O historiador e as novas tecnologias, as mídias sociais e os novos meios de produção/divulgação do conhecimento. O que o historiador pode fazer para se adequar a esse novo cenário que se desenha ?

Nos últimos anos (me refiro principalmente aos últimos 4 anos) uma grande renovação na forma como a informação é produzida, difundida, absorvida e compreendida (como processo) elevou de forma muito mais concreta a importância das novas tecnologias no cotidiano de nossa sociedade, processo que tem ocorrido também dentro dos muros acadêmicos. Porém nossa área parece estar um pouco relapsa à esse novo cenário, transparecendo até mesmo uma possível não adequação à esse processo. Outras áreas, por sua vez, já se adequaram muito bem a essas novas tecnologias; porém, nós estudantes e profissionais de História ainda nos encontramos incipientes na utilização dos gvSIG's, na eficaz utilização das fontes digitalizadas (fato discutível) e principalmente na utilização das novas mídias como meio de reprodução de conhecimento. Assim eu nos questiono, como relacionar o nosso ofício às novas tecnologias, de modo que essa interação possa depurar e facilitar a produção e divulgação do conhecimento histórico ?

Tags: -, História, Internet, Mídias, Novas, Saber, Tecnologias

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Olá Lucas

Entendo sua posição e também ja pensei neste assunto, o problem é o imediatismo do tema, nós Historiadores estamos acostumados a lidar com fatos que ja aconteceram há algum tempo. A ascensão das mídias sociais e a informação livre está acontecendo agora, o que nós podemos fazer como pesquisadores é avaliar os beneficios/maleficios que esta nova situação está nos trazendo. Por exemplo, um fato que ocorreu em 2011 à Primavera Árabe foi um evento de curta duração na perspectiva histórica porém teve grande influencia trasnformativa no Oriente Médio e já pode ser analisada. Ja a situação da revolução da informação ainda esta acontecendo e seus efeitos demasiadamente variados.

Estas novas mídias se inserem na discussão e propagação do conhecimento, porém na perspectiva histórica ainda vejo muitas permanencias e o mal uso destas "informações" (em aspas devido aos conteúdos duvidosos).

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Meus cumprimentos. Muito boa sua colocação ao final do comentário - "Estas novas mídias se inserem na discussão e propagação do conhecimento, porém na perspectiva histórica ainda vejo muitas permanencias e o mal uso destas "informações" - também vejo certa imprecisão no uso das novas tecnologias, não só pelos da História, mas por outros também. 

Mas Danilo será que como 'pessoas de História' nosso papel em meio a esse cenário sempre em mudança, será o de mero admirador, crítico ou mesmo de um participante passivo. Será que não podemos adequar a nossa produção à essas novas formas de propagação, com o intuito de possivelmente, aprimorarmos nosso modo de reprodução de conhecimento atingindo assim um maior público ? E se algumas informações são discutíveis (como você apontou) não cabe a nós, estudantes/pesquisadores/profissionais de História depurá-las? 

Abraços.

Bom se você estiver querendo se adequar no sentido de utilizar estas novas formas de informação para propagar o conhecimento histórico fico na dúvida sobre qual caminho seguir, o histórico ou o didático, pois veja, no ramo histórico nós temos a biblioteca nacional com seus acervos digitalizados e alguns museus com seus conteúdos já online. Se caminharmos para uma postura didática, com o intuito de ensinar, ja há trabalhos digitais no sentido de jogos interativos para ensinar e também interfaces de aprendizado,  aconselho a procurar pelo museu de artes e oficios de BH na internet, se adequa ao meu exemplo.

Eu utilizo o Facebook como canal de interligação entre meus alunos, uma proposta nova (para mim), pois assim exponho meus conteúdos e materiais mais rapidamente. Tomei esta postura pois sou Jovem, leciono para jovens e compreendo um pouco o seu mundo, e mesmo com minha exposição a busca do conteúdo, algo que deve partir dos educandos, me parece passar desapercebido entre eles.

Sobre trabalhar com novas mídias, tome o exemplo do Café História, é uma mídia social destinada á um grupo determinado, ou seja nós. Então eu tomo a conclusão de que nós formados nos tempos atuais devemos acompanhar o rítimo da sociedade atual para prover um ensino mais socializante/humanista.

Espero estar sanando sua dúvida.
Abraço.


Oi, Lucas! Tudo bem?

Acho que o principal eixo desta questão passa pelo entendimento de que tudo isso, antes mesmo de ser uma revolução técnica, é uma revolução de paradigmas. Isso significa muita coisa. Por exemplo: precisamos reconhecer (ou lembrar) que a sala de aula, o processo de ensino-aprendizagem, ou mesmo de divulgação científica, é um processo de comunicação. 

Uma provocação: seria a palavra "adequar" realmente boa? Eu tenho sérias dúvidas. Acho que ela pode gerar um sentimento negativo entre os profissionais da área. Acho que podemos falar em um cenário que precisa ser compreendido, explorado, utilizado. Concorda? Abraço!

