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Jane Rosana Cassol

Nós, historiadores, devemos persistir no erro histórico e continuar a chamá-los de “índios”?

Um erro náutico do século XVI designou historicamente e genericamente todas as populações da América pré-colombiana pelo termo “índios”. Sem respeitar as especificidades de cada grupo étnico essa generalização acabou por fornecer a eles uma identidade coletiva . Não existe nenhum povo, tribo ou
clã com a denominação de índio
. Cada “índio” pertence
a um povo, a uma etnia identificada por uma denominação própria.É possível que
um guarani, um caingangue,um terena ou um yanomani quando pensa em si, se veja como um brasileiro, como um índio ou como pertencente a uma cultura e etnia de nascimento.O que define a identidade de determinado grupo étnico não é nem o seu biótipo nem a sua cultura, mas sim a auto-afirmação identitária.Nós, historiadores, devemos persistir no erro histórico e continuar a chamá-los de “índios”?


http://www.pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/eixo6/etnico_raciais/o...

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Respostas a este tópico

Concordo com a Maria, é um erro grotesco,porém, muito antigo e repetido. Deve-se à teimosia esquisofrênica do pobre e célebre Colombo, que morreu afirmando que chegara às 'Indias'. Na verdade, foi Vasco Da Gama quem chegou e por outro caminho. Mas como chamá-los? Silvícolas? Era assim em meus tempos de colégio(ou aborígenes, qdo estudei em B. Ayres e Montevidéu em minha infância). A sociologia, que relativiza tudo, gosta de trocar nomes que não lhe são muito simpáticos. E inferniza a imprensa e o dia-a-dia com seu néo-volcabulário.Tyler, que foi pioneiro na etnologia, era um 'evolucionista', adepto de Darwin. E não tinha papas na língua.Para ele, 'primitivismo'(agricultura-politeísmo), 'cultura'(foi ele que adotou este 'nome') e 'civilização' tinham estes nomes. Portanto, acho tarde para que se dê outro nome aos 'índios'. Tudo isto me lembra a canção de Bob Dylan "Men Gave Name to all the Animals"( os Homens Deram Nome a Todos os Animais). E o fato de o mundo ser eurocêntrico(por enquanto) não me desagrada.
Pelo contrário, acho saudável nossa civilização e 'nosso' Café História. Abrçs., Sandra C.

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Deixem-me colocar um pouco de lenha nessa interessante fogueira, cujas chamas ameaçam se projetar numa única direção.
Do que li acima, pareceu-me que nós, historiadores, devemos preparar as próximas gerações a abandonarem o uso de denominações que julgamos incorretas.
Assim, não devemos mais chamar os índios de "índios", porque eles assim não se chamam, e esse argumento me parece dotado de coerência.
Também não mais devemos chamar os americanos de "americanos", porque americanos somos todos nós, nativos do continente. Chamemo-los, pois, de "estadunidenses" (termos que, aliás, eu uso preferentemente). Ocorre que eles, os estadunidenses, chamam a si mesmos de "americans" (americanos). E então eu me pergunto para onde foi a coerência.

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seria pq eles se julgam os únicos??

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Querido Alvaro, pergunto: conheces um país de nome "América"? eu não...entendo que eles se denominam assim por julgarem-se "donos" do continente e o pior :fazem os brasileiros, chilenos, bolivianos, iraquianos, afegãos,iranianos acreditarem que eles são os americanos ou norte- americanos.. nova pergunta Canadá??onde fica??México?
Deus abençoe o continente!!!

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Jane, ainda não li o documento todo, mas sei que se no passado esse erro representou uma discriminação com esses povos, hoje, motivo de orgulho, ele indica o povo antigo residente no brasil antes dos colonizadores. Acho que rótulos nunca foram bons e que a cada época muda o sentido. Hoje, os afro-descendente se afirmam negros, e esquecem a sua "parte branca" ou "índia", favela são chamadas de comunidades, o que só quer significa "grupo", como comunidade cietífica e etc. Acho que depois de tanto tempo, embora no início tenha sido um erro de identificação, hoje não faz mais sentido mudar, pois sempre significará a mesma coisa. E quem sabe, não será novamente perjorativo? Índio, hoje significa somente, povos antigos, povos pré-colonização, não deve ser mudado, pois deixaria de identifica-los como povos de origem antigas e com suas culturas e tradições. Atualmente, o termo indígina, indica que essa comunidade tem e deve preservar sua cultura ancestral.

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Respeito e entendo tua opinião.
E não tinha me dado conta, bem lembrado, ngm mais pode dizer "negro" hj para alguém descendente de povos africanos- o certo é afro-descendente, prá ser politicamente e etnicamente correto. É difícil? Não.
Milhões de brasileiros possuem ascendência africana, embora raríssimos tenham alguma idéia da parte e do povo da África aos quais suas origens poderiam ser averiguadas; além disso, não podemos esquecer os primórdios da península ibérica conquistada por tropas muçulmanas vindas do Norte de África que cruzaram o mar Mediterrâneo na altura do estreito de Gibraltar. Mas alguem lembra isso?Aqui e lá em Portugal?
tem mais --http://imigrantes.no.sapo.pt/page2Africanos.html

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Embora cada tribo e povo tenha sua identidade própria acredito que a essa altura seria muito prejudicial mudar a nomeclatura sobre estes povos americanos, pelo menos para que possamos ter uma identificação com o que já conhecemos deles, que são povos primitivos e cultivadores e de uma cultura própria também. Creio que eles também acabam aceitando esta idéia que fazemos deles, colaborando para que assim continuemos a nomeá-los como indios.

