É interessante como as pesquisas mudam a história dita tradicional e oficial que há muito está nos Parãmetros Curriculares Nacionais. O Professor recebe o conteúdo programático e embora eu não ensine, parece que ainda praticamos a História Política positivista. O que são feito dos conhecimentos pesquisados nas teses de doutorado e mestrado de História? Para onde esse conhecimento está escorregando que não chega aos bancos escolares das escolas fundamental e médio?
Tags: Educação, currículos, pós-graduação
Permalink Responder até Emannuel Reichert em 17 maio 2012 at 20:19
Silvaniza, me arrisco a dizer que nem é só um problema de o conhecimento das pós não circular: o da graduação também não. Das pessoas que frequentam este fórum e já se formaram em história, quantos não tiveram o choque de aprender coisas que eram exatamente o contrário do que haviam aprendido na escola?
Por algum motivo o conhecimento não está circulando como deveria.
Permalink Responder até Carlos Theobaldo em 17 maio 2012 at 20:49
As vezes são os alunos que não querem saber mais profundamente, como certa vez ouvi de alunos da faculdade> por favor, baixe o nível... (a educação vai cada vez mal das pernas...)
PS: o nível da aula era mediano...
Permalink Responder até Emannuel Reichert em 17 maio 2012 at 22:20
Carlos, isso é um efeito cascata: se os alunos não aprendem nada de nada no fundamental e no médio, que tipo de universitários vamos ter?
Permalink Responder até Carlos Theobaldo em 18 maio 2012 at 9:17
E o pior, Emannuel, não se vê saída para isso a curto prazo.
Permalink Responder até Emannuel Reichert em 18 maio 2012 at 17:23
Não, a tendência mesmo é piorar, perpetuando o ciclo de ignorância. O ensino básico sofre de problemas sérios de qualidade, e a maioria dos alunos não aprende nem metade do que deveria. Chegam à faculdade já com falhas sérias no conhecimento (quantos universitários são capazes de compreender um texto mediano da sua área? ou de qualquer área?). E muitos desses ainda se tornam professores do básico, porque não vão conseguir entrar em áreas mais bem pagas.
As pessoas motivadas, sejam alunos ou professores, são uma minoria no meio de toda a bagunça.
Permalink Responder até Tiago Lopes em 23 maio 2012 at 14:33
Aqueles que aprenderam!
Permalink Responder até Silvaniza Maria Vieira Ferrer em 18 maio 2012 at 7:47
Permalink Responder até Carlos Theobaldo em 18 maio 2012 at 9:21
Silvaniza:
Isso acontece com a língua grega. Salvo na USP, não sei se em outra instituição, os alunos de grego não estudam os textos na língua original...Você está com razão. Infelizmente, os nossos dirigentes da educação só querem, pelo que parece, números para mostrar como vai bem o país, principalmente nesta área. E gastam em propagandas na televisão e no rádio, o que é pior, com dinheiro público...
Permalink Responder até Bruno Leal em 18 maio 2012 at 10:46
Será que os conhecimentos produzidos nas pesquisas de pós-graduação não vão ou são selecionados?
Há alguns pontos que precisamos considerar:
- afastamento entre os centros de pesquisa e o ensino de história
- lentidão na atualização dos materiais didáticos
- ausência de programas de formação continuada de professores
- excesso de especialização dos obejetos de estudo nas universidade
Permalink Responder até Carlos Theobaldo em 18 maio 2012 at 10:52
Bruno
Fora os tradicionais problemas na relação escola X professor X aluno
Permalink Responder até Emannuel Reichert em 18 maio 2012 at 17:16
O material didático poderia ser melhorado com algumas inovações.
1) A maior parte dos livros são feitos por um ou dois autores, quando o ideal seria equipes maiores, cujas especialidades abrangessem uma gama de temas grande, garantindo que as interpretações e abordagens estivessem atualizadas.
2) Os livros poderiam ser disponibilizados online, onde poderiam ser atualizados constantemente - e impressos no começo do semestre, quem sabe? Claro que isso encontraria a resistência das editoras. Uma saída conciliadora seria colocar online "atualizações" do livro, talvez mais para uso do professor. Maneiras de não sofrer a desatualização inerente aos ciclos editoriais.
Permalink Responder até Silvaniza Maria Vieira Ferrer em 18 maio 2012 at 14:03
Bruno, voce tocou num ponto frágil do sistema. Isso é: as pesquisas produzidas são confiáveis para serem reproduzidas? Acredito que a própria leitura da pesquisa responde por ela mesma. O afastamento entre os centros de pesquisa e o ensino: entre os critérios da CAPES para mensurar um programa de pós-graduação está a relação pós-graduação versus graduação e inserção regional. A inserção de alunos bolsistas da Iniciação Científica nos grupos de pesquisa da pós é uma dessas exigências. Porém, é como eu falei antes. Esse mestre ou doutor, se for ensinar no ensino fundamental ou médio, poderá até falar de suas pesquisas ou de como pesquisar. Mas isso não cai nos vestibulares e portanto, é conteúdo secundário. Quanto à formação de professores, voce está certo. Embora haja uma demanda represada, os colégios particulares principalmente, não investem na formação continuada de seus docentes. Quando estava no Mestrado, e íamos organizar o nosso Encontro anual (Encontro de Historiadores da Educação), sempre tínhamos que deixar um para formação de professores e este era de longe, o mais procurado. Demanda tem, não tem investimento nem vontade política para tal. Por último, o excesso de especialização. Isso é um problema. Os historiadores professores que ensinam no fundamental e médio devem ser clínicos gerais da história. Sabem de tudo um pouco, mas muito pouco mesmo. Acabam reproduzindo o que está nos manuais e apostilas por não poderem desenvolver ao mesmo tempo todas as áreas de estudo. É claro que tudo ali são introduções. Então, tudo o que é dito em sala de aula deveria ser pesquisado com o que os acervos nos fornece, deixando aos alunos a conclusão: devemos concordar com isso? Pode ter havido outra explicação?
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