Aah sim, os novos paradigmas; acredito que é necessária uma maior atenção de nossa parte para uma melhor compreensão desses novos paradigmas. Talvez o processo de forte expansão da comunicação tenha ocorrido de forma tão ágil e diversificado, que a adaptação/compreensão desse novo ambiente tenha ocorrido, por sua vez, de forma mais morosa; ocorrendo até mesmo uma certa imprecisão ou limitação no entendimento desse ambiente.

E sobre o termo "adequar" ... tenho que concordar, acho que seria mais interessante uma mudança. Mas é importante salientar que o emprego do termo tenta representar uma ação mais eficaz por parte dos historiadores para com as novas tecnologias, novos ambientes - no sentido de que é necessário um esforço cada vez maior para uma relação verdadeiramente 'frutífera' - o que talvez fosse alcançado de melhor maneira com o emprego de algum termo apontado pelo professor.

Abraços, Bruno.

Lucas, a internet é mais ou menos como se fosse um arquivo: o que cada um de nós vai tirar dali depende do que está procurando. Me tomando como exemplo, os livros digitalizados do século 19 no Google Books e no Internet Archive são um tesouro, enquanto os blogs sobre a Primavera Árabe são de pouco interesse prático, apesar de saber que são material potencialmente muito bom para quem lida com isso. Os interesses diversificados tornam difícil uma solução unificada, e provavelmente cada subcampo vai avançar no seu ritmo.

Quanto à divulgação: concordo 100% que deveria ser uma prioridade. Mas mesmo antes da internet já existia o problema da separação entre o conhecimento acadêmico e a sociedade. Se me perguntar, eu diria que parte do problema é que a divulgação não é profissionalmente valorizada. Escrever um livro técnico que ninguém lê, um artigo numa revista acadêmica fuleira, dar uma cadeira maldada numa faculdade qualquer enchem o Lattes e contam pontos em concursos e seleções, mas escrever para o público leigo não é muito levado em conta...

Aah sim, também acredito que "provavelmente cada subcampo vai avançar no seu ritmo", e acredito que essa diversificação no entendimento e utilização dará margem à outras mudanças e inovações.

E será que com esse processo tão renovador (novas mídias, novas metodologias, novas interações), o encastelamento da academia não terá de ser discutido de forma mais vigorosa? Será que mesmo com a 'democratização do conhecimento' (seja esse conhecimento válido ou não) promovida pela Internet, ainda teremos o cerceamento da produção acadêmica à círculos sempre restritos ?

Abraços, Emannuel. 

Historicamente as novas tecnologias se apresentam ao processo de conhecimento humano como ferramentas eficazes, renovadoras e transformadoras de nossa ampla e frágil realidade. Os estudantes de História / historiadores / professores não podem ficar fora dessa discussão, pois temos assistido inúmeras experiências no sentido de empregar as tecnologias de multimídia integradas aos projetos pedagógicos e apresentados como soluções unilaterais milagrosas para incentivar os estudos de História. É inegável que a capacidade dos computadores de processar e exibir programas com sons, imagens, animações, vídeos, edições e textos – de modo interativo e integrado – contribui significativamente para o trabalho / as pesquisas de professores / historiadores. Acredito que o uso real, eficaz e pedagógico das novas tecnologias no ensino podem auxiliar na compreensão do processo histórico critico. O uso da Informática no ensino ainda é um campo amplo a ser explorado pelos professores / educadores, embora o aluno esteja nas melhores condições de trabalhar com os mais elevados níveis do aprendizado, através de ferramentas que apoiem atividades bidirecionais, colaborativas e interdisciplinares. Os diversos meios oferecidos por softwares multimídia podem estimular diferentes sentidos do estudante e adequar o processo às múltiplas inteligências existentes e, consequentemente, incentivar e aguçar os estudos sobre História. Observamos que as novas tecnologias de multimídia e a rede Internet somam-se aos outros recursos que se apresentam, pois pode funcionar como um fórum para discussão de temas específicos - como estamos fazendo aqui -, desenvolvendo habilidades de pensamento, suas estruturas lógicas e a capacidade de comunicação. Com a tecnologia da informação, consegue-se alcançar todos os cantos do globo, encurtando-se as barreiras físicas e culturais. A telemática é, sem dúvida, uma excelente ferramenta à nossa disposição, desde que contextualizada à proposta educacional. É preciso identificar exatamente o que se deseja, de modo que se possa buscar na Informática o que realmente ela pode oferecer como contribuição.
Valeu?!...

Muito bom argumento Professor, acho que trouxe aspectos importantes à essa discussão. O trecho que me chamou mais atenção foi "Os diversos meios oferecidos por softwares multimídia podem [...] adequar o processo às múltiplas inteligências existentes", pois lança luz à uma importante faceta desse novo cenário, o da possível melhoria nos estudos e na pesquisa [concepção que eu acredito ser verdadeira], o que talvez aprimore a compreensão e aderência das mais diversas pessoas, como você também argumentou. 

Abraços, Professor. 

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