Para Perry Anderson no Livro Linhagem do Absolutismo - a aristocracia feudal, a mesma classe dominante da época medieval, foi também dominante na fase inicial da modernidade: “[...] essa nobreza passou por profundas metamorfoses nos séculos que se seguiram ao fim da Idade Média: mas desde o princípio até o final da história do absolutismo nunca foi desalojada de seu domínio do poder político”
O Estado absolutista do Ocidente, nos dizeres de Anderson, foi um mecanismo criado pela aristocracia feudal para consolidar seus domínios, não foi um arbitro perante um conflito de classes, nem bem fruto do capital burguês. Este Estado Absolutista foi um aparelho de dominação feudal recolocado e reforçado, destinado a sujeitar as massas camponesas à sua posição social tradicional.
O Estado Absolutista foi um aparelho de dominação feudal?
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Permalink Responder até Luis Marcelo Santos em 13 dezembro 2010 at 9:02
Por que não dizer que o Estado Absolutista foi uma estrutura de modo a agradar as duas maiores forças: aristorcracia feudal e a cada vez mais ascendente classe burguesa? O absolutismo fortalece o sistema feudal, que estava em crise, porém, não havia como os reis extinguirem um oponente tão poderoso como era a nobreza feudal, muito menos desperdiçarem um grande colaborador como se fizeram os nobres na submissão da população, principalmente a rural (grande maioria). Não há modelo de exercito nacaional como conhecemos hoje, toda a defesa interna e externa ficava a cabo da nobreza. A nomeação de cargos administrativos (tanto no governo real como nas administrações regionais e locais) também era diferente, ficando os nobres com a função de manter a ordem desejada pelo rei.
É impressionante como só parece existir a teoria marxista e não a busca pelo contexto histórico em si.
Ui, era um 'aparelho' da 'nobreza' e aí depois a 'burguesia' 'acumula capital' e então submete a 'massa' ao controle
ávido do 'lucro', mantendo as organizações 'repressivas' para que as 'classes populares' não sobrepujassem o domínio
restrito da 'propriedade privada' e do controle dos 'bens produtivos' ou 'meios de produção'.
Eu não gosto nem de comentar que ao entrar no curso de história fui pego por essa febre, mas, seu vírus é tão inócuo que depois basta tomar um copo de água pra perceber que desse jeito o cara não precisa nem ir ao arquivo e buscar os dados pra criar a pesquisa, basta ele ficar em casa lendo os marxistas, pq sinceramente, Marx não se dobrou a esse tipo de análise rasa (excetue-se o manifesto, panfleto ideológico voltado para o fácil entendimento do operariado, quase como um clamor para que se fizesse a revolução nas circunstâncias históricas que aquela conjuntura permitia).
Até parece que só existia o camponês em função dos atributos feudais, ou seus vestígios, ou as oficinas e seus atributos. Veja bem, a instituição do Estado sempre existiu vindo de um poder restrito, que, tudo bem, tinha a questão da sustentação da família real, essa coisa toda e sempre teve uma fiscalização de forma que pudesse requerer tributos dos componentes deste ou daquele reino, pra centralizar e manter os gastos luxuosos e de manutenção da burocracia, mas, dizer que era um aparato de dominação feudal! Que dominação feudal?! Se a propriedade era privada e o dono pagava imposto ao Estado, como é que o Estado domina a população? A exploração do trabalho, logo diriam os sapientes. E as formas de burlar essa fiscalização? Não existiam? Pera aí... É difícil falar sem ter pesquisa sobre aquela realidade, e o Perry Anderson nos anos 60 pro 70 tava mais interessado em contribuir pro PC Inglês do que pesquisar a História, propriamente dita. Não me coloco na posição de historiador, mas, de crítico da leitura desse material. É triste que continuemos nos alimentando desse tipo de pesquisa a-histórica e desrespeitando as pessoas que viveram no período e nunca se enquadraram nessas taxonomias de teóricos. Aí o que é que fazem, vão babar o ovo do Foucault, do Certeau, e criam uma outra forma de teorizar a História, pra serem "plurais", só no nome. Na pesquisa em si, falta muito. É um 'estupro moral' da constituição da História enquanto campo do conhecimento.
