Simancol é o que mais falta para o jornal da "ditabranda": mancheteia triunfalmente a obtenção do que queria usar durante a campanha eleitoral e agora não lhe servirá de quase nada.

Foi garimpar, só encontrou ouro de tolo e ainda tenta apresentá-lo como uma "vitória da sociedade". Me engana que eu gosto.

Finda a eleição presidencial, o Superior Tribunal Militar, como Deus e o mundo sabiam que faria, liberou para a "Folha de S. Paulo" o processo a que Dilma Rousseff respondeu durante a última ditadura, quando foi presa como dirigente da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares e barbaramente torturada.

A decisão foi tomada nesta 3ª feira (16/11), por 10 votos a 1.

Ou seja, nada mais houve do que o cumprimento integral da determinação do presidente do STM, Carlos Alberto Soares: evitar que desse processo falacioso e arbitrário, sem valor jurídico nenhum, fosse extraída munição propagandística contra a candidata em campanha.

Pois só os bem informados sabem serem totalmente inconfiáveis as conclusões dos Inquéritos Policiais Militares da ditadura, contaminados pela prática generalizada da tortura, bem como as sentenças dos julgamentos de cartas marcadas que eram encenados em auditorias militares, com gritante cerceamento do direito de defesa.

Para a maioria da população, poderia passar por verdade o que nada mais era do que a versão forjada pelos déspotas a respeito dos resistentes que, heroicamente, os combatiam. Daí a inconveniência de tal assunto ser escarafunchado em meio ao tiroteio eleitoral.

Após o pleito, com ou sem a ação da "Folha", os documentos seriam mesmo liberados.

Não adiantou o jornal espernear no STM e até no STF: não conseguiu acesso em tempo hábil e ficou impossibilitado de produzir algum factóide eleitoeiro.

Da próxima vez, que vá atrás das informações no momento certo e seguindo suas próprias pistas, ao invés de correr atrás das revelações alheias -- no caso, a matéria de capa da revista "Época" sobre Dilma ( http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI163155-15223,00-D... ), que foi de onde a "Folha" tirou a informação de que o processo da VAR-Palmares estava temporariamente indisponível.

Agora, para justificar a  batalha de Itararé  que fingiu estar travando, será obrigada a soltar alguma reportagem baseada no processo de Dilma.

Pela qualidade atual do jornalismo da "Folha", canto a bola desde já: vai ser imensamente inferior à da Época.

Mas ninguém se surpreenderá, pois vexame é prato de todo dia na espelunca da alameda Barão de Limeira...

Para quem quiser conhecer os detalhes desta comédia de erros (mais uma!), eis o passo a passo:

    * "Folha" trava batalha jurídica para obter munição contra Dilma ( http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2010/10/folha-trava-batalha-juridica-para-obter.html )
    * "Folha" pressiona STM: vale tudo para difamar Dilma ( http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2010/10/folha-pressiona-stm-vale-tudo-para.html )
    * STF bate com a porta na cara da "Folha" ( http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2010/10/stf-bate-com-porta-na-cara-da-folha.html )

E vale a pena ler de novo outro tiro pela culatra da "Folha" contra Dilma, em abril/2009, quando o jornal saiu com a credibilidade em frangalhos:

    * Só faltou a "Folha" dizer: ela é comunista e come criancinha ( http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/04/so-faltou-folha-dizer-ela-e-comunista-e.html )
    * "Folha" admite mais erros crassos na reportagem sobre sequestro do Delfim ( http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/04/folha-admite-erros-crassos-na.html )

Tags: 2010, Delfim, Dilma, Folha, Netto, Paulo, Rousseff, S., STF, STM, Mais...VAR-Palmares, de, ditabranda, eleições, Época

