Na sua opinião, a mestiçagem é um tema bem discutido pela historiografia brasileira?

Florestan Fernandes, Gilberto Freire, Darcy Ribeiro foram alguns dos pensadores que refletiram sobre a questão da mestiçagem (e seus contrários) no Brasil. Na sua opinião, o tema foi bem discutido pela historiografia brasileira? Quais os principais "problemas" e "questões" deste tema para os historiadores?  

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Não vejo mas motivo para se discutir esse assunto, estamos bem resolvido nessa questão, não há nenhum povo no mundo que seja racialmente "puro", as populações contemporânea são a prova viva.

 

Antonio, na verdade, estamos discutindo a mestiçagem enquanto um problema historiográfico e não como ideologia. 

Verdade Bruno .

Tenho acompanhado as discussões quanto a questão da mestiçagem e hibridismo cultural. Até porque desenvolvo os meus trabalhos voltados para a mestiçagem e  a hibridação no campo da religiosidade brasileira. Aqui no Café , tenho percebido que as pessoas estão  mais voltadas para a questão étnica,o que não deixa de ser importante, mas que é só mais um item da imensa lista de objetos hibridos e mestiços ,  principalmente no Brasil e Latino América. Bom , poderiamos citar alguns , para enriquecermos e darmos "startes" aos debates :

a) Idiomas Hibridos : O Inglês falado em Miami ou nos bairros chicanos de LA ( EUA). O português falado no Brasil e as suas influências moura, africana e autócne .

b) Objetos culturais hibridos : Obras de arte, esculturas , monumentos,  e especialmente  a musica latino americana , que é  resultado de intensas mestiçagens e hibridações. A musica americana , o jazz e o soul .

c) Religiões hibridas : O Catolicismo popular brasileiro , o culto a Santos populares e locais, tanto no Brasil como  nos Andes e no México ( Boa morte, por exemplo) . Cito neste caso , em particular , a crença em São Jorge no Rio de Janeiro, suas variadas apropriações , hibridações e sincretizações  ( Ogum , por exemplo).

d) Costumes e hábitos híbridos : Alimentação ( formação de hábitos alimentares) , vestuário.

e) Regiões de fronteira, espaços de negociação cultural ( Mexico x USA ; Turquia x Europa ; Leste europeu x Europa ocidental ) .

Ficaria grato com contribuições e ou sugestões nestas linhas do pensamento sobre a mestiçagem e ou hibridismo .

Abs

Anderson

Estou desenvolvendo trabalhos nesta área e ficaria grato com contribuiçoes neste sentido . Por outro lado, também disponibilizaria materiais e trabalhos já produzidos e fontes bibliográficas que já estou trabalhando sobre o assunto.

Abraços

Anderson

 Penso que sim! Desde Capistrano de Abreu, buscando a identidade do povo brasileiro, além do Gilberto freyre com Casa Grande e Senzala, que procura fazer uma reconstrução da sociedade brasileira a partir dos diversos comportamentos desde a colônia, e, é claro, o Raízes do Brasil do Sérgio Buarque de Holanda, que mesmo sendo escrito nos anos 30 do século XX, ainda é um clássico. Muitos trabalhos historiográficos sobre a mestiçagem ainda têm como fundamento essas leituras. O tema, ainda é a questão da identidade.

É preciso talvez que se comece a pensar uma nova etapa de estudos a partir das mudanças nas posturas da idade contemporânea. Pensar mestiçagem na década de 20,30 é uma coisa. Pensar depois das novas mentalidades dos anos 80,90, principalmente depois da Constituição de 88, das novas redes sociais, é uma outra realidade. Hoje, embora ainda perdure preconceitos e segregações sociais e econômicas, a mestiçagem é vista de outro ponto de vista. Agora é a hora da emancipação, da luta pelos direitos de igualdade e ideais democráticos, de cotas, de orgulho de pertencer a uma raça entre outras coisas. Estudar a mestiçagem hoje precisa de nova metodologia, da sociologia, da busca do pensamento atual, do sentimento de ser mestiço e de se ver o mestiço na sociedade, das novas identidades. Para aquela época, o tema foi muito e exaustivamente discutido. Mas não alcança as mudanças vistas hoje na sociedade brasileira.

Silvaniza: Com todo respeito, "orgulho de pertencer a uma raça" é um conceito nazista. O que nós deveríamos almejar é uma sociedade pós-racial onde as pessoas não fossem divididas por características externas arbitrárias como cor da pele ou formato do cabelo que não têm significado relevante na biologia humana.

Marcelo: com todo respeito, quando eu utilizo essa expressão eu me refiro ao fato que durante muito tempo o negro não cultivava os traços marcantes tentando "disfarçá-los" à maneira dos brancos. Quando falo essa expressão me refiro a uma nova atitude das pessoas mestiças frente à sociedade, enaltecendo suas raízes africanas com orgulho e não com vergonha. Mas pelo que eu entendi não está se discutindo ideologia nesse forum e sim historiografia. Estou errada?Se lhe agrada mais, eu substituo a palavra "raça" por "nação", o que, conceitualmente, não é a mesma coisa. Mas vá lá...

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