Olá pessoa, eu participei de uma pesquisa na minha cidade, onde um dos quesitos pesquisado era como as pessoas consideravam a sua cor da pele, e fiquei impressionado como as pessoas de pele negra em geral tinham receio em responder o quesito, muitos diziam para eu mesmo colocar na pesquisa o que eu achava, outros diziam que eram pardos (apesar de terem a pele escura) e outros ficavam constrangidos em responder a palavra "negro", ou ainda perguntavam se eu não estava vendo.
Na minha opinião tudo se deve à carga histórica que o conceito "negro" traz, já que geralmente tal conceito está relacionado à favela, escravidão, pobreza, piadas preconceituosas, etc; não só no nosso país, como no ocidente também. Por isso queria saber a opinião de vocês sobre o assunto.
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Permalink Responder até Isaac Pereira Bastos Neto em 1 abril 2012 at 15:56
Isso é uma questão cultural motivada,como vc citou, de está relacionada à favela,escravidão, etc.. Mas tenho notado que desde que foi incutido o conceito do "politicamente correto" na sociedade, os negros (não vejo nenhuma desonra nisso) ficaram usando esse adjetivo como agressão. No passado os negros usavam o cabelo black power com muito orgulho. O negro deveria valorisar sua cor com muito orgulho por que a honra e a moral não estão na cor da pele. não quero me alongar: Nós brasileiro somos todos mestiços com muita honra!
Bom dia, Oscar de Castro, a sua análise é perfeita e está de acordo com o que mais se vê, quando o assunto é combater o racismo e conversar com os negros sobre ele. Realmente, a maioria absoluta dos negros, ainda não venceram o compelxo de inferioridade que o racismo nos impõe, pois ele é duro, cruel, imobilizante, deixando as vítimas absolutamente paralizadas diante de qualquer menção ao racismo, ou à raça. Isto, aliás, já foi estudado e detectado como sendo a 'SÍNDROME DA ESTUPRADA". Sim, a estuprada, no geral, prefere não denunciar o criminoso para não renovar o sofrimento. De sorte que, somente os negros que já tiveram a oportunidade e a força interior de vencer o complexo de inferioridade, conseguem se posicionar, assumindo a raça, e denunciado como, for possível, a prática do crime de racismo. Quanto ao Sr. Isaac Pereira Bastos, devo notar que está muito equivocado: não é o conceito de politicamente correto, coisa nenhuma, que leva os negros a se posicionarem, mas é conceito juridico penal; o racismo é crime e como tal deve ser punido, é esta providência nacional que está animando os negros (pucos ainda) a denunciarem os atos de racismo. É isso. Negros usavam os cabelos black power, mas eram todos imobilizados, impotencializados,pelo complexo da estuprada, agora a coisa mudou.
Permalink Responder até Isaac Pereira Bastos Neto em 2 abril 2012 at 13:29
Do jeito que vc diz, Sr Otacio, dá impressão que eu coloco panos mornos. Claro que o racismo é crime e quanto a isso não há dúvidas. O que eu quis dizer é que o "politicamente correto" parece que instigou as diversas classes a não aceitarem adjetivos corretos de cada situação. Tenho sangue negro nas veias e não vejo motivos para colocar ódio nas classes minoritárias. Outra coisa: Tem gente faturando nessa luta de classe imposta por pessoas mal-intencionadas. Não quero polemizar o meu modo de pensar.
Permalink Responder até Silvaniza Maria Vieira Ferrer em 2 abril 2012 at 15:39
Verdadeiramente isso é uma questão cultural e de identidade. Há extremos. Existem também aqueles que são capazes de vestir uma camisa que diz "100% negro". Porém, estes últimos fazem parte de uma minoria bem aceita socialmente porque ou participar de movimentos artísticos ou fazem parte de uma elite intelectualizada que tenta vencer os paradigmas culturais do significado de se assumir como uma pessoa "de cor". Infelizmente, por conta do alto nível de aceitação do padrão ariano, a maior parte tenta se "branquear" seja na estética, seja na sociedade. Eu conheço mais de uma mulher de cor escura que ao se relacionar com alguém de cor mais clara e após engravidar, deseja (e confessa para os mais íntimos) que o filho ou a filha nasça com os caracteres do companheiro, ou seja, olhos claros e cabelos lisos e loiros. E quando isso não acontece, fica claro a decepção. Eu acredito que somente quem tem a pele escura e vive debaixo dos preconceitos de nossa sociedade pode julgar tal situação. Nenhuma pessoa que não sofre o mesmo tipo de rejeição social não pode julgar ou condenar essas posturas. Tudo faz parte de uma inserção social, algo desejado por qualquer pessoa, não importa a cor de sua pele.
Permalink Responder até Oscar de Castro Moura Neto em 3 abril 2012 at 9:32
Olá pessoal,
Então, isso acontece (complexo de inferioridade, os desdobramentos de "politicamente correto", ou as demais situações colocadas acima), porque nós historiadores estamos falhando para com o nosso papel de não naturalizar práticas sociais? ou nós não temos "força" para tal? ou são outros motivos?
Também gostaria que Isaac Bastos falasse um pouco mais sobre a relação que o conceito "negro" e toda a sua carga histórica tem com o "politicamente correto".
