Amigos historiadores,
Sou novo por aqui, e, primeiramente, gostaria de parabenizá-los pelo excelente nível das discussões. E também colher algumas opiniões.
Sou escritor e estou pesquisando sobre a vida de uma personagem notória na história brasileira, mas ao mesmo tempo, desconhecida: a Princesa Isabel.
Existem poucos livros a seu respeito (só encontrei três em catálogo), e muito pouco material além daquele ensinado nas escolas. Mas depois de revirar toda a Internet e descobrir coisas interessantíssimas a seu respeito, cheguei à conclusão de que ela é uma personagem fascinante, mas um tanto subestimada.
Por isso, gostaria de perguntar a todos: qual é a sua percepção da Princesa Isabel? Assim, de bate-pronto, sem consultar livros ou a internet.
Um abraço,
Fábio Yabu
Permalink Responder até linda ines oliveira diogenes em 29 janeiro 2012 at 20:17
A Princesa Isabel é conhecida como uma Monarca inglesa cujo papel exercido, permitiu a "libertação" de pessoas de raças distintas da elite e que eram tratadas desumanamente, os escravos. Por muito tempo, a educação como um todo vê o papel desempenhado por essa figura como ato totalmente filantrópico, principalmente em escolas de Ensino Fundamental, em que a sua história é baseada e resumida na ilustre Lei Áurea de 13 de Maio de 1888.Mas quando o amante da História passa a estudar e refletir sobre esse ato, conclui que tudo foi um jogo de interesses e subordinações entre a elite brasileira e a coroa inglesa. A Inglaterra tinha muitas regalias dentro do cenário brasileiro devido à ajudas anteriormente oferecidas à nação brasileira. Então, o que aconteceu realmente para a dita princesa Isabel assinar a Lei Áurea? É simples de se responder se levarmos em consideração a industrialização da Inglaterra do século XIX, eles tinham a intenção de lucrar.Mas sem trabalhadores assalariados, quem iria comprar e pagar impostos à elite? será que eles iriam "cavar sua própria cova?" Claro que não, então quem ficaria com esse trabalho? Dai surgiu a ideia de libertação dos escravos. Então, princesa Isabel era realmente uma criatura caridosa por natureza?
@Linda Inês: o Brasil no Segundo Reinado era uma monarquia constitucional semiparlamentarista. Como em todas as monarquias constitucionais, é papel do monarca ou, na sua ausência, de um regente (como era a princesa Isabel em 1888) sancionar as leis. Entretanto, nem o imperador nem a regente podiam sob a constituição brasileira de 1824 alterar unilateralmente a lei já que o poder legislativo não pertencia ao soberano, mas sim ao parlamento. A Lei Áurea então, como todas as leis do império, foi um ato do parlamento e não da princesa Isabel, introduzido como projeto de lei por um ministro responsável e depois aprovado pela Cãmara e pelo Senado. A Lei Áurea em particular é de autoria do Senador Rodrigo A. da Silva que, como ministro da agricultura, coassinou a lei junto com a princesa Isabel assumindo a responsabilidade ministerial.
Antes porém que os monarquistas de plantão me critiquem por relativizar a participação da regente Isabel na abolição, é importante lembrar que, no semiparlamentarismo brasileiro, o imperador ou a regente tinham um papel muito mais ativo do que um monarca constitucional clássico como a rainha da Inglaterra. Como discutido em outros fóruns, o presidente do conselho de ministros do Brasil (nosso "primeiro-ministro") dependia da dupla confiança do imperador e da maioria parlamentar e, frequentemente, quando o imperador discordava da orientação política do primeiro-ministro, ele o substituía por um outro político do mesmo partido ou, mais raramente, até mesmo por um líder da oposição (em cujo caso uma dissolução do parlamento e novas eleições, geralmente fraudulentas, eram necessárias). A princesa Isabel era pessoalmente favorável à abolição e, seguindo o costume do "parlamentarismo às avessas" brasileiro, usou a prerrogativa real para substituir o antiabolicionista Barão de Cotegipe na presidência do conselho por João Alfredo de Oliveira que, apesar de também pertencer ao partido conservador, formou um gabinete que apoiava a abolição incondicional.
Obviamente, como já foi discutido aqui várias vezes, quando a Lei Áurea foi assinada, a escravidão já era uma instituição em declínio no Brasil por ter se tornado antieconômica comparada ao trabalho livre. É interessante, entretanto, que a Lei Áurea como sancionada não previa nenhuma indenização ou compensação financeira para os proprietários dos escravos ainda existentes no momento da abolição em contraste por exemplo com o Slavery Abolition Act 1833 que havia tornado ilegal a escravidão no império britânico (significativamente nas colônias inglesas do Caribe) e que previa a criação de um fundo de 20 milhões de libras esterlinas (cerca de 40 % do gasto anual do governo britânico na época) exclusivamente para indenizar ex-proprietários de escravos.
Um abraço Fabio Yabu.Também não sou muito antigo aqui, mas já participei bastante.De bate pronto acho que a Princesa Isabel tinha boas intenções para com os negros,mas ela não tinha o poder nas mãos,talvez também não tivesse a influência necessária para colocar em pauta suas ideias.No momento em que teve o poder de fazer ela o fez, mas nesse momento ela estava também imbuída do interesse em manter no poder um sistema de governo que só fazia bem a uma elite escravagista.Ela foi bem, mas não conseguiu salvar seu reino.E veio a República.
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
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