Permalink Responder até Eduardo Sena em 3 março 2010 at 3:42
Permalink Responder até Paula Silveira em 3 março 2010 at 9:48
Permalink Responder até Lidiana Justo da Costa em 3 março 2010 at 10:09
Permalink Responder até Eduardo Sena em 7 abril 2010 at 15:02
Permalink Responder até Eduardo Sena em 10 abril 2010 at 0:02
Permalink Responder até Eduardo Sena em 21 abril 2010 at 20:17
Prezado Zé Povinho,
É difícil comparar a o modelo colonial português com o britânico porque,
estritamente falando, o sistema de colonização implantado pelos ingleses era diferente dependendo do território ocupado.
Nos territórios onde havia colonização europeia branca em larga escala, especificamente Canadá, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, os britânicos introduziram o modelo de autogoverno, dotando as antigas colônias de poderes executivo, legislativo e judiciário próprios com uma constituição monárquica e parlamentarista semelhante à do Reino Unido. Esses "white dominions" tinham controle sobre seus assuntos domésticos, incluindo legislação civil, criminal e eleitoral, finanças públicas, comércio e moeda, e mantinham também suas próprias forças armadas, mas não tinham, pelo menos até a 1a Guerra Mundial, uma personalidade internacional própria, sendo representados internacionalmente pelo governo britânico. Até 1931, o parlamento britânico reservava-se o direito também, se desejasse, de legislar em áreas de competência dos "dominions" e as leis aprovadas pelos parlamentos dos "dominions" eram inválidas naqueles pontos em que estivessem em conflito com leis britânicas que fossem explicitamente aplicáveis às antigas colônias.
O status semiautônomo das colônias de povoamento brancas descrito no parágrafo acima era interessante ao Reino Unido na medida em que minimizava o custo de administrar e defender um gigantesco império colonial espalhado pelo mundo (com esse custo transferido, no caso dos "white dominions", para os governos autônomos locais), ao mesmo tempo que garantia a estabilidade política e social nos territórios povoados. Os "nativos" não assimilados à sociedade europeia branca nas colônias, p.ex. os "reservation Indians" no Canadá, os aborígenes australianos e os negros sul-africanos, eram entretanto privados de cidadania e direitos civis, vivendo à margem do sistema político implantado nos "dominions" pelos ingleses. Em países como o Canadá e a Austrália onde a população de origem europeia era muito maior que a população nativa, essa contradição não gerou maiores problemas ou tensão no longo prazo, mas o conflito foi inevitável naquelas áreas, chamadas pelos historiadores britânicos de "contested settler colonies", onde os nativos permaneceram uma minoria expressiva (p.ex. os Maoris da Nova Zelândia) ou uma clara maioria (por exemplo, na África do Sul).
Por outro lado, nas chamadas "colônias de exploração" (ou, como os ingleses preferem chamar, "tropical dependencies"), havia apenas um número muito pequeno de residentes de origem europeia, geralmente funcionários públicos civis, militares, homens de negócios e missionários, que interagiam com a população nativa em bases desiguais. Muitas dessas colônias nas áreas tropicais, incluindo a própria Índia, começaram como empreendimentos comerciais administrados por companhias privadas operando sob concessão do Rei, antes de serem transferidas para a administração direta da Coroa (caso também da Indonésia holandesa por exemplo). Embora, para fins administrativos, os britânicos tenham introduzido a língua inglesa e o direito inglês nos territórios dependentes, a população nativa em geral conservava sua cultura (língua, religião, costumes, e mesmo direito doméstico), sem que houvesse a formação de uma "nova" civilização ocidental transplantada como surgiu por exemplo nas colônias de maioria branca como o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia, ou nas áreas urbanas da África do Sul (onde os brancos se concentravam). Ao contrário também dos "white dominions", os britânicos, pelo menos até o fim da 2a Guerra mundial, não viam as "tropical dependencies" como "preparadas" para o autogoverno ou um sistema parlamentar ao estilo inglês. Ao invés disso, optava-se pela administração direta dos territórios dependentes por autoridades coloniais nomeadas pelo governo imperial e responsáveis ao mesmo sem representação da população nativa, ou, muitas vezes, exercia-se um controle indireto através de príncipes ou chefes locais que se tornavam "clientes" sob a proteção e tutela da Coroa britânica (modelo muito comum em algumas partes da Índia e da África).
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