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O maior erro da Folha foi não ter te consultado. Terrorista experiente, bem conceituado e que está entre " os bem informados" conforme vc classifica, pois os demais que não pertenceram à VPR,Colina, VAR Palmares são um bando de idiotas, alienados que somente sabem falar mal de Cuba, Fidel, Marx, etc. Temos a presidente que merecemos, "heroína"; quem sabe ela tenha a virtude da gratidão e te indique para alguma pasta. Talvez seja difícil pois os virtuosos do PMDB, heróis também, serão páreo duro.
Abraço.
Eu, que como milhares de brasileiros, resisti à Ditadura, e entre outras "façanhas" tive de enterrar uma biblioteca, inclusive com o arquivo do partido político ilegal ao qual pertencia, orgulho-me de não ter batido às portas de comissões de anistia, em busca de indenização.
Lutei porque entendia que uma revolução social poderia criar uma sociedade mais justa.
Continuo lutando, como tantos outros companheiros. Fazendo greve. Acorrentando-me às portas do Palácio Piratini. Acampando na Praça fronteira àquele palácio. Peitando, como peitei (no sentido real, material, físico, do termo o comandante do policiamento de choque daquele Palácio), ao lado de meus colegas educadores rio-grandenses.
Envergonho-me daqueles que trocaram o sonho de uma revolução social pela realidade de uma revolução pessoal. Não mais assaltam bancos ou casas dos Ademares de Barros da vida, para financiar a revolução, mas, através de mensalinhos e mensalões, assaltam os cofres públicos, para encherem meias, cuecas e outros objetos com o dinheiro público.
"Mudam-se os tempos, mudam-se as virtudes", já dizia o velho e sempre atual Camões. Há valores que são universais, e por isso imutáveis.
Paulo Monteiro
David, no Brasil, durante os anos de chumbo, só houve um tipo de terrorismo: os terroristas de estado, que utilizaram o poder usurpado para perseguir, torturar, assassinar, estuprar e ocultar cadáveres.

Quem ousou confrontar essas bestas-feras segundo as leis internacionais, a ONU e o Estado brasileiro, exerceu seu legítimo direito de resistir à tirania.
Paulo, pare de repetir a retórica do Ternuma. Se você tem o passado que diz ter, pega mal.

Quando eu e meus companheiros ingressamos na luta armada, ainda meninos (com 17 anos, 18, o mais velho com 21), a chance de morrermos ou sermos massacrados nos porões da ditadura era muito maior do que a de recebermos uma reparação mais de três décadas depois.

Éramos oito. Dois assassinados. Cinco barbaramente torturados, como era de praxe. A única que escapou aparentemente ilesa, ficou paranóica pelo resto da vida.

Os sobreviventes tivemos depois de construir uma vida nas piores condições: estigmatizados na sociedade, preteridos nos empregos, malvistos, com traumas psicológicos e até lesões físicas permanentes (meu caso).

Fiz minha carreira de jornalista prejudicado porque, com meu tímpano estourado, ouvia mal. Nunca pude trabalhar em rádio e TV. Mesmo na imprensa escrita, às vezes tinha problemas nas entrevistas.

Então, com uma esposa grávida e um emprego periclitante, tive o bom senso de ingressar no programa que o Estado brasileiro criou, seguindo as recomendações da ONU para países que saem das ditaduras (apurar os crimes cometidos, punir os culpados, conceder reparações as vítimas do arbítrio e tomar providências institucionais para diminuir os riscos de recaída no totalitarismo são as quatro pincipais).

Então, mais de 35 anos depois de ter sido barbarizado e quase morto nos cárceres da ditadura, essa reparação acabou possibilitando que eu reconstruísse minha vida, pois, nos 50 meses transcorridos entre a formalização do pedido e o primeiro pagamento, minha situação financeira se tornara crítica.

Muita gente gostaria de estar no meu lugar agora. Poucos aguentariam estar onde eu estava em 1970.
Meu Caro Celso:
Confesso que não entendi o que seja "retórica do Ternuma". E, francamente, não me interessa entender.
Tu não sabes o que passei.
Aos 18 anos, filho de um operário que ganhava o salário mínimo, fui convidado a ingressar num banco estatal, em troca de assinar ficha na ARENA. Hoje estaria muito bem aposentado.
Não gosto de discutir minha história pessoal.
Para mim, a lealdade é inegociável.
Acredito que ideias não são metais que se fundem.
Todo juizo de valor é relativo. Observo os fatos.
Para mim, o sonho não acabou. Não me vendi e não me vendo; Não me dobrei e não me dobro. E ponto final.
Se alguém, sob tortura, traisse o sonho, tudo bem!, mas trair depois é indesculpável.
Mas como diz o ditado: "Cada um com seu cada um; cada qual com seu cada qual".
Um grande e fraterno abraço do
Paulo Monteiro
Não se apresse a julgar quem passou pelo inferno de uma luta tão desigual. Desculpe-me, mas quem encarou aquela barra merece respeito.

