Florestan Fernandes, Gilberto Freire, Darcy Ribeiro foram alguns dos pensadores que refletiram sobre a questão da mestiçagem (e seus contrários) no Brasil. Na sua opinião, o tema foi bem discutido pela historiografia brasileira? Quais os principais "problemas" e "questões" deste tema para os historiadores?
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Permalink Responder até Silvaniza Maria Vieira Ferrer em 5 dezembro 2011 at 7:33
Silvaniza,
A História pode ser contestada em todos os períodos. É o ofício do historiador, agir como um tecelão dos fatos.
O tema escravidão é complexo, porém a história que prevalece sobre tal assunto não deixa dúvidas sobre a relação entre senhor e escravo. O número de senhores que reconhecia a condição de homem e não de mercadoria para com o negro torna-se um tanto insignificante na medida em que é sabido qual era o lugar do negro durante o período colonial. Se um senhor, uma sinhazinha em especial fugiu desse contexto de sofrimento de maus tratos sofridos pelo escravo, não entra na estatística histórica.
Em contrapartida, acredito também que alguns senhores mantinham uma relação de amizade com o seu escravo. Agora contradizer os fatos é perigoso. Freyre destaca nessa obra que devido a escassez de mulheres brancas aqui por estas bandas, houve uma necessidade da mestiçagem. E quanto aos estupros que as mulheres negras sofriam? E as índias? Para Freyre," o Brasil era a única nação do mundo em que a democracia racial havia se realizado. Tratava-se de um país culturalmente miscigenado, democrático, livre, sem ódios raciais ou sociais, que vivia em um tempo tranquilo sem presa, feliz".
Agora eu lhe pergunto: existe democracia racial no Brasil? Onde estão os negros na nossa sociedade? Eu respondo. Nos presídios, nas favelas etc. Assim, o tema mistiçagem não se esgota neste universo de discussões. A quebra de paradígmas é o caminho para a compreensão .
Permalink Responder até Bruno Leal em 5 outubro 2012 at 10:00
Silvaniza, você tocou em um aspecto muito importante: Gilberto Freyre nunca romantizou a escravidão. Esse tipo de análise é muito boba e baseia-se mais na obra de críticos do que na obra de Freyre. Bom falarmos disso abertamente.
Permalink Responder até Silvaniza Maria Vieira Ferrer em 13 dezembro 2011 at 17:45
Permalink Responder até Brancaleone em 21 junho 2012 at 22:23
Mestiçagem? isso agora é palavrão!!!
Agora a diferença racial é coisa de lei!!!
A palavra mestiçagem significa a mistura, a miscigenação de pessoas diferentes.Os senhores de escravos eram os donos destes e estes meras mercadorias, por isso era comum que tivessem com suas escravas contatos íntimos,que resultaram em muitos filhos,criando assim várias gerações de mestiços.Havia como se sabe senhores terríveis, causadores de maus tratos a seus escravos, mas havia também pessoas que os tratavam bem, embora escravos no sentido da liberdade de ir e vir.O pior problema foi que os escravos foram libertos sem que tivessem meios para melhor sobreviver e ascender a melhores condições sociais, por isso ficaram livres e ainda escravos.E aí foram misturando-se aos brancos como operários em diversas áreas, o que continuou permitindo a expansão da mestiçagem, que no momento nos deu esse povo maravilhoso que temos no Brasil.Mestiçagem não é palavrão, ser racista é proibido, afinal de contas, a maioria de nós tem o pé na África, ou talvez todos nós o tenhamos.
Permalink Responder até Brancaleone em 22 junho 2012 at 22:45
Pois é, mas num país onde por lei determinadas raças obtem mais direitos ou vantagens que outras, o que é então? A mestiçagem seria um fator de igualdade ( eu por ex . Parte polaco, parte portugues, e por conta duma bisavó "bugra", parte índio e negro...).
Ninguem quer ser "mestiço". Para muitos a palavra soa como "vira-lata". Eu não considero assim. Mestiço é o ápice do não-racismo e portanto, sou Mestiço.
É o mesmo que dizer que toda a humanidade tem o pé na África.A África é o berço da humanidade, por razões que a ciência pode explicar, ocorreram mudanças diversas e hoje somos o que somos.A mistura de raças é muito importante,tem como resultados belas pessoas.
Permalink Responder até Carlos em 23 junho 2012 at 6:54
Na verdade mestiçagem foi um disfarce para a ideologia de branqueamento a longo prazo da população brasileira, que graças a "sabedoria" dos intelectuais e políticos da época falhou e deu no que nós vivemos hoje.
Permalink Responder até Bruno Leal em 25 junho 2012 at 11:01
Não entendi, Carlos.
Mas a mestiçagem começa séculos antes desta "ideologia do branqueamento". Ela começa com a chegada dos portugueses, não?
A palavra mais "feia" que surgiu aqui nesta discussão, foi "branqueamento".Terrível.
Permalink Responder até ANDERSON PEÇANHA DO NASCIMENTO em 3 outubro 2012 at 4:55
Amigos :
A palavra mestiçagem , na perspectiva historigrafica , não está somente ligada a questão etnica ( aqui nem me refiro a racial, que já está totalmente fora do objeto de estudo da pesquisa atual ) . Acredito que deveriamos abrir o debate para outras possibilidades. A aproriação e a reapropriação de objetos culturais é um traço tipico das culturas mestiças ou hibridas. A latino america é um campo vasto . Esta discussão ( ao meu ver com pouca utilidade para o momento ) de cor de pele ou bases étnicas não enriquece o debate . A problemática e o paradoxo são : O que nos torna unicos na mestiçagem ? Acho que precisamos nos desprender um pouco deste discurso de vitimas e algozes. Não que ele deva ser esquecido , mas rememorado com algo a ser desafiado .
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
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