais, desde 1872, o voto na Grã-Bretanha, ao contrário do que acontecia no Brasil, era secreto.

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