Parte da intelectualidade brasileira insiste em considerar Virgulino Ferreira da Silva, o "Lampião", um bandido social; não do tipo "Robin Hood", que roubava dos ricos para dar aos pobres, mas do tipo vingador. Aquele miserável camponês que pega em armas para se vingar das ofensas e injustiças que lhe foram impostas pelos poderosos proprietários de terras, invariavelmente com a Justiça nos seus bolsos. De tempos em tempos, a própria mídia entrevista contemporâneos e descendentes de Lampião, que sempre contribuem para avivar sua fama de herói.

A pergunta é: à luz dos fatos reais, Lampião era de fato um herói ou um dos piores vilões (homicida, ladrão e estuprador) da história do Brasil?

Tags: banditismo, cangaço., social

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Meu caro Fernando,o meu conceito com relação a "Lampião",e a seu bando, é a seguinte;estes individuos são frutos de uma epoca,onde imperava no nordeste do pais um coronelismo muito mais arraigado do que hoje.
Segundo estudos que realizei,a respeito,de Virgulino Ferreira da Silva,este durante sua adolescencia era um jovem como outro qualquer de sua epoca,um trabalhador,que ajudava seu pai no transporte e distribuição de mercadorias.
Porem,em um determinado dia seu pai foi assassinado,e como era praxe da região Virgulino,armou-se e foi a forra providenciar a justiça com suas proprias mãos.
A partir de então deu no que deu,tornou-se um foragido da justiça,a partir de então formou seu bando a exemplo de outros que ja existia,a partir deste momento nasceu o mito "lampião",portanto não creio que seja um bandido ou um heroi,apenas fruto de um meio comturbado,onde a presença do estado era praticamente inexistente,sendo a região comandada como sempre por coroneis,que de certa forma tambem não deixavam de ser contraventores abrigados pela politica local.
Um abraço.
Caro Sr. José,

O Sr. simplesmente reproduziu como teve início o mito de Lampião, o rapaz indômito que exerce a vingança pela morte do seu pai. Segundo os costumes da época, essa vingança era perfeitamente legítima e era o comportamento a se esperar de um "cabra macho" honrado. Teria sido a partir do episódio da morte do seu pai que Lampião ingressou na vida do crime.
Todavia, isto é uma deslavada mentira, já que Lampião e seus dois irmãos, Antônio e Levino, já eram cangaceiros afamados e temidos por ocasião da morte do pai, em 18 de maio de 1921. Os filhos foram os responsáveis diretos pela morte do pai, uma vez que estavam sendo caçados por Amarilo Batista, chefe de polícia de Água Branca (AL), em razão do ataque ousado que praticaram, poucos dias antes, contra a vila de Pariconhas, onde surraram o delegado amarrado a um poste e roubaram 18 contos de réis. O pai, coitado, mesmo não tendo nada a ver com o ocorrido, teve que fugir para o sítio de um amigo, onde acabou sendo fuzilado pela tropa de Amarilo.
Sr. José, concordo quando diz que Lampião foi um fruto do seu meio; porém, com certeza, isto não lhe suprimiu a capacidade de discernir o certo do errado.
Meu caro amigo,e por isso que eu gosto da histiria,pois,a cada comversa aprendemos mais um pouco não existe verdade absoluta,alguem tem sempre um fato novo a agregar no tema. parabens.


Uma abraço.
Lampião foi um pouco de tudo, e como muitos jovens que enveredam na vida do crime nas grandes cidades, ele foi fruto de uma cultura e de um meio social, onde aprendeu a se defender o que acreditava ser justo e a sobreviver. Certa feita quando a coluna Prestes subia pelo Nordeste, por intercessão de Padre Cícero, Lampião aceitou combater a coluna Prestes e a deixar o cangaço. Armado com o que tinha de melhor naquela época, e com aproximadamente 100 homens foi ao encontro da coluna. Contudo, soube antecipadamente, quando já se aproximava do Estado de Pernambuco, que os oficiais da polícia local e do exército não aceitavam a sua patente de Capitão dos Batalhões Patrióticos Virgulino Ferreira da Silva e que estavam dispostos a prendê-lo. Muito embora tenha se comprometido com Padre Cícero (única autoridade que tinha o respeito de Lampião) a combater ao lado do Exército contra a Coluna Prestes em troca de anistia de todos os seus crimes, Lampião não tolerou a ofensa. Deu liberdade para quem desejasse debandar ou lhe seguir no cangaço. Assim, com novo armamento, farta munição e com um bando ainda maior do que tinha abandonou a empreitada e novamente mergulhou no cangaço. Esta é apenas uma das muitas vezes que o Governo brasileiro deu um tiro no próprio pé.
Caros Senhores(as),