Só os que se dispuseram a morrer pela causa têm o direito de julgar os que fizeram idêntica opção. Não os que, por um motivo ou outro, não assumiram os mesmos riscos.

O que eu sei é que, só numa passeata no RJ, havia 100 mil brasileiros protestando contra a ditadura. No país inteiro, quantos? No mínimo, 1 milhão.

Quando o AI-5 tornou ineficazes as formas de luta convencionais, quantos se dispuseram a pegar em armas e seguir adiante, ao invés de se preservarem para tempos menos bicudos ou ficarem se iludindo com ações ineficazes como deixar panfletos em banheiros públicos?

No máximo, a luta armada foi travada por 2 mil gatos pingados, entre combatentes e redes de apoio. Um quase nada.

E, mesmo assim, sustentamos bem o fogo em 1969, vimos a superioridade de forças do inimigo se impor em 1970 e continuamos resistindo nas condições mais precárias em 1971, até sermos completamente dizimados em 1972.

As Forças Armadas do Brasil, com substancial apoio dos EUA, levaram mais de três anos para extinguir a resistência de 2 mil pessoas, mal treinadas e mal equipadas, em sua grande maioria civis.

O que fizemos não foi pouco. E nos causou imensos transtornos e sofrimento, durante e depois dos anos de chumbo.

As reparações foram merecidas, sim. Nós as pagamos com nosso sangue.

Não seria justo que nossos dependentes também pagassem, passando privações porque as perseguições e sequelas da nossa luta nos impediram de fazer carreiras mais bem sucedidas. Quem diz que aqui não há macartismo? Quem diz que é coincidência o fato de tantos de nós estarmos desempregados?

Fomos para o Brasil o que os partisans foram na França. Sem eles, o povo francês ficaria identificado com os colaboracionistas da República de Vichy. Sem nós, o povo brasileiro ficaria identificado com os yuppies do milagre brasileiro, mandando às urtigas a liberdade enquanto enchiam os bolsos.

Pense nisso, antes de repetir as bobagens do Millôr Fernandes e as falácias dos sites fascistas, que propagam infâmias, falsidades e calúnias contra os heróis e mártires da luta armada com um objetivo bem definido: "reabilitar" os verdugos como pessoas e a própria imagem do regime totalitário.
Tristes São os Homens

Tristes são os homens
que se esquecem
e já não lembram mais
dos ideais
juvenis.

Será o destino
de todos nós
termos sido
burros
quando
mais jovens?

Nada me deixa mais triste
do que a facilidade
com que algumas pessoas
mais tarde
renegam
a fé que já tiveram.

Será isso evolução
ou traição?

Orgãos da ilusão.

Como é que ficam
os que já creram
nessa falsa
pregação?
(Poema de Júlio Perez, in FUGAZ IDADE, Berthier, Passo Fundo, 2010, p. 44)
Será que os netos dos partisans continuam a desfrutar de polpudas pensões pagas pelos cidadãos franceses ? Tudo que vai de encontro ao que pensam ex-guerrilheiros é rotulado de infâmia, falsidade e calúnias contra aqueles bravos heróis. Merecem um panteão ao lado de Tiradentes e alguns outros.
Netos? Quem disse que as reparações são extensivas aos descendentes?

As famílias dos companheiros assassinados pela ditadura receberam indenizações em parcela única. E se trataram de valores irrisórios, em se tratando de vidas humanas ceifadas pelo arbítrio.

Os sobreviventes, ou uma indenização em parcela única, ou pensão VITALíCIA (ou seja, o pagamento finda quando morrem), acrescida de um retroativo correspondente às pensões acumuladas desde o momento em que seus direitos foram atingidos até o momento em que a Comissão de Anistia julgou seu caso (no mínimo, três décadas).