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Oi, Jane. Realmente não existe um país chamado "América". E, a rigor, os Estados Unidos são um país sem nome (como, aliás, Caetano cantou em "Soy loco por ti, America"). Mas - recordemos - isso tem a ver com sua origem. A Inglaterra não tinha uma colônia no continente americano, como Portugal tinha o Brasil. Havia várias delas que, em certo momento, romperam os laços com a metrópole européia e decidiram se unir. Cada uma se entendia como um estado soberano e essa união foi espontânea. Daí o termo "Estados Unidos". É curioso que, posteriormente, várias ex-colônias íbero-americanas, viriam a também usar essa denominação (como os "Estados Unidos do Brasil") de forma absolutamente inadequada, uma vez que essas novas nações não nasceram da união de estados soberanos.

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Quanto aos "índios", dá-se o mesmo com os "ciganos" - um termo genérico cunhado por não-ciganos. Eles próprios usavam (e penso que ainda usam) os nomes de suas tribos: Kalderash, Matchuaia, Lovara, etc, ou de suas "nações": Rom, Sinti, Kalé. Mas, ultimamente, tem se generalizado (sobretudo na Europa) o emprego do termo "Rom" para designar todos eles, na suposição de que eles assim se chamam. Como os ROM sempre foram mais estudados pelos ciganólogos, acabou se adotando uma certa generalização acadêmica.
Receio que tentar mudar nomes consagrados pelo uso, mediante ações intelectuais/oficiais, raramente produz o resultado desejado, até por conta da dificuldade de consenso e da temporalidade daquilo que hoje é considerado "politicamente correto".
De repente, chamar alguém de "negro" passou a ser entendido - nos meios cultos (minoritários) - como uma agressão verbal.
Então me recordo que, em nosso léxico, continua existindo o termo "judiar", com o significado de "fazer mal", "crudelizar". Qualquer dia desses, alguma associação voltada para a "afirmação judaica", exige a penalização de quem venha a usar tal termo.

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Bem na Europa, pelo menos em Portugal o termo mais usal é "cigano", o termo Rom é muito pouco utilizado, mas para falar no povo cigano, penso que seria mais oportuno criar outro fórum para o efeito. Actualmente afirmaçãos como "judiar" ou "fazer judiarias" tem tem um sentido pre-conceituoso, tem na sua origem, mas como significado não. Quando se utiliza esses termos nem sequer se pensa nos judeus. Resumindo, são idiotices políticamente incorrectas. Chamar negro/preto a alguém não é nenhuma agressão, da mesma forma que chamar branco/caucasiano também não é nenhuma agressão verbal. Só pessoas ignorantes pensam assim.

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desculpa querido amigo, mas aqui no Brasil as coisas tomaram rumo diferente, criaram-se leis qto a discriminação de cor,e muitos entendem que chamar alguém de negro é ofensa, são muitas variantes q eu não domino portanto não vou opinar.E criaram-se outras dando oportunidades em repartições públicas e vagas em faculdades p/ afro-descendentes e nativos, bem como p/ estudantes de escolas públicas o q criou alguns paradoxos, como pessoas q negavam sua cor, assumindo-a p conseguir vagas e mais alguns estigmas p/ qm conseguir algum "favorecimento" desse tipo..enfim muitas discussões e creio q tens razão, estamos nos distanciando do fórum em questão e concordo ctgo q não é agressivo .. mas todos entendem assim?

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Então se assim formos a pensar chamar alguém de branco também é ofensa. Rídiculo. E o simples facto de chamar negro a alguém não é em si descriminativo.

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Cinehistória

ABRAÇO PARTIDO

Ariel (Daniel Hendler) é um jovem de vinte e poucos anos, que largou a faculdade e ainda vive às custas da mãe (Adriana Aizemberg). Sua vida gira basicamente em torno de dois locais: a loja de lingeries de sua mãe e o cybercafe local, onde costuma encontrar sua namorada.

Ariel sempre estranhou o fato de nem sua mãe nem seu irmão falarem sobre seu pai, que nos anos 70 partiu para lutar na Guerra do Yom Kippur, em Israel, e nunca mais retornou. Com a crise econômica instalada na Argentina, que força o fechamento de várias lojas tradicionais no bairro onde está a loja de sua mãe, os amigos de Ariel sonham em conseguir a cidadania européia e partir do país em busca de emprego. Ariel também tem este sonho, mas cada vez mais alimenta o desejo de conhecer seu pai e também a verdade sobre seu afastamento da família.

"El Abrazo Partido", filme argentino de 2004 fez bastante sucesso aqui no Brasil. No fundo, sua trama gira em torno de Ariel, que não consegue aceitar o fato do pai tê-lo abandonado para ir lutar na guerra do Yom-Kippur. Essa rejeição à figura paterna também fica explícita no pouco conhecimento que Ariel tem do judaísmo. Face à crise que se abate sobre a economia de seu país, Ariel decide batalhar pelo passaporte polonês (seus avós eram poloneses) e, dessa forma, ter a possibilidade de entrar na Europa e viver com um seguro-desemprego.

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