O Estado Absolutista foi um aparelho de dominação feudal?

  Para Perry Anderson no Livro Linhagem do Absolutismo - a aristocracia feudal, a mesma classe dominante da época medieval, foi também dominante na fase inicial da modernidade: “[...] essa nobreza passou por profundas metamorfoses nos séculos que se seguiram ao fim da Idade Média: mas desde o princípio até o final da história do absolutismo nunca foi desalojada de seu domínio do poder político”
   O Estado absolutista do Ocidente, nos dizeres de Anderson, foi um mecanismo criado pela aristocracia feudal para consolidar seus domínios, não foi um arbitro perante um conflito de classes, nem bem fruto do capital burguês.  Este Estado Absolutista foi
um aparelho de dominação feudal recolocado e reforçado, destinado a sujeitar as massas camponesas à sua posição social tradicional. 
O Estado Absolutista foi um aparelho de dominação feudal?

Exibições: 2840

Responder esta

Respostas a este tópico

Por que não dizer que o Estado Absolutista foi uma estrutura de modo a agradar as duas maiores forças: aristorcracia feudal e a cada vez mais ascendente classe burguesa? O absolutismo fortalece o sistema feudal, que estava em crise, porém, não havia como os reis extinguirem um oponente tão poderoso como era a nobreza feudal, muito menos desperdiçarem um grande colaborador como se fizeram os nobres na submissão da população, principalmente a rural (grande maioria). Não há modelo de exercito nacaional como conhecemos hoje, toda a defesa interna e externa ficava a cabo da nobreza. A nomeação de cargos administrativos (tanto no governo real como nas administrações regionais e locais) também era diferente, ficando os nobres com a função de manter a ordem desejada pelo rei.

É impressionante como só parece existir a teoria marxista e não a busca pelo contexto histórico em si.

Ui, era um 'aparelho' da 'nobreza' e aí depois a 'burguesia' 'acumula capital' e então submete a 'massa' ao controle

ávido do 'lucro', mantendo as organizações 'repressivas' para que as 'classes populares' não sobrepujassem o domínio

restrito da 'propriedade privada' e do controle dos 'bens produtivos' ou 'meios de produção'.

 

Eu não gosto nem de comentar que ao entrar no curso de história fui pego por essa febre, mas, seu vírus é tão inócuo que depois basta tomar um copo de água pra perceber que desse jeito o cara não precisa nem ir ao arquivo e buscar os dados pra criar a pesquisa, basta ele ficar em casa lendo os marxistas, pq sinceramente, Marx não se dobrou a esse tipo de análise rasa (excetue-se o manifesto, panfleto ideológico voltado para o fácil entendimento do operariado, quase como um clamor para que se fizesse a revolução nas circunstâncias históricas que aquela conjuntura permitia).

Até parece que só existia o camponês em função dos atributos feudais, ou seus vestígios, ou as oficinas e seus atributos. Veja bem, a instituição do Estado sempre existiu vindo de um poder restrito, que, tudo bem, tinha a questão da sustentação da família real, essa coisa toda e sempre teve uma fiscalização de forma que pudesse requerer tributos dos componentes deste ou daquele reino, pra centralizar e manter os gastos luxuosos e de manutenção da burocracia, mas, dizer que era um aparato de dominação feudal! Que dominação feudal?! Se a propriedade era privada e o dono pagava imposto ao Estado, como é que o Estado domina a população? A exploração do trabalho, logo diriam os sapientes. E as formas de burlar essa fiscalização? Não existiam? Pera aí... É difícil falar sem ter pesquisa sobre aquela realidade, e o Perry Anderson nos anos 60 pro 70 tava mais interessado em contribuir pro PC Inglês do que pesquisar a História, propriamente dita. Não me coloco na posição de historiador, mas, de crítico da leitura desse material. É triste que continuemos nos alimentando desse tipo de pesquisa a-histórica e desrespeitando as pessoas que viveram no período e nunca se enquadraram nessas taxonomias de teóricos. Aí o que é que fazem, vão babar o ovo do Foucault, do Certeau, e criam uma outra forma de teorizar a História, pra serem "plurais", só no nome. Na pesquisa em si, falta muito. É um 'estupro moral' da constituição da História enquanto campo do conhecimento.

 

 

Eduardo de Andrade Machado

Qual é seu problema com os marxistas. Será que sofreu alguma decepção amorosa, pq julgar Perry Anderson? Vc já foi comunista do partido inglês? Vc já foi estuprado moralmente? Desculpe Dudu mas não entendi sua postura fico peocupado quanto provoco um debate e acabo ofedendo os puritanos neoliberais.

 

Abrço e saudações históricas....

Criticar Perry Anderson é infantilidade. Ele faz severas críticas as teorias de Marx e Engel sobre o assunto tratado, ele explica a partir dos conceitos instituídos por Marx e com uma visão moderna (do seu tempo) o que ele define como absolutismo. Dar porrada em um escritor que tem seus livros como fonte de leitura em quase todas as universidades é mole, eu quero ver é escrever um. Nunca vi um site com tantas pessoas com raiva do marxismo, Marx continua incomodando muita gente até os dias de hoje. Viva Marx.

Pois eu adoro Marx!!! O Grouxo Marx é claro!! ele e os irmõs dele...

O outro Marx, o tal de Carl já é outra coisa. Sujeitinho sem graça,  um cara que pregava a destruição do modo de vida em que eu vivo e bem, susbtituindo por uma anarquia tamanha que qualquer coisa (qualquer coisa mesmo) que se imponha depois vai parecer coisa boa...

Mas  isso é off-topic...

Concordo com você André. Marx foi a primeira personalidade que me identifiquei ao entra para Universidade.

