A republica brasileira, caracteriza-se por uma democracia de massas. Qual a sua opinião sobre o modelo eleitoral que autoriza o voto do analfabeto? E quanto a manipulação desse eleitorado através da mídia? É um voto de qualidade?

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se fosse somente aplicado aos iletrados tudo bem, o problema são os analfabetos políticos , que são a grande maioria e que estão a mercê das elites.
Oi, James! Tudo bem? Respondi ao Guilherme sobre a questão levantada no forum, e inclui você na resposta. Ampliei a discussão e gostaria da sua manifestação. Um abraço cordial.
O discurso da desqualificação do analfabeto como indivíduo senhor da sua liberdade de escolha é obscuro. Confesso não ter questão fechada para este tema ardiloso. As direitas liberais professam que as esquerdas os manipulam como massa de manobra, no entanto agem da mesma forma quando os querem ignorantes e calados. Eu tendo a achar que o uso crítico da razão não depende somente das letras e temos visto na História casos que o comprovam. Se estes casos são isolados, então eu tendo a concordar com o James em que não é um problema de maioria analfabeta, mas sim de uma maioria alienada politicamente, incluindo neste grupo os letrados, sejam analfabetos funcionais ou não.
Olá, Guilherme! Tudo bem? Apenas para ampliar o espaço da discussão: como você distinguiria o analfabeto e o analfabeto funcional, dessa "maioria alienada" a que você se refere? Seria essa "maioria alienada" a classe dos "alienados políticos", a que o James se refere? E o analfabeto, funcional ou não, não sofreria o controle político das mídias, tanto quanto o "analfabeto político"? Se podemos afirmar que o cerne de uma democracia de massas, como a nossa, está exatamente na manifestação do indivíduo-eleitor, independente de sua instrução, e se observarmos a composição política do nosso Congresso, tanto da Câmara como do Senado, no âmbito federal, em que são raros os verdadeiros representantes dos interesses da nação, desprezando os votos recebidos; e no âmbito estadual/municipal, complica-se mais ainda - como extrair desse conjunto republicano, federal, estadual, municipal, um dado posiivo do voto massificado e das suas péssimas escolhas, sempre validando corruptos notórios, fisiológicos, oportunistas, carreiristas? Não interessa avaliar o comportamento das ações de esquerda e direita, na manipulação dessa frágil entidade eleitoral que ambas manipulam, mas considerar apenas o resultado alcançado, a realidade que está politicamente diante de nós, partindo da proposição apresentada no forum?
Caro Mario, sim, estou significando "alienados políticos" como o James refere, e juntando analfabetos, analfabetos funcionais (estes alfabetizados pela educação pública apenas para servirem de estatística) e mesmo pessoas letradas neste mesmo grupo. Concordo com você quando sugere na entrelinha do seu discurso uma crise grave na democracia atual, e por isso mesmo fui para além do analfabeto simplesmente. Porém o tema é realmente obscuro, no sentido de que é muito difícil achar a resposta apenas no analfabeto. Somos capazes de fazer um bom uso crítico da nossa razão em situações extremas por exemplo ou em resposta a algum tipo de injustiça que vem nos massacrando a algum tempo, mesmo sendo iletrados? Os políticos de fantoche são colocados no poder apenas pelo "voto massificado irracional"? Ou corrupção eleitoral, clientelismo, mecanismos do próprio sistema como o suplente por exemplo, também contribuem? É uma crise profunda, concordo com você. Concordo também quando você diz sobre controle político das massas pela mídia, mas acho que essa massa é composta por outros grupos que não somente a dos analfabetos. Por exemplo, que democracia é essa que nós vivemos que não lança mão do instrumental do plebiscito para decisões importantes da nação?

Bom dia Guilherme. O Plebiscito é um instrumento democrático, institucional, por essa razão o seu uso fica restrito a questões que mais interessam a certos segmentos políticos. Na verdade, somos uma democracia de fachada. A questão colocada restringia-se apenas ao voto do analfabeto (mesmo o funcional - lê mas não entende). Claro, que os elementos que você agregou (corrupção eleitoral, clientelismo, os mecanismos de suplência - golpes brancos articulados pelo sistema) alteram o perfil de uma eleição, existem e controlam o processo eleitoral.