A indenização se aplica a casos de prisões, torturas, perseguições, danos físicos, morais e psicológicos.

A pensão só é concedida quando a vítima sofreu comprovado prejuízo à sua carreira profissional (como as demissões de funcionários civis e militares impostas pelos sucessivos atos instituicionais).

Ao anistiar uma vítima da ditadura, a Comissão reconhece que ela sofreu danos físicos e/ou morais e/ou psicológicos e/ou profissionais.

No entanto, só quem sofreu danos profissionais recebe o pagamento mensal continuado. Todos os demais, indenizações em parcela única.

Quanto ao panteão ao lado de Tiradentes, não caberiam todos, a ditadura matou demais.

Mas, Carlos Lamarca e Carlos Marighella deveriam, com toda justiça, ser considerados heróis nacionais no mesmíssimo patamar de Tiradentes. Lutarei por isto.
Seria possível os "dois lados?" dedicarem esforços e aproveitarem este espaço de DIÁLOGOS para registrar a história perversa e cruel cujo Estado Brasileiro foi promotor?
Meus jovens alunos, sendo o mais velho de 18 anos, que recomendo que acesse o "nosso café" , será que eles conhecerão algo neste "tenso debate" entre companheiros a qual eu devo a minha atual e humilde trajetória como homem de bem, militante e educador??
Sr. Wilson: não podemos é ficar alheios qdo lemos artigos desta natureza. Colocar um lamarca e marighella ao lado de Tiradentes !!! Terroristas, como os demais, treinados e preparados para uma guerra de guerrilha na qual foram derrotados. " Meia dúzia de gatos pingados" como diz o articulista, mas muito bem adestrados em Cuba e outras paragens cujo único objetivo não era derrubar uma ditadura, mas sim implantar um Estado totalitário tanto ao sabor de marxistas integrantes dos gatos pingados. Foi sim uma guerra de guerrilha cujo final salvou o BRASIL das garras comunistas. Por analogia, ao sabor do nosso Grande Timoneiro, foi um Brasil x Argentina e deu Brasil porque era muito melhor. Grande abraço professor.
Sr. David,

o Sr. parece ter passado os últimos 25 anos no Alasca. Repete o que a ditadura trombeteava, quando o Brasil estava sob férrea censura e ninguém tinha como restabelecer a verdade dos fatos.

Hoje, o que eu escrevo é o que escrevem os historiadores conceituados e é como o Estado brasileiro interpreta esse período sombrio da nossa História.

De resto, não existem propriamente "dois lados", Wilson Roberto. Existem os cidadãos que adotam os valores civilizados e os que compactuam com golpes, terrorismo de estado, torturas, estupros, assassinatos, ocultação de cadáveres e todo o festival de horrores desencadeado pelos usurpadores do poder.

Questiona-se a igualação de Lamarca e Marighella a Tiradentes, como grandes heróis nacionais. É bom lembrarmos que o alferes enfrentou um inimigo infinitamente menos bestial e sanguinário. Os porões da ditadura brasileira têm como equivalentes os da Gestapo e os da Santa Inquisição.

E, na fase final da luta armada, quando a diretriz passou a ser a de não deixar nenhum resistente vivo, levando-os para serem torturados e executados em aparelhos clandestinos da repressão, o paralelo histórico é com Vlad Dracul e que tais...

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A Memória que me contam - 2013

Entrou em cartaz o novo filme da diretora brasileira, Lúcia Murat, o drama "A Memória que me contam".

A ex-guerrilhera Ana (Simone Spoladore), ícone do movimento de esquerda, é o último elo entre um grupo de amigos que resistiu à ditadura militar no Brasil. Com a iminente morte da amiga, eles se reencontram na sala de espera de um hospital. Entre eles está Irene (Irene Ravache), uma diretora de cinema que sente-se perdida diante da iminente morte da amiga e que precisa ainda lidar com a inesperada prisão de Paolo (Franco Nero), seu marido, acusado de ter matado duas pessoas em um atentado terrorista ocorrido décadas atrás na Itália.

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