Florestan Fernandes, Gilberto Freire, Darcy Ribeiro foram alguns dos pensadores que refletiram sobre a questão da mestiçagem (e seus contrários) no Brasil. Na sua opinião, o tema foi bem discutido pela historiografia brasileira? Quais os principais "problemas" e "questões" deste tema para os historiadores?
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Permalink Responder até Antonio Cancela em 27 dezembro 2012 at 9:29
Não vejo mas motivo para se discutir esse assunto, estamos bem resolvido nessa questão, não há nenhum povo no mundo que seja racialmente "puro", as populações contemporânea são a prova viva.
Permalink Responder até Bruno Leal em 28 janeiro 2013 at 16:55
Antonio, na verdade, estamos discutindo a mestiçagem enquanto um problema historiográfico e não como ideologia.
Permalink Responder até ANDERSON PEÇANHA DO NASCIMENTO em 28 janeiro 2013 at 20:31
Verdade Bruno .
Tenho acompanhado as discussões quanto a questão da mestiçagem e hibridismo cultural. Até porque desenvolvo os meus trabalhos voltados para a mestiçagem e a hibridação no campo da religiosidade brasileira. Aqui no Café , tenho percebido que as pessoas estão mais voltadas para a questão étnica,o que não deixa de ser importante, mas que é só mais um item da imensa lista de objetos hibridos e mestiços , principalmente no Brasil e Latino América. Bom , poderiamos citar alguns , para enriquecermos e darmos "startes" aos debates :
a) Idiomas Hibridos : O Inglês falado em Miami ou nos bairros chicanos de LA ( EUA). O português falado no Brasil e as suas influências moura, africana e autócne .
b) Objetos culturais hibridos : Obras de arte, esculturas , monumentos, e especialmente a musica latino americana , que é resultado de intensas mestiçagens e hibridações. A musica americana , o jazz e o soul .
c) Religiões hibridas : O Catolicismo popular brasileiro , o culto a Santos populares e locais, tanto no Brasil como nos Andes e no México ( Boa morte, por exemplo) . Cito neste caso , em particular , a crença em São Jorge no Rio de Janeiro, suas variadas apropriações , hibridações e sincretizações ( Ogum , por exemplo).
d) Costumes e hábitos híbridos : Alimentação ( formação de hábitos alimentares) , vestuário.
e) Regiões de fronteira, espaços de negociação cultural ( Mexico x USA ; Turquia x Europa ; Leste europeu x Europa ocidental ) .
Ficaria grato com contribuições e ou sugestões nestas linhas do pensamento sobre a mestiçagem e ou hibridismo .
Abs
Anderson
Permalink Responder até ANDERSON PEÇANHA DO NASCIMENTO em 28 janeiro 2013 at 20:35
Estou desenvolvendo trabalhos nesta área e ficaria grato com contribuiçoes neste sentido . Por outro lado, também disponibilizaria materiais e trabalhos já produzidos e fontes bibliográficas que já estou trabalhando sobre o assunto.
Abraços
Anderson
Permalink Responder até Semíramis libonati em 29 janeiro 2013 at 8:33
Penso que sim! Desde Capistrano de Abreu, buscando a identidade do povo brasileiro, além do Gilberto freyre com Casa Grande e Senzala, que procura fazer uma reconstrução da sociedade brasileira a partir dos diversos comportamentos desde a colônia, e, é claro, o Raízes do Brasil do Sérgio Buarque de Holanda, que mesmo sendo escrito nos anos 30 do século XX, ainda é um clássico. Muitos trabalhos historiográficos sobre a mestiçagem ainda têm como fundamento essas leituras. O tema, ainda é a questão da identidade.
Permalink Responder até Silvaniza Maria Vieira Ferrer em 29 janeiro 2013 at 10:50
É preciso talvez que se comece a pensar uma nova etapa de estudos a partir das mudanças nas posturas da idade contemporânea. Pensar mestiçagem na década de 20,30 é uma coisa. Pensar depois das novas mentalidades dos anos 80,90, principalmente depois da Constituição de 88, das novas redes sociais, é uma outra realidade. Hoje, embora ainda perdure preconceitos e segregações sociais e econômicas, a mestiçagem é vista de outro ponto de vista. Agora é a hora da emancipação, da luta pelos direitos de igualdade e ideais democráticos, de cotas, de orgulho de pertencer a uma raça entre outras coisas. Estudar a mestiçagem hoje precisa de nova metodologia, da sociologia, da busca do pensamento atual, do sentimento de ser mestiço e de se ver o mestiço na sociedade, das novas identidades. Para aquela época, o tema foi muito e exaustivamente discutido. Mas não alcança as mudanças vistas hoje na sociedade brasileira.
Silvaniza: Com todo respeito, "orgulho de pertencer a uma raça" é um conceito nazista. O que nós deveríamos almejar é uma sociedade pós-racial onde as pessoas não fossem divididas por características externas arbitrárias como cor da pele ou formato do cabelo que não têm significado relevante na biologia humana.
Permalink Responder até Silvaniza Maria Vieira Ferrer em 29 janeiro 2013 at 14:02
Marcelo: com todo respeito, quando eu utilizo essa expressão eu me refiro ao fato que durante muito tempo o negro não cultivava os traços marcantes tentando "disfarçá-los" à maneira dos brancos. Quando falo essa expressão me refiro a uma nova atitude das pessoas mestiças frente à sociedade, enaltecendo suas raízes africanas com orgulho e não com vergonha. Mas pelo que eu entendi não está se discutindo ideologia nesse forum e sim historiografia. Estou errada?Se lhe agrada mais, eu substituo a palavra "raça" por "nação", o que, conceitualmente, não é a mesma coisa. Mas vá lá...
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O Grande Gatsby
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