Eduardo de Andrade Machado
Permalink Responder até Juvenal Santana em 3 julho 2011 at 18:23
Qual é seu problema com os marxistas. Será que sofreu alguma decepção amorosa, pq julgar Perry Anderson? Vc já foi comunista do partido inglês? Vc já foi estuprado moralmente? Desculpe Dudu mas não entendi sua postura fico peocupado quanto provoco um debate e acabo ofedendo os puritanos neoliberais.
Abrço e saudações históricas....
Permalink Responder até Andre Martinez em 3 julho 2011 at 19:58
Permalink Responder até Brancaleone em 3 julho 2011 at 21:56
Pois eu adoro Marx!!! O Grouxo Marx é claro!! ele e os irmõs dele...
O outro Marx, o tal de Carl já é outra coisa. Sujeitinho sem graça, um cara que pregava a destruição do modo de vida em que eu vivo e bem, susbtituindo por uma anarquia tamanha que qualquer coisa (qualquer coisa mesmo) que se imponha depois vai parecer coisa boa...
Mas isso é off-topic...
Concordo com você André. Marx foi a primeira personalidade que me identifiquei ao entra para Universidade.
Ele continua até hoje como referência indiscutível sobre relações sociais, entre outro. Suas críticas ao capitalismo são condizentes com a realidade globalizada hoje. Criticar Marx significa legitimar a exploração capitalista.
Se por um lado o cionhecimento é a compreensão inteligível da realidade, que o sujeito humano adquire através do estudo e de sua confrontação com a realidade histórica, cultural e existencial, por outro lado o conhecimento pode alienar o indivíduo a ponto dele conhundir criticidade com conformidade.
Abs.
Permalink Responder até Brancaleone em 3 julho 2011 at 21:46
Mas é claro que foi.
Nada mais normal e natural ou seja, a exacerbação do exercício da preservação do status quo de quem domina e quer manter-se dominando.
Estados absolutistas revelam-se sempre em maior ou menor intensidade e em todas as nações. Fidel faz isso, as ditaduras no oriente médio tambem, os militares brasileiros pós 64 idem e Chávez (o palhaço da Venezuela, não o do México...) esta tentando fazer ou seja, o absolutismo é uma forma de exercer o poder de tal maneira eliminar as ameaças a ele.
Permalink Responder até Luis Marcelo Santos em 11 julho 2012 at 11:11
Amigos: o ponto em questão é que, gostemos ou não, é ingenuidade negarmos a influência econômica em todas as transformações históricas. Não é a questão se a escola histórica marxista é mais ou menos certa que outras. Tanto que independente de nossas paixões ideológicas precismos é buscar uma compreensão cada vez mais ampla dos fatos, que só é possível a buscando em todos os lugares que sejam viáveis. No caso, economia que se entenda como a produção de riquezas, sustento, consumo, que não envolve necessariamente apenas o dinheiro propriamente em si.
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Entrou em cartaz o novo filme da diretora brasileira, Lúcia Murat, o drama "A Memória que me contam".
A ex-guerrilhera Ana (Simone Spoladore), ícone do movimento de esquerda, é o último elo entre um grupo de amigos que resistiu à ditadura militar no Brasil. Com a iminente morte da amiga, eles se reencontram na sala de espera de um hospital. Entre eles está Irene (Irene Ravache), uma diretora de cinema que sente-se perdida diante da iminente morte da amiga e que precisa ainda lidar com a inesperada prisão de Paolo (Franco Nero), seu marido, acusado de ter matado duas pessoas em um atentado terrorista ocorrido décadas atrás na Itália.
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