"Não é a república que vem, é o império que vai", a frase atribuída a um ministro de Dom Pedro II mostra o quê?

 

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Respostas a este tópico

Olá, Thays!

Na minha opinião, essa frase pode ser lida de pelo menos duas maneiras:

1) Supõe que a chegada da República se deve muito mais ao fracasso e a falta de competência da Monarquia na gerência do Brasil do que às qualidades e superioridade da República;

2) Exalta já um saudosismo e admiração por um tempo de ouro que está sendo substituído por outro, que não possui tanto brilhantismo;

Penso que deveríamos saber melhor quem a pronunciou e em qual contexto para fazer a melhor leitura. Você sabe quem foi o autor dela?

abs!
Caros Senhores(as),

Proferida por um ministro de D. Pedro II, a frase carrega um significado profético e também revela a agudeza da visão política do seu autor (Quem é ele?). Profetizava que não era a República que estava vindo, no sentido de governo da coisa pública, guiado pelos princípios da impessoalidade e moralidade administrativas, mas sim a continuidade das mesmas mazelas e vícios então predominantes, sob a direção de novas lideranças. Para a sociedade nada mudava, restringindo-se a proclamação da República a uma transação entre as elites.
O vocábulo império significa algo superior a um reino. Um império domina sobre outros reinos e governos. Possui um vasto terrotório dentro da região global em que se encontra situado.


Pode-se afirmar que o Brasil foi o Império da América do Sul e do Atlântico Sul. O país derrotou o Paraguai, interveio na política argentina, dominava sobre várias nações indígenas e teve umas das maiores marinhas do mundo. O café era a maior fonte de riquezas, muito embora apenas poucos se fartassem.


Assim, com o fim da monarquia, talvez não mais continuasse as influências imperiais do Brasil.


império (im-pé-rio)

s. m.

Domínio, poder, autoridade: exercer império despótico.

Nação governada por um imperador.

Conjunto de territórios dependentes de um imperador: o Império Britânico.

Estilo Primeiro Império, estilo decorativo do tempo de Napoleão I.

Estilo Segundo Império, estilo decorativo do tempo de Napoleão III.



Fonte: http://www.dicionarioweb.com.br/imperio.html
Olá, Rodrigo!

Não sei se entendi o que você quis dizer sobre o sentido da frase. Para você, a frase significa que a influência do Império no Brasil acabou com o início da República?

Abs!
Oi, Bruno,


Quiz dizer que, de acordo com o autor, o Brasil iria deixando de ser um império, isto é, de ter o mesmo domínio que estabeleceu no continente sulamericano durante a monarquia.
Caros Senhores (as),

O Brasil nunca foi um império no sentido dicionaresco. Quando nos referimos aos Império Persa, Império Otomano, Império Austro-Húngaro, Império Britânico etc. sabemos, com certeza, que se constituíram pelo expansionismo militar das suas nações centrais. O expansionismo militar de Roma produziu o Império Romano e por aí vai.
Talvez pelo fato de o Brasil ter sido a sede do Império Português até pouco antes da nossa independência e, sobretudo, por ter sido concedido a D. Pedro I o título de Imperador, o nosso país passou a ser chamado de Império do Brasil. Na prática, éramos apenas um reino, em que pese a soberania exercida sobre a Província Cisplatina, a qual perdemos logo depois.
Acho que, excetuando-se a influência comercial e política exercida sobre os países do Cone Sul, o Brasil vivia de costas para o restante da América do Sul, na qual era visto inclusive como um estranho no ninho, por ser a única monarquia e nação não-hispânica situada no continente.
Repetindo: o Brasil nunca foi um império no sentido de "impor" seu domínio a territórios estrangeiros.
Exato! Alguns dos monarquistas de hoje defendem que, com o restabelecimento da forma anterio de governo, renasceria o império da América do Sul, tendo em vista a dimensão territorial do país.
Gostei da sua explicação Fernando. Concordo bastante com ela. Também não vejo a Monarquia brasileira dentro do sentido dicionaresco do Brasil. Imagino que o sentido do dicionário não dá conta da complexidade desse conceito, ainda que nos ajude a pensá-lo.

Só discordo em relação a uma coisa: não acho que o Brasil tenha vivido de costas para o restante da América do Sul.
Olhando a história pelos olhos de hoje concordamos que o Brasil pode não ter sido um império. Mas como é que os defensores da monarquia lidavam com esta questão? Qual era a ideologia propagada por aqueles que até 15 de novembro de 1889 ainda estavam no poder?
Entendi! Obrigado, Rodrigo!
É difícil descobrir a paternidade de um filho feio, né?
Pesquisei mas não consegui descobrir o autor desta frase tão comentada.
Como bem disse o Bruno, sem saber o autor podemos apenas supor. No meu ponto de vista, o ministro de D. Pedro II demonstrava seu ceticismo sobre a nova forma de governo, bem como conhecimento dos atores políticos que estavam em cena no momento. Este ministro provavelmente sabia que pouco mudaria alterando a forma de governo, pois os detentores do poder seriam os mesmos, apenas excluiriam da ciranda a família real e continuariam a "brincar de roda" da mesma forma que antes. Fato que poderiamos comprovar com a indefinição de presidenciáveis, até pela falta de um verdadeiro partido republicano. Foi tudo feito meio que a "toque de caixa", pois tudo foi antecipado em cinco dias por conta de um boato lançado, que no futuro se mostrou "fofoca".
No meu entender, ocorreu uma "dança das cadeiras" e, quem levou a pior nisto tudo foi o povo, como sempre, que foi ainda mais desrespeitado e colocado à parte da vida política do Brasil.

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