Em O Leitor, a protagonista havia sido guarda em campo de concentração nazista e corresponsável pela morte de várias prisoneiras num galpão incendiado, fechado à chave. O simples gesto de abrir a porta poderia tê-las salvo. No entanto, amava a Literatura a ponto de se envergonhar de ser analfabeta, asssumindo passiva e sem defesa toda a culpa para não revelar essa condição.
No final da Segunda Guerra Mundial, quando chegaram num campo de concentração que contava com inúmeros prisioneiros inocentes, os soldados de uma das divisões das tropas aliadas surpreenderam alguns dos seus inimigos nazistas sentados e calmamente lendo uma das obras mais importantes e humanistas da literatura universal: nada menos do que Fausto, de Goethe.
Em A Biblioteca Esquecida de Hitler - Os Livros Que Moldaram a Vida do Führer, o autor revela que o genocida possuía três bibliotecas particulares, com 16 mil volumes, e se gabava de ler pelo menos um livro por dia.
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Permalink Responder até Bruno Leal em 27 setembro 2012 at 10:38
Armando, a resposta é diferente para cada contexto histórico.
Como historiadores, devemos procurar entender cada "sentido" atribuído a literatura. Não acha?
Permalink Responder até Armando Dantas em 27 setembro 2012 at 22:29
Acho que não captei o significado de "sentido", assim, entre aspas.
Permalink Responder até Brancaleone em 27 setembro 2012 at 21:29
A literatura tem exatamente o mesmo valor da matemática...
Permalink Responder até Semíramis libonati em 28 setembro 2012 at 13:20
Pela ótica do contexto histórico, a literatura é excelente para a compreensão da sociedade: moda, costumes, religiosidade, comportamento social e por fim a própria mentalidade de uma época. Portanto, a literatura é considerada uma importante fonte histórica, é só lembrar a Ilíada de Homero, o poema que é referência para a história grega. As diversas escolas, Clássica, Barroca, Arcadismo, Romantismo, Parnasianismo, Modernismos, foram a expressão dos anseios dos autores e seus personagens ao longo dos séculos.
Permalink Responder até Isabel Santos em 30 setembro 2012 at 7:52
Oque seria da humanidade sem a Bíblia?
É verdade que poucos põem em prática os seus concelhos, o que é lamentavel, mas se não existisse a Bíblia
o homem seria um selvagem, no sentido máximo da Palavra.
Muitos mesmo inconscientemente, seguem alguns princípios.
Vemos textos bíblicos, em vários discursos intelectuais. Até Gandy, reconhecia o valor do sermão da montanha.
Permalink Responder até Silvaniza Maria Vieira Ferrer em 2 outubro 2012 at 16:07
Para que serve a religião, para que serve a educação? Para que serve a poesia? Para que serve a música? Algumas pessoas viveram a vida toda sem conseguir ler absolutamente nada mesmo sabendo ler. Que é o homem sem literatura? Ele sobreviverá com certeza. Trabalhará e encontrará formas de sobrevivência. Alguns viverão da literatura. Dependerão do conhecimento para ganhar o pão de cada dia. Alguns escreverão, outros apenas lerão e serão incapazes de produzir qualquer obra literária. Para que serve a literatura? Para mim, serve para alimentar o espírito se for poesia, religião e filosofia. Para alimentar o conhecimento, se for científico. Para conhecer o que foi feito antes de mim, se for história, para simplesmente viajar por lugares nunca antes visitado apenas na imaginação quando leio romances, para simplesmente alimentar meu vício de nunca estar em lugar nenhum sem um livro na mão.
Permalink Responder até Rafael Freitas em 17 novembro 2012 at 6:02
Se gabava e até hoje tem quem acredite!
Permalink Responder até Silvaniza Maria Vieira Ferrer em 19 novembro 2012 at 15:49
??????????
Permalink Responder até Armando Dantas em 19 novembro 2012 at 17:22
Também não entendi a intervenção do Rafael. Em todo o caso, é fato que há livros (clássicos, inclusive) possíveis de se ler num dia, como Cartas A Um Jovem Poeta, de Rilke, por exemplo. Na média, entretanto, nem o mais feroz adepto da Leitura Dinâmica conseguiria essa façanha de ler um livro por dia.
Não obstante, sabe-se que Hitler era um leitor habitual. Em conversas privadas recitava de cor trechos de Nietzsche, Schopenhauer e óperas de Wagner (era um ator amador). O dado curioso é que, mesmo tendo como projeto dominar outras nações, só lia autores alemães, e no próprio idioma. Não teria escrito Mein Kampf — abstraindo a qualidade do texto — se não tivesse o hábito da leitura.
Permalink Responder até Armando Dantas em 19 novembro 2012 at 17:54
Acrescentando ainda que não é crível, pela sua postura egocêntrica e autoritária, que tivesse se valido de um ghost writer para fazê-lo.
Permalink Responder até Silvaniza Maria Vieira Ferrer em 20 novembro 2012 at 8:07
Não lembro quem disse: É perigoso um homem de um livro só. Para essa situação eu adaptaria a frase: é perigoso o homem que lê uma única vertente de livros. Vejo muito isso entre alguns estudos históricos não muito sérios. Se alguém não é cristão, só lê livros que detonem os cristãos; se alguém não gosta dos judeus, só lê livros que possa descobrir "podres" do povo judeu e assim por diante. Livros trazem em seu bojo a parcialidade de seus autores. De que adiantou Hitler ler tantos livros? Que títulos o atraíam e que títulos dispensava por contradizer o seu próprio pensamento? Por que queimar livros? O conhecimento as vezes podem formar mentes doentias...
Permalink Responder até Armando Dantas em 20 novembro 2012 at 19:18
Silvaniza;
Acho que vc toca num ponto nevrálgico da questão. Há autores (em todas as áreas) que parecem se limitar, pelo conteúdo dos seus textos, a "pregar aos convertidos". E, por outro lado, leitores que buscam apenas aquilo que querem ouvir — o reforço dos próprios pré-conceitos, dos estereótipos já introjetados — naquilo que leem. São dois polos de um mesmo processo, que prescinde de uma ferramenta indispensável para aquisição do verdadeiro conhecimento: o senso crítico.
Entendi e concordo plenamente com o seu ponto, apenas faria essa ressalva: não é o conhecimento que forma mentes doentias, mas a ausência de senso crítico. Uma leitura acrítica é a expressão mais bem acabada do anticonhecimento.
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A Memória que me contam - 2013
Entrou em cartaz o novo filme da diretora brasileira, Lúcia Murat, o drama "A Memória que me contam".
A ex-guerrilhera Ana (Simone Spoladore), ícone do movimento de esquerda, é o último elo entre um grupo de amigos que resistiu à ditadura militar no Brasil. Com a iminente morte da amiga, eles se reencontram na sala de espera de um hospital. Entre eles está Irene (Irene Ravache), uma diretora de cinema que sente-se perdida diante da iminente morte da amiga e que precisa ainda lidar com a inesperada prisão de Paolo (Franco Nero), seu marido, acusado de ter matado duas pessoas em um atentado terrorista ocorrido décadas atrás na Itália.
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