Não foi o Governo brasileiro, por intermédio do padre Cícero, que convocou Lampião para combater a Coluna Prestes. A iniciativa partiu da aristocracia rural, da qual o próprio padre Cícero fazia parte. Apesar de não ter dado combate à Coluna, como se comprometera, para o resto da vida passou a se assinar "Capitão Virgulino".
Mas teve apoio do Governo Federal.
Nobres amigos lampião não foi um bandido social e tão pouco pensava nas pessoas de sua região, numa entrevista que ele consedeu em juazeiro ele mesmo fala que o negocio estava dando muito certo e que não tinha pretenções nenhuma de larga, ou seja era meio de vida mesmo.
na grande verdade ele tinha muita influencia com os coroneis e politicos que fornecia armas para seu bando em troca de favores e desta forma o bando era bem aparelhado com o melhor da epoca; assim lampião era temido em toda região, acredito que o mesmo começou com a pratica de sequestro e estorções que rendia um bom dinheiro, Lampião era um dois piores ladrões do inicio do séc. passado.
O fato de ele ter contratado cinegrafista estrangeiro para auto promoção teria de ser analisado.Esse tipo de atitude ou pode ser considerado de índole narcisista, o que reforçaria a sociopatia de Lampião, ou uma jogada de `marketing` muito bem engendrada, pois teve repercussão mundial.Fico com a primeira , pois livros antigos de historietas da época narram atrocidades muito perversas e que mesmo os comunistas na Espanha e nazistas na Russia não reproduziram alguns anos depois.Existem passagens em que um deficiente mental foi sacrificado para sua gordura ser usada na lubrificação das armas do bando, e a passagem da gaveta prendendo a bolsa escrotal do sujeito, que á sua disposição teria somente uma faca para livrar-se antes da casa incendiar-se por completo, é de tamanha brutalidade que custa a crer sua veracidade.Requintes de brutalidade como esses não podem ser permitidos a algum paladino social ou mesmo vingador
É gente, essa é uma questão muito complicada de se responder, é muito complicado classificar o personagem assim. Por sinal, minha monografia teve exatamente este tema: a ambiguidade da figura de Lampião, que em determinados momentos é exposto como herói rústico e em outros figura como o flagelo do sertão.
Obviamente não vou falar aqui sobre tuo q li ou tudo o q escrevi, mas algumas considerações posso fazer.

Em primeiro lugar ninguém na face da terra, é somente bom ou mau. Isso não poderia ser diferente com Lampião.
As atrocidades cometidas, são incontáveis, incluindo as citadas pelo amigo Flávio acima (embora a do deficiente físico eu não conhecesse e me pareça inverossímil...). Porém, há de se lembrar de como estes relatos foram passados: oralmente e até chegar à fonte que publicou isso em algum lugar (caso contrário não teríamos conhecimento, né), passou por muitas pessoas, ou seja, pode ter sido alterado um detalhe aqui, um nome acolá. Há casos em que uma mesma atrocidade teve tres fianis diferentes!
Assim, é preciso cautela ao acreditar na imagem de bandido cruel que assola os sertões, sem, contudo, esquecer q se acreditaram nesses "causos" é pq ele eram em sua maioria, no mínimo, verossímeis, não chegavam a soar como fantasiosos.
Quanto a ser um Hobbin Hood caboclo, defensor da honra e dos injustiçados, embora ele realmente não se importasse com os pobres, fazia de vez em quando um agrado a eles pq dependia de ajuda deles pra esconder o bando e afins (essa ajuda eventualmente era obtida na marra). Além disso, ele gostava de ostentar a imagem de bondoso. Uma coisa legal e q exemplifica o q eu falei é a versão original da Mulher rendeira:

Oiê Mulher Rendeira;
Oiê Mulher Renda.
A pequena vai no bolso;
A maior vai no borná.

Segundo um dos cangaceiros q andou com ele, era seu costume trazer pequenas notas nos bolsos pra quando desse dinheiro aos pobres tirar sem contar e simplesmente dar, por isso é q as notas grandes iam no bronal, do qual não se distanciava nem pra dormir.

É gente, chega né? Espero ter ajudado com algumas questões.
Abraço a todos.
Quer conhecer mais sobre o cangaço, Lampião e afins? Leia o livro "Guerreiros do Sol, de Frederico Pernambucano, o historador do Brasil profundo.
Boa tarde, amigos!Gostaria de acrescentar às respostas dadas, que realmente não podemos chegar a um consenso em vários pontos da história do Brasil e do mundo.Essa mesma interrogação sobre lampião pode ser feita com relação a outras personagens da história nacional.podemos perguntar por exemplo sobre Getúlio Vargas, Leonel Brizola, Lamarca,Juscelino, Antônio Conselheiro, Tiradentes, etc....Não que pudéssemos perguntar se foram bandidos sociais ou assassinos sanguinários, e sim, quais eram seus reais interesses em suas atitudes sociais ou políticas. As respostas que surgirão dependerão da subjetividade do pesquisador, assim como do interesse de sua pesquisa.
Devemos perguntar então:quantos coronéis viveram no mesmo período histórico de Lampião que foram mandantes e/ou realizadores de crimes e que nenhuma pesquisa foi realizada até hoje se eles foram somente figuras políticas ou coronéis sanguinários? Bandido social na história do Brasil é todo aquele que contesta o "status quo".Quantos bandidos sociais temos hoje? Quem é considerado assassino sanguinário nos dias atuais? Reflentindo sobre essas interrogações podemos tentar compreender o universo social e político de Lampião e seu bando.
para o senhor lampião foi bandido ou heroi ?

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