Se os escravos eram "mercadorias", "coisas", e como tal, podiam ser comprados, vendidos,etc., faziam parte de negociações comerciais, negociações estas que os bancos tanto interessa, seria possível que algum banco público ou privado tenha emprestado dinheiro para os "senhores" comprarem seus escravos?

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Excelente pergunta, Iziquiel.

Eu tenho quase certeza que sim. Mas não sou especialista no assunto.

Procure por algum trabalho da professora Keila Grinberg.

Ela é membro também do Café História. 

Abraço!

Como todos sabem, Rui Barbosa, para evitar que os ex-escravos ou seus descendentes entrassem com ações indenizatórias, mandou incenerar todos os documentos referente à escravidão. O que tem são documentos esparços, particulares ou de alguma serventia pública que se escusou de queimar seus arquivos. Fica, portanto, dificil afirmar que sim, por falta de documentação, mas quase certo que emprestavam porque na época era um negocio como outro qualquer.

Existe um livro sobre essa queima de documentos que esclarece o tema, bastante controverso e espetacularizado.

Olá Bruno, você tem o título deste livro? se tiver te agradeço, pelo menos é um caminho a encontrar ou tentar, respostas.

Grato

Olá, qual ou quais as fontes para esta afirmação? será que no contexto realmente haveria uma ação indenizatória? se a questão fosse esta bastaria que todos os negros africanos que entraram no Brasil após 1831 entrassem com esta "ação", ou quem sabe seus descendentes também.

Você já pensou na hipótese de que a queima de tais documentos poderia ser um pensamento (não estou afirmando) de que assim tentaria apagar esta mácula, todos seriam iguais, será que no contexto o pensamento não era que "vale o que está escrito", até mesmo a história "verdadeira" era a dos documentos oficiais.

Abraços

Olá Iziquiel, quanto a questão eu preciso que me esclareça o seguinte: de qual período você está falando? sem contextualizar o período a resposta pode ser um "chute anacrônico".

Posso te indicar um livro para esclarecer algumas coisas: "EM COSTAS NEGRAS" de Manolo Florentino.

"Ao desvendar os mecanismos do tráfico de escravos entre África e o Rio de Janeiro no período de 1790 a 1830......

(...) No centro dessa engrenagem, o autor destaca a figura complexa do traficante carioca, eram em geral dono de grande fortuna e parte integrante da elite econômica, cuja atuação, longe de se restringir ao Brasil, estendia-se a Portugal, África e aos portos de Goa e Macau". (grifo nosso).

Talvez sim,talvez não...só acho que não se deve generalizar.Talvez nem todos os bancos fizessem isso ou qualquer coisa parecida.

Na sociedade capitalista, os bancos fazem o papel que lhes coube: sujo e necessário no sistema...

Cuidado com o anacronismo.

Amiga, até 1808 o Brasil não tinha bancos.

Somete a partir de 1808 um único banco, o Banco do Brasil que faliu após a emancipação política do país (1822).

O negro era uma mercadoria com grande rentabilidade, era um investimento com retorno certo.

Em jornais da época casas bancárias anunciavam disponibilidade para "custear compra de negros", dependendo da utilização que seria dada a eles. "Negros domésticos" não tinha financiamento mas os que seria utilizados em canaviais, minas e criação de gado podiam ser financiados.

Pergunta relacionada: a partir de quando temos bancos no Brasil?

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