Prof. Oscar de Castro, se bem entendi, o Sr. está pondo o papel atual dos historiadores em cheque? Há pouco, por coincidência, tive uma conversa com um historiador amigo onde questionei algumas observações que o mesmo me fez, quando justificava alguns fatos históricos com a expressão "outro contexto". Na oportunidade eu contestei, dizendo: então podemos absolver o Hitler, posto que tudo o que fez foi em ouro contexto? De qulquer sorte eu, como negro e intelectual (mais ou amenos) fico contente com a sua iniciativa de trazer ao debate a questão do racismo e, em particulaar, do negro no Brasil, esperando outros trabalhos do gênero.Quanto ao Sr. Isaaque, prometo não polemizar, encerrando aqui o nosso dialogo, não podendo deixar de observar que o seu entendimento encontra eco no de muitos brasileiros que entendem ser um desconforto o politicamente correto em relação às coisas, aos termos usados contra, para muitos, que envolvem os negros e o racismo brasileiro; tão leves, tão brandos, tão democráticos, tão cordiais, como insinua o festejado pernambucano Gilberto Freyre (um quse Deus, para o ambiente acadêmico). Como negro, como interessado nas questões do negro brasileiro, com algumas particiapçoes em debates e com algumas plestras em universidades estou acostumado com as variantes das várias posturas adotadas pelas pessoas, interessadas ou não na questão, que se sentem desconfortáveis, ante pessoas ou entidades que não aceitam mais como corretos certos adjetivos que são, na verdade, verdadeiros insultos, depreciativos, que visam eternizar a posição dos negros, tentando reduzí-los à eterna condição de coisa,lembrando sempre a escravidão. Isso em qualquer nível, mesmo que para os autores lhes pareçam leves brincadeiras, ou pequenas diversões. Encerro com uma frase de um ex-Presidente, em quem não votei "o mundo mudou, o Brasil mudou"
Permalink Responder até Oscar de Castro Moura Neto em 3 abril 2012 at 11:09
Sr. Otacio Bispo,
Em primeiro lugar, obrigado pelo "Prof.", mas logo digo que não sou professor, ainda sou graduando. Em segundo lugar, não foi minha intenção colocar o papel do historiador em cheque, mas se o Sr. achou assim, muito melhor; pois como o Sr. deve saber, o "papel" do historiador jamais esteve cristalizado na dimensão espaço-tempo, já que em todas as correntes de teoria historiográfica sempre existiu um intenso debate sobre a questão do "papel" do historiador, então assim nada mais conveniente de que debatermos sobre o assunto. Mas a discussão aqui realmente é para debatermos a questão de que os negros em geral (sou negro, e não me incluo neste grupo) tendem a negar tal conceito referente a cor da pele. Outra coisa, o Sr. citou que certos adjetivos são verdadeiros insultos, mas eu gostaria de saber quem decidiu que certos adjetivos tidos como corretos eram ou são insultos? E outra coisa, será que nós poderíamos analisar estes adjetivos ditos pelo Sr.; que mais uma vez estão incrustados na dimensão espaço-temporal?
Desde já, agradeço pela a compreensão e colaboração!
Permalink Responder até Professor Americanista! em 12 maio 2013 at 12:26
Além de tudo o que foi dito aqui, que concordo totalmente ou em partes, há a questão religiosa, segundo a Bíblia os africanos são amaldiçoados e tudo o que for NEGRO é demoníaco. Ainda hoje se usa termos racistas sem o perceber, como por exemplo: "Isso foi um momento NEGRO da minha vida", "humor NEGRO", ou a Idade Média como Idade das Trevas, DEVIDO AS TORTURAS e ASSASSINATOS perpetrados pela igreja católica, como todos sabem as trevas também são relacionadas ao NEGRO, ao ESCURO. Esta ligação com o que a biblia cristã relaciona ao NEGRO está no inconsciente coletivo, na mentalidade brasileira, inicialmente fruto da ideologia cristã.
Permalink Responder até Natália do Espirito Santo em 17 maio 2013 at 21:45
Na Biblia tem dizendo esse absurdo? Nossa! preciso le-la melhor! Se puder manda - me o versiculo?
Permalink Responder até Natália do Espirito Santo em 17 maio 2013 at 21:44
Desde o principio , lá em nossa colonização foi imposta ao negro uma condição inferior. Na primeira republica , (um ano após á abolição da escravidão) os mendigos e analfabetos não possuíam direitos eleitorais.Quem eram os mendigos e analfabetos? Os negros. Estas condições impostas pela sociedade de maneira abrupta que formaram o conceito de muitos hoje em dia.
Permalink Responder até Professor Americanista! segunda-feira “O SENHOR, porém, disse-lhe: Portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o SENHOR um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse.” (Gênesis 4:15)
“E começou Noé a cultivar a terra e plantou uma vinha.
Bebeu do vinho, e embriagou-se; e achava-se nu dentro da sua tenda.
E Cão, pai de Canaã, viu a nudez de seu pai, e o contou a seus dois irmãos que estavam fora.
Então tomaram Sem e Jafé uma capa, e puseram-na sobre os seus ombros, e andando virados para trás, cobriram a nudez de seu pai, tendo os rostos virados, de maneira que não viram a nudez de seu pai.
Despertado que foi Noé do seu vinho, soube o que seu filho mais moço lhe fizera; e disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos será de seus irmãos.
Disse mais: Bendito seja o Senhor, o Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo.
Alargue Deus a Jafé, e habite Jafé nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo.” (Gênesis 9:20-27)
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Era uma vez na Anatólia
A novela pode ter acabado, mas a Turquia continua em cena no Brasil. Acaba de chegar aos cinemas do país o filme "Era uma vez na Anatília", co-produção Bósnia-Turquia.
Nas planícies da Anatólia, na Turquia, um grupo composto de um policial, um médico legista e um advogado conduz dois prisioneiros em busca do local onde enterraram sua vítima. Já é tarde da noite e, em meio à escuridão, eles não conseguem mais encontrar o local exato onde foi colocado o cadáver. Entre as divagações e os deslocamentos, o advogado e o médico começam a se conhecer melhor, percebendo que eles têm pontos de vista muito diferentes sobre a vida.
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