Ele continua até hoje como referência indiscutível sobre  relações sociais, entre outro. Suas críticas ao capitalismo são condizentes com a realidade globalizada hoje. Criticar Marx significa legitimar a exploração capitalista.

Se por um lado o cionhecimento é a compreensão inteligível da realidade, que o sujeito humano adquire através do estudo e de sua confrontação com a realidade histórica, cultural e existencial, por outro lado o conhecimento pode alienar o indivíduo a ponto dele conhundir criticidade com conformidade. 

Abs.

Mas é claro que foi.

Nada mais normal e natural ou seja,  a exacerbação do exercício da preservação do status quo de quem domina e quer manter-se dominando.

Estados absolutistas revelam-se sempre em maior ou menor intensidade  e em todas  as nações. Fidel faz isso, as ditaduras no oriente médio tambem, os  militares brasileiros pós 64  idem e Chávez (o palhaço da Venezuela, não o do México...) esta tentando fazer ou seja, o absolutismo é uma forma de exercer o poder de tal maneira eliminar as ameaças a ele.

Amigos: o ponto em questão é que, gostemos ou não, é ingenuidade negarmos a influência econômica em todas as transformações históricas. Não é a questão se a escola histórica marxista é mais ou menos certa que outras. Tanto que independente de nossas paixões ideológicas precismos é buscar uma compreensão cada vez mais ampla dos fatos, que só é possível a buscando em todos os lugares que sejam viáveis. No caso, economia que se entenda como a produção de riquezas, sustento, consumo, que não envolve necessariamente apenas o dinheiro propriamente em si.

Dá para entender que antes da Revolução Francesa existia uma sociedade de ordens e que clero, nobreza e povo não eram classes sociais? A sociedade de classes é um produto do liberalismo e da correspondente igualdade perante a lei e liberdade individual... Antes, dentro do clero, da nobreza e do povo havia grandes estratificações ao nível do prestígio social e do rendimento dos indivíduos... com ricos, pobres e remediados no interior de cada ordem...

No Absolutismo, os reis tentam ganhar poder, através de uma burocracia e funcionalismo estatal, em face da aristocracia (alta nobreza e alto clero)..., sendo geralmente apoiados pelo povo nesse processo de redução dos poderes senhoriais perante a Coroa/Estado. O exército real vai deixar de estar dependente da contribuição das levas dos senhores... Houve revolta da aristocracia e liquidação de altos senhores neste processo... A última importante resistência da aristocracia constituiu a primeira fase da Revolução Francesa, com os aristocratas a obrigarem à convocação dos Estados Gerais contra a vontade do rei.

Tenho um texto que pode ajudar neste debate: ALEXIS DE TOCQUEVILLE E O ANTIGO REGIME: CONTINUIDADES E RUPTURAS

LINK: https://blogdotcheba.wordpress.com/2016/04/24/alexis-de-tocqueville/

Está no meu blog pessoal. A ideia do endereço é divulgar o conhecimento histórico por meio de uma linguagem acessível, mas sem ser vulgar. Difícil objetivo, não? Os textos, todos de minha autoria, abordam vários temas da disciplina.

Oi Rafael,

  Visitei o seu blog e achei o texto interessante, mas é importante mencionar que o contexto francês não pode ser generalizado para a Europa como um todo.

  Tome o caso, por exemplo, da Inglaterra. Lá havia uma nobreza hereditária, mas essa nobreza não era mais feudal na medida em que obrigações feudais tinham sido já oficialmente abolidas por lei por volta do século XVII. Em 1688, o poder absoluto dos reis foi definitivamente derrubado com a Revolução Gloriosa e, embora o rei  ainda mantivesse inicialmente uma autoridade executiva, ela foi progressivamente submetida ao Parlamento onde o poder pertencia essencialmente à classe dos grandes proprietários rurais divididos entre os pares hereditários representados na Câmara dos Lordes e os proprietários de terras sem título de nobreza  ("gentry")  representados na Câmara dos Comuns.  No século XIX, especificamente a partir de 1832, com a extensão do sufrágio parlamentar, as classes médias urbanas ganharam  direito de voto e representação também na Câmara dos Comuns , passando a dividir o poder com os proprietários rurais.

Como você compararia o caso inglês com o francês e explicaria a diferença entre os dois ?

Isso também depende de qual país...pois o Estado Absolutista era semelhante em ambos os países, mas eles tinham algumas diferenças. O absolutismo da França feudal era diferente do absolutismo da Espanha da Reconquista.

RSS

café história acadêmico

Lançamento: A 13ª Edição da Revista Ars Histórica está no ar cheia de novidades. Nesta edição, os leitores encontrarão o dossiê "Império Português em Perspectiva: Sociedade, Cultura e Administração (XVI-XIX)" apresentado pelo Prof. Dr. Antonio Carlos Jucá, PPGHIS-UFRJ. Clique aqui para conferir na íntegra.

bibliografia comentada

Política de Privacidade

Para ler nossa "Política de Privacidade", clique aqui.

Atenção!

O Café História respeita a opinião de todos nos mais diversos espaços da rede. Reserva-se, no entanto, o direito de suspender textos de teor ofensivo, agressivo ou que sustente preconceitos de qualquer ordem, que promovam a violência ou que estejam em desacordo com o bom senso e as leis brasileiras. Se identificar algum conteúdo ofensivo ou comportamentos inadequados, por favor notifique-nos: cafehistoria@gmail.com

Fale Conosco

Encontrou alguma mensagem racista, preconceituosa ou ofensiva no Café História? Entre em contato conosco. cafehistoria@gmail.com

dicas de dezembro

© 2017   Criado por Bruno Leal.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

body, .xg_reset .xg_module_body { line-height: 1.3; }