O que devemos fazer quando um possível entrevistado não aceita que gravemos ou filmemos seus depoimentos?

A utilização de fontes orais tem sido muito exploradas ultimamente. Em função disso, muitos problemas têm surgido. Alguns professores, de outras áreas,  não aceitam esta fonte como referência nos trabalhos realizados. O que devemos fazer, sobretudo quando os depoimentos não forem gravados nem filmados nas entrevistas?

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Respostas a este tópico

Realmente, José, a sua resposta é muito pertinente. 

Obrigado.

DEVE-SE RESPEITAR O DIREITO DELE.SÓ ISSO.
olá Ricardo, é super dificil sobressair numa situação como essa, proponha um acordo entre o (a) entrevistado (a) no sentido de que o verdadeiro nome não apareça é interessante porem não é proibido desde que seja justificado aos leitores.
Lidar com momentos iguais a este faz parte da arte de pesquisar, chamo arte por isso, por que temos que lhe dá com multiplas e singulares situações. É como se tivéssemos que provar nossa capacidade de perseverança, seja para conseguir autorização do colaborador, demonstrando o caminhos que você já traçou até ali, tentando conseguir dele um laço de amizade e confiança. Até mesmo se chegar a esse ponto de não autorização, pelo menos devemos tentar que a pessoa indique outra que tenha potencial semelhante, ou seja, o que devemos fazer nessa situação é não desistir da temática, procurando utilizar-se dos detalhes: o por quê da negação, o quanto isso pode até mesmo ajudar na sua fundamentação, por se tratar de um assunto delicado você pode descrever a própria dificuldade que é encontrar vestígios desse assunto, justificando o seu debruçar sobre ele, por estar ainda com brasas acesas no meio da cinza da histórica, apesar do fogo a muito tempo ter amenizado.

Se o entrevistado se recusa terminantemente a dar o depoimento, mesmo que você converse com ele sobre a importância de seu testemunho e mesmo que você ofereça a alternativa de um pseudônimo, deve-se respeitar a sua vontade. Não se pode extrair um depoimento, nem mesmo citar "oficiosamente" uma fonte.

 

Lembre-se, sempre, que é necessário um termo de seção de direitos autorizando a tomada do depoimento, restringindo seu uso a aspectos puramente científicos e acadêmicos. Isso protege os direitos do entrevistador e do entrevistado, e ambos devem ter cópias do termo. Muitos se esquecem disso, mas a utilização de depoimentos sem autorização expressa constitui crime.

E verdade, Renato. E o termo é uma forma de nos protegermos também. Muito importante. 

Nessa difícil situação, temos que usar a criatividade, acionar a memória, ou dar uma de 007.

Abs.

Também passei por uma situação assim no meu trabalho de conclusão do curso de graduação, Luiz. Uma das professoras que me serviram como fonte não me autorizou a gravar o aúdio da entrevista, pois a seu ver hoje em dia há um certo retorno da censura e poderia ser prejudicada, mas aceitou assinar o termo de cessão de depoimento oral. No fim das contas, me serviu de fonte do mesmo jeito, apesar de que, na minha opinião, se a entrevista tivesse sido gravada o resultado seria muito mais crível até para a própria entrevistada, já que conteria sua opinião com todas as palavras ditas, e não baseada em anotações simplificadas feitas no decorrer da conversa que tivemos. Mas, é a posição de cada um, e temos que respeitar.

Procure outro entrevistado, da mesma área.

Uma solução é omitir a identidade ou dizer isso no trabalho: que a pessoa não quis se identificar. É uma fonte.

Luiz, me lembrei da época em que eu estava na faculdade de História e fui fazer uma entrevista pra um trabalho da faculdade, fui eu e uns colegas tentar uma entrevista com uma figura histórica da cidade. Ele nos atendeu muito mal e mandou essa pérola: "Vocês não tem mais o que fazer na vida, vão procurar o que fazer!". Quer dizer, no Brasil poucos valorizam a educação e muito menos os historiadores e a História. Vejam o caso desse ministro imbecil que disse que não vai investir em educação porque o país pode falir, vejam o link

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1114889-aumento-de-gastos-para-e...

Olá Luiz Ricardo!

Primeiramente gostaria de mostrar uma experiência que vivi durante uma pesquisa.

Sou da área das Ciências Sociais, e em alguns casos, dependendo da pesquisa, as fontes orais são de grande importância na coleta de dados. Recentemente, em um projeto de pesquisa de caráter qualitativo, tivemos de fazer algumas entrevistas, mas nosso grupo focal eram adolescentes de menor. Tivemos de entregá-los um termo de consentimento dos pais ou responsáveis para que eles pudessem participar. E como Bruno Leal afirmou, o jeito mesmo é conversar e tentar o máximo possível explicar tudo sobre a pesquisa, que a contribuição do entrevistado será importante, e que os resultados da pesquisa poderão ser fornecidas para eles no fim de tudo. O jeito é diálogo mesmo. Tivemos algumas objeções, tendo em vista que usaríamos gravador, que não foi o caso da sua pergunta, mas a maioria aceitou após explicarmos o motivo pelo qual eles seriam importantes na participação da pesquisa. Como assinamos um termo do conselho de ética, somos responsáveis pela exposição dos dados fornecidos. Clareza e responsabilidade, acredito que sejam fundamentais. No nosso caso, priorizamos pela omissão do nome do entrevistado e mesmo que falassem, usaríamos, caso fosse necessário, um nome fictício. E se caso não quisessem gravar de jeito algum, seria necessário mesmo escrever manualmente. 

Espero ter contribuído!

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