Mas observe, Guilherme, que a "democracia" continua praticando o "processo eleitoral" com o voto massificado irracional (o que inclui, não apenas o analfabeto eletrado, mas o analfabeto político), ainda que utilizando todos os recursos que possam corrompê-lo. Se há fraudes nas urnas - e há! - a questão levantada pretende apenas desenhar a importância da manipulação da massa, na escolha de candidatos.

O que você expõe está corretíssimo! E evidencia a grande fraude democrática. O objeto pretendido com a discussão era chegar a precariedade do modelo republicano brasileiro, que eterniza no poder a ilicitude política. Um abraço cordial.

Caro Mario, boa tarde. Estamos de acordo sim meu amigo, e num consenso. Somos um modelo precário de democracia. Sim, acredito que hoje haja inclusive muito mais manipulação de massa, pois está mais fácil a alienação pelas tecnologias (que deveriam servir ao homem e não ao contrário). Neste sentido, o analfabeto entra no pacote da alienação política mais ampla e é usado como massa de manobra sim, apesar de eu tender para a relativização quando acredito com otimismo que a exploração, na média ou longa duração, um dia explode em descontentamentos exigentes para que cetos débitos sejam ressarcidos. 

 

abração

 

Guilherme

A obrigatoriedade do VOTO tira a sensação de democracia real, a sociedade não é chamada a opinar e participar das decisões do país. Vejo um sistema político que vem perdendo a legitimidade e representatividade.

Abraços.

olá mário, diante de todas as argumentações colocadas nesse fórum sou obrigado a concordar que a falência do nosso sistema democrático não  encontra- se  somente pelo controle da elites políticas em relação aos " analfabetos políticos" , o controle da mídia, já abordado com muita propriedade por aqui , realmente se constituí também como um grande mecanismo de controle político- ideológico para com as massas( iletrados e analfabetos funcionais).

mário , só para reforçar o exemplo do plebiscito,o estado do Pará passará por um ao final do ano sobre a divisão, e sabemos que as intenções pela criação de mais dois estados ( Carajás e Tapajós) não partiram das populações tradicionais nem do povo humilde dessas regiões , mais sim das elites políticas locais que anseiam cortar o cordão umbilical com as velhas elites, e obter novos "feudos" como áreas de atuação^e influência. como você mesmo falou,  um mecanismo constitucional legitimo servindo aos interesses de uma minoria. satisfações

Olá, James.
Expressou com muita propriedade o problema da divisão do Estado do Pará. Assim também a questão da manipulação midiática das massas. E observe como está funcionando a mídia na criação dos Estados de Carajás e Tapajós. Quais são os jornais de maior circulação, suas tendências quanto a divisão do Estado e a que grupo pertencem. Há uma artigo postado aqui no blog, analisando o problema: DIVIDIR PARA CONQUISTAR (Parte 1). É muito interessante e um ponto de reflexão. Um abraço cordial.

Caros amigos,

Existem no Congresso Nacional propostas para a criação de 13 novos estados e territórios, concretizando-se todos, teremos uma federação de 37 estados e 3 territórios e cerca de 20 bilhões mais cara à União, seriam mais governadores, senadores e deputados estaduais/federais, tribunais, etc. etc.

Esta questão de novos estados, já que é custo da União, arcados por todos os brasileiros, seria correto a consulta/prebiscito de âmbito nacional.

abra~ços

Fazemos a pergunta como se não fôssemos parte da massa. Encaramos a política com olhos míopes e com muita esperança. Dá-se muita credibilidade aos partidos com a ideia do voto de qualidade. Qual voto é de qualidade se qualquer bunda no trono não alterará o status quo? Pensa-se ainda numa história de mocinhos e vilões. Deixe o passado no passado.

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